segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Politicamente Correto.

Nos Estados Unidos, nigger, termo referente aos negros é considerado altamente pejorativo. Palavras como essa, taxadas de "racistas" foram banidas, reprimidas e censuradas no berço da democracia.

Ouvi dizer que no Brasil está sendo aplicada uma cartilha da fala politicamente correta, cópia da americana. Afinal, o que é bom para eles é bom para nós. Prega a cartilha, que certas palavras devem ser substituídas. Judiar, por exemplo, quer dizer "tornar judeu". Deve ser substituída por maltratar. Alcoólatra, que significa "aquele que tem idolatria pelo álcool" deve ser substituído por alcoólico. Raça vira etnia, Negro vira afro-descendente e homossexualismo vira homossexualidade.

Se a moda pegar, fico imaginando o impacto na nomenclatura brasileira. Raras vezes me lembro de ter ouvido o termo "Negro" e derivados com sentido pejorativo por aqui. Inclusive, uso muito a palavra "nego" ao falar. É prática para designar uma ou mais pessoas. Para tudo, é um termo muito usado. Enfim... Voltando à questão dos nomes, ícones da nossa música teriam que mudar.

O antigo grupo de pagode Raça Negra passaria a ser conhecido como Etnia Afro-Descendente, sob pena de ter seus trabalhos condenados por racismo. O mesmo ocorreria com o Afro- Descendentezinho da Beija-Flor, o Afro-Descendência Júnior, Cidade Afro-Descendente... O que dizer do famoso biscoito da Nestlé? Passaríamos a comer Afro-Descendentescos! Me faz sentir meio antropofágico... E, para finalizar, colocaríamos um acento no NÉGO, na bandeira da Paraíba, para não possibilitar interpretações erradas.

Photobucket - Video and Image Hosting mendigo_Bêbado

Conhecido habitante das portas de boteco, o afro-descendente-alcoólico, no passado chamado de "nêgo-bêbo"(fosse este alemão, japonês ou zulu...).

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Imagem Turística

Há cerca de um mês, recebi um e-mail falando do filme "Turistas". Aparentemente era uma produção Grande-Satânica, como diriam os aiatolás para acabar com a imagem do Brasil. Com tantas mensagens de ódio e pedidos de boicote, resolvi dar uma de rebelde e fui ver os tais TURISTAS.

Primeira má notícia aos nacionalistas de plantão preocupados com a nossa imagem lá fora: a tal imagem tende a ser pior do que o mostrado no filme. Brasil é o país do BBB; Bola, Bunda e Birita. Isso tudo é imaginado num cenário de selva, onde cidades como o Rio de Janeiro não passam de favelas onde homens, macacos e serpentes convivem em relativa harmonia. Carros dos anos 50 circulam pelas ruas sem asfalto por entre urubus e mendigos leprosos. A mulher brasileira representa o máximo da sensualidade e da promiscuidade. Nenhuma se veste com muito pano e todas são eternamente CALIENTES, afinal, aqui se fala espanhol. Os homens brasileiros usam roupas espalhafatosas, são malandros, trapaceiros e loucos por futebol. Como ao menos nosso povo é caloroso e acolhedor, todos esperam ser tratados como reis por aqui, ao chegarem cheios de dólare$. Essa é a imagem que muitos estrangeiros têm e eu fui testemunha!

Segunda má notícia é que a nossa boa imagem, se é que esta existe de fato (ainda não perdi as esperanças de encontrar no estrangeiro uma imagem realista do Brasil), é que nós mesmos não contribuímos muito para tanto. Sejamos honestos. Um garoto arrastado no Rio de Janeiro e, duas semanas depois mulatas rebolando no Carnaval da mesma cidade, numa efêmera ode ao "ninguém é de ninguém" é muito confuso para a cabeça de um gringo civilizado.

"Turistas" não traz nada de novo para a nossa imagem lá fora. Futebol, mulheres fáceis, natureza exuberante e praia. Dentro do estereótipo, isso é o que temos a oferecer. No filme, o assassino age como um Robin Hood dos açougues. Tira as entralhas dos ricos (que fizeram isso com o nosso ouro) para doar aos hospitais públicos. Ao menos o assassino tem coração (mais de um! ha ha ha). Quase me comovi. Os bandidos, porém, ficariam revoltados com o filme. Mancha toda a imagem da bárbara bandidagem nacional, onde órgãos de turistas seriam no máximo doados aos cachorros. No mais, o filme tem péssimas atuações, o que faz com que ele caia no ridículo. Desde o ônibus "Rapidão", que mais parece saído de um Magical Mistery Tour, até as falas dos bandidos em inglês permeado de palavras em portugês.

Falando no Rapidão, ali ocorre um dos momentos mais interessantes do filme onde um desenho pornográfico no banco dá boas vindas aos turistas. "Isso tem que ficar registrado para a posterioridade", diz a entusiasmada turista que nunca viu um desenho tão criativo na vida dela. Brasil também é arte! Agora, fico aqui sentado aguardando o resultado das escolas de samba do Rio e um Turistas 2: Inferno em São Paulo, Turistas 3: Carnificina em Recife, Turistas 4:Salvador em Fatias... Temos material suficiente para inúmeras sequências turísticas...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Querido inverno.

