segunda-feira, dezembro 27, 2010

Distante...

Esse ano, eu sumi do Natal.

Geralmente, eu deixo aqui uma mensagem que ao menos tenta ser criativa, para meu caríssimos seguidores e outros ocasionais leitores que porventura esbarraram nesse blog. Esse ano foi diferente. Não houve mensagem nenhuma. Até pensei em escrever algo, mas não o fiz. Fiquei apenas pensando até que... Dia 24; tarde demais!

Outra, sempre faço uma complexa lista de destinatários. Escrevo uma mensagem "genérica", que mando para a grande maioria dos meus contatos - mas SEMPRE escrita por mim - e, para uns 30% deles, mais chegados, escrevo mensagens personalizadas e com um certo conteúdo. Nada de copy-paste. Nada de duas linhas. Ano passado, fiquei nisso por 2 dias até a madrugada. Esse ano não. Vi um vídeo legal. Foi transformado em um forward para toda a lista. Tomou no máximo uma meia hora da minha vida. Atitude nada nobre, esse ano a preguiça Natalina tomou conta.

Desejar Feliz Natal nem dá mais, fica pro ano que vem. Então, para não parecer antipático, desejo a todos um ano de 2011 de muitas realizações. É o minimo que eu posso fazer. E o máximo que a preguiça Natalina permite. Sim... porque a julgar pelos banquetes, ela se estenderá até o carnaval.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

#NOW PLAYING

IMPALA BLUES - LES COWBOYS FRINGANTS 
QUEBEC - CANADA




J'm'rappelle de mes 18 ans
Eu me lembro dos meus 18 anos
Ch'travaillait fort pour mon argent
Eu trabalhava muito pro que eu ganhava
Mon père voulais m'sacrer déhors
Meu pai queria me por pra fora
Parce que j'voulais m'acheter un char 
Porque eu queria comprar um carro

J'me suis acheté une Impala
Eu comprei um Impala
Pis chuis sorti avec Lola
E saí com a Lola
J'pense ben k'sa faisait pas 10 mois, 
E acho que não faziam nem 10 meses
On avait un flo sur les bras
E tínhamos um moleque nos braços

Mais ce soir, j'me rends compte que ma vie est comme un vieux char
Mas essa noite, eu me dou conta que a minha vida é como um carro velho
J'ai beau me r'crinker mais jamais je ne pars 
Eu ligo o motor sem sair do lugar
Chuis un peu trop rouillé
Estou muito enferrujado
J'viens d'm'en appercevoir
Acabo de perceber...
Lola est partis un samedi soir  
Lola foi embora em um sábado à noite
Avec le flo pis l'Impala
Com o moleque e o Impala
J'y ai dit prends donc c'que tu voudras
Eu disse "Leve o que você quiser
Mais prends pas mon bel Impala
 ...Mas não leve meu belo Impala!" 

J'été tout seul pour un p'tit boutte
Estive sozinho por um bom tempo
J'm'tait acheté une vieille Plymouth
Comprei pra mim um velho Plymouth
Avant de me lacher sur l'autoroute 
Antes de cair na estrada
J'me suis pakté au Vermouth
Eu me acabei no vermute

Mais ce soir, j'me rends compte que ma vie est comme un vieux char
Mas essa noite, eu me dou conta que a minha vida é como um carro velho
J'ai beau me r'crinker mais jamais je ne pars 
Eu ligo o motor sem sair do lugar
Chuis un peu trop rouillé
Estou muito enferrujado
J'viens d'm'en appercevoir
Acabo de perceber...

Mon fils ma donné signe de vie 
Meu filho deu sinal de vida
Chuis pas rev'nu de s'ki ma dit
Não quis acreditar no que ele me disse
Mon ex-femme a fait le trottoir
Minha ex-mulher se prostituiu
Pi lui y s'pique a tous les soirs
E ele se droga todas as noites

J'me suis faite slaker à la shop
Eu perdi meu emprego na loja
Jm'suis fait voler mon pickup
E roubaram minha picape
Mon coloc ma mit à la porte,
O cara que morava comigo me pôs pra fora
J'ai smashé aek sa Ford Escort
Eu arrebentei com seu Ford Escort

Ma mère a va devenir aveugle,
Minha mãe vai ficar cega
A c'est faite saisir toutte ses meubles
E ela teve todos os seus móveis tomados
J'va la placer en' centre d'acceuil, 
Eu vou colocá-la num asilo
Avant dla mett'dans son cerceuil
Antes de fecá-la no seu caixão

Mais ce soir, j'me rends compte que ma vie est comme un vieux char
Mas essa noite, eu me dou conta que a minha vida é como um carro velho
J'ai beau me r'crinker mais jamais je ne pars 

Eu ligo o motor sem sair do lugar 
Chuis un peu trop rouillé
Estou muito enferrujado
J'viens d'm'en appercevoir

Acabo de perceber...

Ch'prends l'autobus 46, 
Eu pego o ônibus 46 
Ch'r'monte aux années 70
Eu volto aos anos 70
Dans l'temps q'jaimais ma belle Lola

No tempo em que eu amava minha bela Lola
Pis k'chauffais une gross'Impala

E que dirigia um grande Impala!

sexta-feira, novembro 26, 2010

O Dia de Merda

Com "M"aiúsculo. E das grandes. Não.... Porque tem dias que NADA dá certo, né? O São Murfão, esse encosto agourento, padroeiro jocoso do "dar errado", cisma em pairar sobre nós qual um urubu sobre a carniça. E, merda, ele resolveu brincar comigo ontem.

Pode parecer fuga ao tema, mas devo começar falando de futebol. A derrota inesperada do Palmeiras era um mau presságio. Palmeiras derrotado, o movimento tricolor #EntregaPalmeiras perde totalmente o sentido. Como todo bom tricolor, adoraria ver o jogo Conca-Fred-Emerson vs. Reservas. E a permanência do time paulista na Sul-Americana era a desculpa esfarrapada suficiente para o "entreguismo". A desculpa em apreço foi pra cucuia (alguém sabe onde fica a cucuia? Murphy deve viver lá.) e agora o Palmeiras não tem porquê não partir com tudo pra cima do Fluminense, como uma cobra caninana faminta. Entregar o jogo seria uma atitude ferrarística e anti esportiva. Seria o Massa deixando o Alonso passar, versão futebol.

Dia seguinte, fui fazer exame de sangue. A agulha não quebrou em mim, nem doeu e eu ganhei pão de queijo. Foi até bom. Depois, fui marcar um médico doido aí. Normal. Eis que me ligam do trabalho, alertando para Pepinos, alimento preferido de São Murfão. Novamente, merda! estava atrasado e, agora, cheio de imprevistos pra resolver. Fui pra casa, botei terno, gravata e recebi uma ligação do Banco do Brasil do Rio com - adivinhem? Pepinos! interestaduais, dessa vez. Pilotei até o trabalho. Como sei que não há vagas naquele momento, fui até minha "passagem secreta", que estava obstruída por uma corrente. Tive que dar a ré no carro, em um estacionamento entulhado e... BÓOOOFFFFF! atrás de mim tinha um Fiat estacionado em local proibido. Rastro preto no meu carro (nada grave; cera tira) e um retrovisor dobrado no Fiat batido (nada grave; motorista resolve).Mas não deixa de ser uma batida; algo que acaba com o humor de qualquer alma...

Almoço. A comida estava boa. Fiz um prato interessante; vegetais, arroz com carne, feijão e, raridade aqui, "Bife a Parmegiana". Coisas que eu gosto; que me fariam comer com prazer. Mas Murphy sentou do meu lado. Não haveria de deixar meu momento gastronômico intocado. Ah, não haveria mesmo! Tudo estava delicioso, fato raro num restaurante focado na quantidade. Mas... O bife... Estava meio nervoso. Nada grave, mas nervoso. Diligentemente, fiz um esforco extra para romper um nervo e cortar um pedaço cheio de queijo e molho de tomate. Foi quando o acidente aconteceu. Méeerda de bife! Pôoorra de nervo! Vontade de virar vegetariano (passou 2 minutos depos)!! Xinguei o cozinheiro, o restaurante, o boi e 15 gerações de antepassados ruminantes nervosos. Ao cortar de forma bisonha o nervo, que cedeu antes do previsto, o pedaço de bife escorregou pelo molho de tomate, atravessando o prato na minha direção. Um tsunami de feijão, arroz e molho Arisco explodiu no meu colo. Minha camisa branca estava agora com uma aparência Tie-Dye alaranjada. Pior! Agora, no meu bolso (sim, a camisa imaculadamente branca tinha um bolso), junto ao celular banhado nos molhos, aglutinavam-se grãos de arroz e feijão em uma orgia oleosa. Com a majestade de um imperador, levantei tentando parecer indiferente e fui pagar a conta. Depois, fui até o meu carro, em uma caminhada que parecia nunca ter fim. Voltei pra casa e, limpo, pro trabalho.

À tarde, após o expediente, saí para consertar dois relógios. Peguei a loja fechada. Depois, saí para comprar remédios. Estavam em falta nas duas farmácias mais próximas. Tarde perdida e o sol já se pondo. Dormi mais cedo, com medo do que mais poderia acontecer. São Murfão cansou da minha pessoa. E, com uma boa noite de sono, o Dia de Merda chegou ao fim...

quinta-feira, novembro 18, 2010

Cuidado, Xuxa.

