sábado, outubro 31, 2009

Correria para Nara

Depois de uma noite tranquila no Ryokan, um dia não muito tranquilo me aguardava. A viagem pra Nara foi marcada por várias correrias.

veadinho em Nara
NÄRA deerkrossing vith Brüno!

Cheguei à estação de Kyoto, comprei logo meu bilhete de trem pra Nara e fui almoçar num café com o estranho nome de SUVACO. Comida murrinhenta. Entrei no terminal e estava esperando meu vagão quando... Êpa! Cadê meus óculos escuros?? Sem óculos, sem fotos em Nara, já que eu não olho pro sol. Pronto! Tive que sair correndo pela estação por que o trem chegaria em 5 minutos. Primeiro parei no Suvaco. A moça da cantina se empenhou em procurar o óculos. Como eu sei que os japoneses não têm pressa pra te ajudar e eu estava atrasado, deixei a mulher me ajudando e fui para a loja do Osamu Tezuka, onde eu estivera tempos antes, na outra extremidade da estação. Lá estavam os óculos. Ainda bem que os japoneses guardam coisas alheias; eles não conhecem o ditado "achado não é roubado". Voltei pro portão e lá estava o trem. No minuto seguinte, eu lá dentro quase desmaiado de tanto correr, ele partiu pra Nara.

monge humilde
Monge pedinte

Antiga capital do Japão, Nara é uma pequena cidade que tem por mascote um monge com galhos de veado na cabeça. E os veados andam soltos por ali. Há um número impressionante deles andando pelos parques e pelas ruas próximas.

alimentando os cervos em nara
Esses veados só comem uma rosca que é vendida por 160 Y. Frescos!

Em Nara, visitei os pontos turísticos tradicionais. O Museu Nacional, alguns templos (há muitos; nem guardei o nome de todos) dentre os quais oToudai-ji, que abriga a Estátua do Grande Buda. É uma construção que impõe respeito. Tudo muito grande; tanto o portão de entrada quanto o templo em si. O último templo que visitei era rodeado de florestas e lanternas de pedra muito antigas. Acabei me perdendo na tal floresta e fui sair em um bairro residencial do lado oposto à civilização. Só uma ou outra velhinha na rua me olhando com um olhar curioso. Um custo para achar um taxi para me levar de volta à estação onde se deu a correria número 2.

toudai ji em nara
Toudai-Ji; só o portão de entrada...

templo do buda gigante
...e o templo em si.

floresta mal assombrada
Floresta de Nara onde eu me perdi.

suburbio em nara
Bairro residencial onde fui parar.

placa indicativa
Se você procurar bem, encontra o caminho. Essa placa estava no muro de uma casa.

oni no teto
Gosto muito dos detalhes nos tetos. Esse era o teto de uma residência.

Seria simpático voltar pra Tokyo com umas lembranças para os organizadores da viagem. Assim, comprei algo tipicamente japonês: um biscoito fino de chá verde com chocolate branco, envolto naquelas embalagens tradicionais prontas pra serem oferecidas como presente. Demorei a achar a loja, demorei a comprar... Fui atrás de outro "Papa" na estação (Bento) para o jantar e corri para não perder o Shinkansen. Tudo foi bem até chegar a Tokyo. O trem que eu devia pegar pra ir pra casa parou em uma estação e eu tive que trocar de trem. Acho que foi nesse momento que a sacola com os biscoitos se separou de mim. Foi passear em Tokyo. Peguei o outro trem não muito feliz da vida e voltei pra casa.

Nada de biscoitos à noite!

sexta-feira, outubro 30, 2009

No Ryokan

A última noite em Kyoto merece um post apenas para ela. Após o Festival, fui para o "bairro" de Gion, na parte antiga da cidade, onde ficam as geiko e maiko (popularmente conhecidas como gueixas). É uma profissão em declínio devido à complexidade. Além de terem que tocar instrumentos tradicionais, essas mulheres devem ainda falar o dialeto de Kyoto, e serem versáteis em diversos assuntos. Ouvi dizer que há apenas umas 30 ou 40 "gueixas" em atividade hoje.

