quinta-feira, dezembro 24, 2009

Algumas gírias.

Algumas gírias me irritam profundamente, embora eu não saiba explicar bem o porquê. Quando vou lavar o carro por exemplo, torço para o rapaz não acabar a lavagem com a mórbida frase "Tá ZERO BÁLA, chefia". Zero bála é pedir pra eu dar zero gorjeta pelo serviço e eu, birrento, não dou.

Outra, nem deveria me irritar, já que é um tanto gastronômica. Mas meu estômago se embrulha ao ouvir "comprei uma moto FILÉ". Decida-se. Ou é filé; ou é moto. Os dois não dá e, de tanto ouvir filé, devo ter um certo receio de um dia vir a associar meu filé denotativo com algum outro usado de maneira imprópria.

SHOW DE BOLA é outra de destaque na lista. No início, não me incomodava. Mas eu ouvi demais! De tanta repetição, acabei tomando por ela uma certa antipatia.

A última que vou listar aqui, ouvi pela primeira vez saída de um sujeito que estudava comigo na adolescência e saía à noite para pixar os muros. "Fiz uma tatuagem muito CABULOSA, VÉI!!". Essa com certeza teria lugar de destaque na lista. Ontem fui procurar o que vinha a ser uma tatuagem cabulosa no dicionário. Signifidado: relativo a cábula; caiporismo. Azarada. Ou seja, se alguém lhe desejar "um ano novo CABULÔSO", ponha o nome do indivíduo na macumba.

Felizmente, nunca ouvi ninguém desejando anos-novos cabulosos por aí.

Toda essa mensagem para, finalmente, desejar a todos
UM NATAL FILÉ
&
UM ANO NOVO ZERO BALA; SEM CÁBULA!

There and back again.

Fui e voltei... Agora estou de volta à vida real. A janelinha é minha!!!

vancouver vista do avião
Saindo da nublada Vancouver.

montanhas rochosas com neve
Montanhas Rochosas cobertas de neve.

lago nas rochosas
Cidade entre dois lagos. Ou será que aterraram o local; tenho cá minhas dúvidas...

montanhas deserticas
Fim das Rochosas; começo das plantações.

paisagem alienigena
Lago semi-congelado.

avião voando ao lado
Companheiro de viagem. "Dei tchauzinho" mas ninguém respondeu.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

O Porco Rouco

Termino aqui minha trilogia suína.

Quem não entendeu, basta olhar os dois posts anteriores. O título fala de porco. Os textos, falam de tosse. Tosse que vai piorando e tem seu apogeu agora, na "grande finale".

Após "panhar friage" como diria minha avó, primeiro na montanha e depois no Japadog, a situação pulmonar estava crítica. No dia seguinte, ao tossir, doía tudo. Tive inícios fracos de febre; coisa que eu nunca tenho. Será que era o tal H1N1? Dia seguinte fui ver um médico indiano em uma clínica local. Pelos sintomas, tudo me levava a crer que eu tinha "panhado" uma bronquite. Mas o indiano disse que não. Eu havia pego algum vírus de outono, muito comum em Vancouver naquela época do ano (adivinhem? outono!) e o vírus tinha feito a festa no meu sistema respiratório superior. Tipo... Da garganta pra cima estava tudo aos frangalhos. Não era bronquite; o pulmão estava bem. Mas eu estava com uma faringite forte. Recomendação: ficar uns 2, 3 dias sem falar. Fácil. Se eu falasse naquele dia e nos 3 dias subsequentes, desandava a tossir. Minha voz quando saía, saía rouca, totalmente alterada. E isso eu achava legal, porque ficava algo entre o Darth Vader e o Don Corleone. "Tattaglia killed my son"!

Com isso, meus últimos dias em Vancouver foram marcados por filmes (recomendo "Giù la Testa", do Sergio Leone), quadrinhos, livros e videogame. No meu aniversário ganhei um exame de sangue para ver como andavam meus vírus de outono e um "happy birthday" da jovem enfermeira filipina, enquanto ela me agulhava...

