segunda-feira, setembro 29, 2008

Criando uma cigarra

Sei que muitos vão achar o que eu fiz um tanto nojento, mas eu não podia deixar a oportunidade passar por mim. Desde criança, quando eu tinha aquela fixação infantil por insetos, queria ver uma metamorfose. Uma larva se transformando em outra coisa, ao vivo (porque pela televisão eu já havia visto).

Eis que na sexta-feira, indo pra casa da minha tia, me deparo na rua com uma ninfa de cigarra viva! Condenada à morte, já que ali passam carros. Era a primeira vez na vida que eu via aquelas cascas que ficam agarradas nas árvores com vida-rastejando sobre asfalto do meio dia. Voltei aos meus oito anos de idade e salvei o pequeno inseto do fim, levando-o comigo...

Photobucket bebe cigarra
Tudo começa com um ovo, depositado ao pé das árvores. Dos ovos saem as larvas que entram na terra e se transformam nas NINFAS, como essa aí da foto.

Photobucket ninfa de cigarra
A ninfa precisa de garras fortes para cavar. Ela se enterra, cavando túneis muito profundos e fica no subsolo por uns 6 anos, se alimentando das raízes das plantas. É uma verdadeira praga.

Photobucket criando uma cigarra
Resolvi ver a cigarra nascer. Levei pra casa e, numa caixa de sapatos, tentei criar um ambiente pra que ela pudesse nascer em paz... Ela precisava de um apoio, algum lugar onde se agarrar para que o adulto saísse da casca. Usei uns enfeites de madeira e ela se acomodou em uma pulseira que meu pai trouxe da África.

Photobucket cigarra nascendo
O animal adulto começou a sair... Porém, na metade do processo, ela caiu da pulseira e eu tive que segurar a casca para ela continuar se desprendendo.

Photobucket cigarra nascendo 2
Photobucket cigarra nascendo 3
Photobucket
"Sai desse corpo que não lhe pertence!!!!"

Photobucket cigarra recem nascida
A cigarra recém-nascida!!

Photobucket desenvolvimento da cigarra
Photobucket metamorfose da cigarra
As asas dela se transformaram em menos de 10 minutos...

Photobucket brincando com a cigarra
Photobucket cigarra de estimacao
Resolvi "brincar" um pouco com a cigarra, antes que ela começasse a voar!

Photobucket cigarra curiosa
Extremamente curiosa... Quis ver o que era o meu celular.

Photobucket cigarra adulta
Enfim, o bicho adulto, à noite. Dia seguinte, cedo pela manhã, fui até uma bananeira e soltei a cigarra, sob uma forte chuva.

Ela viverá uns 30 dias. Tempo para se reproduzir, única função do inseto adulto. Aí o ciclo irá recomeçar...

quarta-feira, setembro 24, 2008

Cyber-Kreyol

Dizer que "a Internet afetou a maneira como nos comunicamos" é mais batido do que as claras de ovos que irão parar no bolo da vovó. Mas, kkkkkkkkk, não estou nem aí e resolvi escrever sobre o tema assim mesmo. Isso porque ontem, no Wikipedia, fui pesquisar sobre um país chamado BARBADOS. Queria saber de onde tiraram esse nome. E se as mulheres que nascem lá são barbadas (de nacionalidade, não de pêlos no rosto).

Bom... Descobri que, além de inglês, lá se fala "Bajan" um dialeto do inglês, chamado genericamente de crioulo, creole, kreyol e derivados. Bajan é muito interessante. É como um inglês falado rápido, com algumas palavras oriundas de línguas africanas. Exemplo: "There is not anything here for you." fica "Dum ain' got nuffin hey fuh you." em bajan. Escravos africanos fizeram isso com o inglês. É a língua das ruas. Nós estamos fazendo isso com todas as línguas. É a língua da Internet. É nosso Creole binário. Cada vez mais ouço (não leio no MSN; OUÇO dizer mesmo) frases como "Daí eu cácácácácácácácácácácácá". KKKKKKKKKKKKK. Influência direta dos bate-papos virtuais... Já ouvi também "Pode deixar que te add (pronuncia-se ÉD)", querendo informar ao interlocutor que eles estão prestes a se tornarem amigos.

