segunda-feira, dezembro 26, 2011

Moscas

Mosca é aquele bicho indesejável que aparece do nada e vai se amontoando na carne do churrasco e na sua cerveja. E eu não estou brincando; a mosca aparece do nada bom. Ela escolhe os lugares mais pútridos possiveis - de fezes a carcaças - para alojar sua prole. E porque essa prole é tão grande? É por causa do ciclo de vida. Cada mosca vive em média uns 40 dias, o que na minha opinião é dia demais para um bicho desses. Não contente com isso, uma mosca fêmea coloca vorazes 500 ovos (aproximadamente; confesso que eu nunca contei) em intervalos nos quais 100 a 200 virão ao mundo. Assim sendo, em 40 dias, ocorre uma verdadeira suruba de moscas em que ovos são produzidos em escala industrial num frenesi reprodutivo de fazer inveja a Compadre Washington que, de TCHAN em TCHAN, passou seus genes adiante 10 vezes. Quando eu era criança, achava que elas apareciam por geração espontânea. Hoje, estou (um pouco) mais tranquilo.

As três que me são familiares são a mosca doméstica; aquela preta que nos faz de animal de companhia, a varejeira e uma canadense (seria esta apenas uma lenda?). A varejeira é o cabra macho da espécie. Ela é verde, barulhenta e se aglutina na podridão até você chegar perto; momento no qual elas se dispersam ao seu redor. Quando não estão na porqueira, estão estáticas no ar, te chamando pra briga. Não adianta; não dá pra matar uma varejeira. Ela irá desaparecer no espaço-tempo e reaparecer perto de outrem, para repetir o processo. Finalmente, há a mosca canadense, eivada de ódio e fome. Nunca encontrei uma. Pelo que eu ouvi falar, elas vivem nas florestas e hibernam durante o longo inverno. Com a chegada do verão, a neve derrete, tornando o local abafado, quente e pantanoso; uma delícia. Famintas, elas saem em busca de carne, e a humana lhes parece bastante saborosa! Dizem que ao se aproximar, elas vão até você e arrancam uma pelinha...

mosca
"Eu"

Como acabar com elas? Alguns restaurantes usam álcool e coisas com cheiros fortes. Nunca acreditei muito nessa solução e acho que não funciona. Pelo nosso almoço, elas estão dispostas a enfrentar um recinto cheio de Veja. Os africanos, aos quais essas pestes são tão familiares, desenvolveram uma armadilha interessante e eficiente, usando uma garrafa pet. Consiste em partí-la em duas e colocar a parte de cima dentro da parte de baixo. Aí é só colocar alguma gordurinha de carne na "entrada" e no interior que elas entram na garrafa e não conseguem mais sair. Deixe a garrafa no sol escaldante do Mali para melhores resultados.

armadilha pra mosca
input/ -

Finalmente, testemunhei uma ação antimosca inusitada. Em um restaurante, havia vários sacos d'água transparentes sobre cada mesa. Perguntei à dona do estabelecimento a razão daquilo e ela me explicou que era pra espantar as moscas. "Elas vêm sua imagem refletida e se assustam." Para minha surpresa, não vi moscas no local. Porém, ainda estou meio cético sobre esse método. 

Fico com a garrafa africana.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

ETERNAMENTE ABANDONADO iii

PARTE 3 A VELHICE E A MORTE

Além do cuidado de não concorrer com seu melhor amigo na arena das conquistas femininas, outra preocupação de G.C. era com as ocasionais confusões em que Luca e outros membros da turma se envolviam nos estádios de futebol e nos bares. Numa noite - “fatídica” segundo ele -, no bar do Lamas, Luca disputava a terceira ou quarta partida  de sinuca quando a confusão se formou. O namorado de uma bela morena da mesa 6 veio tirar satisfação com Luca, que nitidamente jogava de olho na garota e não na bola 7, como manda o figurino. Os dois partiram para a briga, na qual se envolveram seus pares, o pessoal da mesa 5, que era também da turma do namorado, e o pessoal da mesa 3, que tinha bronca do tal namorado, ou da sua garota, ou de ambos. Formado o sururu, os jogadores da mesa 2 e alguns da 4 resolveram aderir à pancadaria, apesar dos esforços da turma do deixa-disso, que antes jogava tranquilamente na mesa 1.

