quarta-feira, abril 25, 2007

Os contos

"- Quanto custa esses pão?
- É cinco conto!!!"


Quem nunca ouviu algo parecido? "Conto", que eu vou abreviar a partir de agora como C$, é uma verdadeira moeda paralela, muito usada no Brasil. Alguém já se perguntou de onde vem o Conto?

Diz o folclore popular (modernamente conhecido como lenda urbana) que tudo começou na época colonial, quando o Tiradentes ainda tirava dentes e os bandeirantes descobriam o seio das matas, das colinas e das belas nativas. A Coroa, com impostos cada vez mais pesadaos sobre a colônia (o quinto e similares) fazia com que o dinheiro dos brasileiros estivesse sempre minguado. O ouro extraído, por exemplo, tornava-se irreal, já que as casas de fundição tomariam 1/5 desse para os cofres del-Rei. Surgiu nessa época o Santo do Pau Oco, para esconder o ouro ilegal (os garimpeiros iam para as minas ateus e voltavam católicos fervorosos). O ouro legal, que não era recheio de santo, não era mais que um C$! Você achava 5 kg de ouro e saía com 4! Um absurdo! De revolta com o dinheiro, minado por pesados tributos, os garimpeiros criaram o jargão profissional CONTO, para enfatizar a instabilidade de seus ganhos, cujos valores eram nada mais do que uma lorota.

Mais tarde, a realeza, já no Brasil independente, decidiu adotar o termo como medida de valor. Dez Contos de Réis... O C$ perdeu todo o seu desvalor agregado. Tornou-se uma palavra comum. Não contentes de tirar dos garimpeiros do seu ouro, tiraram também do seu vocabulário.

quinta-feira, abril 12, 2007

1 semana

Apesar das dores causadas pela idade, ela sempre estava sorrindo; sempre alegre. Vigilante e desconfiada, zelava por suas coisas, monitorava a validade dos alimentos e reclamava do excesso de batata frita na mesa. Tinha fama de mandona e gostava de ter sua verdade reconhecida. De fato, não raro ela tinha razão sobre as coisas, afinal, com 98 anos no currículo, sua sabedoria era inquestionável. Conhecia velhas músicas de roda; umas que só ela deveria se lembrar. Músicas estas que o meu irmão deve ter guardado para a posterioridade, escritas em sua caligrafia trêmula. Eram alegres, divertidas, engraçadas. Como ela. A religião era mais que uma verdadeira paixão; já era seu estilo de vida. Seu quarto era um altar em expansão, com uma quantidade de imagens de Santos que aumentava com o passar dos anos. Tantas que por vezes uma caía e perdia uma cabeça ou mão... Então ela me chamava. Eu era seu restaurador pessoal de imagens sacras. Chegava em seu quarto com a Santa-Cola e as imagens ficavam novas. Trazia também para ela histórias das mais variadas, que eu lia em revistas ou livros. Ela reprovava, na maioria das vezes, dizendo que aquilo era cultura inútil. Sempre discutíamos coisas sobre religião, violência e vida noturna. Sempre com opiniões opostas. Ela também gostava dos desenhos que eu fazia. Gostava, na verdade, de qualquer rabisco que tivesse algum significado, mesmo se ela olhasse para o sapo que eu havia desenhado e exclamasse "Oh! que bela pedra!". O último desenho que ela viu de mim foi um bode. A última notícia que teve de mim, foi que eu tinha ido trabalhar, depois de ter saído a noite e ido dormir tarde. Há uma semana, ela está mais longe de mim, mais próxima de seus Santos. Deixou saudades.

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Avó Aleixina. 1908-2007. Desenho por Eduardo.

domingo, abril 08, 2007

Feliz Páscoa!

Feliz Páscoa a todos que passarem por aqui!

Happy Easter to all who passed by!

Joyeuses Pâques à tous ceux qui sont passés par ici!


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...MONTY PYTHON-STYLE!!!!
"not your ordinary harmless little bunny!"

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