Não se fala em outra coisa. Qualquer revista ou jornal que eu tenha pegado pra ler nas últimas semanas, o assunto estava lá. Geralmente tratado de forma irônica; por vezes até ridícula. É, minha gente. Monteiro Lobato era racista. Onde já se viu comparar Tia Nastácia a uma "macaca de carvão?" 

Confesso que eu tenho um certo medo do politicamente correto, a quem chamarei de PC, justamente pro texto não ficar muito politicamente correto. Ouço muito falar em valorizar o lado africano e indígena da nossa cultura e acho que isso só pode trazer benefícios. Mas não censurando Monteiro Lobato. Cresci lendo alguns livros dele, bem como livros de mitos e lendas indígenas. Cresci fã da Mitologia Brasileira, com suas raízes católico-européias, indígenas e africanas. E, quando criança, ao mesmo tempo que lia a macaca de carvão, eu ouvia, em uma novela (Dona Beija? Já não lembro qual era...) um senhor de engenho falando com ódio, babando por entre os dentes, dirigindo-se ao seu escravo: "Sssseu NNNÊEEEGRO!!" Nossa! Acho que eu preferiria ser um macaco encarvoado. Criança, já podia diferenciar a piada, ainda que de extremo mau-gosto de equiparar o negro ao macaco e a ofensa racista (aí sim) do senhor de engenho. No livro infantil, o que temos é uma piada. É humor antigo, certamente anacrônico e impróprio para os dias de hoje mas provavelmente aceitável e comum nos anos 30. 

Em vez disso, deveriam promover a cultura Afro-Brasileira de outras formas. Muito pior é o lugar comum extremamente difundido por aí que candomblé e umbanda é coisa do cramunhão! Isso sim é preocupante. Isso sim gera violência, preconceito, depredação de monumentos. Certa vez, assisti a uma palestra do Emb. Alberto da Costa e Silva, grande estudioso da cultura africana, que é muito interessante e pouco valorizada. Poucos sabem da grande metrópole que foi Timbuktu, maior e mais bem organizada que qualquer cidade européia quando da chegada dos primeiros exploradores daquele continente. Também pouco se sabe dos impérios do Mali, do Songhai, do Zimbábue... Grandes civilizações floresceram lá. E muito dessa cultura grandiosa e pouco conhecida veio parar aqui. E agora, o PC vem e mistura humor e história com racismo.
Só espero ainda poder contar e ouvir piadas de português. Sou portuga-descendente (pra ficar bem PC) e, francamente, não dou a mínima pra essas piadas. Nem meus pais, mais portuga-descendentes que eu. O PC, interpretado ao extremo, levará ao Ned Fladerismo do nosso humor, voltando ao meu medo, após muita firula. Logo, não seria exagero pensar que, após um eventual banimento de piadas lusofóbicas, obesos e anti-loiras a alcunha de Xuxa "A Rainha dos Baixinhos" seja vista como alusão à pedofilia. Cuidado, Xuxa!

terça-feira, novembro 09, 2010

Ciganos

Tenho ouvido muito falar deles ultimamente. Outro dia eu estacionei o carro perto dos hospitais. Ao olhar pro lado, vi uma senhora magra, de pele acinzentada se aproximando. Ela trajava um vestido amarelo de cetim brilhante, que me lembrava uma cortina barata. A primeira coisa que pensei foi: "que massa! uma cigana!". Era a primeira vez que eu via uma na rua. Já havia visto em eventos, livros, fotos... Mas na cidade mesmo não. A segunda coisa que pensei foi: "ah, não! Uma cigana!!" quando vi que ela vinha na minha direção e eu lembrei do que as ciganas fazem. Elas querem ler a sua sorte. E insistem. E, na boa, por mais que eu ache a cultura deles instigante, eu não gosto de insistência.

A senhora amarelada e sem dentes, com aparência de flor murcha, foi me acompanhando praticamente até o consultório. No caminho, falava incessantemente, ora oferecendo-me a leitura da sorte (como se já não me bastasse o Orkut), ora pedindo dois reias pra comprar um café. Até daria, tivesse eu algum dinheiro. Ela se ofereceu também para examinar se não havia nenhuma inveja; nenhum olho-gordo; nenhum urubu sobre minha pessoa.

Agora, minhas outras histórias envolvendo ciganos. Minha avó Aleixina tinha certa desconfiança deles. Contava ela que, seu irmão favorito, Gilberto Paiva Fernandes, funcionário de renome da Prefeitura do Rio de Janeiro, havia encontrado uma cigana em um mercado da cidade. Ela insistiu para ler seu futuro e ele aceitou, visto que não era supersticioso. Segundo ela, ele teria uma carreira de sucesso, mas "morreria cedo, com a idade de Cristo". Um dia, passando mal, foi ver um amigo médico, diretor de um hospital mal-afamado no Rio. Foi diagnosticada uma apendicite. Bom... Nada melhor para a imagem de um hospital em desgraça do que realizar uma simples cirurgia de apendicite em um alto funcionário público. Contrariando toda a família, Gilberto foi ter o órgão retirado naquele hospital. Morreu aos 33 anos, sem ter absolutamente nada no apêndice.

Meu avô Jaques, no caminho para Anta, sua cidade natal, sempre parava na beira da estrada, perto do cemitério, para pegar a "Água da Cigana". Pelo que eu me lembro, era algo parecido com uma lápide de onde saía um cano metálico do qual saía a tal água. Ficava no meio de uma vegetação mais densa. A água vinha das entranhas da terra e, pra mim, era uma água mágica. Eu  sempre perguntava pro meu avô porque era água da Cigana, mas ele não sabia a resposta. Aí eu ficava indagando se havia alguma cigana enterrada ali; perdida naquele fim de mundo... Ou alguma mulher meio fantasmagórica que protegia a floresta e purificava aquela água. Sempre que passava lá, tentava vê-la, mas saía frustrado. E a água sempre refrescava a vigem quente pelo interior do Rio, em uma paisagem com direitos a castelos em ruínas e casarões carcomidos pelo mato. 

Com isso entre a água e a sorte, prefiro ficar com a água. Cara cigana amarela, da próxima vez, venda-me umas garrafas!

segunda-feira, outubro 04, 2010

Tratado sobre o MACHO V

 O MACHO FUÇADO
(fussadus fussadus)

"Quando você ver um bigodão assim é porque já tava MACHO, tapazmkmwe... FUÇADO!!!" 
(Tenente Lara, o Ás de Ouro sobre o Fuço)
"Não senti nada" 
(Filhote de fuçado ao limpar ferida com álcool)

Lembram do primeiro capítulo do Tratado? Um vídeo gerou muita discussão entre eu e meus amigos sobre o que seria um Macho Fuçado. Para melhor compreensão, sugiro que vocês assistam ao dito vídeo antes de continuar lendo.
 
Tenente Lara. Um raríssimo espécime de Macho Fuçado.

Graças a Jürgen Adenovich Popov, o mistério sobre os machos Fuçados chegou ao fim. Na verdade, graças ao seu filho Piotr Popov, que deu continuidade à sua esclarecedora obra. Antes de falar dos Fuçados, abrirei um parêntese para falar dos POPOV. Jürgen, então com seus 40 e poucos anos, havia chegado à ilha de Barbados e conhecido Desirée. Desirée era uma mulata fogosa de seios fartos e quadril largo, que cortava cana em uma fazenda da ilha. Popov deixou-se seduzir pela moça caribenha e foi amor na certa. Em 1958, nasceu seu filho Piotr, um sarará de olhos verdes que fazia muito sucesso entre as mulheres da ilha. Piotr foi rastafari, hippie, maconheiro e compositor de estrada. Nos anos 80, após a morte do pai, tomou rumo na vida e continuou seu trabalho antropológico... O resultado foi a classificação do Macho Fuçado.
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Todos os machos ficam pálidos diante de um Fuçado. É a categoria mais rara de todas. O vídeo abaixo, que é uma canção de ninar Fuçada mostra o nascimento de um Fuçado: "eles nascem de um ovo, saído de uma mulher forte e parruda. Este ovo, deve ser chocado por 7 meses com carinho por um sapo cururu velho e gordo ou animal equivalente" (P. Popov, 1981). Pela dificuldade em se verificar tais variáveis de forma conjunta, torna-se compreensível a escassez de fuçados pelo mundo.

...Do ovo, sai um cramunhão (apenas uma metáfora). No Nordeste, chamam os Fuçados de "Cábas Brutos" e segundo a superstição, eles trazem mau agouro e transformam-se em mulas sem cabeça.