G.C. não teve outra saída que a de ajudar seu amigo Luca. Como fiel escudeiro, participou da troca de tapas e de tacadas, enquanto se arriscava a ser atingido pelas garrafas e latas de cerveja que voavam por todo o salão. No auge da batalha, foi separado de Luca e arremessado com toda a força contra uma parede, caindo por trás da mesa 6, onde a bela morena procurava esconder-se. Completamente tonto e estirado em baixo da mesa, mal conseguiu perceber a chegada de alguns policiais, que ajudaram os garçons a conter os lutadores e levaram Luca e outros para a delegacia. Permaneceu deitado onde estava, sem forças para nada. Quando o salão já se havia esvaziado e fechado, um dos garçons o encontrou, ajudou-o a lavar-se e a recompor-se, retirando-o do recinto.

Depois do incidente, Luca nunca mais o procurou, desaparecendo de sua vida. A partir de então, para encurtar a história, foi uma sucessão de novos conhecidos com quem o convívio teve sempre o mesmo desfecho, com o pobre G.C. abandonado ao final. Já idoso, as últimas experiências, invariavelmente dolorosas, foram com uma bibliotecária e, a seguir, com um chapeleiro. A senhora levava G.C. quase todo santo dia à simpática Biblioteca Municipal, onde lhe agradava passar as horas, mas às vezes ela o tratava bem e outras, nem tanto. Chegou, finalmente, o dia em que o deixou plantado em uma esquina do centro da cidade, acusando-o de velho e inútil.

O chapeleiro, que o encontrou naquele mesmo dia, quase de noite, apiedou-se do estado decadente de G.C., cujas roupas se mostravam muito usadas e mesmo puídas, com pequenos orifícios que pareciam obra de traças. Providenciou-lhe melhor traje e procurou ajudá-lo a recuperar-se dos emperramentos típicos da idade. Com o passar do tempo, cansou-se, todavia, das continuadas mazelas de que padecia G.C. e veio a abandoná-lo da mesma forma como ocorrera antes.

Carente de amigos (amores, nem falar!) e já sem um teto próprio, restou a G.C. refugiar-se em um terreno baldio, onde amargou os últimos dias de sua existência. Sua derradeira esperança, segundo o amigo que me narrou a história, era de que alguém ainda viesse a ter a compaixão de colocar em seu túmulo o seguinte epitáfio : (que eu coloquei nos comentários)

JAX
Novembro 2011


F I M
(Não continua...)

terça-feira, dezembro 06, 2011

ETERNAMENTE ABANDONADO ii

PARTE 2 O MOTORISTA E A JUVENTUDE

O convívio com o motorista, que se chamava Marcos, durou bom tempo. Era um tipo de mais idade, simples, de bom coração, que contava casos interessantes, divertidos ou dramáticos, os quais serviam para amenizar o infortúnio do amante abandonado por sua amada. Nunca mais foi procurado por Laura, nem ouviu falar dela. A iniciativa de buscá-la e procurar reacomodar as coisas passava por sua cabeça com freqüência e intensidade que foram decrescendo até que renunciou de vez a fazê-lo. 

Para sua sorte, seu novo amigo morava em Bonsucesso, bem distante do bairro onde vivia Laura, o que diminuía, em certa medida, as recordações dolorosas. O tempo foi passando, mas, antes que G.C. pudesse pensar mais seriamente em namorar uma das filhas de Marcos, notou que o motorista deu para beber de modo freqüente. Não soube o porquê e viu, poucos meses depois, que a preocupação que lhe causava essa mudança no comportamento de Marcos tinha toda razão de ser. O amigo perdeu o emprego, ia cada vez mais aos bares e, finalmente, em uma noite melancólica, deixou-o à mesa sem nada dizer e retirou-se para sempre de sua vida.
 
A exemplo da primeira vez em que fora abandonado, outra amizade surgiu para G.C. imediatamente. Luís Carlos, jovem atlético e com um sorriso fácil, aproximou-se da mesa e levou-o consigo, apresentando-o a outros conhecidos e mostrando que era ainda melhor de papo do que o ex-motorista. G.C. gostou bastante do novo amigo, a quem logo passou a chamar de Luca, assim como notou que fazia o resto da turma.

Foi um período de grandes atividades, com toda certeza a fase mais divertida vivida pela autodenominada vítima de sofridos abandonos. Luca era assíduo freqüentador das praias de Ipanema e da Barra da Tijuca, dos bares da Lapa, do Leblon e de variados outros pontos cariocas, das festas de fim-de-semana e dos estádios do Maracanã e das Laranjeiras, onde não perdia jogo do seu querido Fluminense Futebol Clube. G.C. nem gostava muito de futebol, na verdade, mas achava legal o convívio com a torcida, suas alegrias e desventuras. Como dizia o Luca, era uma fauna fantástica, verdadeira aula de sociologia. Seu amigo preparava-se, por sinal, para fazer o vestibular e queria ser sociólogo. Suas intensas atividades sociais, que deixavam pouquíssimo tempo para o estudo, faziam G.C. temer, contudo, pelo sucesso do amigo nas provas.

