domingo, dezembro 13, 2009

O Porco e a Ponte

Após o dia da loja da maconha, acordei com uma tosse mais forte. Estava até me divertindo com ela. Era seca, alta e eu forçava um pouco para deixar a minha mãe preocupada. Já tive várias tosses dessas, sabia que não era nada. Provavelmente algum fim-de-gripe, piorado pelo ar seco dos lugares onde eu estava, por conta da calefação.

Aproveitando o raro dia de sol, resolvi visitar a famosa Ponte Suspensa de Capilano, na parte norte da cidade, onde ficam as montanhas, as florestas e os ursos que comem gente. Não estava muito frio, então acabei indo com uma roupa meio imprópria para a montanha.

A Ponte de Capilano liga a "civilização" à floresta. O interessante é que ela fica suspensa sobre um cânion e quando você anda sobre ela, parece que ela vai desmontar. Presa por cabos de aço, já sobreviveu a um pinheiro que caiu sobre ela. Tirar fotos sobre a ponte é impossível, ela treme demais. Na parte da floresta, há duas trilhas: uma no chão, passando por alguns lagos e uma na copa das árvores. Resolvi fazer as duas, o que demorou o suficiente para a temperatura cair bastante. A tosse ficou mais intensa, mas nada alarmante. E eu gosto de florestas, então não estava ligando muito pra clima e muito menos pra porco...

halloween em vancouver
copa das arvores em capilano
capilano suspension bridge
capilano suspension bridge
rio sob a ponte capilano

Após visitar a ponte, fui com meu pai ao centro da cidade fazer umas compras. Foi aí que vi o JAPADOG, versão nipo-canadense do nosso lendário "cachorro-quente de rua". O quiosque deles estava ali na esquina, com uma pequena fila. Como parecia ser rápido, fui lá provar a famosa iguaria-de-rua. Não foi tão rápido assim. Foi difícil me entender com o japonês. Queria saber se podia levar pra casa; se eles tinham, saco, caixa, jornal ou algo do gênero. Ele não entendeu. Perguntei novamente. Ele mandou eu esperar. Esperei... Esperei... Esperei... Esperei... Esperei... ...E perguntei de novo. Aí ele me disse que sim, mas só se eu fizesse o pedido.

...

ÓBVIO QUE EU TINHA QUE FAZER O PEDIDO!!!!!!!!! Lembrei-me de Tokyo. No Japão, se você foge um pouco da regra; do estabelecido, as pessoas costumam se atrapalhar. No Japadog, isso também acontecia. Todo canadense que comia lá sabia que a ordem dos fatores era pedir e levar pra casa... Aí vem o turista brasileiro, inverte a ordem, bagunça a cadeia de produção e se vê obrigado a ir pro final da fila que já não era tão pequena. Se não estivesse pra voltar pro Brasil, teria ido embora. Acabei enfrentando o frio, a chuva que começava, a fila e a tosse que crescia em progressão geométrica; tudo em nome da boa gastronomia urbana.

Pedi um cachorro quente com algas, molho japonês, queijo, ovo e frutos do mar. Coisa de japonês mesmo. Fui comer em casa e estava muito bom. O vendedor que me deixou esperando foi perdoado.

japadog vancouver
Anúncio do JAPADOG

PS: Achava engraçado os anúncios, outdoors e logotipos feitos por asiáticos em Vancouver. O inglês sempre aparecia com uma construção estranha...

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