Fui a um shopping comprar algumas últimas encomendas.

...E assim terminei minha viagem.

domingo, dezembro 13, 2009

O Porco e a Ponte

Após o dia da loja da maconha, acordei com uma tosse mais forte. Estava até me divertindo com ela. Era seca, alta e eu forçava um pouco para deixar a minha mãe preocupada. Já tive várias tosses dessas, sabia que não era nada. Provavelmente algum fim-de-gripe, piorado pelo ar seco dos lugares onde eu estava, por conta da calefação.

Aproveitando o raro dia de sol, resolvi visitar a famosa Ponte Suspensa de Capilano, na parte norte da cidade, onde ficam as montanhas, as florestas e os ursos que comem gente. Não estava muito frio, então acabei indo com uma roupa meio imprópria para a montanha.

A Ponte de Capilano liga a "civilização" à floresta. O interessante é que ela fica suspensa sobre um cânion e quando você anda sobre ela, parece que ela vai desmontar. Presa por cabos de aço, já sobreviveu a um pinheiro que caiu sobre ela. Tirar fotos sobre a ponte é impossível, ela treme demais. Na parte da floresta, há duas trilhas: uma no chão, passando por alguns lagos e uma na copa das árvores. Resolvi fazer as duas, o que demorou o suficiente para a temperatura cair bastante. A tosse ficou mais intensa, mas nada alarmante. E eu gosto de florestas, então não estava ligando muito pra clima e muito menos pra porco...

halloween em vancouver
copa das arvores em capilano
capilano suspension bridge
capilano suspension bridge
rio sob a ponte capilano

Após visitar a ponte, fui com meu pai ao centro da cidade fazer umas compras. Foi aí que vi o JAPADOG, versão nipo-canadense do nosso lendário "cachorro-quente de rua". O quiosque deles estava ali na esquina, com uma pequena fila. Como parecia ser rápido, fui lá provar a famosa iguaria-de-rua. Não foi tão rápido assim. Foi difícil me entender com o japonês. Queria saber se podia levar pra casa; se eles tinham, saco, caixa, jornal ou algo do gênero. Ele não entendeu. Perguntei novamente. Ele mandou eu esperar. Esperei... Esperei... Esperei... Esperei... Esperei... ...E perguntei de novo. Aí ele me disse que sim, mas só se eu fizesse o pedido.

...

ÓBVIO QUE EU TINHA QUE FAZER O PEDIDO!!!!!!!!! Lembrei-me de Tokyo. No Japão, se você foge um pouco da regra; do estabelecido, as pessoas costumam se atrapalhar. No Japadog, isso também acontecia. Todo canadense que comia lá sabia que a ordem dos fatores era pedir e levar pra casa... Aí vem o turista brasileiro, inverte a ordem, bagunça a cadeia de produção e se vê obrigado a ir pro final da fila que já não era tão pequena. Se não estivesse pra voltar pro Brasil, teria ido embora. Acabei enfrentando o frio, a chuva que começava, a fila e a tosse que crescia em progressão geométrica; tudo em nome da boa gastronomia urbana.

Pedi um cachorro quente com algas, molho japonês, queijo, ovo e frutos do mar. Coisa de japonês mesmo. Fui comer em casa e estava muito bom. O vendedor que me deixou esperando foi perdoado.

japadog vancouver
Anúncio do JAPADOG

PS: Achava engraçado os anúncios, outdoors e logotipos feitos por asiáticos em Vancouver. O inglês sempre aparecia com uma construção estranha...

quarta-feira, dezembro 09, 2009

O Porco e a Maconha.

Mal cheguei do Japão, não sei se já contei aqui, me levaram para uma clínica em Vancouver onde me aplicaram a vacina da gripe normal e da gripe anormal, também chamada de suína. Talvez eu estivesse com a imunidade fraca pela viagem, com horas em contato com o ar condicionado de um avião... Fato é que no dia mesmo da vacina eu já fui dormir com dor de garganta. Na festa de Halloween eu estava com o nariz escorrendo e no dia da maconha a coisa começou a complicar quando uma leve tosse apareceu. Mas ainda nada grave.