Outras expressão que num futuro próximo será seguramente incorporada ao nosso dialeto:
"KRK tu eh mtttttt gata!! Add aê!" (pequena evolução da anteriormente mencionada): conhecido no passado como "gostaria de ter seu consentimento para fornicar". Analisamo, temos KRK (caraca!), interjeição do momento que ao que tudo indica será muito usada. Palavra menor, recurso usado nas línguas creoles. Seguindo, temos "mttttt". A repetição do "t" indica ênfase. Outro recurso usado nesse tipo de língua (na Guiana- "Dis wata de col col" equivale a "This water is very cold"). Finalmente o éd aê que não carece maiores esclarecimentos.

Por mais batido que seja o assunto, temos um dialeto em formação e ninguém vê. Em breve, falaremos o creole da Internet. Tal fato jamais teria passado pela cabeça do navegador português que ao desembarcar na ilha de Ichirouganaim e deparar-se com as figueiras, chamou o lugar de Barbados, por conta das raízes das árvores...

terça-feira, setembro 16, 2008

Purpurinaram a Carreira.

Não é invenção minha. Algumas carreiras, ao menos no Brasil, têm uma fama um tanto florida. Os cabeleireiros, decoradores, arquitetos e bailarinos padecem desse preconceito. Preconceito que também atinge os diplomatas. E atinge também seus filhos, com a afirmativa de que o filho do diplomata, tenha ele tendências suspeitas ou não, será inevitavelmente um porra-louca, cultivando hábitos bizarros. Um pouco como as mulas sem cabeça, que durante o dia são filhos de padres que levam suas vidas pacatas nas cidades do interior.

Tendo essa fama diplomática em mente, fiquei um tanto espantado ao ver esse cartão postal, na saída da Belini, na 113 Sul:

The Dip
...E não me venham dizer que o publicitário escolheu essa foto "na inocência"... Posso acreditar no Renato Gaúcho e no Fluminense mas nesse caso, a mensagem nas entrelinhas fica óbvia!!!

~~~**~~~

Nada a ver com diplomacia, mas elas estão chegando! Em breve, a gritaria começa. E as tempestades. E os ventos. E as árvores despencando. E as ruas alagadas... Melhor época do ano em Brasília, apesar de alguns inegáveis incômodos...

Cigarras
"Gachinha"

casca de cigarra
The Kwai March

quinta-feira, setembro 11, 2008

Olé?

O ano era 1999. O local alguma sala de aula da CTJ em Brasília (aulinha de inglês, sabe?) durante uma prática de comunicação oral. O tema a ser debatido era as touradas. Todos a favor. Alguém havia de ser o advogado do diabo, no caso o touro e no caso, eu.

Não que eu seja um ambientalista chato, mas meu Santo não bate com o padroeiro das touradas. Meus argumentos eram inúteis. Fui até chamado de fascista. Todo o resto da sala alegou que se tratava de uma manifestação cultural, embora sanguinária. Sob o escudo da cultura, as espadas enfiadas no touro seriam justificáveis e totalmente aceitáveis.

Já em alguns países da África e, se eu não me engano, também no Oriente Médio, pratica-se a condenadíssima excisão (pelo menos até hoje não lembro de ter lido nada a favor) onde as mulheres têm seus órgãos sexuais dilacerados.

Ainda em alguns países da África e Oriente Médio, adúlteras são apedrejadas até a morte, para horror de nós ocidentais.

Os povos do ártico têm o costume de abandonar os idosos que já não servem mais à comunidade no meio do gelo para que morram de frio ou devorados por ursos polares.

Se formos considerar apenas o ponto de vista da conservação de tradições milenares, que sigam as touradas, as excisões, os apedrejamentos... E que sejam legalizadas rinhas de cães e galos. E que possamos voltar a fumar em ambientes fechados, afinal, o fumo não era parte de nossa cultura há séculos? E por que não, trazer de volta as lutas entre gladiadores...

Sim... Ainda sou contra as touradas.
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