Em Gion, fiquei em um Ryokan, uma pousada tradicional japonesa que tenta preservar os costumes da época do Japão feudal. A idéia é "voltar ao passado". Chegando ao estabelecimento, você imediatamente tem de tirar os sapatos e colocar chinelos para não danificar o tatame que cobre todo o chão. No quarto, praticamente não há móveis, exceto algumas cadeiras e a mesa de chá. O teto, feito sob medida para os japoneses daquela época é bem baixo para os padrões ocidentais. Dentro do armário, você pode vestir o "yukata", roupa tradicional.

Cheguei no quarto e, de repente, entra uma senhora de kimono para perguntar que hora eu queria a janta e a cama. No Ryokan, não sei se é costume samurai, eles entram no seu quarto sem bater. Foi assim com a senhora das boas vindas, a senhora da comida e o rapaz que veio convidar para a cerimônia do chá. A janta japonesa é bem servida e havia vários pratos diferentes, com coisas que eu nem imagino o que eram. Reservei um "banho típico" pras 23h e após o jantar, desci até a casa de chá para a cerimônia.

quarto do ryokan em kyoto
Quarto do Ryokan, antes da invasão.

jantar tradicional japones
Jantar servido!

Terminada a cerimônia do chá às 21h, resolvi sair pela cidade e ir até a rua chamada "Ponto Cho". A rua é paralela ao rio que atravessa a cidade. Por ser extremamente estreita, não há tráfego de veículos. É uma rua muito tradicional e antiga no Gion e, com alguma sorte, dá pra ver alguma geiko ou maiko caminhando por lá. É uma espécie que quartel-general delas... A noite de Kyoto é bem bucólica, com casais na beira do rio contemplando a escuridão. Andar por Ponto Cho é, de certa forma, uma volta no tempo. Tudo ali é muito antigo e em toda porta há algum amuleto contra os maus espíritos. Os japoneses parecem ser mais supersticiosos que religiosos. Parei para um sake em um bar antigo da rua que oferecia enorme variedade da bebida.

loja de sake
Muito sake!!!

cardapio em japones
...Mas o cardápio é em japonês!!

Apontei para 2 preços e o garçom deu a entender que eram uma boa pedida. Veio a surpresa; um em uma garrafa azul e outra em uma garrafa de vidro escuro. O primeiro com gosto de flor. O segundo com gosto de sake mesmo.

Voltei a andar na rua e enquanto eu olhava uma vitrine... Passou por mim uma gueixa! Estava acompanhada por um casal e parecia indiferente ao mundo; só olhava pra frente. Fui lá pedir uma foto e o casal fez uma careta, o que em japonês quer dizer "NÃO MESMO!!!!". A gueixa me olhou de rabo de olho e seguiu o caminho. Ou seja, era pra aparecer uma gueixa aqui! Já eram quase 23h e eu voltei pro Ryokan, para relaxar em uma banheira de água quente. No quarto, a cama pronta me aguardava no chão. Dia seguinte, acordaria cedo para ir a Nara, cidade dos veadinhos (brasileiro TEM que pensar besteira...)

rua pontocho em kyoto
Ponto Cho

lanternas japonesas
Lanternas na frente dos bares em Kyoto

terça-feira, outubro 27, 2009

Matsuri, o Segundo.

Vou confessar. Não acordei lá muito feliz da vida por ter de deixar o confortável quarto do New Miyako. Às 6h da manhã lá estava eu perambulando pela cidade atrás de um café da manhã digno. Duas horas depois, deveria fazer check out e me juntar ao grupo da excursão da manhã.

Na pauta, mais um templo e dois castelos. Fomos primeiro ao Castelo Nijo, que significa "Castelo na Segunda Rua". Na verdade, não era um castelo propriamente dito, mas a enorme casa de um shogun bem remunerado. Esse foi o meu preferido em Kyoto, o número 1 da lista. Os "telhados" em tronco de cedro com detalhes dourados e madeira trabalhada são lindos e dão o "peso" necessário ao lugar. No interior, pinturas de paisagens ou animais ferozes de acordo com a função do quarto. E no chão, umas placas de metal faziam barulho sempre que alguém passava, para avisar ao shogun a presença de um possível assassino.

teto do castelo nijo
arte japonesa
Detalhes externos do teto. Nada de fotografar lá dentro.

