quinta-feira, março 29, 2007

Lanternas chinesas

Na última semana, minha mãe foi até a Feira dos Importados, onde vendem toda sorte de produtos de origem escusa. Na volta, ela trouxe consigo uma peculiar lanterna que funciona com um dínamo, segundo a explicação do vendedor oriundo da província de Qinghai (青海) que mal sabe falar portugês. Interessantíssima a descrição do produto, traduzida para o inglês ao pé da letra. Segue a citada, sem nenhuma correção ou exagero da minha parte:

I found this in the side of a "made in China" pocket flashlight's box... It is written in a rather odd way. Here it goes:

PRODUCT CHARCTERISTICS:
1. This product is a new science and technology product and made with high and new science and technology. It can illuminate only by placing it in rhythm.
2. No need any power. no environmental pollution. Low noise and health. Compared with common torch. it can be several times on lift. The skull is opened before the use: Take out among the battery isolation paper.

Essa última frase me deixou particularmente assustado. Acho que o BORAT deve ter ajudado a escrever essa descrição.
This last statement scared the hell out of me! I bet BORAT had his part on writing this description...

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Wa-wa-wee-wa

segunda-feira, março 26, 2007

Minha linha do tempo.

Sobre o cara que escreve esse blog...

Em 1979 eu nasci. Vim antes do tempo, sem muito aviso prévio. Nessa época eu era naturista. Quem me conheceu, já me conheceu sem roupa. Hoje eu sou mais conservador.

Não me lembro muito bem do que aconteceu entre 1979 e 1981. Lembro de um susto, o meu primeiro, quando um amigo do meu pai "enfiou-me" uma antena de carro barriga adentro.

Em 1982, gostava de uma camisa branca com uma cesta de basquete que sumiu por um ano, me causando revolta.

Em 1983 chegou o meu irmão. Chegou pequeno, quebrou minhas coisas e eu deixei de ser o centro das atenções. Mas foi ótimo ter mais gente em casa! Nessa época eu tinha medo de perder meus avós e medo de ladrão.

Em 1984 eu era viciado em carrinhos. Queria ser "fazedor de carros" embora não tivesse a mínima idéia sobre como um carro era feito.

Em 1985 eu sabia ler. Era desbocado e autoritário. Gostava de uma briga. Tinha vocação para ser um ditadorzinho.

Em 1986, grandes mudanças. Nova casa, nova escola, novo irmão. Não me lembro de ter sido muito feliz esse ano. Mas se perguntarem por quê, eu também não saberia responder...

Em 1987, acampei uma noite no jardim, decorei nomes e capitais de todos os países do mundo, andava pra lá e pra cá com lupa para observar, fogo para alterar e faca para... Nem sei bem para quê, mas sempre aparecia uma utilidade pra ela, minhas cicatrizes na mão que o digam. Adorava ver Jaspion e "colecionava (desenhos de) monstro".

Em 1988 eu lia o Almanaque Abril e a Turma da Mônica. Era fascinado por bichos, pelo mar e não muito pelo dever de casa. O papagaio da vizinha imitava minha mãe me mandando estudar e eu fiquei famoso na rua por conta disso. Adorava ouvir histórias de parentes que viam espíritos que a minha mãe contava numa época em que a nossa casa ficou sem luz por 1 semana.

Em 1989 eu votei no Covas, mas ele não ganhou as eleições. Tudo ligado a lendas, folclore, espíritos e o que mais fosse desconhecido me interessava...

Em 1990 fiquei maravilhado com o hemisfério Norte. Entendi por que diziam que os americanos eram consumistas. Encontrei ali todos os brinquedos que eu sempre quis e muito mais. Gostava de tirar fotos. Estranhei as casas da Europa, umas coladas nas outras com um mínimo de jardim. Passei a ser o centro das atenções da escola, pelo único fato de ser brasileiro.

Em 1991, escapando de férias-bélicas na Croácia realizei meu sonho de infância e convenci meus pais a irem pra Tunísia. Ninguém se arrependeu. Fiquei impressionado com Veneza e as comidas italianas. Vi a neve no início do ano. Achei bonitinho. Dia seguinte, mudei de idéia.

