segunda-feira, julho 12, 2010

Don Corleone e os jogadores de futebol

Chego no trabalho, faço o pouco que eu tinha pra fazer hoje (ainda bem) e abro o G1 pra ver algumas notícias. Prenderam o "bandido descalço" nas Bahamas; ladrão adolescente que aparentemente havia feito uns roubos cinematográficos à la Catch Me If You Can e "tornou-se um ídolo no Facebook com 45000 seguidores" (o que me leva a crer que o G1 confundiu Face com Twitter). Eu nunca havia ouvido falar nesse sujeito.

Passada essa pequena introdução, vamos ao Don Corleone. Don Corleone fala rouco, é carismático, tem amigos poderosos, manda e desmanda com seu imenso prestígio. Um homem astuto, com alta percepção das coisas, que não trai seus princípios, o que faz dele um líder. Mas... Peraí... Don Corleone é um criminoso. Mas ninguém se lembra dele por isso. Quando chamam alguém de "Don Corleone", isso é praticamente um elogio. Nunca é no sentido de bandido ou mafioso, mas com uma grande reverência. Infla o ego de qualquer um, ser um Corleone... Na mesma categoria, temos Edward Teach, também conhecido como "Barba Negra". Teach foi um dos maiores marqueteiros de que se tem notícia e, fosse hoje, teria lugar cativo em alguma agência do Roberto Justus. Ele cultivava uma imagem medonha para aterrorizar quem cometesse o erro de estar contra ele. Invadia navios alheios com duas mechas de cabelo em chamas sob o chapéu. Sua pele vermelha de sol e sua barba que crescia até os olhos davam a ele uma aparência de demônio dos mares. Se houvesse resistência durante uma invasão, Teach era cruel. Matava todos e deixava um altamente ferido, mas vivo para espalhar a história. Era outro bandido inteligente. Em torno de Corleone, o mafioso; Teach, o pirata e Harris-Moore, o descalço há um enorme glamour, ligado ao carisma do personagem e ousadia/esperteza de seus atos. Isso acaba extrapolando e dando uma aparência romântica ao crime.

Mafioso, pirata e assaltante é legal. Que o digam Corleone, Teach, Jack Sparrow, Ocean e tantos outros. Assim sendo, nada mais viril que posar com traficantes do Rio ostentando uma metralhadora e conviver com o pessoal do crime organizado. Corleone tinha amigos influentes. Amigos influentes tinham Corleone. Jogadores de futebol têm traficantes. Traficantes têm jogadores de futebol. Ídolos de grandes torcidas. Perfeitos idiotas em simbiose. Um lado vem com a fama e a influência e o outro com o favor, o funk, as mulheres, o pó... Aí, aparece um Bruno. Impossível não falar do Bruno. Don Corleone é expert em dar sumiços. Mas Macarrão não é Corleone e a vida não é dirigida por Ford Coppola. Obviamente, a tarantella deu errado.

É o preço de se confundir carisma com artilharia e misturar um monte de craque deslumbrado com chefões criminosos mal intencionados. Não! Não é bacana ir pra festa com traficante marrento. E quem alimenta rottweiler com uma pessoa, por mais craque que seja, merece mais é apodrecer numa jaula. Como Teach fazia, diga-se de passagem, com piratas que abusassem de seu poder.

Um comentário:

deo, a terrível. disse...

É, definitivamente os jogadores de futebol passam longe de um Don Corleone ou da Cosa Nostra. A começar pelo cérebro.
E pensa, se um poderoso chefão da vida é pego por sonegação de impostos (pouco perto dos outros crimes dele), imagina o que manchas de sangue num carro, rastreamento por GPS e depoimentos detalhistas não podem fazer contra uma pessoa.

Mofa na cadeia Burruno!

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