Na companhia de Luca, G.C. conheceu muitas meninas, mas não chegou a envolver-se com qualquer uma delas. Talvez ainda sentisse algum apego subconsciente a Laura que o retraísse de tentar novo relacionamento. Talvez receasse, tão simplesmente, sofrer nova desilusão amorosa. Pode ser também que hesitasse em competir com o amigo Luca, que parecia gostar e ser senhor de todas aquelas meninas. O fato é que preferiu adotar uma atitude de “low profile”, expressão muito usada por um certo Vinicius, que fazia parte do grupo, gostava de recorrer a termos em inglês ou em francês e não cansava de lembrar seus planos de vir a seguir a carreira diplomática.

Continua...

quarta-feira, novembro 30, 2011

ETERNAMENTE ABANDONADO (Forever Alone?)

Esse texto não é meu. É uma crônica que meu pai escreveu e eu achei muito boa. Como é um pouco grande para caber em um post só (um pouco como o meu TRATADO SOBRE O MACHO, escrito ano passado), irei dividir em algumas partes. Não é por que meu pai escreveu não, mas eu recomendo. 

forever alone

PARTE 1: A MENINA

Um amigo contou-me a história de G.C., quem se queixava de haver sido sempre abandonado pelas pessoas com as quais conviveu mais de perto ao longo de sua triste existência. 

O primeiro caso de abandono ocorreu com Laura, menina de olhar e sorriso sedutores, na plena graça de seus doze anos, entre a infância e a adolescência, como era então comum nos anos sessenta (quando a própria cidade do Rio de Janeiro também parecia eternamente linda e adolescente, mas este último comentário já é nostalgia minha, não faz parte da história). 

G.C. ficou apaixonado por Laura, sonhava com seus olhos azuis, seus cabelos louros e ondulados e seu sorriso cativante. Queria estar todo o tempo com ela, na escola, no cinema, na praça e em qualquer outro lugar. Certa vez, foi surpreendido pela mãe da menina no quarto dela em mau momento : ele sentia que estava bem molhado e temeu que seu  estado de embriaguez amorosa fosse percebido e levasse ao fim do namoro.  Tal não ocorreu, porém, para sua felicidade, ainda que tristemente momentânea.

Tempos depois, ele acompanhava Laura no ônibus a caminho do cinema, quando o pior aconteceu. Em certo momento, a menina pareceu ter visto alguém na rua e saltou apressada, abandonando G.C. no banco sem mesmo se despedir. Viu-a abraçar e beijar um menino que nunca tinha visto antes. Tão aturdido ficou que se deixou permanecer o resto da viagem no lugar onde estava, com os pensamentos girando, sem nada mais ver, até o ponto final, quando o motorista do ônibus certamente percebeu seu estado de abandono, compadeceu-se dele e estendeu-lhe a mão da amizade.

Continua...

segunda-feira, novembro 28, 2011

MEMEs

Alguns amam, outros odeiam. Faço parte dos primeiros. Aos que não fazem nem idéia do que é um "MEME" eu definiria, hoje,  como "uma parte humorística da cultura virtual". Ok, a definição de facto não é essa, mas, pra mim, esse é o lado que sobressai. A palavra MEME é derivada de uma palavra grega que significa "algo que por algum meio é passado adiante entre as pessoas de uma uma cultura." Daí o HUMOR na INTERNET.

Na Internet, as MEMEs são imagens que repetem várias vezes um determinado conceito, acompanhadas ou não de um texto. De onde saem essas bobagens? Bom... Ninguém sabe ao certo mas um site chamado 4Chan certamente é um de seus grandes ninhos. Trata-se de um forum onde você pode, de forma anônima, colocar todo tipo de foto, texto etc. O site faz mal pro CÉLEBRO e eu parei de frequentar quando encontrei em suas entranhas peçonhentas a coisa mais repugnante, tosca e asquerosa que eu já vi até hoje.


Abro aspas: quem me conhece, sabe que, ao encontrar alguma coisa bizarra pelo mundo, eu passo adiante. Sou um compartilhador daquilo que não deve. Essa do 4Chan... Eu não divulgo, em nome do bem da humanidade. Pra vocês verem o nível de periculosidade envolvido. Fecho aspas.

A criação de um MEME está razoavelmente bem ilustrada neste diagrama.

criando um meme
Memes... Asian bitches love memes!