Nesse dia, fui com meu pai até a rua West Hastings, onde podem ser encontrados uma série de estabelecimentos "alternativos". No dia em que cheguei a Vancouver, fomos jantar em um restaurante libanês nessa mesma rua. Foi então que vi uma aparente loja de maconha. Fiquei curioso; seria assunto certo para um post aqui. Dias depois, voltamos à rua para visitar a tal loja. Será que eu iria realmente achar a erva para vender?

Entrei na loja. Vender maconha em Vancouver é ilegal. Mas vender o aparato para fumar não. A loja vendioa todo tipo de "cachimbos de água" e ferramentas para pesar, separar e enrolar o fumo. Vendia também revistas sobre o tema, incensos, produtos naturais, camisas e CD fazendo alusão à planta (muita coisa do Bob Marley) e filmes cujo tema central é a maconha (devem ser emocionantes...). a loja era bem grande, com um balcão central e uma passagem pros fundos. Se algo ilícito rolasse por ali, com certeza aconteceria nos "bastidores" e foi pra lá que eu fui. Havia muitos incensos e um pequeno balcão. De uma porta com uma cortina saiu uma moça loira de olhos verdes e dreadlocks. Perguntei a ela se ali vendia maconha. Ela disse que não. "...Mas que com certeza chegará o dia em que a venda será legalizada. Aí a loja vai vender". Deve ter visto em mim um comprador em potencial. Pra não parecer careta, respondi "Ah sim... Vamos torcer para que esse dia chegue logo." A vendedora comentou também que a fiscalização proíbe até que acendam incensos nas lojas. Mas que ela acende assim mesmo, quando os caras viram as costas. Espero que a polícia montada não leia isso.

Não muito longe da maconha, está a igreja da cientologia. Deve acolher os usuários que se arrependeram e querem tomar outro rumo na vida. Mas essa eu não cheguei a visitar. Vai que eu encontro o saltitante Tom Cruise lá dentro...

loja da maconha
Complexo da maconha...

loja da maconha cannabis culture
Tem a loja...

loja da maconha em vancouver
...e um café de nome sugestivo com uma decoração estranha. Visitarei em outra ocasião.

vitrine alternativa
Pros que se perguntam como é a vitrine de uma loja de maconha.

igreja de cientologia
Junte-se a nós!!!

terça-feira, dezembro 01, 2009

Halloween, a festa.

Sim! É ou era halloween, já que estou escrevendo esse post com... 1 mês de atraso! Ao contrário da maioria das crianças que tem medo de fantasma, eu sempre gostei. Adorava um desenho da Disney com o Mickey e um cavaleiro sem cabeça e um outro do velho moinho no pântano, com aspecto mal assombrado. Dito isso, sempre gostei muito do tal "dia das bruxas", que raramente tive a oportunidade de aproveitar. Dessa vez, estava em Vancouver e por lá, eles comemoram bem mais que aqui. (Acredito que bruxa nenhuma é concorrência para nossos políticos com criativos cofres de marca Zorba® e Luppo®).

Meu pai conseguiu uns ingressos para uma festa franco-latina (não que quem seja franco não seja latino) de halloween em um hotel da cidade. Ótima oportunidade para estrear meu "yukata" e sair vestido de samurai. Samurai no dia das bruxas? Não! Samurai alquebrado e carcomido, meio zumbizão. E lá fui eu com cortes na cara, faixa sobre um olho (ter um olho só é péssimo-não recomendo) e mancando para dar mais realismo ao conjunto.

Tive uma noite de celebridade. Todo mundo queria tirar foto com "o japonês cortado", principalmente os asiáticos. E pra não ficar pra trás, também tirei fotos com uns fantasiados bizarros, como o SMURF, que à primeira vista pensei ser o azul da TIM e o cara vestido de boneca.

fantasia de halloween
A bruxa do 71 dava as boas vindas ao adentrar o recinto.

fantasia raul seixas
Na foto não ficou parecendo muito, mas me emocionei ao encontrar Raul Seixas!


