terça-feira, junho 19, 2007

Palavrões bíblicos

Quando Jacques Cartier chegou Rio Saint Laurent (leste do Canadá), trouxe com ele toda uma cultura francesa tradicionalmente católica e renascentista. Religiosos fervorosos e conservadores, os colonos franceses seguiam à risca os 10 mandamentos (ou assim creio eu). Fundamentado na pedra de Moisés,  a província de Québec foi estabelecida.

O tempo passou, mas as raízes culturais estavam firmemente plantadas na terra e o resultado disso foi dos mais curiosos. O Québec tem, por conta da tradição religiosa, uma peculiar lista de palavrões. Quer xingar em québecois? Pense catolicamente!

Como um dos mandamentos condena quem usa o Nome de Deus em vão, na época da colônia isso era um sacrilégio (hoje ainda é, mas ninguém liga). Sendo assim, era chocante dizer "MEU DEUS!!!", "OH, CRISTO!!!" e afis por qualquer motivo. Na França, eles inventaram formas substitutas como"Morbleu" ou "Mort non de Diable" (morte não do diabo) para dizer "Mort de Dieu"; o martírio de Cristo. No Québec, essas palavras duram até hoje, com algumas variações.

Acredito que o xingamento mais popular na parte francesa do Canadá seja "tabarnac!", a palavra francesa tabernacle escrita vulgarmente. Vem do latim tabernaculum; que é um local de culto itinerante, passível de ser deslocado. O mesmo acontece com "'sti!", que vem de hostie, a hóstia da Comunhão. "Crisse", outra palavra bem comum, vem de Christ, o Cristo na cruz... Usar o nome de Deus, lá, ainda é feio. Temos também "câlisse!", o cálice do "Sang Réal". Hoje descobri uma nova ofensa. Parece que você pode chamar as pessoas de "cave!" por lá. Uma possível alusão ao Santo Sepulcro?

Assim, ao gritar "Câlisse d'un sti de tabarnac de cave en Crisse!!" no Quebec, os céus se abrirão e um Deus em cólera derramará sobre o pobre pecador sua ira, dando a ele a paz eterna. Ou não.

sexta-feira, junho 15, 2007

PerigOSO mosquITO no bICO do pATO

Oso, Ito, Ico, Ato e hoje é dia 15 de junho, dia do Químico. Como eu sei disso? Bom, aconteceu de eu namorar uma química (=***) , que sabe tudo sobre o perigoso mosquito no bico do pato.

Ontem, recebi um puxão de orelha por nem saber que esse dia existia. Hoje vou me redimir, pois, se ela me disse que o dia era hoje, namorado bom que eu sou, após ampla e profunda pesquisa, constatei que na verdade a data é comemorada em 18 de junho. Acho que estamos no 1 a 1 agora! ^_^

Então, quando for dia 18, Bicos de Bunsen, Tabelas Periódicas, Telas de Amianto, Erlemeyers e QUÍMICOS do mundo alegrai-vos em festa e bebeis à vossa saúde!! Afinal, o processo de destilação nada mais é do que uma transformação química!

Eis uma pequena homenagem, a ser considerada a partir do dia 18!


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...Pelo cheiro, é um ácido, pH menor que 7.... Droga! Onde coloquei o Papel de Tornassol??

segunda-feira, junho 04, 2007

A mala andarilha

Existe um lugar onde a Lei de Murphy opera com mais força, ao menos em relação a mim; e não há banho de arruda com sal grosso que resolva. Este lugar fica na região de Nova Iorque situada entre os caóticos aeroportos JFK e LaGuardia. Sempre que estive nesses aeroportos, algo que não era pra acontecer aconteceu. Da primeira vez, no JFK, foi o salgado. Morto de fome ao chegar na cidade, vi um salgado apetitoso e caro, a venda num café. Comprei e vi a mulher colocar por um tempo no microondas. Muito tempo, pro tamanho do bicho. A fome era tanta que, assim que percebi que o seu exterior havia esfriado eu abocanhei metade do bolinho para sentir metade da minha boca sendo escaldada por um recheio cremoso que devia ter algum gosto, mas a minha boca queimada não notou.

Depois do salgado incandescente, ainda fui fazer check-in na extremidade errada do aeroporto. A reforma do JFK deve ter confundido os funcionários que, com informações erradas, me proporcionaram um agradável passeio pelo local. O balcão da Delta Airlines havia sido mudado de "A" para "B", sendo estes pontos diametralmente opostos, lembrando que, em se tratando de JFK, o diâmetro é grande. Malas atrasadas, quitute de aeroporto em brasa, balcões itinerantes... Tudo me preparava para o que estava por vir.

Tive que pegar uma conexão no aeroporto de LaGuardia, o "irmão menor" do JFK, em intensa atividade em 2002, quando a reforma estava para acabar. No JFK e estranhamente nada de anormal havia ocorrido, tirando a comida. Um pequeno atraso na bagagem... nada demais. Segui feliz para o ônibus que faria o translado de um aeroporto a outro. Coloquei minha mala no compartimento próprio, lá no fundo e subi. O ônibus deixou passageiros e pegou tantos outros por Nova Iorque, até que parou no aeroporto de LaGuardia, seu destino final. Haviam poucas pessoas no ônibus e nenhuma mala. Nem a minha. Fui pedir explicações ao motorista viet-cong do ônibus que não ligou muito pra minha história. Ele me explicou que "não mala ali! Viu?? Vazio! Tudo escuro, né??" Disse a ele que ele fez um lindo passeio por TODA Nova Iorque, gente entrando e saindo e a minha mala simplesmente sumiu em algum lugar do trajeto. Ele coçou a cabeça, se despediu e me deixou ali, sem mala nenhuma.

No terceiro ônibus, minha mala apareceu. Não entendi. Ou eu estava sofrendo de transtornos mentais ou a minha mala tinha ido passear sem o meu consentimento. De volta a casa, fiz exames e a primeira hipótese foi descartada. Meus pertences poderiam ao menos ter me ligado para avisar...
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