segunda-feira, outubro 16, 2006

BMW

Na cidade de Montreal, o BMW é provavelmente o meio de transporte mais usado entre a população. BMW não significa o conhecidíssimo automóvel alemão, bem "popular" por lá, mas sim a Santíssima Trinidade da locomoção, a saber, Bus-Metro-Walk. Você anda, pega um metrô, um ônibus, anda e chega. Nada mais prático.

Infelizmente, quando eu estava sendo produzido lá no céu (espero), Deus olhou pra baixo... viu um ônibus... olhou pra minha cara... uma luz brilhou e Ele disse "Onibus e Raphael jamais se darão bem." Posso ter um amplo conhecimento sobre os temas mais inúteis, mas nunca soube pegar ônibus. Amo metrô. Odeio ônibus. Simplesmente não dá certo comigo.

Em Montreal, eu não me importava muito com ter de usar esse transporte. Na maioria dos pontos havia um mapa da região, indicando a rota pela qual determinado ônibus iria passar. Ao lado, um painel indicava o horário de cada ônibus. Para facilitar ainda mais a minha vida, 99% dos ônibus tinham escrito em letras garrafais, na frente, a estação de metrô para a qual se dirigiam. Em todos os pontos, havia uma placa com o número do ônibus e a estação de metrô respectiva. Eu não me confundia. Era quase um metrô sobre rodas. Por isso gosto tanto de metrô. As informações são abundantes; sei exatamente pra onde estou indo.

Em Brasília, desde 1997 eu não pegava um ônibus. Nunca entendi direito a lógica por trás dos ônibus daqui, se é que existe alguma. Hoje resolvi me aventurar, começando pelo mais fácil. Fui até o ponto na 213 Sul. Meu destino era a 208 Sul. Linha reta. Não tem erro. Cheguei na 213 por meio de uma daquelas obscuras e pixadas passarelas que passam por baixo do Eixão. Lá dentro, meio dia vira meia noite e o cidadão deve evitar olhar demais para quem cruza seu caminho. Uma vez na quadra, fui até o primeiro dos três pontos em frente ao Templo da Igreja Universal. Tou com Deus-pensei. Deus que me fez avesso a ônibus.

Eram três pontos e nenhuma informção sobre o destino do que pararia naqueles pontos. Por que não colocar uma placa com a rota dos ônibus ou alguma informação legível para um cara onibusmente inculto como eu? Ah! Lembrei... Placas informativas não costumam durar muito por aqui. Acabam pixadas, na melhor das hipóteses. Mas tá, isso é outro detalhe!

Três ônibus passaram e me deixaram a ver navios. Devia estar no ponto errado, mas, como saber? O quarto ônibus chegou e a porta se abriu. Perguntei se iria passar na 208. Também se não passasse já era tarde por que ele já estava andando quando terminei a pergunta. Lembrei um detalhe que eu não gostava em certos ônibus. Ter que ficar perguntando coisa. Homens não são geneticamente preparados para pedir informações. Após terminar a pergunta, lembrei do meu segundo fator anti-ônibus: os impulsos de velocidade. Na primeira arrancada, não consegui segurar e quase me espalhei no colo do motorista. Meu guarda chuva por pouco não acerta um menino que me olhava sem entender a cena. Paguei minha entrada e o ônibus parou no próximo ponto, me jogando como uma jaca em cima de uma senhora. Pedi desculpas. Perdi minha saída enquanto me recompunha. Desci uma estação depois, meio quebrado, com o cobrador me ensinando "Ô CAIPIRA, É POR TRÁS QUE DESCE!!!"

De que adianta ir contra a vontade de Deus? O "B" do BMW definitivamente não foi feito pra mim...

2 comentários:

Juliana Toledo disse...