E A MEDALHA DE OURO VAI PARA....

zumbi chines jiang shi
Quando disse que gostava de fantasmas... Ainda mais quando é um elaborado fantasma chinês com uma reza na cara pra mandar o espírito de volta pro além...

quarta-feira, novembro 25, 2009

A Viagem no Tempo.

Acordei de mau humor com o gato do vizinho miando; lembrando-me de que em algumas horas, um avião me levaria de volta pra Vancouver, onde continuaria a minha viagem. Lá estavam meus pais me esperando, mas eu não estava com vontade de sair do Japão. Já me sentia em casa em Tokyo. No último dia, apenas fiz as compras finais e visitei um supermercado chique da cidade. Acreditem, supermercado chique pode ser um ponto turístico no Japão.

Mesmo que você não vá comprar nada (era o meu caso), você vai encontrar coisas curiosíssimas ali. A "peixaria" é um aquário grande onde todo tipo de seres marinhos-de peixes a camarões esquisitos-aguardam a paz eterna. A carne (vermelha) é cortada em lâminas, estilo que eles chamam de chabu chabu, e consumida muitas vezes crua. Quem quiser um sashimi-de-vaca...

Mas a coisa mais curiosa do mercado era o melão. Entre os presentes, elaborados e empacotados com um esmero fora do comum fazem figura toda sorte de frutas. Dentre elas, se sobressai o melão, ali, reinando em um local de destaque sobre uma caixa de madeira com palha e um laço de papel de seda em sua volta. Parece haver no Japão uma determinada data em que frutas são oferecidas de presente. E deve ser algo importante pois o maldito melão custa bem uns 120 DÓLARES!! Seria a digestão mais cara da minha vida. Mas seria obrigado a comer, pois como toda fruta, o melão-barão é um ativo de depreciação rápida que logo estará murcho, com leve sabor de álcool e coberto de mosquitos.

melao muito caro
Vai um melão??

Depois do peculiar mercado, almocei e fui pro aeroporto. Viajei com uma excursão de colegiais que deve ter ocupado uns 70% do avião. A guia me disse que elas iam pra Vancouver, mas vi as meninas pegando as malas como quem fosse fazer conexão pra Toronto... Fiquei sem entender.

aeroporto de narita
Fosse no Brasil, elas iriam pra Disney.

aviao em narita
O aviãozinho cretino que me trouxe de volta.

Graças à linha internacional de mudança da data e à diferença de horário, voltar do Japão é experimentar a forma menos sci-fi de viagem no tempo. Saí de lá às 19h de um dia 28 e cheguei do outro lado do Pacífico às 11 da manhã do mesmo dia. Me senti até mais jovem.

Pra terminar, "Dooooooooooooooooomo Arigato" à(o/s): Tio Piras, Tia Liana, Ricardo que me ciceronearam por Tokyo e arredores; Tomoko pelo planejamento estratégico da viagem; corvos e gatos do vizinho por me acordarem no horário; Mosburger, Loteria, "Konbines" e Bentos por matarem a minha fome; senhores geniais que inventaram o guarda chuva de plástico e o cartão Pasmo; produtores de shochu e sake por alegrarem as noites; japoneses (ou não) que me fotografaram e/ou se deixaram fotografar; gueixa que tão morbidamente me desprezou e finalmente, à nuvem que encobriu o Monte Fuji, por causa da qual terei que voltar lá...

terça-feira, novembro 17, 2009

Walkabout

Penúltimo dia no Japão. Uma terça feira de sol e eu, cheio de coisas para fazer. Ainda teria de ir ao bairro de Akihabara, procurar "figurines" para um meu irmão. Também teria que ir a outro bairro, Asakusa, procurar a flauta "shakuhachi" (um dos instrumentos mais chatos do mundo) para um outro irmão. E visitar o Edo-Tokyo Museum, imperdível, no bairro de... Já nem me lembro, e estou com preguiça de ir até a papelada verificar - depois eu esdito o post! hehehe

Comecei com o museu, pela manhã. Fica no "bairro do Sumô", ao lado de onde os lutadores treinam. O Edo-Tokyo nos proporciona um passeio pela história de Edo (e posteriormente, Tokyo), do período feudal ao pós-guerra, através de várias maquetes. Visita obrigatória!

edo_tokyo_museum
Exterior do museu

maquete de castelos medievais
Uma das maquetes: ponte em Edo

arena de sumo
Aqui é a "Meca" do Sumo. Infelizmente, não pude assistir à luta.