Machos Fuçados têm o hábito de mascar malagueta, falar grosso e fumar coisas fortes.  Geralmente ostentam uma barba ou bigode que se destacam em seu rosto. Aparentemente, estão sempre mal humorados e parecem gostar de esbravejar. Mas é só o jeito deles. Para matar a fome comem qualquer coisa que lhes seja oferecida. Quando estão sedentos, bebem também o que virem pela frente. Há relatos de Fuçados se gabando por terem bebido querosene de lampião. Na hora da conquista, costumam ter grandes dificuldades. Primeiro por interessarem-se por mulheres igualmente Fuçadas, ainda mais raras no mercado. Segundo, porque mulheres não-Fuçadas costumam entranhar essas manias pitorescas de mascar malagueta e fumar bagulhos suspeitos. Segundo Piotr, algumas mulheres barbadas podem ser consideradas Fuçadas. Uma delas, uma tal de Aliana Triunveannu, gorda matrona bigoduda, que ele teria encontrado em um circo da Romênia, dominava seu Macho Fuçado a ponto de esperá-lo com um rolo de macarrão na porta do trailler e confiscar suas malaguetas.E macho gosta de mulher barbada? Segundo Piotr, eles arrancam a barba com os dentes. E elas piram!

mexicando comendo jalapeno
Comedor de pimentas secas. Pela cara, não deve ser Fuçado.


Kenzaburo "Tanuki" Muramasa (1902 - 1952)
...Era um médico japonês que havia desenvolvido um método pouco ortodoxo para o exame de próstata. Tanuki ao fazer o exame, em vez de usar algum óleo para lubrificar o local usava wasabi com gengibre. "Para matar os germes, né?" - dizia ele. Um belo dia, indicaram seus serviços ao Imperador. Dizem que Kenzaburo preparou a noite toda um concentrado de wasabi com gengibre; algo infernalmente ardente; sua obra prima, no intuito de curar o Imperador de qualquer germe que ele tivesse. Como o Imperado não era Fuçado como Kenzaburo, seu tratamento não surtiu o efeito esperado. O caso foi abafado, mas segundo a lenda, o Imperador ficou um mês para livrar-se da ardência e Kenzaburo caiu na desgraça. Sentindo-se desonrado, cometeu seppuku usando um serrote enferrujado, untado com sua pasta mágica. Foi o triste fim de um Macho Fuçado.


samurai fazendo seppuku
Provável imagem mostrando os últimos momentos de Kenzaburo Muramasa. Ele estava pê da vida.

Machos Fuçados Famosos:
- Tenente Lara.
- Rei Richard IV (venceu uma batalha usando uma faca de cortar laranja)
- Rei Leônidas
- Conan, o Bárbaro
- Rastan, o Mais Bárbaro

black adder king richard
Hobby: descascar turcos com uma faca de cortar laranja

macho escovando os dentes
Ainda bem que meu irmão Eddy me lembrou desta foto. Machos Fuçados escovam o dente com pasta de wasabi com LISTERINE extra-forte. No final, comem a escova de dente. (Fonte: Teamliquid)
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TRATADO SOBRE O MACHO: FIM
Fonte: Arquivos Popov
(A familia Popov agradece a leitura)
Nenhum animal foi machucado durante o tratado
"NÃO TENTEM MASCAR MALAGUETAS, FUMAR PLANTAS TÓXICAS, FAZER EXAMES COM WASABI OU FAZER SEPPUKU COM SERROTE ENFERRUJADO. É ALTAMENTE PERIGOSO E FAZ DODÓI FEIO. ESTÃO AVISADOS... " (P. Popov, 1998)

quinta-feira, setembro 30, 2010

Delícia de Atum

Costumo almoçar, por pura economia de recursos, em um restaurante localizado no subsolo de um órgão público, carinhosamente apelidado por mim de Morte Lenta, em homenagem à minha música favorita dos Raimundos. Mas, sejamos francos, a comida não é lá das piores. Porém, ela é extremamente irregular. Às vezes, está boa. Às vezes, dá medo. O kibe é sempre uma delícia. O bolinho de mandioca seria se eles não colocassem coentro (sinônimo de "veneno" pra mim; "plantinha com gosto de percevejo", segundo meu irmão). A coisa piora quando os Chefs do submundo inventam de inventar.

Ontem, por exemplo, desci às masmorras com uma certa fome, rezando para a comida estar boa. Pulei aquelas saladas que mesclavam repolho, rabanete e outras plantas de gosto forte e cheguei a algo não identificado. Uma massaroca levemente esverdeada, com umas ervas no meio e uma aparência de purê de batata. Provavelmente o prato menos convidativo do buffet. O que seria aquele melancólico morro de comida pastosa? Olhei acima e li: "Delícia de Atum". Abaixo, um subtítulo explicava a gororoba iguaria: (Batata, maionese, atum e ervas). Aquilo não parecia Atum. Muito menos uma Delícia. A fila atrás de mim provavelmente iria reclamar se eu parasse para fotografar o prato, então me abstive de fazer isso. Geralmente, quando o Morte Lenta batiza algum prato de "Delícia" eu já leio "Propaganda Enganosa". Primeiro porque você batizar seu próprio prato de "Delícia" é muita presunção. Segundo, porque todos sabem que comida boa mesmo é a comida humilde da vovó feita no fogão à lenha.

Aos que interessarem, coloquei um pouco da "Delícia de Atum" no prato para dar uma chance ao Morte. E, com o perdão da expressão quase-pleonástica, foi batata! O prato tinha um sabor aguado, de nada misturado com coisa alguma. Batata e atum fervidos, bem lavados e colados com alguma maionese sem muito sabor. Nem com sal a delícia melhorou. 

Mas, cá pra nós... Atum, purê de batata e maionese amassados não dá uma delicia . Dá um grude. Não precisa ser nenhum grande Chef para saber disso.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Tratado sobre o MACHO IV

O MACHO ALFA
(homo naturalii machus)

"AUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU"
(Macho Alfa, sobre si mesmo)

"Se te olhar e você ficar com vontade de obedecer, é Macho Alfa. E você é um mero beta, vulgo páu-mandado..." 
(J. A. Popov sobre Machos Alfa em 1952)
O Macho Alfa foi o último a ser catalogado por Jürgen Adenovich Popov. O cientista russo resolveu aplicar a categoria aos seres humanos num dia em que tomava uma Stolichnaya com seu camarada Stalin que teria socado a mesa e feito a pergunta: "E eu, kommrad? Qual Macho sou?". A resposta podia valer uma passagem de ida para a ensolarada Sibéria.

No mundo animal, o Macho Alfa é o líder da alcatéia. É o macho (ou, por vezes a fêmea - já que existe a Fêmea Alfa) que toma as decisões, caça, pega a melhor parte da comida... É um bon vivant do reino animal pois reconhecidamente chegou ao topo, feito uma cereja sobre um sorvete. Todos querem estar em seu lugar mas poucos conseguirão. O Macho Alfa é o ícone do sucesso; o verdadeiro Rei dos animais; o popstar do mundo selvagem. Versátil, costuma ser papai de muitos filhos e tem sempre uma multidão de fêmeas em sua volta querendo ter a honra de serem escolhidas para mamãe. No entando, biologicamente falando, como observa Popov, sua missão vai muito além de "espalhar sementes pelo mundo, reproduzindo-se com diversas fêmeas": também envolve liderar, proteger, suprir o grupo.
lobo macho alfa
Manda quem pode, obedece quem tem juízo!
 
Tão imponentes e bem sucedidos que até seres humanos se espelham em seus feitos e desejam, por sua vez, serem um Macho Alfa. E muitos de fato chegam perto e outorgam para si o tão cobiçado título. Porém, se o macho comum é muito instintivo, o Alfa é o instinto em sua mais pura e selvagem variante e é daí que ele tira seu carisma e afirma seu poder. É algo totalmente ligado à uma condição não civilizada. E, exatamente por isso, "um ser humano jamais poderá ser um Macho ou Fêmea Alfa (J. A. Popov, 1954 - desmentindo a classificação de Stalin)". Popov era um fanfarrão e conseguiu fazer com que Stalin morresse com a convicção de que ele era um dos raríssimos Alfas pelo mundo. Com isso, ele enganou o Guia Genial dos Povos e salvou sua pele. 

macho alfa
Humanos e Machos Alfa: uma mistura que não dá certo (foto de um espécime criado pelos irmãos Popov em seu laboratório. Não sobreviveu)

Pouco antes da morte de Stalin, Popov voltou às Américas e dessa vez, seu destino o levou a um canavial na ilha de Barbados. Ali, ele conheceu uma bela mulata com quem viveu até o fim dos seus dias.

Machos Alfa famosos:
- Rin Tin Tin
- Fofão
- King Kong
- Stalin (honorífico)
- Zé Mayer em noites de  Lua Cheia (exceção COMPROVADA à regra)
- Vlad Dracul (não comprovado)
 
jacob black twilight
Jacob Black: todos aspiram à condição de Alfa. Alguns estudiosos, cientistas e sacanas, porém, discutem se ele poderia ser meramente categorizado como Macho...

terça-feira, setembro 21, 2010

Tratado sobre o MACHO III

O MACHO MAN (OMBRE MATCHO em mi español es fueda)
(machus latinus vulgaris)

"Se o seu marido estiver lhe traindo, você deve tratá-lo melhor em casa. Procure ser mais carinhosa e fazer as comidas que ele gosta." 
(Conselho de uma revista feminina, 1950) 
"Quem manda nessa merda aqui, sou EU!!!" 
(Capitão Nascimento explicitando carinhosamente sua autoridade sobre a merda)

Foi viajando por terras americanas, do Alabama à Patagônia que Jürgen Adenovich Popov e seu amigo britânico Edmund Hastings catalogaram essa variante, segundo eles menos aparente no Velho Mundo. Eles estavam em um Saloon, no deserto de Nevada tomando um Bourbon e falando mal bem de Stalin quando dois homens entraram. Pediram algo. De repente, num acesso de fúria, saltaram da mesa e jogaram o café quente na cara da garçonete e o porkchops with groovy-gravy sauce no chão, para que ela tivesse o trabalho de limpar. Saíram sem pagar a conta. Motivo: o café estava sem açúcar. Obviamente, foram parar no catálogo.