Pois bem Rafa. Acho que Deus quando "me desenhou" também viu que não nascera para andar de onibus, mas o destino foi meio cruel. Em meio aos 23 anos de idade, seria incalculável dizer quantas milhares de vezes andei em um. Posso lhe garantir que enfrentei, desde onibus razoalvelmente andáveis, até os mais "toscos" possíveis. Sem contar as milesimas vezes que fiquei em uma parada de onibus a espera de um. Se lhe serve como consolo, contarei as piores experiencias que pude ter. Ou melhor, relatarei um fato incomparável. Hoje mesmo, eu e Taty, estavamos a caminho da Foco, quando de repente desaba um temporal. Nós, mulheres "elegantes" ou "não", estavamos devidamente produzidas. Salto alto, maquiagem...por hoje escapei da "escovinha"...rs...Não contávamos com a idéia de ter que se "esconder" em uma barraquinha que vende doces para escapar da chuva. Ficamos na parada, frente a UCB, por alguns intermináveis minutos. Por fim o "abençoado" onibus chega. Em meio a multidão que tentava enlouquecidamente adentrar no onibus, conseguimos alcançar os primeiros degraus. O onibus, lotado, cheirava a cachorro molhado. Um odor inexplicável. Era uma mistura de mofo, com condicionador vagabundo. Nada contra eles (os condicionadores). Pois bem, após tantas barreiras para "entrar no abençoado que nos levaria ao trabalho", pudemos constatar: Não haviam vagas para nos sentarmos. Ficamos feito "saco de batata" sendo sacudidas de um lado para o outro. Como se não bastasse, nenhuma alma se comoveu com nossa situação e, tivemos assim, que carregar nossos cadernos. Como diz minha querida mãe, esducação é para todos!!!, mas aqueles infelizes não aprenderam esta parte da lição. Viemos eu e nossa querida amiga Taty "balançando" até quem um jovem homem se levantou. E agora? quem senta? A Taty muito solidária ofereceu a mim aquela vaga, já que meu pé está dodói. Todos olhavam com cara de esperança para aquele banco vazio, com o intuito de poder sentar e descansar por, pelo menos, alguns minutos. Vida de pobre é dificíl. Mas quem mandou não estudar???????
Bjoks!!!

Tati disse...

Caramba Rafa, primeiramente estou abismada por você ter se aventurado a pegar um BUS hoje. Poxa ninguém merece andar naquilo. Hoje por exemplo, eu e a Ju entramos num BUS lotado na CAtólica para virmos trabalhar. Estava chovendo, eu com minha bolsa gigante, meu guarda-chuva me molhando e respingando nos outros passageiros e além disso, ainda tinha meu caderno para segurar. É triste essa vida.. ainda mais quando não tem nenhuma pessoa gentil no ônibus que veja seu sofrimento e se ofereça para segurar suas coisas...
Mas venho aqui falar sobre a minha admiração pelo METRÔ.. poxa ele é demais! Eu confesso que adoooro e se pudesse pegava todo dia..
Na verdade eu tinha era que dirigir, mas preciso fazer tratamento para acabar com o medo que tenho de pilotar um carro..rsrs Esse vato é verídico e me dói muito.. mas um dia eu consigo vencer esse medo que me aflinge e convido vc, a Ju, a Dan para passear de carro comigo...
Bem, amo seus textos, sou suspeita.. mas quero parabenizá-lo mais uma vez! Sou fã do que você escreve e sempre que eu puder eu estarei aqui para opinar e dar minha contribuição ao seu lindo Blog.
Amigo, mas é no ônibus que acontece situações inesperadas, engraçadas e inesquecíveis..só quem anda para saber! Eu já vivenciei váriassss..e hoje ainda com a presença da Ju a gente viu uma menininha vomitando em cima do pai.. no colo dele.. eles já iam descer... eca.. mas acontece.. ela deviria estar enjoada com aquele ônibus abafado e cheio de gente..
Mas aparece cada figura que se eu fosse relatar aqui ficaria um dia escrevendo.. mas aos poucos vou lhe contando.. você vai sorrir demais!
Me diverti muito aqui..você é surreal, demais!!
Beijooss da amiga Tati e até mais

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