Da Meca do Sumo, fui para a Meca dos Otakus, Geeks, Nerds e afins. Akihabara é uma Feira-do-Paraguai grande. Um bairro só de lojas de eletrônicos, mangás, animes, CDs, DVDs, e garotas fantasiadas fazendo propaganda nas ruas. Se eu falasse japonês, eu iria comprar muita bobagem ali. Meu eu-lírico-otaku despertou entre as lojas de mangas, figurines e DVDs.

akihabara
Fachada colorida em Akihabara.

burger king em tokyo
No BK do Brasil eles lançaram essa novidade? Hamburger com 7 carnes. Se eu ficasse mais tempo em Tokyo, iria provar.

Segui para Asakusa quando anoiteceu. E com isso, bati meu recorde de caminhadas. Pela primeira vez, eu "cansei de andar" e tive que sentar no metrô. No antigo bairro de Asakusa (onde tinha o templo), eu comprei as últimas lembranças para levar pro Brasil. A flauta de bambu (shakuhachi), meu maior objetivo ali, não foi encontrada.

Eu adorava a reação dos japoneses quando eu mencionava a palavra shakuhachi. Eles sempre faziam uma careta no estilo "WTF?" e ficavam falando "shakuhachiiiiiiiiiii??? No... no.... no shakuhachi!". Trata-se de uma flauta de bambu, tocada por alguns monges-pedintes que usam uma máscara que só deixa a boca aparecendo. Segundo eles, uma forma de neutralizar o ego. O som é desafinado e monótono. É um instrumento raro. Como encontrá-lo foi bem mais difícil do que eu imaginei, fiz apelo ao bom e velho Google. Achei uma loja perto de Shinjuku que vendia Shakuhachi. O mais barato era US$ 250. Agora eu me pergunto... Porque um monge que tem uma flauta de 250 dólares vai pedir esmola?

Voltei pra casa e voltei a sair (viu como eu andei?), dessa vez fui com o Ricardo para a noite iluminada de Shinjuku. A vida noturna ali é bem agitada, com vários bares, cinemas, boites e clubes safados, com shows de strip e pole dance. Na porta desses clubes, sempre ha um leão de chácara, geralmente afro ou latino que, ao ver estrangeiros "perdidos" pelas ruas, insistem para que entremos conferir as beldades... O método japonês de dizer NÃO deve ser empregado. Basta não responder e nem olhar que eles desistem de você. Em um dos bares, eu cheguei até a ficar assustado, porque enquanto eu estava tirando fotos dos arredores, me vi cercado por um pessoal de terno mal encarado que parecia saído de algum video game da Yakuza. Queriam saber o que eu estava procurando ali...

Só foto uai... -_-

shinjuku a noite
Shinjuku

segunda-feira, novembro 09, 2009

Objetivos gastronômicos.

Mais um dia de chuva forte em Tokyo. Parecia tempestade de fim de ano em Brasília, só que com mais vento. E, como consequencia, um dia frio. Mas era o meu último dia para ir ao Bazar Oriental e comprar as "lembranças de viagem" aguardadas pela familia. Acho que acabei comprando mais presentes pros outros que pra mim. Tinha planejado ir a Akihabara também, mas, após sair do Bazar e chegar em casa com a calça encharcada e colada na minha perna eu desisti. Essas compras, fui fazer à tarde. No almoço eu tinha um programa especial.