Exemplos de MEMEs famosos:

TROLLFACE: significa que alguém fez algo que não devia. Quando uma pessoa passa a perna na outra, por exemplo. Usado também para conceitos, quando uma premissa científica é contestada por outra, aparentemente plausível.

FOREVER ALONE: é a pessoa que vive isolada do mundo. Quando aparece chorando, a coisa é grave. Várias charges dizem respeito a esse tema e esse MEME é um dos mais populares.

PEDOBEAR: surgiu em um site japonês, originalmente sem nenhuma conotação sexual. Como MEME, é um ursinho fofo e pedófilo. "Hermione... Eu sabia que ela era gostosa antes de todo mundo!"

FOUL BACHELOR FROG: não me perguntem o porquê de ser um sapo. Mas é um MEME que descreve situações vividas por homens solteiros, geralmente relacionadas a pornografia, cozinha instantânea e preguiça de estudar.

É um humor tipicamente nerd e fortemente atrelado ao ócio virtual. Acabei ficando famoso por tornar público o meu apreço por essas besteiras e por rir de coisas que só eu entendo. 

Citando uma amiga: "Piada de Rafaelzinho: ninguém entende! Tem que ir no Google e na Wikipédia pra entender. E quando você entende, não acha graça." Pois eu, infelizmente, acho. =/
Ah, sim! Além do Google e da Wikipédia, o site 9Gag pode ajudar na parte prática da interpretação...

quinta-feira, novembro 17, 2011

Soluções simples

Eu sou pão duro econômico. Meu pai me ensinou algumas lições para a vida, do tipo "Não abra um novo pacote de Maizena antes de terminar o que já está aberto", "Não deixe restos de comida no prato, pois cada vez que você desperdiça comida, um nigeriano morre de fome e é devorado por abutres" e "Comece a espremer o tubo da pasta de dentes a partir do início do tubo e aperte até sair a última gota quando estiver acabando (na minha época, não era "creme dental", a coisa era de metal e Sorriso se chamava Kolynos)."  Aprendi tão bem, que hoje sigo à risca todos esses conselhos. E fico indignado quando a faxineira joga fora meu tubo de creme dental quando ele está nos finalmentes mas, com fé nos dedos, ainda dá pra uma semana. Passei a esconder para evitar o desperdício. 

Mas não é que alguém inventou um modo de piorar minha pãodurice economia dental? Foi em uma reunião de negócios de uma grande marca de cremes dentais cheios de flúor e recomendados pelos melhores dentistas (os mesmos que recomendam o concorrente). Os executivos da marca Beta debatiam sobre como atrair mais consumidores e aumentar as vendas, os lucros... Eis que, para animar os ânimos e turbinar o brainstorm, entra na sala Caramélia, a humilde servente de café. Ela ouve rapidamente a discussão e resolve dar pitaco.

- Por que vocês não aumentam o buraco pelo qual sai o creme?

Silêncio. Era lógico! O produto acabaria mais rápido e as pessoas comprariam mais!! Como não haviam pensado nisso antes? Assim foi feito. Deu certo. As vendas subiram e, hoje, Caramélia serve o café E a água.

Maldito café...

creme dental kolynos
(Notem que a marca Beta mencionada NÃO é a Sorriso ou a Kolynos. Só fizeram parte da história porque eu era fã da Kolynos)

Macho fuçado usa KOLYNOS!!!

quarta-feira, novembro 02, 2011

LIKE A BOSS

Merdas. Não há como negar, nem pra onde fugir. Elas acontecem. Com qualquer mortal, desde o descamisado da esquina à Rainha da Inglaterra. A coisa piora quando você está com sono.

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Aconteceu há uns dias, em que eu fiquei de bobeira na Internet até mais de meia-noite, fui dormir 1 da manhã e, no mesmo dia, eu teria que acordar cedo. Mais do que de costume ainda por cima, já que era dia de fazer a barba e a minha, no momento, está frondosa e precisa de cuidados especiais. Acordei com meu amigo despertador e desliguei com o botão snooze, aquela invenção demoníaca pra você mimir 10 minutos a mais. "Dois snoozes; vai... Depois eu me arrumo rápido." Ledo engano: Snooze #1, Snooze #2, pensei "hora de levantar", pensei "ah! Que se dane; já já eu pulo da cama". Sono profundo outra vez. Comecei a sonhar com o meu chefe e com trabalho dando errado. Acordei meia hora após o último snooze e entrei em "modo CORRERIA". Fiz tudo o que tinha que fazer. Café da manhã, banho, barba, dentes, roupa... E fui saindo. Nisso meu irmão tinha acordado e, na frente da porta, eu estava comentando com ele sobre aquelas vezes que você sai com o pressentimento de ter esquecido alguma coisa... O sono e a pressa contribuem maravilhosamente para isso. 