Em 1992, eu tomei mirto, vi mulheres de topless, mergulhei em corais, fiquei preso numa colônia de ouriços marinhos, alimentei um linguado, nadei com uma raia... Lia muito sobre história. Fiz com uns amigos uma cabana na floresta; 3 quartos e um ninho de abelhas. Fizemos armas de madeira. Éramos os senhores feudais dali.

Em 1993, eu era viciado em Phantasy Star. Lia revistas de mulher pelada na rua. Sonhava acordado. Inventava histórias. Voltei para o terceiro mundo. Dormi por seis meses num sofá duro. Ainda bem que eu não era muito grande. Ano seguinte, talvez como recompensa, teria um andar inteiro de uma casa só para mim.

Em 1994, meu vício de videogame estava no auge. Não saía muito. Não tinha muitos amigos. O Brasil foi campeão. Eu li os livros do Paulo Coelho.

Em 1995, eu andava muito de bicicleta. Fazia histórias em quadrinho. Minha paixão pelo Mega Drive foi diminuindo consideravelmente desde esse ano. Fiz uma pequena cirurgia sem anestesia. Não recomendo.

1996 foi um ano perdido. Me sentia (mesmo não sendo) intelectualmente superior aos demais alunos da minha sala que passavam a aula falando sobre o último capítulo do "Rei do Gado" e imitando o Tom Cavalcanti. Frustrante pois não tinha nenhum grande amigo ali. Mas ver Rei do Gado e pixar muros nos fins de semana não eram exatamente minha definição de "having a good time".

Em 1997 eu mudei de turma na escola. Minha vida social mudou completamente. Saía, tinha namorada, aprendia outras línguas... Foi o oposto de 1996. Nessa época eu tinha uma tendência meio hippie, que nunca se concretizou.

Em 1998 eu era novamente metido a intelectual. Acreditava na minha criatividade, produtividade e passagem no vestibular. Fiz aula de desenho, mas acabei não me empenhando muito...

Em 1999 eu fiz algo que não deveria ter feito. Tirando isso, foi um ano muito proveitoso. Entrei na universidade e pela primeira vez, me conectei na Internet.

2000, o novo século começou frio. Muitos trabalhos na universidade. A Internet me prendeu à uma realidade que não era a minha. Joguei minha primeira partida de RPG que durou até as 6 da manhã. Andei de balão. Ri sozinho quando vi "10°C" no termômetro e saí na rua de bermuda e camiseta.

Em 2001 fui para o Oeste. Subi montanhas, andei pelas florestas, entrei em lagos gelados. Lugares de que eu não vou me esquecer. Minha primeira descida de Ski foi um desastre épico!

Em 2002 eu descobri que gostava de música árabe e de fumar shisha. Na Universidade, um ano tenso, mas eu dei um jeito...

Em 2003, conheci o interior. Desci numa mina, caminhei sobre sementes de cereja, fui devorado por mosquitos, estive em uma cidade fantasma. Passei um tempo na praia, em Cuba. Aprendi a tomar Rum. Estava ansioso por 2004.

2004 chegou e com ele a formatura, o retorno e a rotina. Tudo ainda é muito recente para entrar no meu arquivo-histórico e fazer parte de uma biografia. Aos interessados, favor voltar dentro de 10 anos. Aos curiosos que leram até aqui, fico agradecido!

R. F. M. P. (Dom Rafa - Pepperman)

sexta-feira, março 23, 2007

O milesimóide

Pronto... O Blog chegou a 1000 visitas! Foi no dia 21/3/2007, sendo que o primeiro post apareceu por aqui em 9/8/2006.

Desde janeiro de 2007, como eu havia previsto, houve um aumento considerável de visitas por conta de um post recheado de termos "safados"... Tarados de todo o canto do planeta, procurando as formas mais absurdas de sexo (ex.: sexo mulher com gorila; sim, alguém procurou por isso!!) encontraram o meu blog. Acho que não se interessaram muito.

