segunda-feira, agosto 09, 2010

Isso me lembra...

Fiz um "search" aqui no BLOG e vi que já havia escrito sobre esse tema em 11 de setembro de 2008 (olha a data).

Falei sobre uma aula de inglês em que, no momento "comunicação oral", quando o professor sugeriu como tema de debate as "touradas", eu me posicionei contra. E NINGUÉM na sala ficou do meu lado; todos queriam me crucificar, por eu estar indo de encontro à cultura espanhola. Onde já se viu?? Quere mexer na tradição deles?? Argumentei sobre as mudanças culturais. O fumo, que hoje é condenado, as penas crués mundo afora... Nao houve quem concordasse comigo. Uma ode à petrificação cultural. Saí da aula sob olhares de reprovação, meio derrotado e incrédulo...

Relembrei disso agora por causa de três notícias: as touradas que foram proibidas na Catalunha, a iraniana condenada à morte-primeiro pelas pedras e agora pela forca e a menina afegã que teve nariz e orelhas decepados. Sinceramente, gostaria de estar naquela sala hoje. Será que o professor e os outros alunos iriam dizer que "Aisha, a menina afegã, teve o que mereceu" e que "Sakineh deve ser mesmo apedrejada"? Era isso que eles estavam afirmando naquele dia.

terror e cenas chocantes

Nas touradas, manifestação cultural defendida pelos outros alunos, o touro é provocado enquanto fazem dele um shish kebab ambulante com espetos de metal coloridos. As penas cruéis, de arrancar nariz e matar com pedras (li outro dia que a morte por pedradas dura de 30 a 60 minutos) são também culturais, ligadas menos ao espetáculo e mais, pelo que dizem (e eu não concorde), à religião. E agora? Manter a cultura bárbara, medieval e sangrenta ou evoluir?

Estou, no momento, experimentando o doce orgulho de uma vitória tardia.


toureiro com queixo perfurado
Dizem que a maldade "volta" né?

4 comentários:

deo, a terrível. disse...

Olha aí. Nas touradas (bem como nos rodeios) eu sempre torci pro touro. Agora, quanto às penas duríssimas desses países orientais para determinados crimes, eu sempre fico no mínimo pensativa... As fogueiras também eram sagradas e foram abolidas. Esperemos que essas punições bárbaras que ainda acontecem também sejam extintas com o passar do tempo.

Besos!

Flávia Escarlate disse...

Rapha, estava conversando sobre isso um dia desses e - de fato - algumas culturas são absurdas. Nojo é cultural. Comemos aqui no Pará um bicho nojento chamado caranguejo e uma comida nada bonita visualmente que é a maniçoba. Isso é aceitável. Gostamos, faz parte da nossa cultura e devemos manter - sim - a tradição. Agora cortar o clitóris de uma moça, matar animais ou coisa do tipo é não ter bom senso. Pra que existe o Estado, então? As regras impostas pela sociedade? O capitalismo pode nos ditar o que fazer, o que vestir, o que comer, como viver e não deve interceder nesses casos? *indignada*
Excelente post, meu amigo! Beijinhos escarlates!

Raíssa disse...

Ai, sei lá, eu tenho sérios problemas com essas diferenças culturais. Na minha cabeça o próprio Brasil ainda tem muito o que evoluir, imagine esses outros países mais tradicionais.. Enfim, ontem mesmo esse foi o cerne de uma aula de Direitos Humanos, levar em consideração a cultura, as normas de cada país, mas enfim, difícil, muito difícil. =[
beijos!

Dom Rafa disse...

@Deo: Lembrei das fogueiras também... Churrasco da adolescente Joana d'Arc e afins. Fora penas que, a meu ver eram BEM PIORES que a fogueira e eram comuns há uns 600 anos. Negócio é que alguns lugares AINDA vivem como há 600 anos.

@Escarlate: Carangueijo nasceu para ser comido e ainda bem que a maniçoba é feia-sobra mais pra mim. Concordo com vc; essas práticas medievais são revoltantes!

@Raíssa: É verdade... Mesmo em certas regiões do Brasil existem práticas tradicionais um tanto abomináveis. Nãio digo em todos, mas em muitos casos, certos valores devem ser revistos e tais praticas abolidas.

Beijos e obrigado pelos comentarios!

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