segunda-feira, março 29, 2010

Sobre o lugar na mesa.

Desde sempre, na minha casa, eu tive um lugar na mesa. Vão dizer que isso é algo óbvio; que meus pais não teriam o comportamento carinhosamente selvagem de me atirar a comida para que eu comesse no chão... Mas estou me referindo a um lugar marcado na mesa. Toda a minha vida foi assim. Eu sentava sempre no mesmo lugar. E, pelo que tenho observado, várias pessoas agem da mesma forma. Um dia, quando criança, fui me rebelar e sentei no lugar do meu pai. O cúmulo da subversão! Prontamente, minha mãe chegou:

- Raphael, aí é o lugar do seu pai!
-Por que??
-Porque o seu lugar é lá-apontando para a minha cadeira vazia.

Fui doutrinado sobre meu lugar à mesa. Hoje, se eu não me sentar ali no lugar por mim inicialmente selecionado (ou imposto), não me sinto bem. E o pior é que quando eu penso nisso, vejo que não há nenhuma explicação muito racional para esse comportamento. Se não estou sentado na minha cadeira, a comida desce errado. Ou melhor, nem desce. Tornei-me extremamente territorialista. Ou, com o decurso do tempo, adquiri minha primeira mania de velho.

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En Passant:

Coisas que acontecem em Brasília: da janela, via duas colunas de chuva se aproximando, uma ao norte; outra ao sul. Entre elas, um céu azul sobre o Congresso (deve haver uma cabeça de boi enterrada ali). A neblina, misturada com a água aos poucos chegava até onde eu estou. Agora, as colunas se encontraram. Não há mais céu azul sobre o Congresso. Quando chove assim, no Senado falta luz. Na Câmara não. Na falta de luz, dizem que você vê ACM e Ulysses Guimarães errando pelos corredores...

Um comentário:

Gabrielle Avelar disse...

Primeiro comentário:
Rafa, essa história de lugar marcado à mesa é realmente proverbial. Acho que todas as famílias fazem isso... E, mesmo as que nem começaram também tem essas manias. Bom, eu pelo menos tenho essa "mania de velho" a que você se referiu... Você sabe que, no meu caso é mais grave ainda, né? Eu levo o tal "território" para longe da mesa. Lembra aquela história do lado esquerdo? Hehehehe!!! Mas, acredita que, na casa do meu namorado, eu já marquei o lugar que é dele - ou o que ele mais gosta de ficar - e o meu - naturalmente... à esquerda!!! Hehehehe!!! É o fim do mundo messs!!!
Segundo... Cabeça de boi enterrada lá no Congresso????? Menino, acho que é cabeça de dragão bem chifrudo e mau que está enterrada ali há milênios... E que enganou a todos, enfeitiçando as mentes para que se construísse a Capitla aqui...
Mas, essa dos fantasmas foi demais!!! A-DO-REI!!! Muito bom...
Realmente há coisas que só acontecem em Brasília, de forma que duas extraordinárias colunas de chuva - que tem sido verdadeiros dilúvios ultimamente - passam despercebidas por olhos menos treinados tamanhos os absurdos que temos visto pelos corredores dos poderes... Afffffffffff!!!
Beijooooooooo!!! Excelente feriado!

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