quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Já viu o último inédito?

...Invariavelmente, O título pouco chamativo original receberá uma tradução tosca, hedionda, beirando a coisa-escrota...

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Inédito. Segundo o minidicionário Aurélio que eu usava na 4a série, que tem as bordas grudadas por um fatídico vazamento de Cascola na minha mochila, o vocábulo significa "adj. não-publicado ou não impresso". Tecnicamente, tal qual a cabeça do bacalhau, é algo que você nunca viu.

Nestes últimos meses, tive um maior contato com a televisão brasileira, após anos de assinatura de TV a cabo. E me impressiona a quantidade de inéditos que vemos todos os dias. (Abro um parêntese para mencionar a folclórica citação Galvão Buênica "...amanhã: mais um capítulo inédito de Vale a Pena Ver de Novo..."). São tantos inéditos que até o Galvão, entre um drible e outro se confunde.

Não importa o canal, haverá sempre um "Pela primeira vez na televisão" te espreitando. Quando anunciam o filme iniciando com essa frase e ressaltando ao final tratar-se de um filme inédito, caro cidadão, o melhor a fazer é ficar com um certo medo. Pode tratar-se de uma bomba cinematográfica com o Steven Segall ou o Chuck Norris, que nem suas respectivas mães aguentaram ver-daí toda a aura de novidade da fita. Invariavelmente, O título pouco chamativo original (vou inventar-The Ruffian) receberá uma tradução tosca, hedionda, beirando a coisa-escrota (vou traduzir-Sangue e Fúria: O Jogo Proibido). A primeira parte do título sugere algo onde a violência correrá solta; o que muitas vezes é o que acontece mesmo. Tudo será pretexto para que os dentes se libertem das respectivas bocas. A segunda parte do título é a propaganda enganosa. Uma frase de efeito genérica que não quer dizer muita coisa mas procura dar um ar mais interessante ao nosso inédito. Não precisa ter a ver com o filme. E geralmente não tem.

Recentemente, na Record, assisti (por umas duas ou três vezes) ao inédito Dead or Alive-DOA. Doeu mesmo; tanto que eu não resisti ao jogo de palavras infame. Minha sugestão é que, para o nosso bem, certos filmes inéditos assim o permaneçam...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Nós suicidas

Segundo uma "Astróloga que nunca errou uma!!!", em 1998 iria chover fogo do céu e, em 1999, os ETs viriam à Terra para "corrigir" o ser humano.
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Hoje, após um sonho apocalíptico (já tive vários, entre a pletora de sonhos surreais que eu tenho), acordei pensando no assunto. Sim, nestes meus 29 anos de vida, foi uma constante que pude observar: o ser humano anseia pela morte. Não pela sua própria, bem entendido, mas pelo The End coletivo.

Começou quando eu tinha meus seis anos e uma garota mais velha que eu me atacou com a assertiva: "Ano 2000 será o fim do juízio (sim, ela disse fim do juízio)!! O mundo inteiro vai explodir!!!" Meus olhos ficaram arregalados e à noite, apavorado, fui chorando falar com a minha mãe sobre o assunto.

Mais tarde, anteciparam o fim. Em 1988, o mundo iria acabar com uma Terceira Guerra Mundial, com direito a muitas bombas atômicas caindo sobre nossas cabeças. Coisa da Guerra Fria e a Guerra Irã-Iraque estava a pleno vapor. Segundo os gurus, era ali que teria início o derradeiro conflito que poria um ponto final na nossa existência. Com 8 anos, eu ficava alerta sempre que o Cid Moreira tocava no assunto. Vi "The Day After", apesar dos meus pais terem dito que não era filme pra criança e fiquei umas duas semanas sem dormir, esperando a bomba ao menor barulho de avião. Outra ameaça era a camada de ozônio. Numa época em que ninguém sabia ao certo quais seriam as conseqüências de sua deterioração, meu avô me disse que sem a camada, o ar da Terra iria todo embora e morreríamos sufocados. Fiquei tentando prender a respiração pra ver quanto tempo eu sobreviveria...

Terminada a Guerra Fria, sem bombas, o ano 2000 voltou a ser a data do fim. Em 92, li na revista Manchete que, segundo uma "Astróloga que nunca errou uma!!!", em 1998 iria chover fogo do céu e, em 1999 os ETs viriam à Terra para "corrigir" o ser humano. Em 2000 teria início uma nova era. Se isso aconteceu em algum lugar, eu devia estar jogando videogame e não fiquei sabendo. No ano 2000 o mundo não estourou como um balão, a terra não parou e, em 2001 e 2002, outras datas finais famosas, nenhum meteoro caiu sobre nossas cabeças

Agora, em menos de 1 semana, já vi várias notícias sobre o novo fim. Até sonhei com isso hoje. O vilão da vez é Nibiru, décimo planeta do Sistema Solar segundo os Maias, que também consideravam Plutão um planeta. Nibiru Se aproximará da Terra em 21/12/2012, trazendo todo tipo de coisas caóticas; que fariam o Katrina, o Tsunami e o Michael Jackson parecerem bichinhos de pelúcia!

Não quero duvidar da sabedoria Maia, mas se eles sabiam tanto de astronomia, como eles não colonizaram a Europa? Será que tinham curiosidade de saber o que havia lá no céu mas não além dos oceanos? Só posso concluir que o homem é estranhamente obcecado pelo fim dos tempos. Precisa de um fim (sentido deno e conotativo), senão não tem motivos pra viver. Comentei com a minha faxineira, evangélica, e ela atribuiu isso ao sentimento de culpa da humanidade. Pecado coletivo. Pode ser. Espero que Nibiru me traga a conclusão e me dê tempo de postá-la aqui.
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