quinta-feira, agosto 05, 2010

Contra-mão

Estava andando em determinado corredor de determinada retartição pública. Na direção oposta, vinha um senhor apressado. Era um desses sujeitos que se encaixariam perfeitamente no estereótipo do funcionário público "orêia". Velhinho atarracado, de pernas curtas, passo firme e decidido. Trajava uma camisa de botão azul-clara, parecendo um uniforme e calça de cor não definida. Tinha os cabelos desarrumados, a pele esverdeada, as mãos secas e aparência empoeirada. Provavelmente esqueceram-no em algum canto obscuro do órgão, onde fungo e mofo cresciam em abundância. Passou por mim e disse: "Mão!!! ...e Contra-mão" fazendo sinal para que eu fosse pro outro lado do corredor. 

Bizarro. Nunca ouvi falar de mão e contra-mão em corredores de repartição pública. Procurei alguma placa, semáforo, sinal de "PARE"... Não havia. Preocupado com a bronca daquele senhor, observei bem o local. Em uma das paredes, havia uma linha do tempo. Pronto! Era minha referência! Julgando por ela, quem "saía" deveria seguir sua direção, lendo os dizeres da linha do tempo, da esquerda pra direita. Quem "entrava", andaria do outro lado, onde havia apenas uma parede branca. Instintivamente, é isso que eu fazia. Qual a lógica de entrar lendo uma linha do tempo de trás pra frente? De 2010 pra 1900? Mas... Peraí... O bom velhinho fazia exatamente o contrário! Teimava em não ler a linha do tempo e descia no sentido inverso! Era ELE quem estava na contra-mão. Fui trabalhar mais tranquilo. Esqueci-me do ocorrido.
...Até encontrar o Guardião dos Corredores novamente. Paguei uma conta e, voltando pra minha sala, passei por ele. Ele parou de andar imediatamente e ficou me encarando. Soprou um grunhido pelas ventas. Eu, novamente, estava em sua contra-mão. Cheguei na minha sala e... Minha papelada!!! Havia esquecido meus documentos sigilosos em cima do caixa eletrônico. Voltei correndo e tive que atravessar o corredor novamente. Voltando, quem eu encontro? Novamente na mesma "faixa" que eu, andando na direção oposta. Novamente, ele me olhou e murmorou algo que eu não entendi. Eu não me contive e passei por ele rindo da cena.

Transitando pelas vias públicas com tamanha imprudência, em breve seremos vítimas de um acidente. Não sei ele, mas eu vou processar o Estado por falta de sinalização.

3 comentários:

Raíssa disse...

iuaheaiuheiuheiuie
eu teria rido na cara dele também!
hahahaha
beijos

carolina disse...

ainda bem que não tem isso lá no meu tribunal... eu já teria sido multada... certeza!

hahaha! muito boa a estória...

kissu :*

Dom Rafa disse...

@Raissa: Acontece cada uma nesses orgãos publicos. Minha amiga ja achou macumba com vela preta acesa e tudo em um banheiro...

@Carolina: Com certeza! Aqui em Brasilia dever ter + doido... Passa no MPU pra vc ver! hehehehe Dômo Arigatoo pela visita! ^^

Beijos!

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