Gastronomicamente falando, fui ao Japão com dois objetivos. O primeiro era comer baleia, já que a caça só é permitida lá e na Islândia, até onde eu sei. O segundo era comer a carne de Kobe, a mais cara do mundo, se eu achasse ela barata; e as minhas esperanças eram mínimas. O restaurante de baleia - olha que sorte! - ficava a duas ruas da casa onde eu estava. Fui almoçar lá. Entre as três opções no menu do almoço, optei pela baleia grelhada. Sashimi de baleia eu não iria arriscar. É mamífero cru; não pode ser muito bom. Como eu esperava, a carne é bem dura e se assemelha às demais carnes de caça, com um gosto forte que lembra o carneiro.

pescadores de baleia
O quadro no restaurante mostra como eles caçam a baleia...

carne de baleia
...E ela vem pro nosso prato. Simples assim!

(E eu não quero nenhum ambientalista reclamando; primeiro porque estava bom, segundo porque ninguém vai me convencer de que é menos cruel comer alface. Tenho certeza de que o pé de alface está bem mais feliz ali, plantado na terrinha dele, úmida e cheia de minhocas, do que estirado no meu prato aguardando ser devorado com azeite)

Já a noite, "convidei" Tio Piras e Tia Liana para um jantar no Gonpachi. Com uma fachada que lembra os antigos castelos japoneses e decoração interna rústica, o tradicional Gonpachi já recebeu Bill Clinton, George Bush e, talvez, Saddam Hussein. O lugar foi fonte de inspiração para o restaurante do primeiro Kill Bill, onde ocorre o massacre. A comida é muito boa, variada e menos cara do que eu esperava. E foi ali que, inesperadamente, eu realizei meu segundo objetivo: provar um "Kobe Beef". Por cerca de 30 dólares, eu comprava um espeto que vinha com 2 pedaços de carne e uns legumes grelhados. Foi o mais barato que eu achei e resolvi cometer o pecado. Quem gosta de carne, como eu, vai entender. Realmente é uma carne diferenciada, misturada com gordura, com uma textura extremamente macia que se desfaz na boca. Quando acaba, dá até uma certa tristeza, que aumenta quando chega a conta...

bife de kobe
Kobe!! =D

Voltei pra casa e fui a uma loja chamada Dom Quixote. Segundo a Liana, é as "Lojas Americanas" do Japão. Ali você encontra de tudo. Comida, relógios genéricos, relógios de marca caríssimos, artigos de pesca, perfumes, sex shop, objetos irreverentes... Fui lá pra comprar uma mala, pra levar os excessos. Quase comprei uma cueca-de-turista com a estação de metrô local. Entre as bizarrices da loja, a que mais me chamou à atenção foi a almofada de bunda. Como eu jamais compraria a cafonice, a não ser que fosse dono de Motel, me contentei com uma foto sem vergonha.

bundinha japonesa
Apalpando uma bundinha japonesa...

sábado, novembro 07, 2009

Um pouco sobre Ginza

Depois do sábado em Hakone, domingo, agora com a chuva nos perseguindo em Tokyo, fomos de carro até Ginza.

Ginza é provavelmente o "bairro" mais famoso de Tokyo. Pelo menos era o único que eu conhecia - de nome - antes de chegar lá. Ali estão concentradas as sedes das grandes empresas e as lojas caras. A loja da Apple, da Sony e de várias grifes européias estão ali. Um paraíso para quem gosta de compras vultosas. Como não estávamos lá para isso, apenas passeamos pela rua principal, que estava fechada para carros.

Na verdade, nem ia escrever sobre o domingo cinzento em Ginza, mas achei injusto deixar o famoso bairro de lado. Enquanto eu perambulava por lá...

placa de carro japonesa
Consegui tirar a foto de uma das estranhas placas japonesas. "Ru Ponto Ponto Ponto Cinco"

palacio imperial japones
Indo pra Ginza, você passa em frente aos jardins do Palácio Imperial.

predio cerveja sapporo
Prédio com a marca da cerveja Sapporo. As placas brancas atrás são iluminadas a noite.

rua em ginza
A rua principal, onde você pode desabastecer a conta bancária.

