quarta-feira, novembro 04, 2009

...E eu não vi o Monte Fuji.

Era sexta-feira quando voltei pra Tokyo. Eu tinha duas opções de viagens para o fim de semana. Poderia ir a Nikko, para ver um templo importante, que deu origem à história dos três macacos - um que não vê, um que não fala e um que não ouve; ou ir a Hakone, região vulcânica com vários lagos onde fica o Monte Fuji. Como a previsão do tempo era de sol, optei por Hakone no sábado. Caso fosse no domingo, teria de viajar sozinho.

O dia amanheceu amarelo. Mas, confiantes na previsão do tempo, fomos para as montanhas assim mesmo. O primeiro trem, que nós perdemos na ida mas pegamos na volta tem um vagão com vista panorâmica atrás, o que atrai muitos casais em lua de mel. Por conta disso, o trem é conhecido como "Romance Car". Tirando o vagão especial, é um trem comum...

Conforme íamos nos aproximando de Hakone, o tempo ia fechando. Ao parar na estação da cidade, começou uma chuva fina, no melhor estilo garoa paulista. Ali, pegamos outro trem, que nos levou montanha acima até um teleférico. O teleférico, por sua vez, nos levou aos vulcões. A mudança de paisagem é abrupta. Você está subindo uma montanha cheia de árvores e, quando chega no cume, vê que do outro lado há uma excavação imensa de um provável campo de extração de enxofre. A paisagem fica amarela e a vegetação escura, queimada pelo calor das rochas vulcânicas.

vulcoes em hakone

Almoçamos ali mesmo, em uma das lojas/restaurantres que ficam em volta do teleférico "mais usado do mundo" segundo o Guiness. Pela primeira vez, senti frio no Japão. Por via das dúvidas, compramos um guarda chuva cujo uso era quase impossível devido ao vento na montanha. Durante o almoço, notei que a paisagem lá fora estava diferente. Ao entrar no restaurante, o tempo nublado até dava um ar bonito à região vulcânica, combinando com a paisagem. Desembaçando a janela ao meu lado, vi que o tempo nublado havia simplesmente caído sobre nós e TUDO estava envolto por uma neblina espessa.

vulcoes em hakone
Antes de a neblina descer. Depois... bom... depois estava branco!

Terminado o almoço, subimos a montanha até os poços onde os japoneses cozinham ovos numa lama fervente. São os famosos "ovos negros" de Hakone. Têm a casca preta, mas gosto de ovo cozido mesmo. Esses não eram vendidos por unidade mas em caixas de 6 e, por isso, acabei não comendo. Como a água e a lama são de origem vulcânica, o cheiro de enxofre é fortíssimo e, pra quem conhece, lembra a chegada no Rio de Janeiro, na saída do aeroporto...

poca de enxofre em hakone
Desses poços azuis saem os ovos negros.

Esses ovos são tão famosos que eles até vendem um "ovo negro de pelúcia" em uma das lojas. Turista bobo que eu sou, quase comprei a esquisitice. Na loja que vendia o ovo de pelúcia também vendia o ovo (comestível) por unidade. Não tirei foto e nem voltei na loja porque era longe de onde eu estava e o vento gelado com a chuva não me davam muita vontade de me desviar do meu caminho...

Após a montanha que fazia ovos negros e cheirava a enxofre, era hora de descer de teleférico para pegar o "Navio Pirata", as embarcações de aparência inglesa que passeiam pelo lago que, eu acho, era o maior da região. No meio do lago, o vento era mais forte ainda. O passeio foi bonito, apesar do tempo. Porém, por mais que eu goste de dias nublados e neblina, nesse dia em especial eu queria mais era céu azul. As nuvens, assim como a poluição suspensa em Tokyo, esconderam o Monte Fuji. Ou seja, fui ao Japão e não vi o ícone mais famoso de lá. Agora vou ter que voltar.

os barcos de hakone
AHOY!

lago hakone
O Monti fuji está aí. Aí, atrás daquela nuvem. Viu?

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