O Macho Man é sem dúvida a mais odiosa de todas as variantes. Sua nomenclatura nada tem a ver com a música famosa que veio mais tarde, mas sim com a constante necessidade de "auto afirmção deles mesmos sobre si prório" (J.A. Popov, 1951). Afinal, se é MACHO, obviamente é MAN. Geralmente, eles têm o pênis pequeno mas triplicam o tamanho quando falam deste. E é um assunto que eles gostam de abordar, principalmente entre seus semelhantes. Gostam também de, nesses termos, elencarem o número de mulheres que "abateram" ou com quantas já "copularam" ou "cobriram". O número SEMPRE é arredondado pra cima.

andy kaufmann e tonny clifton
 O que o Macho Man convencional vê sempre que se olha no espelho.
"Quem é o gostosão do pedaço? Quem? Quem??" 

Macho Men costumam usar roupas cafonas e chamativas, que estavam na moda há 15 anos, ostentar alguma mancha de graxa ou gordura e apresentarem-se acompanhados de alguma garrafa de cerveja geralmente pousada sobre a tradicional pança, ao lado do controle remoto. Consumem muito álcool, na maioria das vezes cerveja. Comem de tudo desde que esteja "boiando em óleos e gorduras para mandarem para o carburador, como eles dizem." (E. Hastings, 1949)

Eles parecem viver em um mundo ideal, onde a cafajestagem rola solta e eles sempre são heróis másculos e conquistadores de mulheres. Até as samambaias, em seu estranho conceito de realidade, se pudessem "dariam pra eles". Apoiam-se em dogmas absurdos como "mulher gosta de apanhar" (e, com eles, apanham!) e são extremamente machistas. Muito criticados pela sociedade, a categoria parece estar fadada à dacadência e ao fracasso biológico. Volta e meia, morrem por falha no carburador ou engasgados com uma casca de pizza. É, minha gente, eles adoram usar jargões de carro para fazer alusões ao seu corpo.

Macho Men famosos:
- Chris Brown
- Dado Dollabella
- Netinho
- Bertrand Cantat
- ...e nada me tira da cabeça que o Magnum era um Macho Man enrustido

mulher gosta de homem babaca
...E todo Macho Man gosta de você.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Suzy

De uns tempos pra cá, apareceram no mercado umas bonecas realistas. Ontem fui a um churrasco onde umas meninas estavam brincando com algumas delas. Eu peguei uma no colo e imediatamente me senti papai. Explico-me: não somente elas têm a cara de um bebê mesmo como também têm o peso, a consistência e, segundo um amigo meu oriundo de uma tribo antropófaga da Nova Guiné, o gosto. É uma verdadeira simulação de criaça. O raio da boneca se acomoda no seu colinho, tem cabelo humano, e preço estratosférico.

A meninas adoram. Acho que pela mesma razão que, com 10 anos de idade eu adorava aquelas miniaturas de carro, para colecionadores, cuja riqueza dos detalhes era inversamente proporcional à durabilidade do produto. Quanto às bonecas, eu fico muito apreensivo. Elas me dão medo. Primeiro, essa história de ter cabelo humano. Sabe-se lá de quem era o cabelo (ou de onde, como disse um amigo meu que divide a mesma opinião)? Cabelo e boneco são coisas ligadas ao vodú. E aquele ser inanimado, horrivelmente realista lá em minha casa, com a aparência de um bebê empalhado... Nada me tira da cabeça que, quanto a Lua está cheia e o relógio soa as doze badaladas, a boneca se levanta da penteadeira e perambula sem rumo pela casa.


Por questões de segurança, se um dia eu tiver uma filha, ela só ganhará boneca Suzy. Boneca com cara de boneca. Nada daquelas realistas que simulam bebês ou aquela de pano, inchada, que parece ter elefantíase. Papai tem medo. Boneca feia, à noite, pega papai!

sexta-feira, setembro 17, 2010

Será que eu fui o único

...Que viu essa foto e pensou imediatamente em uma legenda?


benetton e o papa 

UNITED 
COLOURS
OF
BENETTON

Isso que dá ter vivido nos anos 80.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Tratado sobre o MACHO II

O CABRA MACHO
(homo machus virgulinus)

"Se tem pênis, gosta de mulher e come carne seca com farofa; é cabra macho!"
(J. A. Popov)

Por volta de 1935, o estudioso Jürgen Popov esteve na América do Sul para, inicialmente, observar os povos da Amazônia, comer carne de paca e brincar com uma cutia. Gostou muito de sua visita ao Brasil e ficou muito feliz ao receber um macaco prego de lembrança antes de voltar à gélida RossiyaMatushka. O macaco infelizmente não resistiu às rigorosas temperaturas de Moscou. Porém o que mais lhe chamou a atenção na viagem foi o comportamento dos Cabras Machos, que ele conheceu no Sertão Nordestino. Diz a lenda que ele teria até tomado pinga com Lampião e presenteado este com uma autêntica Stolichnaya.Lampião, devoto da pinga, teria dado a Stolichnaya para um bode, cujo bucho ele devoraria em seguida.

O Cabra Macho é uma variedade tipicamente nordestina (embora haja ocorrências em outros lugares do País). Sua principal característica é a aversão à água, a menos que esta seja ardente. Sua cadeia alimentar é composta de carne seca, carne de sol, (quanto mais sal E sol melhor, pra rachar a boca), tapioca, fubá, farofa, buchada de bode e outros alimentos os mais secos possíveis. Geralmente tudo isso é comido junto, uma vez ao dia, do nascer ao pôr do sol. Quando o sol se esvai, Cabras Machos se reúnem em torno de uma fogueira para suar e tomarem pinga-braba. Orgulham-se de sua aparência empoeirada e costumam trajar pesadas vestes de couro, que esquentam sob o sol fazendo com que seus corpos percam líquido rapidamente. Assim, muitos têm um aspecto da própria carne seca que consomem. Levam consigo um facão chamado "Peixeira", mas trata-se de um nome claramente irônico já que vivem em um habitat sem água e, consequentemente, sem peixes. Essa faca é usada para cortar o couro, fatiar as carnes , desmatar a caatinga e amputar a orelha de desafetos. 

O comportamento dos Cabras Machos costuma ser imprevisível e a mistura Peixeira - Pinga - Mulher costuma não render bons frutos por aqui. Lampião e Maria Bonita (Cabra Macho honorário) foram provavelmente os mais famosos expoentes dessa categoria. 

No Sul, há uma categoria semelhante, os homo machus gauderius. Não são avessos à água nem precisam de pinga braba para viver. A carne consumida costuma ser mais suculenta e eles costumam matear com seus semelhantes. Jürgen, o pesquisador russo escreveu extenso trabalho sobre eles, mas Stalin, por engano usou os papéis para fazer uma fogueira em uma visita a um campo de concentração siberiano. Pediu desculpas para Jürgen, que prontamente ofereceu mais tratados científicos para aquecer o Camarada. Tudo pelo Soviet!

Cabras Machos e derivados  famosos:
- Virgulino, o Lampião
- Maria Bonita, a Lampioa
- Corisco
- Pade Ciço
- Sen. Pedro Simon quando bravo (palpite meu)

Lampiao decapitado
Cabras Machos: só podem ser derrotados por decapitação, por armas mágicas +1. Após a foto, a cabeça de Lampião pediu uma porção de carne seca com pinga.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Copa do Brasil

Eu era contra.

Mas aí, após todo o esforço da sociedade, da "torcida" brasileira, eu amoleci e agora sou apenas semi-contra. Bom... O Brasil foi escolhido como sede da copa de 2014, então não adianta nem mais ser semi-contra - me dirão alguns, mas fico receoso sobre o modo de como as coisas estão sendo feitas. Tomarei para exemplo "do contra" Brasília, cidade que conheço bem. E falarei também das localidades que me parecem óbvias para uma Copa do Mundo.

Vamos começar pelas cidades-sede. Delas, conheço o Rio de Janeiro e Brasília. Posso afirmar que o Rio de Janeiro tem um transporte público bastante eficiente e em constante evolução. Quem se desloca entre o Centro, a Zona Norte e a Zona Sul está bem servido. Copa do mundo pressupõe: infra-estrutura turística (transporte, hotéis,...) e Estádios. Não duvido que as cidades escolhidas, todas elas, se ainda não têm esses "ingredientes", estarão preparadas para tanto em 2014. O problema surge no pós-Copa. Os novos Estádios, por exemplo, terão manutenção cara. Por isso, acho que a Copa deveria ser realizada apenas nos Estados onde o Futebol é mais forte, a saber: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ali estão os maiores times, as maiores torcidas e algumas das maiores aglomerações urbanas. Brasília, por exemplo, terá um enorme estádio que será inútil após a Copa, já que os dois maiores times da cidade estão em plena decadência. Um verdadeiro monumento ao nada. Ainda em Brasília, embora haja muitos hotéis, estes estão cheirando a mofo e caindo aos pedaços. Vão reformar e construir para a Copa. E depois? Brasília é um pouco como Dubai. Uma cidade bizarra, diferente. Só que sem a pompa Disneylandesca da cidade do Oriente Médio. O movimento turistico aqui é bem fraco, nas férias a cidade fica deserta. Após 2014, o que fazer com toda a infra estrutura turística? As pessoas virão até aqui visitar o Estádio Fantasma? Será?