O segundo templo, foi o famoso Kinkaku-ji, o "Pavilhão Dourado". É o templo principal de um complexo maior, construído na beira de um lago em um jardim original da época dos samurais. Com o segundo e terceiro andar banhados a ouro, é uma construção bem impressionante, mesmo sem poder entrar lá dentro pra ver como é. Foi o segundo que eu mais gostei, desconsiderando o número absurdo de turistas no local. Tirar boas fotos não foi fácil.

pavilhao dourado kinkaku ji
Observar de longe...

A excursão seguiu para o Palácio Imperial, que na verdade foi Palácio Imperial propriamente dito por pouco tempo; era apenas uma residência temporária do Imperador. O Palácio era bonito sim, mas se eu fosse o Imperador, teria confiscado o Castelo Nijo pra mim. 5o lugar no Top6.

casa imperial japonesa
antigo palacio imperial japones
Diversas vistas da casa do Imperial.

De lá seguimos para o Kyoto Handicraft Centre, o the end e local de almoço da excursão. E um paraíso para comprar todo tipo de bugingangas orientas, onde o meu dinheiro migrou da minha carteira para uma máquina registradora.

Deixei as compras e as bagagens lá e fui em direção à Heian-ji (a primeira que visitei, lembram?)
para ver outro festival, o Jidai Matsuri - Festival das Idades, um dos maiores de Kyoto. Uma parada sai do Palácio Imperial em direção à Heian-ji, representando as diversas fases da história de Kyoto. Diferentemente do Kawagoe Matsuri, aqui você fica parado vendo o desfile passar. Parece desfile militar só que com samurais representando os vários clãs. Fiquei perto do templo por 1h30 e depois fui caminhando no sentido contrário ao desfile até começar a escurecer e esfriar; momento em que peguei o caminho de volta para o Handicraft Centre. Além das compras e da minha bagagem, me esperava o Ryokan...

jidai matsuri em kyoto
jidai matsuri em kyoto samurai
jidai matsuri em kyoto samurai
jidai matsuri em kyoto
Cenas do Jidai Matsuri: "Samurais Souza Paiol", "Samurai Corno", "Samurai Windows 3.1" e "Samurai Robin Hood".

segunda-feira, outubro 26, 2009

Trem bala para Kyoto

Minha primeira aventura "solo" pela Terra do Sol Nascente. Peguei o tal "Trem Bala", aqui chamado Shinkansen para Kyoto. Impressiona o tamanho do trem, comprido por fora e largo por dentro. Com cadeiras espaçosas, confortáveis... Infinitamente melhor pra viajar que os aviões atuais, em todos os aspectos.

dentro do trem bala
trem bala shinkansen
Shinkansen IN/OUT

Assim, a viagem pra Kyoto foi bem tranquila. Almocei, no trem mesmo, um "Bento". Bento são pratos prontos que você compra em todo lugar no Japão. É a nossa marmita, só que mais arrumadinha. Ou seja, o Papa Bento, na verdade é o Papa Marmita. Meu Deus! Almocei o Papa!!!

Em Kyoto, fiquei no hotel New Miyako. Ficar sozinho em um quarto de Hotel é maravilhoso. É o supra sumo da individualidade o apogeu do seu momento espaçoso. Você tem 2 camas de casal pra você. pode dormir numa montanha de travesseiros, usar 2 cobertores, ver TV a noite toda, tomar banho e usar todas as toalhas e andar no quarto com uma cueca na cabeça, embora eu nunca tenha feito isso. Ninguém vai te encher o saco. Infelizmente, cheguei no Hotel 12h40, com uma excursão programada pra 13h30 e o check in só poderia ser feito a partir das 14h. Não pude, ainda, saborear meu momentum de tranquilidade no hotel.

Uma excursão me levou a três templos: Heian-ji, Sanjyusangen-do e Kyomizu-dera. O Heian-ji, primeiro deles me impressionou pelas cores. Primeiro templo verde/vermelho e branco que eu vi na vida. Não é uma construção muito chamativa. Tem, na parte de trás, um jardim muito bonito e uma bela passagem sobre o maior dos lagos. Em um lago menor, cheio de lótus, carpas e tartarugas, há uma passagem de pedra que segundo a lenda é a coluna de um dragão que te leva até o céu se você subir nele. Mas antes de subir, a pessoa deve se inclinar em sinal de respeito. Para tanto, o paisagista entortou um pinheiro bem na entrada da passagem, o que obriga todos a se inclinarem. Tudo é bem planejado. Na passagem, você vê o reflexo do céu no lago: é o dragão te levando nas nuvens... Foi o 4o templo mais interessante dentre os 6 que eu vi em Kyoto.

heian ji em kyoto
Entrada do Heian-ji

lago no templo heian ji
A passagem sobre o lago.

