segunda-feira, junho 04, 2007

A mala andarilha

Existe um lugar onde a Lei de Murphy opera com mais força, ao menos em relação a mim; e não há banho de arruda com sal grosso que resolva. Este lugar fica na região de Nova Iorque situada entre os caóticos aeroportos JFK e LaGuardia. Sempre que estive nesses aeroportos, algo que não era pra acontecer aconteceu. Da primeira vez, no JFK, foi o salgado. Morto de fome ao chegar na cidade, vi um salgado apetitoso e caro, a venda num café. Comprei e vi a mulher colocar por um tempo no microondas. Muito tempo, pro tamanho do bicho. A fome era tanta que, assim que percebi que o seu exterior havia esfriado eu abocanhei metade do bolinho para sentir metade da minha boca sendo escaldada por um recheio cremoso que devia ter algum gosto, mas a minha boca queimada não notou.

Depois do salgado incandescente, ainda fui fazer check-in na extremidade errada do aeroporto. A reforma do JFK deve ter confundido os funcionários que, com informações erradas, me proporcionaram um agradável passeio pelo local. O balcão da Delta Airlines havia sido mudado de "A" para "B", sendo estes pontos diametralmente opostos, lembrando que, em se tratando de JFK, o diâmetro é grande. Malas atrasadas, quitute de aeroporto em brasa, balcões itinerantes... Tudo me preparava para o que estava por vir.

Tive que pegar uma conexão no aeroporto de LaGuardia, o "irmão menor" do JFK, em intensa atividade em 2002, quando a reforma estava para acabar. No JFK e estranhamente nada de anormal havia ocorrido, tirando a comida. Um pequeno atraso na bagagem... nada demais. Segui feliz para o ônibus que faria o translado de um aeroporto a outro. Coloquei minha mala no compartimento próprio, lá no fundo e subi. O ônibus deixou passageiros e pegou tantos outros por Nova Iorque, até que parou no aeroporto de LaGuardia, seu destino final. Haviam poucas pessoas no ônibus e nenhuma mala. Nem a minha. Fui pedir explicações ao motorista viet-cong do ônibus que não ligou muito pra minha história. Ele me explicou que "não mala ali! Viu?? Vazio! Tudo escuro, né??" Disse a ele que ele fez um lindo passeio por TODA Nova Iorque, gente entrando e saindo e a minha mala simplesmente sumiu em algum lugar do trajeto. Ele coçou a cabeça, se despediu e me deixou ali, sem mala nenhuma.

No terceiro ônibus, minha mala apareceu. Não entendi. Ou eu estava sofrendo de transtornos mentais ou a minha mala tinha ido passear sem o meu consentimento. De volta a casa, fiz exames e a primeira hipótese foi descartada. Meus pertences poderiam ao menos ter me ligado para avisar...

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