Uma solução dramática seria demolir os grandes estádios e reconstruir os pequenos, de manutenção mais barata. Mais despesas. E, se bem conheço a administração pública, gastar dinheiro com destruição não é uma medida muito bem aceita. O Brasil, em pleno crescimento econômico, arrisca com essa Copa uma grande estagnação pós 2014. Se todos os bilhões fossem investidos em infra estrutura estaríamos mais bem servidos que tendo esse dinheiro depositados em um evento.

Espero estar bastante errado, mas minha impressão é a de que trocamos progresso por uns meses nos vendo na Globo.

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Aproveitando o assunto meio futebolístico do POST, queria fazer um pedido ao Presidente Lula, em nome de TODA a Torcida do FLUMINENSE.
Na Copa, vossa Excelência proferiu a seguinte frase profética: "Eu prefiro que a DILMA ganhe as eleições a ver o Brasil campeão nessa Copa." A última parte, vossa Excelência conseguiu.

Eu e o Polvo Paul, achamos que para que tenhas CERTEZA de uma vitória de DILMA, a assertiva merecia ser completada:
"...E digo mais: prefiro ainda que o CURÍNTIA sequer classifique para a Libertadores, mas que DILMA vença no PRIMEIRO TURNO, para não ter dúvidas!!!" 

Saudações Tricolores! 

quarta-feira, setembro 08, 2010

Tratado sobre o MACHO I

Introdução (ao trabalho) e
O MACHO
(homo machus machus)

Ano passado, meu irmão viu um vídeo no Youtube e compartilhou a experiência cultural comigo. Eu, compartilhei com um grupo de amigos. Mais tarde, nós fizemos uma viagem e um trecho desse vídeo marcou nossas andanças pelo mundo. Mais tarde ainda, uma amiga minha veio falar comigo sobre uma discução acerca do "macho alfa". Juntando os dois fatos e mais umas ponderações no assunto, resolvi fazer um "POST MÚLTIPLO"; o Tratado sobre o MACHO. Trata-se (pois é um tratado) de matéria científica da melhor filosofia de boteco, em que, do geral para o particular, serão elencados os diferentes MACHOS.

Nota 1: Sobre o vídeo no Youtube, o assunto será retomado ao final da presente obra.
Nota 2: Peço perdão aos que se ofenderem com o título. Macho não gosta de nada sobre ele. Nem gramaticalmente.
Nota 3: Scientific American, Natural Geographic e Globo Rural, nada de publicar meu artigo sem a minha anuência; eu sei que a tentação será grande.

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Para começarmos esse estudo, temos de nos familiarizar com o Macho propriamente dito. Em seu sentido genérico, explicando friamente e sem firulas, Macho é todo aquele que se enquadra na premissa: "Se tem um pênis e gosta de mulher; é Macho". Segundo o botanista/sexólogo/tarado russo Jürgen Adenovich Popov, há duas subcategorias de Macho, que para fins classificatórios NÃO devem ser considerados como tal: primeiro, os Machos que têm pênis, mas não gostam de mulher. Segundo, mulheres quase-Macho, com um clitóris de 25cm. Adenovich ressalta que essas categorias estão, felizmente, sendo cada vez mais aceitas na sociedade, inclusive pelos ditos Machos que, antes, normalmente as menosprezavam. Há, assim, uma tendência ao equilíbrio. 

O típico Macho é homem (sempre - Mulher-Macho é só na música). Alimenta-se de carne e vegetais (onivorismo) e procura se adequar à pirâmide de Maslow, buscando: 

1- Nececidades básicas: Comida, Sono, Pinga, Futebol, Sexo
2- Necessidades de segurança: Abrigo, Estabilidade, Sexo 
3- Nececidades de Relacionamento: Amigos, Família, Sexo (mas nem sempre com amigos e família)
4- Necessidades de Auto Estima: Alguém lhe dizer que tem um pênis grande, Sexo sem Viagra
5- Necessidades de Realização Pessoal: Sexo Tântrico

Como afirma o playboy Ruben Adenovich Popov (irmão de Jürgen), "o Macho é um ser ainda instintivo, selvagem e, portanto, sexual". Isso, logicamente, em sentido genérico. Existem desvios na categoria onde cada variável incidirá em maior ou menor grau. Machos mais urbanos costumam serem menos instintivos, por exemplo.Há uma vasta gama de comportamentos passíveis de serem observados, nos quais não entraremos em detalhes, excetuando-se os casos mais drásticos, que serão tópicos dos próximos capítulos.

O Macho, para ser bem visto na sociedade deve trabalhar. Em tempos remotos, ele era o caçador; o provedor de alimentos. Hoje, é visto por muitos como o provedor de capital. Trabalha nos mais diversos ramos e pode se destacar na sociedade caso seja bom naquilo que faça.

Machos geralmente andam em bandos (com outros Machos ou não), gostam de futebol, carros e, obviamente, mulheres. Em idade jovem e idade avançada costumam colecionar revistas assanhadas.

Machos famosos:
- Chuck Norris
- Sansão
- Zé Mayer
- Borba Gato
- Hugh Heffner
-Professor Girafales

Black Adder King Richard
Exame da próstata:
todo Macho, um dia, passará por isso.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Estranhos detalhes...

Devia ser umas 23h. Estava no hall de entrada do prédio de uma ex-namorada, sentado em uma bancada de mármore perto de um jardim. Estava de frente para uma parede de madeira e a ex-namorada em apreço estava conversando comigo, de pé, virada pra mim. Foi quando parei de prestar atenção no que ela dizia e comecei a analisar a parede e os desenhos na madeira. De repente, eu senti um medo indescritível e ela notou. Parou o que estava dizendo e me perguntou o que havia acontecido. Sem que eu dissesse nada, ela virou pra trás e, quase imediatamente, deu um suspiro de espanto e escondeu a cara no meu ombro, trêmula e aparentemente tão apavorada quanto eu, pedindo para que fôssemos embora dali. E isso me deixou ainda mais assustado pois ela havia visto a mesma coisa que eu.

Na parede de madeira, em marcas mais escuras, dava para ver um rosto levemente caprino, com orelhas, chifres, olhos barba... Igual às representações medievais do que que os europeus chamavam de "baphomet", (alusão ao profeta Mahomet) e que nós chamamos de cramunhão. Não sou lá muito religioso nem nada mas havia algo sinistro naquela parede.

Apartir desse dia, só usávamos a entrada de serviço do prédio, para evitar a parede maldita. Dizem que o diabo está nos detalhes, então, pra quê arriscar?

segunda-feira, agosto 30, 2010

Tomadas Brasileiras

Fato 1 - Elas estão nos invadindo
Fato 2 - Elas nos darão trabalho
Fato 3 - Elas não me agradam
Fato 4 - Elas têm aparência Kawaii
Fato 5 - Elas crescem e viram Teletubbies
Fato 6 - Elas levarão tua alma à noite
Fato 7 - Olhe em volta... Já deve ter uma te espreitando.

Elas querem o seu lar, tadinhas! Elas querem VOCÊ!!

quinta-feira, agosto 26, 2010

Missing...

Momento de falta do que fazer, fui analisar as candidatas a "MISS UNIVERSO", para constatar que, mais uma vez, não estive plenamente de acordo com o resultado. Sei que há vários critérios, mas, analisando unicamente pelo visual, se eu fosse jurado, as coisas seriam diferentes. Transformando a falta do que fazer em algo produtivo, segue a postagem mais gata e mais fútil desse blog...

Nota 1: Miss tem nome estranho!
Nota 2: Espero que meu chefe não me veja lidando com fotos de bikini e ache que eu estou vendo sem-vergonhice.

Sem mais, minhas favoritas seriam:

10
Miss Suica Linda Fah
Linda Fah - Suíça

9
miss ghana awurama simpson
Awurama Simpson - Gana

8
miss tailandia Fonthip Watcharatrakul
Fonthip Watcharatrakul - Tailândia (Troféu nome esquisito)

7
joori kim miss coreia
Joori Kim - Coréia (do Sul??)

6
miss indonesia Qory Sandiorivia
Qory Sandiorivia - Indonésia

5
miss guyana Tamika Henry
Tamika Henry - Guyana

4
miss franca Malika Menard
Malika Menard - França

3
miss guam vanessa torres
miss guam Vanessa Torres
Vanessa Torres - Guam (Isso é nome de Guam??)