O Sanjyusangen-do tinha como ponto de interesse as 1000 estátuas de Buda, dispostas ao lando de uma grande estátua da Kanon, a deusa dos mil braços. Acendi um incenso para a Deusa, com quem simpatizei. As 1000 estátuas impressionam mas, se você viu uma, as outras 999 não oferecem lá muita diferença. O interessante é ver o conjunto. Como fotos não são permitidas, eu emburrei com o templo e ele, apesar da overdose de Budas, acabou indo pro final do meu top 6.

O caminho para o Kyomizu-dera foi muito bonito. Uma subida por uma rua antiga e estreita da cidade levava a várias escadarias que conectavam as partes do grande "templo das águas" construido no flanco de uma montanha. Número 3 da minha lista.

templo kyomizu dera em kyoto
O Kyomizu-dera. No flanco da montanha. Não falei??

O templo estava lotado de turistas e por isso, o grupo se dispersou. A última vez que eu vi a guia, ela falava sobre umas "pedras do amor". Uma lenda local que mandava você caminhar de uma pedra a outra de olhos fechados para atrair o amor da sua vida. Ou algo assim. Antes de ela terminar eu já caminhava na direção oposta, para poder ver todo o templo. Consegui ver a fonte da juventude e beber da sua água, tirar várias fotos, ver as tais pedras do amor e correr como um louco para não perder o ônibus (primeira corrida da viagem). Voltei para o hotel para me esparramar pelo meu quartinho mais ou menos!

hotel new miyako em kyoto
Tio Piras, chefe do HQ em Tokyo havia me dito para ir para o outro lado da estação, onde eu encontraria a meca dos restaurantes de Kyoto. Esse local foi a coisa mais difícil de achar de toda a viagem e, das 18h40 às 20h30 eu perambulava pela estação da cidade, em busca do "prédio de pé direito alto, perto de uma loja de departamentos, com escadas rolantes que te levam 11 andares acima". Enfim achei o local, por uma entrada fora da estação. É uma das maiores construções de aço e vidro do Japão, com um "vão" impressionante. Da enorme variedade de restaurantes do local (2 andares inteiros de cada lado do edifício, mais alguns no subsolo) escolhi comer okonomiyaki, a "crepe" japonesa, que você frita no centro da mesa com os ingredientes que escolher.

Uma das coisas que mais gostei de fazer aqui é me perder intencionalmente pelas ruelas escuras da cidade. Lugares que em qualquer outro país do mundo, nenhum cidadão em sã consciência frequentaria. Becos e ruelas escuras em Nova York, Rio ou Vancouver costumam ser no minimo sujos e mal frequentados. Aqui são locais charmosos. Você sempre vê uma eventual velhinha passando de bicicleta com as suas verduras ou uma adolescente correndo ouvindo MP3. Dos dois lados dessas ruas, que em geral não têm transito de carros, encontram-se bares e restaurantes tradicionais japoneses, com peixes secos pendurados na entrada e NENHUM cardápio em inglês. Você aponta pro preço e espera a surpresa. Foi em um bar desses que terminei minha primeira noite em Kyoto, atraído pelo letreiro "beers from around the world". Havia cervejas da Jamaica, de Trinidad e Tobago, do México... E nenhuma brasileira!!! Estamos mal na fita! =/

Acabei tomando sakê mesmo.

domingo, outubro 25, 2009

O Ditador e o Ninja

Resolvi não falar ainda das viagens para além Tokyo. Antes do "prato principal", um post com umas curiosidades daqui...