Photobucket
O famoso relógio.

cafe doutor em toquio
Um japonês foi ao Brasil e ficou intrigado pois aqui todos se tratavam por "Doutor". Impressionado com o número de detentores do título acadêmico nas terras tupiniquins, resolveu dar esse nome ao seu Café. Pelo menos foi uma história assim que eu ouvi.

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Quando anoiteceu, fui ao bairro Hi-Tech de Akihabara. Quase todas as lojas estavam fechando e acabei não me demorando muito por lá. Tive de voltar na terça. Assim, o assunto foi empurrado para outro post.

quarta-feira, novembro 04, 2009

...E eu não vi o Monte Fuji.

Era sexta-feira quando voltei pra Tokyo. Eu tinha duas opções de viagens para o fim de semana. Poderia ir a Nikko, para ver um templo importante, que deu origem à história dos três macacos - um que não vê, um que não fala e um que não ouve; ou ir a Hakone, região vulcânica com vários lagos onde fica o Monte Fuji. Como a previsão do tempo era de sol, optei por Hakone no sábado. Caso fosse no domingo, teria de viajar sozinho.

O dia amanheceu amarelo. Mas, confiantes na previsão do tempo, fomos para as montanhas assim mesmo. O primeiro trem, que nós perdemos na ida mas pegamos na volta tem um vagão com vista panorâmica atrás, o que atrai muitos casais em lua de mel. Por conta disso, o trem é conhecido como "Romance Car". Tirando o vagão especial, é um trem comum...

Conforme íamos nos aproximando de Hakone, o tempo ia fechando. Ao parar na estação da cidade, começou uma chuva fina, no melhor estilo garoa paulista. Ali, pegamos outro trem, que nos levou montanha acima até um teleférico. O teleférico, por sua vez, nos levou aos vulcões. A mudança de paisagem é abrupta. Você está subindo uma montanha cheia de árvores e, quando chega no cume, vê que do outro lado há uma excavação imensa de um provável campo de extração de enxofre. A paisagem fica amarela e a vegetação escura, queimada pelo calor das rochas vulcânicas.

vulcoes em hakone

Almoçamos ali mesmo, em uma das lojas/restaurantres que ficam em volta do teleférico "mais usado do mundo" segundo o Guiness. Pela primeira vez, senti frio no Japão. Por via das dúvidas, compramos um guarda chuva cujo uso era quase impossível devido ao vento na montanha. Durante o almoço, notei que a paisagem lá fora estava diferente. Ao entrar no restaurante, o tempo nublado até dava um ar bonito à região vulcânica, combinando com a paisagem. Desembaçando a janela ao meu lado, vi que o tempo nublado havia simplesmente caído sobre nós e TUDO estava envolto por uma neblina espessa.

vulcoes em hakone
Antes de a neblina descer. Depois... bom... depois estava branco!

Terminado o almoço, subimos a montanha até os poços onde os japoneses cozinham ovos numa lama fervente. São os famosos "ovos negros" de Hakone. Têm a casca preta, mas gosto de ovo cozido mesmo. Esses não eram vendidos por unidade mas em caixas de 6 e, por isso, acabei não comendo. Como a água e a lama são de origem vulcânica, o cheiro de enxofre é fortíssimo e, pra quem conhece, lembra a chegada no Rio de Janeiro, na saída do aeroporto...

poca de enxofre em hakone
Desses poços azuis saem os ovos negros.

Esses ovos são tão famosos que eles até vendem um "ovo negro de pelúcia" em uma das lojas. Turista bobo que eu sou, quase comprei a esquisitice. Na loja que vendia o ovo de pelúcia também vendia o ovo (comestível) por unidade. Não tirei foto e nem voltei na loja porque era longe de onde eu estava e o vento gelado com a chuva não me davam muita vontade de me desviar do meu caminho...

