quarta-feira, julho 18, 2007

Gestão em Crise

Quando estava na universidade, tive uma aula de comunicação organizacional. O professor que ministrava essa matéria tinha também o duro trabalho de "gestor de crise". Sempre que alguma grande empresa ou membro do governo tinha seu nome sujo na lama, envolvido em algum escândalo, ele ia e cuidava da imagem da pessoa (física ou jurídica).

Por conta disso, muito do meu curso foi direcionado para esse tópico, um tanto interessante. Aprendi com esse professor, que a imagem perante a opinião pública é de extrema importância. O envolvido em um escândalo deve zelar por esta e manter sua credibilidade perante a população. Como conseguir isso? Com a verdade. Acusação de corrupção? Roubamos sim. Está sendo investigado e os envolvidos serão punidos. Desvio de verba? Desviamos! Acidente químico? Sim... Houve um acidente em nossa fábrica e litros de veneno vazaram para o córrego que banha a cidade. Tudo é investigado e resolvido com transparência. A população acaba por esquecer ou aceitar o fato e a credibilidade não é abalada.

No Brasil, porém, aplica-se o contrário. Ninguém vê nada, ninguém sabe de nada, bois são valorizados, bezerras são compradas, cestas básicas são distribuídas e, sob o lema do "rouba mas faz", a opinião pública acaba aceitando o Caixa Dois e esquecendo da lama... Já no que tange à credibilidade das instituições, fica esta embaçada.

A força de contar com o esquecimento, acabaremos por criar verdadeiras instituições de gestão folclóricas onde farão-de-conta que tudo está sob controle. Teremos que investigar a investigação, duvidar da certeza e questionar a ética. Um belo futuro se anuncia...

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