2
miss belgica Cilou Annys
miss belgium Cilou Annys
Cilou Annys - Bélgica

1
miss israel Bat-el Jobi
miss israel Bat-el Jobi
Bat-el Jobi - Israel (apesar de ter cara de metida a besta...)

segunda-feira, agosto 23, 2010

Sentando à mesa com elegância: como evitar a toalha

Toalha de mesa. Minha eterna inimiga. Ela teima em ser considerada obrigatória em certas mesas, apenas para me contrariar. Ou então eu sou muito desastrado. 

Lá em casa elas são várias, de vários tamanhos, formas, cores. Servem para enfeitar e proteger a mesa. Porém, eu sou um ogro que prefere a praticidade ao rococó e, vocês hão de concordar comigo, aquele pano grande só atrapalha. Ele toma toda a sua liberdade de sentar à mesa, de sentar-se como bem lhe convier já que parte dele costuma ficar pendente na cadeira. Em nome da proteção mesária a toalha fica lá reinando absoluta e rindo da nossa cara, obrigando-nos a desenvolver mil técnicas para sentar à mesa sem fazer bagunça. Sim, porque se você sentar normalmente na cadeira conforme as regras da crasse e da elegança; a saber de lado, girando as pernas para acomodá-las sob a mesa, você corre o risco de ter parte da toalha presa sob a bunda e, no momento do giro, parte da mesa no seu colo. 

No Natal, o tormento é maior pois a minha mãe cisma em colocar uma longa toalha de mesa verde sobre mesas de madeira, onde sentarão os convidados. Essa toalha vai até o chão, dispensando a atuação da bunda para fazer a bagunça: um salto alto no lugar errado já pode fazer estragos. Lembro-me de um Natal em que, com alguns whiskies antes da ceia, minha coordenação motora estava meio alterada. Fiz um prato maravilhoso e farto. Coloquei-o em cima da mesa. E encarei a longa toalha. Vi que aquilo não iria acabar bem. Puxei a toalha pra cima para poder entrar na mesa apertada... Mas a quantidade de toalha parecia não acabar. Com a mão cheia de pano, vi que havia um bruraco em que eu podia me encaixar. Porém, não sei de onde, apareceu um restozinho de toalha, sobre o qual eu sentei. E girei. E, se meu prarto por pouco não vem acomodar-se em meu colo, o peru e seu recheio boiavam agora no vinho derramado, sobra de algum tio que havia largado a bebida perto de mim. Ao menos, a mesa estava protegida.

Desenvolvi então, um método rústico de adentrar a mesa, seguindo a filosofia do "se não vai por bem, vai por mal". O revolucionário método consiste em levar a cadeira para uma distância segura da toalha de mesa. Uma vez bem acomodado, é só cavalgar a cadeira até o lugar desejado, em uma investida  medieval mas eficaz. O método não é recomendado para pessoas acima do peso por poder quebrar a cadeira e/ou deixar sequelas irreversíveis no chão da sala. Mas prometo que o prato de comida fica intacto! 

como sentar a mesa
Epic win!!!

quarta-feira, agosto 18, 2010

Surreal

Você já teve alucinações? Eu já. Quando eu tenho, significa que a minha saúde não está boa: a febre está bem além dos 38,5, acompanhada de aluma bronquite ou gripe épica. Acho que é a parte mais legal de ter febre alta. Os Bítous tomavam LSD para ver a Lucy no céu com diamantes e submarinos amarelos. Não recrimino eles. Na hora da alucinação, fico meio perdido, mas depois acho interessante. É algo totalmente fora da realidade, sem nenhuma coerência, digno de um quadro de Salvado Dali.

Minha mãe conta que uma vez, quando criança, viu uma pedreira cair em cima dela repetidas vezes. Até hoje ela tem medo de pedras. As minhas não foram violentas. Em uma, eu me vi no Parlamento da ONU (aquele em Nova York mesmo!!) discutindo sobre a "Explosão das Nações", evento que até hoje eu não sei o que é. Em outra, vi uns homúnculos, como sombras e olhos brancos, caminhando entre a minha cama e a parede, todos me olhando de forma curiosa. Dizem que a Xuxa também viu isso. Lembro que no dia, eu achei tão legal, que acordei às duas da manhã e fui contar ao meu pai.

Na época que o filme "Espíritos" estava em cartaz, fui a um bar e resolvi tomar uma cachaça de "saidêra". Nenhuma marca de meu agrado no cardápio, resolvi pedir uma aromática. As opções eram canela, cravo, banana e CATUABA! ÔPA!!!! Catuaba eu não conhecia! E a regra da minha vida é pedir aquele treco do cardápio que eu não conheço. Tomei a tal pinga com catuaba, com um gosto meio ácido. Péssima idéia. Veio a madrugada, mas o sono não chegava. Eu estava deitado na cama aceso, sem dormir às 4h30 da manhã. Alternava momentos de lucidez e alucinação, não sei se provocadas pelo sono ou pela droga amazônica. Ou pelos dois. Ora me via na cama, ora me via em um aquário vazio, no meio do meu quarto, analisando fotos atrás de algum espírito. Depois acordava, sentava na cama e ficava atormentado, pensando em quais critérios me basear para a identificação de espíritos nas fotos. Voltava pra cama e dali a pouco estava novamente no aquário. Um cão grande, cinza e felpudo passeava ao meu redor. E tudo era muito real e parecia ser muito imediato para ser um sonho. Não dava pra distinguir com clareza o que era real e o que não era.

Acho que vou parar por aqui. Acabo de ver um cachorro cinza entrando na sala do chefe. 

terça-feira, agosto 10, 2010

A Força da Patrine

Estrela Fascinante: Patrine!! Alguém aí se lembra da heroína japonesa? O seriado passava na Rede Manchete em 1994 e, se não me engano, foi o último (e talvez o pior) desses JASPIONs da vida a passar pela emissora. Naquela época, pela minha idade, eu já não fazia mais parte do público alvo do programa, mas os meus irmãos não perdiam um capítulo.

 Foi no período Patrine que a minha mãe resolveu dar para seus queridos filhos a EMULSÃO SCOTT, uma poção mágica do crescimento, feita com óleo de fígado de bacalhau. Eu, já com uma idade que me dava certa autoridade para escolher, não tomava a tal POÇÃO nem com reza brava. Para incentivar meus pobres irmão a tomarem uma colher daquilo todo santo dia, minha mãe chamava o líquido de FORÇA DA PATRINE.

A julgar pela embalagem, a tal emulsão vinha com dois sabores: laranja e morango. Os dois tinham gosto de chorume, que é aquela aguinha que cai do caminhão do lixo, deixando um rastro de podridão por onde ela passa. A única diferença entre os dois sabores é que um tinha um gosto de chorume com morango azedo, a outra de chorume com suco de laranja vencido. Mas para sentir essa levíssima nuance entre os sabores era preciso ser um verdadeiro enólogo do fígado de bacalhau e degustar o líquido com carinho. Ou ter muita imaginação. Porque o sabor que imperava era o de chorume podre. Podre podre.

Lembrei disso pois outro dia eu vi na TV a propaganda da Emulsão Scott. Nela, uma linda garota sorridente vai ao encontro da mãe, numa empolgação ímpar, para uma colherada CHEIA de Força da Patrine. Dia seguinte ela acorda toda contente com os pés pra fora do cobertor, sinal de que, graças à poção, ela havia crescido uns centímetros. Estou escrevendo pois eu sou um tanto contra propagandas enganosas. Acho que JAMAIS uma linda garota iria sorridentemente tomar a sua Força da Patrine diária. Lá em casa, quando a minha mãe falava nô tônico milagroso, todos saíam correndo. Agora, também não quero desmerecer o Scott. Meus irmãos cresceram. Eu não. Quero acreditar que, além da genética, a rosada Patrine contribuiu para isso. 

Viva a Patrine, com o seu chorume mágico que faz espichar!!!

segunda-feira, agosto 09, 2010

Isso me lembra...

Fiz um "search" aqui no BLOG e vi que já havia escrito sobre esse tema em 11 de setembro de 2008 (olha a data).

Falei sobre uma aula de inglês em que, no momento "comunicação oral", quando o professor sugeriu como tema de debate as "touradas", eu me posicionei contra. E NINGUÉM na sala ficou do meu lado; todos queriam me crucificar, por eu estar indo de encontro à cultura espanhola. Onde já se viu?? Quere mexer na tradição deles?? Argumentei sobre as mudanças culturais. O fumo, que hoje é condenado, as penas crués mundo afora... Nao houve quem concordasse comigo. Uma ode à petrificação cultural. Saí da aula sob olhares de reprovação, meio derrotado e incrédulo...

Relembrei disso agora por causa de três notícias: as touradas que foram proibidas na Catalunha, a iraniana condenada à morte-primeiro pelas pedras e agora pela forca e a menina afegã que teve nariz e orelhas decepados. Sinceramente, gostaria de estar naquela sala hoje. Será que o professor e os outros alunos iriam dizer que "Aisha, a menina afegã, teve o que mereceu" e que "Sakineh deve ser mesmo apedrejada"? Era isso que eles estavam afirmando naquele dia.

terror e cenas chocantes

Nas touradas, manifestação cultural defendida pelos outros alunos, o touro é provocado enquanto fazem dele um shish kebab ambulante com espetos de metal coloridos. As penas cruéis, de arrancar nariz e matar com pedras (li outro dia que a morte por pedradas dura de 30 a 60 minutos) são também culturais, ligadas menos ao espetáculo e mais, pelo que dizem (e eu não concorde), à religião. E agora? Manter a cultura bárbara, medieval e sangrenta ou evoluir?

