quarta-feira, setembro 24, 2008

Cyber-Kreyol

Dizer que "a Internet afetou a maneira como nos comunicamos" é mais batido do que as claras de ovos que irão parar no bolo da vovó. Mas, kkkkkkkkk, não estou nem aí e resolvi escrever sobre o tema assim mesmo. Isso porque ontem, no Wikipedia, fui pesquisar sobre um país chamado BARBADOS. Queria saber de onde tiraram esse nome. E se as mulheres que nascem lá são barbadas (de nacionalidade, não de pêlos no rosto).

Bom... Descobri que, além de inglês, lá se fala "Bajan" um dialeto do inglês, chamado genericamente de crioulo, creole, kreyol e derivados. Bajan é muito interessante. É como um inglês falado rápido, com algumas palavras oriundas de línguas africanas. Exemplo: "There is not anything here for you." fica "Dum ain' got nuffin hey fuh you." em bajan. Escravos africanos fizeram isso com o inglês. É a língua das ruas. Nós estamos fazendo isso com todas as línguas. É a língua da Internet. É nosso Creole binário. Cada vez mais ouço (não leio no MSN; OUÇO dizer mesmo) frases como "Daí eu cácácácácácácácácácácácá". KKKKKKKKKKKKK. Influência direta dos bate-papos virtuais... Já ouvi também "Pode deixar que te add (pronuncia-se ÉD)", querendo informar ao interlocutor que eles estão prestes a se tornarem amigos.

Outras expressão que num futuro próximo será seguramente incorporada ao nosso dialeto:
"KRK tu eh mtttttt gata!! Add aê!" (pequena evolução da anteriormente mencionada): conhecido no passado como "gostaria de ter seu consentimento para fornicar". Analisamo, temos KRK (caraca!), interjeição do momento que ao que tudo indica será muito usada. Palavra menor, recurso usado nas línguas creoles. Seguindo, temos "mttttt". A repetição do "t" indica ênfase. Outro recurso usado nesse tipo de língua (na Guiana- "Dis wata de col col" equivale a "This water is very cold"). Finalmente o éd aê que não carece maiores esclarecimentos.

Por mais batido que seja o assunto, temos um dialeto em formação e ninguém vê. Em breve, falaremos o creole da Internet. Tal fato jamais teria passado pela cabeça do navegador português que ao desembarcar na ilha de Ichirouganaim e deparar-se com as figueiras, chamou o lugar de Barbados, por conta das raízes das árvores...

Um comentário:

Juliana Toledo disse...

O tema é batido, mas sua percepção pertinente. Mon chou é tão tão que tranforma um assunto chato numa leitura prazerosa... Amei... mon chou é cultura!!! Heheheh

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