Andando pelas ruas menos populares daqui e de qualquer outro canto do mundo é que você encontra as coisas mais bizarras. Essa é a minha teoria. Perdido do bairro de... Shinjuku (eu acho; estava perdido) me deparei com essa enigmática placa na rua.

cabeleireiro bizarro
Primeiro, acreditei ter encontrado o designer capilar de Kim Jong Il. Um pouco mais adiante, vi que se tratava de uma loja de perfumes e cosméticos. Numa TV na vitrine, o sujeito da placa bradava algo em japonês sobre seus produtos, num programa estilo POLISHOP. Dentro da loja, um altar com moedas e velas homenageava o ser topetudoque figurava como uma estátua de cera extravagante na pequena construção. E finalmente, vi sair dos fundos da loja, o abençoado vendedor sorridente. Não quis entrar na loja, com medo de o sujeito qurer me vender algum gel mágico para o cabelo. Se eu não ficasse satisfeito, ele devolveria o meu dinheiro.

A noite, fomos ao restaurante NINJA no bairro de Akasaka.

restaurante ninja em toquio

Nesse restaurante extremamente pirotécnico é servida uma comida japonesa mais moderna e sofisticada. Entramos em um quarto escuro e uma parede se abre. A passagem leva ao esconderijo secreto dos ninjas. Os garçons são todos vestidos a caráter e alguns pratos são introduzidos com todo um show de arte ninja, como o "escargot explosivo" e a sopa fervida na pedra vulcânica quente. Antes da sobremesa, um Mestre Ninja vem até a nossa mesa fazer um show de mágica. Ainda estou me perguntando como ele transformou um jogo de cartas na MINHA mão em um bloco de acrílico...

gastronomia refinada oriental
Sushi Ninja!

sala do restaurante ninja
Sala Ninja!

Proximamente: Trem bala pra Kyoto

terça-feira, outubro 20, 2009

A V I S O

Amanhã vou fazer um quase road-trip (railway trip) para Kyoto e Nara. Vou ficar 3 dias perambulando por lá, para ver outro festival e dormir numa pousada tradicional e ver um monte de templos. E de montes. Ou seja, nada de Internet até o fim de semana (e eu já estou com história atrasada; tenho q contar do NINJA)...

Enfim... Acho que é isso... Até breve, qdo esse post será apagado.

Abraços/Beijos

domingo, outubro 18, 2009

Kawagoe Matsuri

Ao norte de Tokyo está Kawagoe, apelidada "a pequena Edo". É uma cidade cortada por rios, com alguns templos, castelos e as características casas de madeira negra resistentes ao fogo chamadas "Kurazukuri". A razão que nos levo até lá foi o festival "Kawagoe matsuri", um tradicional evento dali que ocorre no terceiro fim de semana de outubro desde 1648.

kawagoe matsuri
Eu vou com a galera

Os "matsuri", festivais populares são parte importante da cultura japonesa e ocorrem em várias cidades durante o ano todo. No de Kawagoe, as pessoas de cada quarteirão da cidade, com seus carros alegóricos decorados de acordo com um tema desfilam pelas ruas da parte antiga. Quando os carros se encontram, ocorre um duelo musical. É um pouco como nas noites cariocas, quando Mc Muquifo e sua turma encontram Mc Boréu e seus bródis e tem início um emocionante duelo de hip hop. Nos matsuri, às vezes há shows pirotécnicos e fogos de artifício enquanto no ambiente da periferia sangue bom temos shows de treisoitão e bala perdida. Só um paralelo que eu achei interessante.

duelo dos carros em kawagoe
Os carros num duelo

(Voltando pra Kawagoe)
Os dois carros tocam a música do respectivo quarteirão e a pessoa em destaque no carro (sempre com uma máscara) executa uma coreografia com movimentos bruscos. Após um tempo, eles se despedem e cada um segue seu caminho. Isso tudo dura a tarde toda.

homem mascarado
Cara bonito, maquiado mas... MASCARADO!!! (ref?)

mascara da moca timida
A "moça tímida", um dos carros de que mais gostei.

Chegando a Kawagoe, inicialmente pensamos ter perdido o festival. Até que encontramos um casal de japoneses com uma filha pequena que também estava indo pra lá. O rapaz sabia falar inglês razoavelmente bem e "bom dia". Foi uma sorte, pois provavelmente demoraríamos muito pra chegar lá. Eles foram conosco até uma estação de metrô próxima e lá a mulher foi pegar um mapa para nos mostrar precisamente por onde passava o festival. A boa vontade dos japoneses em dar informação é impressionante; eles não desistem e fazem tudo para dar a informação necessária.

guias turisticos em kawagoe
Nosso "guia" com a pequena Rin.