Estou, no momento, experimentando o doce orgulho de uma vitória tardia.


toureiro com queixo perfurado
Dizem que a maldade "volta" né?

quinta-feira, agosto 05, 2010

Contra-mão

Estava andando em determinado corredor de determinada retartição pública. Na direção oposta, vinha um senhor apressado. Era um desses sujeitos que se encaixariam perfeitamente no estereótipo do funcionário público "orêia". Velhinho atarracado, de pernas curtas, passo firme e decidido. Trajava uma camisa de botão azul-clara, parecendo um uniforme e calça de cor não definida. Tinha os cabelos desarrumados, a pele esverdeada, as mãos secas e aparência empoeirada. Provavelmente esqueceram-no em algum canto obscuro do órgão, onde fungo e mofo cresciam em abundância. Passou por mim e disse: "Mão!!! ...e Contra-mão" fazendo sinal para que eu fosse pro outro lado do corredor. 

Bizarro. Nunca ouvi falar de mão e contra-mão em corredores de repartição pública. Procurei alguma placa, semáforo, sinal de "PARE"... Não havia. Preocupado com a bronca daquele senhor, observei bem o local. Em uma das paredes, havia uma linha do tempo. Pronto! Era minha referência! Julgando por ela, quem "saía" deveria seguir sua direção, lendo os dizeres da linha do tempo, da esquerda pra direita. Quem "entrava", andaria do outro lado, onde havia apenas uma parede branca. Instintivamente, é isso que eu fazia. Qual a lógica de entrar lendo uma linha do tempo de trás pra frente? De 2010 pra 1900? Mas... Peraí... O bom velhinho fazia exatamente o contrário! Teimava em não ler a linha do tempo e descia no sentido inverso! Era ELE quem estava na contra-mão. Fui trabalhar mais tranquilo. Esqueci-me do ocorrido.
...Até encontrar o Guardião dos Corredores novamente. Paguei uma conta e, voltando pra minha sala, passei por ele. Ele parou de andar imediatamente e ficou me encarando. Soprou um grunhido pelas ventas. Eu, novamente, estava em sua contra-mão. Cheguei na minha sala e... Minha papelada!!! Havia esquecido meus documentos sigilosos em cima do caixa eletrônico. Voltei correndo e tive que atravessar o corredor novamente. Voltando, quem eu encontro? Novamente na mesma "faixa" que eu, andando na direção oposta. Novamente, ele me olhou e murmorou algo que eu não entendi. Eu não me contive e passei por ele rindo da cena.

Transitando pelas vias públicas com tamanha imprudência, em breve seremos vítimas de um acidente. Não sei ele, mas eu vou processar o Estado por falta de sinalização.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Próximo.

Aconteceu várias vezes comigo, então acredito não ser a única vítima. Mas por diversas vezes eu estou em uma fila loooooooooooooooonga esperando ser atendido por um caixa que está com um problema na máquina de cartão de crédito (é SEMPRE um problema na máquina do cartão de crédito) quando, timidamente, o caixa ao lado abre a porteira e grita: "próximo". Imediatamente, forma-se uma segunda fila. Só que o próximo em questão não é o próximo da primeira fila. Este geralmente está meio encurralado entre o primeiro e, no caso de um supermercado, pelo carrinho de compras do terceiro, que é um sujeito de grandes proporções que ocupa muito espaço e dificulta a mudança de fila do próximo. Como brasileiro é um povo infelizmente muito esperto, o primeiro da nova fila é geralmente o último da fila emperrada, fazendo valer o ditado "os últimos serão os primeiros".

Na madrugada de domingo (sábado pra domingo, mas já domingo, entenderam?) eu fui ao mercado comprar umas besteiras. Um Citroën C4 Picasso e um Audi A3 estavam no estacionamento, com música cafona alta e um monte de adolescente feliz e cantante ingerindo Smirnoff Ice. Dentro do mercado, mais adolescentes felizes, pertencentes ao mesmo grupo, comprando de balinhas a mais bebidas para turbinar a noite. Eu era o próximo, em um caixa com problema de cartão. Chegaram dois bêbados atrás de mim. Já estavam bebendo a cerveja que iam comprar e, pelo cheiro, já deviam ter bebido coisa muito pior. Um deles, conversava exalando aguardente e, conforme ia confessando ao seu compadre "Eu sô cabra macho, cara! Tu quer falar cumígu fála, má nú mi réla naum!!! NUM MI RÉLA NAAAAUMMMMM!!!!" ele se aproximava cada vez mais de mim, ameaçando relar a MINHA pessoa, o que não me agradava em nada!

O caixa ao lado abriu. Falou "próximo". Considerando que os adolescentes estavam em grupo, o próximo da fila seria eu. Mas os bêbados me olharam com um desdém etílico e, num lampejo de esperteza, mudaram de fileira. Na cara dos dois, um sorriso orgulhoso que significava "perdeu, mané". Eu, aliviado, agradeci à esperteza brasileira.

segunda-feira, julho 26, 2010

Jê párrle portigué

"Vocês já ouviram um brasileiro falando?" - olhando pra mim, brasileiro em apreço - "Não há nada no mundo que dê mais sono. Você, porém não tem sotaque forte de brasileiro." A frase veio de um professor de "comunicação oral", que falava francês. Primeiro, fiquei chocado com a assertiva. Depois parei pra pensar. É. Aquele gordo barbudo estava certo. O português brasileiro padrão, sem sotaque, é a língua mais monótona que existe. Não há sons que se destacam. Não tem as vogais fortes do Nordeste, a ginga e a chiadeira do Rio, a pressa mineira ou o ritmo meio cantado do Sul. É uma língua discreta, onde até mesmo as sílabas tônicas são, por vezes, difíceis de serem identificadas. Imagine um francês ouvindo sua língua falada de forma plácida e linear por um brasileiro? Dou toda razão a ele. Até eu ficaria com sono.

Eu sou um falante de português monótono. Falado em Brasília; sotaque de lugar nenhum. Por mais que consiga imitar certos sotaques de por aí afora, soa falso. Sem falar no atropelado portugês lusitano, que eu acho legal, mas chega a me deixar tonto. Em um momento de ócio, fui pesquisar sobre o português falado aqui. Acho meio revoltante que haja tanta unidade linguística em um país tão grande. Nenhum dialeto; apenas sotaques diferentes. Um sujeito de Rio Branco entende perfeitamente um índio velho de Porto Alegre. Nenhuma língua indígena remanescente de destaque. Na Itália, fala-se o piemontês ao norte e o sicialiano ao sul e um não entende o outro. Portugal tem seus dialetos. Paraguai tem duas línguas oficiais (e recentemente aprendi que, em uma delas, nosso país é conhecido como Tetã Pindorama), na Bolívia são três.

Serve de consolo nossa IMENSA variedade cultural, da mitologia às festas populares; da culinária à arquitetura. Mas linguisticamente, vamos admitir. Somos monótonos. Bons para fazermos franceses dormir.

terça-feira, julho 20, 2010

Café com rosquinhas

(Roubei emprestado o título da Deo, mas ela não vai se importar com uma propagandinha extra...)

Uns chamam de rosquinhas, outros de bolachas e, na minha família, de biscoito mesmo. Nunca fui muito fã de doces mas sempre fui um grande devorador de biscoitos de todo tipo. Especialmente alguns que acompanharam minha infância. 

Lembro-me de quando tinha uns três, quatro ou cinco anos. Havia um biscoito chamado Carícia, vendido em um pacote cilíndrico de plástico brilhante com uma xícara de chá desenhada. Era esse o meu preferido. Comia aos poucos para durar mais. Mentia que estava passando mal para minha mãe me dar chá em vez de leite e eu poder comer como vinha na embalagem, com a xícara ao lado. Realmente, com chá era mais gostoso. Pelo que eu me lembre, Carícia só aparecia de vez em quando no Carrefour. E era um pouco mais caro que a maioria, por conseguinte, não aparecia muito lá em casa. Passou o tempo e ele deixou de ser fabricado, para minha tristeza.

Tinha também o biscoito Champagne que a minha mãe comprava, eu adorava mas ela nem sempre me deixava comer, porque era pra fazer pavê. E o pavê da mamãe era o melhor de todos, com chocolate arroxeado de tanta bebida - sei lá o que ela colocava, se era vinho, conhaque, os dois... Mas era incrivelmente bom. Por isso eu não reclamava, apenas esperava a hora da sobremesa. O clássico Maizena também deve figurar na lista, bem como o recheado São Luís (Bono, nos dias de hoje) que eu costumava comer meio pacote por dia antes do almoço na adolescência.

Certa vez, quando tinha uns cinco anos,  meu pai trouxe pra mim um biscoito muito exótico do Suriname. Era recheado de uva e tinha uma cor meio escura. Nunca encontrei algo parecido pra vender. Uma vez, trouxe também cookies com pedações de chocolate (ainda não existiam no Brasil), uma tentação para qualquer criança. 

