segunda-feira, agosto 02, 2010

Próximo.

Aconteceu várias vezes comigo, então acredito não ser a única vítima. Mas por diversas vezes eu estou em uma fila loooooooooooooooonga esperando ser atendido por um caixa que está com um problema na máquina de cartão de crédito (é SEMPRE um problema na máquina do cartão de crédito) quando, timidamente, o caixa ao lado abre a porteira e grita: "próximo". Imediatamente, forma-se uma segunda fila. Só que o próximo em questão não é o próximo da primeira fila. Este geralmente está meio encurralado entre o primeiro e, no caso de um supermercado, pelo carrinho de compras do terceiro, que é um sujeito de grandes proporções que ocupa muito espaço e dificulta a mudança de fila do próximo. Como brasileiro é um povo infelizmente muito esperto, o primeiro da nova fila é geralmente o último da fila emperrada, fazendo valer o ditado "os últimos serão os primeiros".

Na madrugada de domingo (sábado pra domingo, mas já domingo, entenderam?) eu fui ao mercado comprar umas besteiras. Um Citroën C4 Picasso e um Audi A3 estavam no estacionamento, com música cafona alta e um monte de adolescente feliz e cantante ingerindo Smirnoff Ice. Dentro do mercado, mais adolescentes felizes, pertencentes ao mesmo grupo, comprando de balinhas a mais bebidas para turbinar a noite. Eu era o próximo, em um caixa com problema de cartão. Chegaram dois bêbados atrás de mim. Já estavam bebendo a cerveja que iam comprar e, pelo cheiro, já deviam ter bebido coisa muito pior. Um deles, conversava exalando aguardente e, conforme ia confessando ao seu compadre "Eu sô cabra macho, cara! Tu quer falar cumígu fála, má nú mi réla naum!!! NUM MI RÉLA NAAAAUMMMMM!!!!" ele se aproximava cada vez mais de mim, ameaçando relar a MINHA pessoa, o que não me agradava em nada!

O caixa ao lado abriu. Falou "próximo". Considerando que os adolescentes estavam em grupo, o próximo da fila seria eu. Mas os bêbados me olharam com um desdém etílico e, num lampejo de esperteza, mudaram de fileira. Na cara dos dois, um sorriso orgulhoso que significava "perdeu, mané". Eu, aliviado, agradeci à esperteza brasileira.

2 comentários:

Raíssa disse...

aaiuhaiurhair
éé, viva a esperteza brasileira!
bjoo

Dom Rafa disse...

@Raissa: É... Nessa situação a gente perdoa. hehehe Bjs! ;)

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