Por vezes, sou acometido por crises de não-criatividade. Torno-me totalmente improdutivo. O blog para. Na falta do novo, vem o velho. O vale a pena ler de novo.
Por que não resgatar um velho texto de 2004? Enjoy!

DEAR WINTER... =/

Para aqueles que não me conhecem, eu moro no Canadá. País dos castores, do mapple leaf, do hockey e da neve. É disso que eu vou falar. A neve. Muito brasileiro ouve neve e pensa logo na coisa branquinha, fofinha, no Natal... Sei lá... E quer ver a neve! Quer brincar na neve. A neve se torna um sonho de consumo. Um verdadeiro objetivo de vida! O carinha pode até morrer após ver a neve. Ele morrerá feliz.

Então vamos à verdade. Eu dividiria a neve em 3 tipos. Os esquimós, ou INUITS como devem ser chamados, bem mais observadores e criativos do que eu, têm 40 palavras para designar a NEVE. Me contentarei com apenas 3 mesmo. A primeira, seria a neve que você vê (nas fotos, sabe?). Vê e sonha em estar lá fazendo um boneco de neve ou fazendo bolas pra jogar na namorada. Sinto desapontar, mas bonecos de neve são bem mais dificeis de se fazer do que parecem.... Dependendendo da consistencia da neve, ele simplesmente não fica em pé.

A outra neve é quando você viaja para Montreal no inverno. Neve de turista. Fica 4 dias... Dá tempo de ir no parque, deslizar e até tentar o famoso boneco de neve!! Poxa.... Branquinho, fofinho... Legal!

LEGAL?! Aí é que você se engana!!!

Chegamos a terceira neve, a neve de quem mora na neve! A neve nossa de cada dia, por 5-7 meses. Cai branca... 10 minutos depois está transformada num lamaçal cinza, misturada com terra, químicos, oleo de carro entre outros. Chamam de SLOCHE. Muitas vezes a sloche é composta por água (derretida) e neve boiando por cima, de modo que quando você pisa na neve, seu pé afunda e "...Bordel de merdeeeeeeeeeee!!" você mergulha seu pé tal qual um camarão no molho chinês... Parabéns. Agora o pé agora faz "pletch pletch" numa sopa de rua GELADA dentro do sapato. Mas não para por aí. Tem as tempestades de neve. É tão lindo você sair do cinema e ver que seu carro se transformou no Mont Blanc... Muitas vezes, além de cavar o carro, uma verdadeira busca arqueológica, você tem que cavar a rua para que ele possa sair. Se sair... Além disso, tem o que eles chamam de VERGLAS. É quando está 0,5 graus e chove. Chove muito. E a temperatura cai pra -5 logo em seguida. Toda a água congela. Você se sente no Holiday on Ice. Certa vez, estacionei o carro sem acelerar... Só no embalo. Em volta do carro, havia se formado um verdadeiro "casulo de gelo". Finalmente, antes que eu escreva uma bíblia sobre o tema, tem a combinação exótica NEVE + FRIO. Ontem por exemplo, fez -37. Não dá pra respirar direito. Sua boca racha, a pele seca, e o ar te queima por dentro. A média de -15 graus no inverno faz de Montreal uma das metrópoles mais frias do mundo, na frente de Helsinki, Reykjavik e Moscou.
Agora, se vocês ainda amam a neve, eu não tenho nada com isso. Eu avisei...

Dom Rafa, revoltado com os -37, louco por uma praia brasileira.

(Escrito no blog "Pedra Fundamental",
09/01/2004)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O Haiti é aqui?

Vocês já devem ter visto reportagens sobre o Haiti. Ou algum lugar muito pobre da África, ou até mesmo do Brasil. Devem ter reparado que sempre no local pobre existem galinhas. Estas, costumam ser magras, depenadas e de cor escura. Quando urbana, a galinha é uma ave da favela. A referência específica ao Haiti veio por eu sempre ter associado Galinha Preta com Vodu e Vodu com Haiti.

Pois hoje eu vi uma cena Haitiana, digna de presença neste Blog! Como eu gostaria de ter uma máquina fotográfica em mãos... Um grupo de quatro penosas, das pretas, das que participam das cerimônias de Vodu e não voltam pro galinheiro, se alimentavam pacificamente num gramado em frente ao Brasília Shopping. Esfreguei os olhos; olhei novamente para ter certeza de que não eram pombos gordos. Eram galinhas! Em pleno meião de Brasília, onde Asa Sul e Asa Norte se encontram. Procurei ao redor alguém que pudesse ser o dono das galinhas e não achei ninguém.

Fosse numa favela, numa cidade pequena do interior, eu acharia normal. Mas em um setor comercial da cidade, peruando em meio a executivos de terno, as galinhas davam um tom um tanto exótico à paisagem. É a alta burguesia se encontrando com o baixo clero. Até Vodu pode sair desse encontro...

CURIOSIDADE para os CURIOSOS:
Em francês, o termo "volaille" poderia ser traduzido como "ave". "Vol" vem de vôo. Volaille, seria "aquilo que voa". O termo, entretanto, é usado para designar animais de carne branca, como galinha, peru e... coelhos! Por uma estranha regra gramatico-gastronômica, em francês, coelhos têm o poder de voar!
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