segunda-feira, abril 19, 2010

Humildade

Outro dia estava pensando sobre a humildade. Ultimamente, tenho ouvido falar dela como um eufemismo para designar os menos abastados. Materializada em um par de sandálias no programa Pânico, a Wikipedia define a virtude como sendo a qualidade daqueles que não se projetam sobre as outras pessoas, que não se mostram superiores. Exalta, de certa forma, a reverência, o respeito e a submissão. É uma postura louvável mas um pouco paradoxal.

Ao buscar um comportamento virtuoso, um indivíduo quer se tornar uma pessoa melhor. E para ser melhor, deve haver um referencial; uma pessoa pior. Mas... Não é exatamente isso que a humildade NÃO prega? É claro que existe toda aquela história de superar os próprios limites (a humildade é algo extremamente pessoal) mas, para ser humilde necessitamos uma comparação.

Ainda mais nos dias de hoje, quando tudo é comparações e estatísticas e somos a cada momento desafiados pela sociedade que nos pergunta "Qual o nosso diferencial"? A humildade parece estar defasada, obsoleta e carcomida. Já não seria mais algo do nosso tempo.

Uma virtude meio vítima mas com uma faceta importante: o respeito. Característica essa que, a meu ver, poderia ser mais enfatizada.

Um comentário:

Gabrielle Avelar disse...

Rafa, de fato, a humildade é algo a se pensar. Com calma, com profundidade, com vontade.
O que você sente a respeito do referencial é algo que acontece com todos os demais sentimentos.
Vide o amor. Seu contrário é o ódio. Então, deveríamos, em tese, tomar como referencial para termos e nutrirmos o amor aquelas atitudes que nutrem o ódio a fim de que não as pratiquemos... Isto seria ter menos amor? Seria condição para nos percebermos egoístas - como de fato muitas vezes os somos?
Sempre muito bom refletir a respeito de tudo.
E eu reflito agora a respeito da humildade. A palavra vem de Humus... Terra podre... Algo que ninguém deseja ser. Matéria em decomposição. Mas que, após o tempo de maturação necessária, nutre e dá vida.
Humildade, para mim, é o tal cada um na sua. Sem dar juízo a ninguém. Saber que, por trás da capa de um ser humano comum, há a essência que pode pender tanto para o bem quanto para a ausência dele.
Respeito, como você mesmo resumiu.
Com todo o meu respeito a você, Rafa, sempre muito, muito bom ler seu pimenteiro... Muito bom mesmo!!!
Beijo grande!!!

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