Hoje, o biscoito que me traz mais recordações passadas é aquele de côco da Mabel. Vem num pacotão, vem meio queimado e eu gosto de comer com um café. Nada me lembra mais casa da avó que "Rosquinha Mabel com um gólinho" como ela dizia. Fiquei mais seletivo para biscoitos hoje. Poucos são os que realmente me agradam mas o armário está cheio deles. Poderia falar de muitos outros, mas só postei isso porque ontem fui comprar as tais rosquinhas de côco pra comer no café hoje cedo e o pacote estava bem torrado. Do jeito que eu gosto. Só que... Peraí! Torrado até demais! TODOS os sacos do supermercado apresentavam rosquinhas carbonizadas, como vítimas de explosão vulcânica. Aquele monte de carvãozinho em meio à minha possível comida me embrulhou o estômago e me deixou levemente revoltado. Pô Mabel! Como você deixa as rosquinhas passarem do ponto desse jeito???

sexta-feira, julho 16, 2010

Lembranças da Copa

Coisas da Copa que vão ficar na lembrança. Um último post sobre a Copa da África do Sul.

1- Vuvuzela
2- O sonolento jogo Brasil e Portugal
3- Os pássaros-Galvão e a primeira copa com Twitter
4- Portugal desovando 7 na Coréia do Norte, no primeiro jogo da Copa transmitido ao vivo por lá.
5- O simpático técnico da França, que escalava o time segundo os astros do Zodíaco. "Les Bleus" são conhecidos agora como "Les Chevaliers du Zodiaque" 
6- A gana de Gana.
7- La Mano de Dios uruguaya, que deu TCHAU pra Gana de dentro do gol.
8- O pênalti perdido que seguiu. Deus era uruguaio....
9- A verborragia de Dunga, altamente criticada pelos jornalistas
10- O fora dado pelo mesmo técnico na jornalista da Globo (esse foi aplaudido; não vi ninguém criticar)
11- Opinião minha: não deixam o cara em paz pra trabalhar; queriam o quê????
12- A esquisitíssima bola Jabulani
13- O Cid Moreira falando JABULAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANI
14- O craque incontestável da Copa: Mick Jagger, que eliminou seleções do banco.
15- O polvo vidente que, verdadeiro anti-Jagger, apontava o vencedor
16- Zebras: Itália e França eliminadas na fase classificatória
17- Eu torcendo pra Holanda na final
18- O caso Bruno que acompanhou a Copa
19- O estilo Dunga de se vestir
20- A frase "Um Dunga, 22 Sonecas e 180 milhões de Zangados" (Já vi os Zangados conabilizados em 108M, 160M, 280M... há controvérsias)

vuvuzela tunisia e uruguai
...:E as lembranças materiais:... 
(As vuvuzelas acordaram meu lado consumista...)

- Tinha que comprar uma Vuvuzela pra fazer barulho durante os jogos (foi muito usada)
- Há tempos estava atrás da camisa oficial da Tunísia, que acho muito bonita (havia um modelo anterior mais bonito ainda, mas esse estava legal também). Sei que nem foi pra Copa, mas ah... Camisa da Itália, da Alemanha e da Argentina todo mundo tem!
- Havaianas do Uruguai. Gostei do azul-e-preto.


Até 2014 =)

segunda-feira, julho 12, 2010

Don Corleone e os jogadores de futebol

Chego no trabalho, faço o pouco que eu tinha pra fazer hoje (ainda bem) e abro o G1 pra ver algumas notícias. Prenderam o "bandido descalço" nas Bahamas; ladrão adolescente que aparentemente havia feito uns roubos cinematográficos à la Catch Me If You Can e "tornou-se um ídolo no Facebook com 45000 seguidores" (o que me leva a crer que o G1 confundiu Face com Twitter). Eu nunca havia ouvido falar nesse sujeito.

Passada essa pequena introdução, vamos ao Don Corleone. Don Corleone fala rouco, é carismático, tem amigos poderosos, manda e desmanda com seu imenso prestígio. Um homem astuto, com alta percepção das coisas, que não trai seus princípios, o que faz dele um líder. Mas... Peraí... Don Corleone é um criminoso. Mas ninguém se lembra dele por isso. Quando chamam alguém de "Don Corleone", isso é praticamente um elogio. Nunca é no sentido de bandido ou mafioso, mas com uma grande reverência. Infla o ego de qualquer um, ser um Corleone... Na mesma categoria, temos Edward Teach, também conhecido como "Barba Negra". Teach foi um dos maiores marqueteiros de que se tem notícia e, fosse hoje, teria lugar cativo em alguma agência do Roberto Justus. Ele cultivava uma imagem medonha para aterrorizar quem cometesse o erro de estar contra ele. Invadia navios alheios com duas mechas de cabelo em chamas sob o chapéu. Sua pele vermelha de sol e sua barba que crescia até os olhos davam a ele uma aparência de demônio dos mares. Se houvesse resistência durante uma invasão, Teach era cruel. Matava todos e deixava um altamente ferido, mas vivo para espalhar a história. Era outro bandido inteligente. Em torno de Corleone, o mafioso; Teach, o pirata e Harris-Moore, o descalço há um enorme glamour, ligado ao carisma do personagem e ousadia/esperteza de seus atos. Isso acaba extrapolando e dando uma aparência romântica ao crime.

Mafioso, pirata e assaltante é legal. Que o digam Corleone, Teach, Jack Sparrow, Ocean e tantos outros. Assim sendo, nada mais viril que posar com traficantes do Rio ostentando uma metralhadora e conviver com o pessoal do crime organizado. Corleone tinha amigos influentes. Amigos influentes tinham Corleone. Jogadores de futebol têm traficantes. Traficantes têm jogadores de futebol. Ídolos de grandes torcidas. Perfeitos idiotas em simbiose. Um lado vem com a fama e a influência e o outro com o favor, o funk, as mulheres, o pó... Aí, aparece um Bruno. Impossível não falar do Bruno. Don Corleone é expert em dar sumiços. Mas Macarrão não é Corleone e a vida não é dirigida por Ford Coppola. Obviamente, a tarantella deu errado.

É o preço de se confundir carisma com artilharia e misturar um monte de craque deslumbrado com chefões criminosos mal intencionados. Não! Não é bacana ir pra festa com traficante marrento. E quem alimenta rottweiler com uma pessoa, por mais craque que seja, merece mais é apodrecer numa jaula. Como Teach fazia, diga-se de passagem, com piratas que abusassem de seu poder.

quinta-feira, julho 08, 2010

O Pendurado

Recebi por e-mail um teste que relaciona seu nome a uma lâmina de tarot. Normalmente, esses testes de personalidade dão uns resultados ultra genéricos, com os quais qualquer cidadão pode se identificar e assim, encaminhar para toda a sua lista. Existem dois oráculos que gozam de certa simpatia e credibilidade da minha parte: o i-ching e o tarot. O resultado me deixou bem intrigado.

Seu Arcano Pessoal é:


12 - O PENDURADO  

carta do taro - o pendurado
Pode ficar pendurado aí, 
desde que não fique
mostrando o pipi! (#haikai)

O Pendurado sempre foi a carta que mais me chamou a atenção dentre as lâminas do tarot. Além do mais, eu durmo nessa posição - fazendo um "4" com as pernas - e ia escrever sobre isso no blog dias antes de fazer esse teste... Coloquei em vermelho coisas que não se aplicam e conselhos que não sigo (às vezes deveria...). Em preto o que se aplica em maior ou menor grau, para efeitos de credibilidade do teste... 
 

Palavras-Chave:
Sacrifício e Abnegação


- Acontecimento marcante a nível psicológico aos 12 anos de idade;
- Espírito dedicado;
- Não pode se apegar a nada, pois corre o risco de perder;
- Desapego material;
- Renúncias pessoais;
- Muito carente emocionalmente;
- Não se deixe escravizar pelos outros;

- Expectativas;
- Redenção;
- Cuidado para não cair no complexo de vítima;
- Carinho e cuidado;
- Insatisfação com as coisas;
- Precisa superar seus limites pessoais;
- Apreensão ou aperto;
- Espiritualismo intenso;
- Precisa ser + prático(a);
- Necessidade de ser realista e objetivo;
- Sensibilidade quanto a dor do outro;
- Evite a acomodação;
- Êxtase através de experiências espirituais;
- Insegurança ou instabilidade;
- Não se martirize;
- Não faça do parceiro o seu DEUS ou HERÓI;
- Intuição aguçada;
- Vê as coisas por outro ângulo;
- Evite a estagnação;
- Produza criando;
- Caridade e doação;
- Oportunidade de superar seus karmas negativos nessa Vida;
- Debilidade orgânica; 

- Cuidado com a dependência emocional;
- Medo dos infortúnios ou fatalidade;
- Compreensão;
- Preso emocionalmente ao passado;
- Ligado à família ou raízes;
- Busca interior ou pelo transcendental;
- Reflexão;
- Não espere as coisas acontecerem: vá à luta;
- Saiba ajudar quem se ajuda;
- Dó de pessoas carentes, desprotegidas ou animais abandonados;
- Vença as fases de depressão trabalhando;
- Receio de falhar;
- Timidez;
- Atenção às pernas, sist. imunológico, pulmões, circulação, ovários;
- Precisa dirigir sua vontade;
- Aceitação.


Tire aqui a sua carta...
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