Voltando à minha visita #1000, esta não poderia ter sido melhor, já que não somente foi uma pessoa conhecida como também presença regular por aqui. =)

Esse post é uma homenagem (mais uma) aos que passam por aqui, aos que repassam, aos que indicam aos amigos, aos que comentam, aos que acham uma merda e até aos que esperam encontrar uma mulher dando prazer ao King Kong. Agradeço a todos pela presença! ^_^

Porém, é uma homenagem especial à Clarissa que, por acaso, apareceu aqui no número mil!

O pote-de-pimenta, mais do que nunca, está metade cheio...

Beijos para as de beijos
Abraços para os de abraços!!


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A 1000 =)

terça-feira, março 20, 2007

Por que os homens não ligam no dia seguinte?

Acabo de resolver um dos problemas de relacionamento de hoje, a saber, a razão pela qual eles não ligam no dia seguinte. Houve uma época em que ao conhecer uma mulher interessante, o homem devia, ao menos em tese, perguntá-la sobre seu nome e seu telefone.

Hoje em dia a pergunta mudou. Começa assim: "Você tem Orkut?". Com isso, ele quer descobrir mais sobre ela. Só a pergunta já é uma demonstração de interesse. Na negativa, ele segue: "...E MSN? Qual é?". Esse sim. Ela tem. kikalindinha_df@hotmail.com. Kika vem de um apelido de infância que ela achava bonitinho, pois a chamava assim um garoto da 7ª série de quem ela gostava, mas virou porralouca depois de passar no vestibular.

Sendo o MSN suficiente, o cara memoriza este em vez do nome, "Patrícia". Ela dá o celular, ele liga o número para que este fique na memória e, na pressa da noite, diz para si mesmo "depois completo os dados da Patrícia". E repete... Patrícia Patrícia Patrícia... kikalindinha_df... Só lembrar do KIKO do Chaves! Fácil!

Dia seguinte, hora de ligar. Ele lembra do Kiko do Chaves mas... Como era o nome mesmo?! Tenta achá-la no MSN... Ela não entra. O único nome que vem na cabeça dele é Chiquinha do Chaves... Mas não era isso...
2 semanas depois ele lembra!
P A T R Í C I A!!

Tarde demais. A Patrícia não se lembra mais dele e já está namorando um cara que parece o Nhonho.

Por isso os homens não ligam no dia seguinte. Excesso de informações. Agora, no passado, eles não ligavam por pilantragem mesmo.

quarta-feira, março 14, 2007

O aye-aye morreu. Viva o aye-aye!

Essa semana, li na Revista Veja um quadro que falavra do aye-aye. O aye-aye, assim como o indri e o sifaka é um lêmur. A primeira vez que vi esses bichos um tanto estranhos foi em um livro de animais na casa do meu avô (casa de avô tem cada coisa...). Como eu adoro bichos, principalmente os mais exóticos, os lêmures me fascinaram! Para quem já viu o programa "Zoboomafoo" no Discovery Kids, aquele macaco branco é um lêmur - um sifaka.

Do aye-aye, eu lembro da lenda que era contada no livro, dizendo que quando um homem dormia na floresta de Madagascar, os aye-ayes faziam um travesseiro de folhas para este. Se ao acordar o travesseiro estivesse sob sua cabeça, ele teria boa fortuna. Sob seus pés, seria vítima de um feitiço...

Aye-ayes estão ameaçados de extinção. Primeiro por que seu habitat natural, a floresta malgache, vem sendo destruido. Segundo, por que os nativos da ilha matam os eventuais bichos que cruzarem seu caminho, por considerar o animal inofensivo um demônio que traz mau-agouro, colocando travesseiro no pé alheio. O fato de só aparecer a noite e não ser exatamente fofinho não o ajuda muito.

Temos que cuidar para que os andarilhos que dormem pelas florestas de Madagascar continuem ganhando travesseiros! Sugiro escrever um abaixo-assinado para que George W. Bush intervenha militarmente na ilha em nome da preservação do aye-aye!
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Um aye-aye, curiosos olhos amarelos observando a noite.

quinta-feira, março 08, 2007

Eles preferem as gordinhas...

