segunda-feira, novembro 09, 2009

Objetivos gastronômicos.

Mais um dia de chuva forte em Tokyo. Parecia tempestade de fim de ano em Brasília, só que com mais vento. E, como consequencia, um dia frio. Mas era o meu último dia para ir ao Bazar Oriental e comprar as "lembranças de viagem" aguardadas pela familia. Acho que acabei comprando mais presentes pros outros que pra mim. Tinha planejado ir a Akihabara também, mas, após sair do Bazar e chegar em casa com a calça encharcada e colada na minha perna eu desisti. Essas compras, fui fazer à tarde. No almoço eu tinha um programa especial.

Gastronomicamente falando, fui ao Japão com dois objetivos. O primeiro era comer baleia, já que a caça só é permitida lá e na Islândia, até onde eu sei. O segundo era comer a carne de Kobe, a mais cara do mundo, se eu achasse ela barata; e as minhas esperanças eram mínimas. O restaurante de baleia - olha que sorte! - ficava a duas ruas da casa onde eu estava. Fui almoçar lá. Entre as três opções no menu do almoço, optei pela baleia grelhada. Sashimi de baleia eu não iria arriscar. É mamífero cru; não pode ser muito bom. Como eu esperava, a carne é bem dura e se assemelha às demais carnes de caça, com um gosto forte que lembra o carneiro.

pescadores de baleia
O quadro no restaurante mostra como eles caçam a baleia...

carne de baleia
...E ela vem pro nosso prato. Simples assim!

(E eu não quero nenhum ambientalista reclamando; primeiro porque estava bom, segundo porque ninguém vai me convencer de que é menos cruel comer alface. Tenho certeza de que o pé de alface está bem mais feliz ali, plantado na terrinha dele, úmida e cheia de minhocas, do que estirado no meu prato aguardando ser devorado com azeite)

Já a noite, "convidei" Tio Piras e Tia Liana para um jantar no Gonpachi. Com uma fachada que lembra os antigos castelos japoneses e decoração interna rústica, o tradicional Gonpachi já recebeu Bill Clinton, George Bush e, talvez, Saddam Hussein. O lugar foi fonte de inspiração para o restaurante do primeiro Kill Bill, onde ocorre o massacre. A comida é muito boa, variada e menos cara do que eu esperava. E foi ali que, inesperadamente, eu realizei meu segundo objetivo: provar um "Kobe Beef". Por cerca de 30 dólares, eu comprava um espeto que vinha com 2 pedaços de carne e uns legumes grelhados. Foi o mais barato que eu achei e resolvi cometer o pecado. Quem gosta de carne, como eu, vai entender. Realmente é uma carne diferenciada, misturada com gordura, com uma textura extremamente macia que se desfaz na boca. Quando acaba, dá até uma certa tristeza, que aumenta quando chega a conta...

bife de kobe
Kobe!! =D

Voltei pra casa e fui a uma loja chamada Dom Quixote. Segundo a Liana, é as "Lojas Americanas" do Japão. Ali você encontra de tudo. Comida, relógios genéricos, relógios de marca caríssimos, artigos de pesca, perfumes, sex shop, objetos irreverentes... Fui lá pra comprar uma mala, pra levar os excessos. Quase comprei uma cueca-de-turista com a estação de metrô local. Entre as bizarrices da loja, a que mais me chamou à atenção foi a almofada de bunda. Como eu jamais compraria a cafonice, a não ser que fosse dono de Motel, me contentei com uma foto sem vergonha.

bundinha japonesa
Apalpando uma bundinha japonesa...

3 comentários:

Gabrielle Avelar disse...

Rafa, em primeiro lugar, gostaria de comentar a respeito da comilança... Eu faria o mesmo caso tivesse curiosidade de comer carnes exóticas - o que não é, definitivamente, meu caso. Carne de baleia, então, é demais para a minha cabecinha!!!
Em segundo lugar, quero comentar a respeito da beleza de sua mão, garoto!!! Hehehehehe!!! Repara não. É uma de minhas loucuras: Mania de reparar as mãos de todo mundo... Agora, quanto à bunda japa... Acho que as nossas são bem mais interessantes, não acha?
Em último lugar, é sempre assim quando viajamos: Os outros sempre ficam em primeiro lugar no quesito presentes. Quando fui à Israel e depois à Europa, minha mala veio cheia de presentes... Para os outros. Para mim mesma, deixa eu me lembrar... Hummmmmmmmmm... Acabei trazendo só objetos de decoração que, com o fim do casamento, ficaram com o Bofe. Coisas que acontecem. Mas, o mais importante de tudo é que o maior e melhor presente é o que fica em nossas memórias juntamente com todas as sensações que experimentamos que são únicas e não fazem parte da partilha no fim de casamento algum...
Bom retorno, Rafa!
Parabéns, mais uma vez, pelo texto magnífico e hipnotizante!
Beijão!

Dom Rafa disse...

@Garielle: Em primeiro lugar, eu sou conhecido entre familiares e amigos por pedir aquele prato do cardápio que nem o garçom sabe ao certo o que é... Gosto de provar de tudo. No Japão comi tanta coisa sem saber o que era... =P
Segundo lugar, a mão agradece o elogio. Domo arigatoo! ^^ Mulher repara em cada coisa... hihihih Agora, garanto a você que a almofada apesar de cafona era bem confortável. Cada bunda tem seu charme.
Por último, acho que os que receberão os presentes bem que deveriam fazer uma vaquinha pra viagem #2. Hehehehehe Mereci pela minha benevolência! Kisses!

Escarlate disse...

Concordo com a Gabi, nenhum souvenir no mundo se compara com a maravilhosa sensação de viajar e conhecer novos lugares! :)
A questão da carne de baleia é delicada, mas... EXCETO pela ameaça de extinção a algumas espécies e alguns tipos cruéis de abate, acho que o boi, os peixinhos e os vegetais não sofrem menos que a baleia para que possam nos servir de alimento. Faz parte da cadeia alimentar...
beijinhos apimentados

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