Após a montanha que fazia ovos negros e cheirava a enxofre, era hora de descer de teleférico para pegar o "Navio Pirata", as embarcações de aparência inglesa que passeiam pelo lago que, eu acho, era o maior da região. No meio do lago, o vento era mais forte ainda. O passeio foi bonito, apesar do tempo. Porém, por mais que eu goste de dias nublados e neblina, nesse dia em especial eu queria mais era céu azul. As nuvens, assim como a poluição suspensa em Tokyo, esconderam o Monte Fuji. Ou seja, fui ao Japão e não vi o ícone mais famoso de lá. Agora vou ter que voltar.

os barcos de hakone
AHOY!

lago hakone
O Monti fuji está aí. Aí, atrás daquela nuvem. Viu?

sábado, outubro 31, 2009

Correria para Nara

Depois de uma noite tranquila no Ryokan, um dia não muito tranquilo me aguardava. A viagem pra Nara foi marcada por várias correrias.

veadinho em Nara
NÄRA deerkrossing vith Brüno!

Cheguei à estação de Kyoto, comprei logo meu bilhete de trem pra Nara e fui almoçar num café com o estranho nome de SUVACO. Comida murrinhenta. Entrei no terminal e estava esperando meu vagão quando... Êpa! Cadê meus óculos escuros?? Sem óculos, sem fotos em Nara, já que eu não olho pro sol. Pronto! Tive que sair correndo pela estação por que o trem chegaria em 5 minutos. Primeiro parei no Suvaco. A moça da cantina se empenhou em procurar o óculos. Como eu sei que os japoneses não têm pressa pra te ajudar e eu estava atrasado, deixei a mulher me ajudando e fui para a loja do Osamu Tezuka, onde eu estivera tempos antes, na outra extremidade da estação. Lá estavam os óculos. Ainda bem que os japoneses guardam coisas alheias; eles não conhecem o ditado "achado não é roubado". Voltei pro portão e lá estava o trem. No minuto seguinte, eu lá dentro quase desmaiado de tanto correr, ele partiu pra Nara.

monge humilde
Monge pedinte

Antiga capital do Japão, Nara é uma pequena cidade que tem por mascote um monge com galhos de veado na cabeça. E os veados andam soltos por ali. Há um número impressionante deles andando pelos parques e pelas ruas próximas.

alimentando os cervos em nara
Esses veados só comem uma rosca que é vendida por 160 Y. Frescos!

Em Nara, visitei os pontos turísticos tradicionais. O Museu Nacional, alguns templos (há muitos; nem guardei o nome de todos) dentre os quais oToudai-ji, que abriga a Estátua do Grande Buda. É uma construção que impõe respeito. Tudo muito grande; tanto o portão de entrada quanto o templo em si. O último templo que visitei era rodeado de florestas e lanternas de pedra muito antigas. Acabei me perdendo na tal floresta e fui sair em um bairro residencial do lado oposto à civilização. Só uma ou outra velhinha na rua me olhando com um olhar curioso. Um custo para achar um taxi para me levar de volta à estação onde se deu a correria número 2.

toudai ji em nara
Toudai-Ji; só o portão de entrada...

templo do buda gigante
...e o templo em si.

floresta mal assombrada
Floresta de Nara onde eu me perdi.

suburbio em nara
Bairro residencial onde fui parar.

placa indicativa
Se você procurar bem, encontra o caminho. Essa placa estava no muro de uma casa.

oni no teto
Gosto muito dos detalhes nos tetos. Esse era o teto de uma residência.

Seria simpático voltar pra Tokyo com umas lembranças para os organizadores da viagem. Assim, comprei algo tipicamente japonês: um biscoito fino de chá verde com chocolate branco, envolto naquelas embalagens tradicionais prontas pra serem oferecidas como presente. Demorei a achar a loja, demorei a comprar... Fui atrás de outro "Papa" na estação (Bento) para o jantar e corri para não perder o Shinkansen. Tudo foi bem até chegar a Tokyo. O trem que eu devia pegar pra ir pra casa parou em uma estação e eu tive que trocar de trem. Acho que foi nesse momento que a sacola com os biscoitos se separou de mim. Foi passear em Tokyo. Peguei o outro trem não muito feliz da vida e voltei pra casa.

Nada de biscoitos à noite!
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