Para terminar, um detalhe curioso aqui do Japão: há muitos banheiros públicos, em sua maioria muito limpos. E há pouquissimos lixos espalhados pela cidade. Nem em alguns banheiros existem cestas de lixo. E ainda assim, após um festival com prováveis milhões de pessoas, as ruas permanecem impecavelmente limpas. Nenhuma lata de cerveja no chão, ou espeto, ou guardanapo, nada... Me pergunto o que os japoneses fazem com o lixo...

chao limpo no festival
Dá até vontade de beijar a rua.

sábado, outubro 17, 2009

Kamakura

Após conhecer o bairro de Odaiba com seus prédios ultramodernos (viagem de Yurikamome; o trem sem piloto) e voltar pra Shibuya na hora do rush com direito a cruzar o cruzamento mais cruzado do mundo, tive uma overdose de urbanização e, por isso, me afastei de Tokyo.

Kamakura é uma pequena cidade a 48 min. de trem de Tokyo, com uma grande concentração de templos e turistas engarrafando o trânsito pelas ruas estreitas. A cidade foi o centro cultural e político do Japão entre 1180 e 1333 e sede do primeiro shogunato. Com várias casas de madeira, jardins bem cuidados e clima bucólico, Kamakura se encaixa com perfeição à imagem que eu sempre tive de uma cidade japonesa.

estacao de trem de kamakura
Chegada à Kamakura

rua em kamakura
Aspecto da cidade

Na antiga capital japonesa, Piras-san e eu fomos primeiro ver o "Kotoku-in Daibutsu", o Buda gigantesco de bronze construído em 1262, provável cartão postal mais conhecido da cidade. Dali, seguimos para o templo de Hase-dera, dedicado à deusa Kannon (da misericórdia), um dos mais impressionantes da região, com enormes estátuas douradas de Buda e da deusa mencionada. No mesmo templo há uma gruta onde pessoas deixam estátuas votivas nas pedras. Em vários locais, podem ser encontradas estátuas de Jizo, guardião das crianças que morreram.

templo da deusa kannon
Fui dizer "oi" à deusa Kannon e a centenas de estátias de Jizo...

templo da deusa kannon hase-dare
Detalhes dourados no templo

cidade de kamakura japao
Kamakura, vista das montanhas atrás do Hase-dare

O próximo templo (eu disse que a cidade era cheia deles!) foi o Tsurugaokahachimangu, e eu espero não ter de repetir o nome dele novamente. É muito grande. Pegamos dois casamentos sendo realizados. Fotografei a noiva e um monge me olhou de cara feia. Com o olho gordo do monge, minha bateria deve ter ido visitar Kannon e Jizo no além, pois não funcionou mais nem com reza braba. Começou a chover. Eram quase 17h e já estava anoitecendo. Dali fui em direcão ao último templo, o Kenchoji. Queria ir lá pois, além de ser um lugar bonito, ele aparece em um dos episódios do Ninja Jiraiya. É ali que as estátuas de Karasutengu atacam ele no episódio da princesa Maya!! Não podia perder uma foto com o autêntico soldado do Dokusai; os fãs da série vão me entender. Acontece que cheguei lá 16h55, meio perdido por Kamakura e, com a chuva, os monges resolveram fechar o local 5 minutos antes.

Fiquei sem o Karasutengu e a foto aqui com a legenda "Droga! Maldito Jiraiya! Recuem!!" (com sotaque de dublagem paulista). Uma pena...

quarta-feira, outubro 14, 2009

Pachinko e preços

Imagine uma máquina de fliperama (pinball) que cruzou com um slot machine. Desse amor nasceu o Pachinko que é, ao lado do baseball e do karaokê o esporte nacional aqui. Você compra bolinhas de aço e coloca na máquina para ganhar mais bolinhas e trocar por prêmios, de doces a bichinhos de pelúcia. É como um bingo local. Muito colorido, geralmente com tons de rosa, muito iluminado e muito barulhento. Dia desses tento minha sorte.
jogo de pachinko
Parece que é proibido tirar fotos dentro das casas de pachinko. Quase fui parar na delegacia após essa.

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YENS?