Tafalkayt tem 10 anos. Ela mora numa tenda, no meio do deserto do Sahel, no sul da Mauritânia. Ela é de uma etnia moura, que vive nos desertos do noroeste da África. No deserto do Sahel há muita areia, pedras e calor e pouca água e comida. Isso é um problema grave para Tafalkayt. O seu nome significa "a bela", em idioma bérbere. Mas ela não é bela. Ainda não.

Entre os mouros da Mauritânia, a fartura é uma qualidade; um ideal a se alcançar. Quanto mais gorda for a mulher, mais fácil será para esta encontrar um marido. Com 10 anos de idade (às vezes até antes), com a puberdade se aproximando, as meninas mouras devem se preparar para o casamento. Em breve serão apresentadas aos pretendentes. Há uma concorrência. A família de Tafalkayt quer para ela um marido bem sucedido. O marido bem sucedido quer uma mulher bem recheada. Começa então o processo de fazer foie gras da Tafalkayt.

Uns dias antes de ser apresentada ao pretendente, Tafalkayt é alimentada 24h por dia com leite e manteiga de camela, muitas vezes misturados com mel, com um funil enfiado na boca. Alimentada pela mãe e pela avó, ela chega a beber 20 litros de leite por dia. Não acredito que nenhum ser humano tenha um estômago que suporte essa quantidade. Mas as mouras parecem acreditar. Assim sendo, para sua desgraça, chega um momento em que Tafalkayt vomita o leite engolido. A solução encontrada pelas mouras é "acostumar o corpo da menina, fazendo com que este tenha medo da dor". A cada vez que vomita, Tafalkayt tem os dedos quebrados, torcidos, revirados. Por essa razão muitas mulheres mouras têm deformações graves nas mãos e/ou nos pés. Mas isso não importa, afinal, elas ficaram gordinhas...

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Em vez de seguir a tradição e escrever um post parabenizando-nas pelo dia, do qual eu sei a importância, achei melhor lembrar da Tafalkayt. Para ela, como para tantas outras mulheres pelo mundo, falar em "Dia Internacional da Mulher" soaria como uma piada de mau-gosto. Enquanto comemoramos aqui, Tafalkayt bebe seu leite...

Ao menos ela ficará gordinha...

sexta-feira, março 02, 2007

A Mulher Brasileira

A Mulher Brasileira é loira, alta, tem olhos claros e uma beleza desconcertante. Tem um nome comum; Ana. Tem um sobrenome não tão comum, de origem germânica, se eu não me engano; Hickman.

O título de "Símbolo da Mulher Brasileira" veio no programa Hoje em Dia, da Rede Record. A criatividade da televisão brasileira é impressionante. Por ocasião de seu aniversário, Ana Hickman foi homenageada pela emissora. Amarga homenagem que a fez atravessar uma passarela a uma altura equivalente à de um prédio de 15 andares. Suspensa por dois guindastes, ela balançava com o vento. Em uma das extremidades, jornalistas incentivavam uma apavorada Ana a atravessar atribuindo a ela o status de "símbolo da Mulher Brasileira", para que ganhasse um presente, que eu, honestamente, não fiquei muito curioso em saber o que era.

Dali do alto, Ana tinha uma responsabilidade enorme. Representava a coragem da Mulher Brasileira. Pensando nessa coragem, imaginei o fardo que ela carregava. A mãe que tem seu filho arrastado pelas ruas do Rio, as tantas donas de casa, executivas, faxineiras, mães adolescentes, prostitutas, deputadas, a Xuxa e a minha avó... Ana era tudo isso. Tudo isso estava numa plataforma nas alturas. Sinceramente, não vejo muita lógica em colocar tantas mulheres em local tão perigoiso. Quando a produção disse que NADA PODERIA DAR ERRADO, pensei "algo vai dar errado". Lei de Murphy obrando em nossas vidas!

Ana, a síntese da Mulher Brasileira inteligente deve ter pensado o mesmo que eu. Solução um tanto brasileira, resolveu atravessar a passarela sentada. Foi andando "de bunda", salva pela "paixão nacional"(no sentido literal e glúteo da palavra). A mulher Brasileira não se arrisca e prova ter soluções criativas para situações dramáticas. Parabéns, Ana Hickman! Feliz aniversário!
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