Aqui os preços variam muito. Dá para comer bem e barato e a história de que você pagará o olho da cara por qualuer carne que não seja peixe é lenda. Depende muito da exigência de cada um. Ontem mesmo comi um "beef curry" com arroz; prato bem grande que custou 600,00 Yens. Ao lado, em um café um capuccino custva 650,00Y. Para calcular, U$ 1,00 vale mais ou menos 90,00 Y. O que eu vi de mais caro até agora foi um biombo em uma loja de produtos antigos que saía por 30 000 000,00 Y, na promoção pra quem quisesse aproveitar, já que era composto de duas partes vendidas por 18 000 000,00 Y cada uma. Acontece que os japoneses não valorizam coisas baratas. A assertiva "se é caro, é bom" é levada bem a sério aqui.
...Êpa! O que será que estou comendo por 600,00 Y?????? 0_0

Zipangu

boas vindas ao japao

A primeira curiosidade de uma viagem ao Japão é a tal Linha Internacional de Mudança de Data. Por culpa dela, hoje, às 8h da manhã eu assisti ao vivo ao Jornal Nacional de ontem. Quando voltar para Vancouver, farei uma viagem no tempo, já que sairei daqui às 19h e chegarei lá, após 9h de viagem, às 11h do mesmo dia.

vancouver vista do alto
Saindo de Vancouver

Cheguei no aeroporto de Narita e a primeira esquisitice que me chamou à atenção foi esse ícone no banheiro do aeroporto, indicando que há um bidê para a higiene local.

chuveirinho higienico

Tokyo é uma cidade extremamente colorida. Esperava uma cidade mais montanhosa (um pouco como o Rio de Janeiro) e menos cartazes luminosos. Esperava carros menores e prédios mais homogêneos. Cheguei e fui muito bem recebido pela família Piras, no hotel Excel. De lá, fui pra casa onde comi um típico jantar japonês (sushi) e fui dormir, pra ver se me adaptava ao fuso horário. Estou orgulhoso de mim mesmo; não estranhei muito a hora...

Só hoje fui sair e explorar os arredores da casa; os bairros de Shibuya e Harajuku. Se em Brasília os pombos me acordam de manhã, aqui os corvos cumprem essa tarefa. Eles são grandes, gordos, pretos e com "voz" esganiçada. E na cidade há aos montes. Além dos corvos, as meninas gritando nas portas das lojas é o outro som bem particular local. A cidade é muito limpa e organizada. No parque Yoyogi o caminho de pedras que levava até o templo Meiji era varrido. Depois, as pedras eram "escovadas" para permanecerem em ordem.

limpando o parque yoyogi

No caminho para o templo, há oferendas que pessoas ou empresas deixam na esperança de ter sucesso.Essas podem Essas, podem variar de flores a bebidas alcóolicas, como o saquê da foto. Infelizmente, os kamis ficam bravos se você beber a oferenda deles e a sua vida desanda.

oferendas no templo

Antes de entrar no templo, há todo um ritual de purificação; ou com água ou com fumaça. Como todo bom turista, li as instruções na entrada do templo muito rápido, na pressa de entrar no local e acabei me purificando demais. Você tem que lavar as mãos e a boca, tomando a água da fonte com a mão direita. Tomei a água. E agora? Cuspir em público, que eu saiba, é uma ofensa grave por aqui. Engoli ao mesmo tempo que lia "EVITE TOMAR A ÁGUA DA FONTE". MERDAAA!!!! Cuspir é feio mas no templo pode. Vai entender...

agua que purifica
A fonte de purificação.

templo em yoyogi
Entrada do templo Meiji

Após visitar o templo, voltei para o centro da cidade. Andei até a Omotesando e a Aoyama Dori, duas ruas bem movimentadas daqui. No trajeto, passei por várias ruelas estreitas. Tokyo é cheia delas. Há mais pedestres que carros, muitas lojas, letreiros e um aspecto meio "entulhado", ainda que organizado.

ruela em tokyo
Rua estreita no centro da cidade.

predio esquisito em toquio
Um dos prédios esquisitos da cidade. Parece que o Darth Vader vai sair de lá a qualquer momento.

Tokyo é uma verdadeira caixa de surpresas, a cada esquina você pode se deparar com algo inesperado, de um altar em meio a prédios modernos a adolescentes praticamente fantasiados andando ao lado de mulheres de kimono. Com certeza terei muita coisa para escrever aqui.
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