Modéstia à parte, eu estava elegante. Terno, gravata bem encaixada, camisa passada, perfume, cinto. Tudo combinando. Mas faltava algo. Verifiquei a cueca; ela estava ali. Minha pasta marrom horrorosa estava comigo e, dentro dela, o guarda chuvas e a papelada toda necessária para o trabalho. Chaves, celular e carteira nos bolsos e óculos escuros, para dirigir, na cabeça. 

Fui feliz pro trabalho. Entrei na sala, desejei bom dia a todos, sentei e fui me ajeitar na cadeira. Aí eu vi o que estava faltando. Minha elegância era do tornozelo pra cima. Com o terno, eu estava usando um esquisitíssimo tênis que, não raro, chamou a atenção por onde passou. Não dava pra dizer que era vanguarda. Tava cafona mesmo. Única solução no horizonte era assumir o erro. Leia-se: inventar uma desculpa convincente.

"Qualquer coisa, era minha unha. Minha unha estava quebrada e me impedia de usar sapatos." 

Chique de novo.

Proud-walking LIKE A BOSS!

tenis com terno

sexta-feira, outubro 28, 2011

Moohatsu

Já que o Dia das Bruxas se aproxima...

fantasma japones 

Desde que eu me entendo por gente, os fantasmas e demônios da mitologia japonesa me parecem perturbadores. São um pouco como os seres humanos, mas com alguma parte deformada. Há o fantasma da mulher sem rosto, a serpente com rosto feminino e a velha defunta saindo da lanterna queimada (na gravura; lenda de Oiwa) entre outros. 

o chamado
 
Você provavelmente já deve ter visto filmes de terror asiáticos. Na minha opinião, são os melhores. O treco que dá medo, geralmente dá muito medo. E geralmente, é peludo. Ostentam uma cabeleira de fazer inveja ao Marcelo Taz. Os fantasmas japoneses costumam ser cabeludos e, tanto nos filmes quanto nas lendas, parece haver uma ênfase nesse fato. Aí, hoje, eu me deparei com a notícia de uma chinesa cabeluda. Lembrei dos filmes de terror. 

mulher cabeluda

A reportagem diz que os cabelos começaram a ser cultivados quando o filho nasceu. Tou aqui imaginando essa mamãe indo dar o tradicional beijo de boa noite no filho, num quarto escuro, com o rosto coberto de fios negros. E, quando tiver algum pesadelo e for buscar refúgio no quarto dos pais,  encontrará, ali, o pesadelo cabeludo... 

Cara... Dá medo!

(Em tempo... "Moohatsu" é "cabelo" em japonês)

quinta-feira, outubro 20, 2011

Me segue que eu te sigo

Virou moda na Internet. Está em vigência a lei da reciprocidade. E aqui vai, de certa forma, meu manifesto. Não, eu não tenho ódio mortal dos adeptos da prática. Mas... Que enche o santíssimo saco; isso enche!

Explico: nos blogs, já me avisaram: "você tem que comentar e seguir meio mundo para ganhar seguidores". Acho justo; desde que não haja insistência para "seguir". Blog não é lá algo muito fácil de divulgar e, acredito, pouca gente se interessa a não ser que a pessoa também tenha um blog ou que o seu tratre de tema específico ou fale da sua vida. Ah! Mesmo que você seja um total desconhecido, vão querer saber se você brigou com namorado, se a gostosa do trabalho te deu mole e outras coisas teoricamente "privadas". O meu não tem muito disso; não fala da minha vida e certamente não tem tema específico (mas tem uns desenhos legais de vez em quando).

Agora... O comenta no meu - comento no teu way of life acaba de ganhar seu lugar no Olimpo com o Twitter. Pros 2% que lêem isso aqui e não sabem o que é twitter, usando "@ + nome" você "fala" com alguem. Usando "# + qualquer coisa" você entra numa discussão sobre o assunto, falando, assim, com uma penca de gente.

No início, havia o "#FF", chamado de Follow Friday. Sexta feira, você indicava alguém através do "Follow Friday". Exemplo: "O Twittingrafa é massa! Vou indicar pra todo mundo! #FF @Twittingrafa". Hoje... A coisa está realmente ASSUSTADORA!!! Eu entro na minha conta e tem um flood de mensagens com gente implorando pra ser seguida, repassando mensagens de desconhecidos que também querem ser seguidos e afirmando que "me segue e eu sigo de volta e ainda indico pros outros, pago 10000 reais e ainda faço sexo!!" Gente que quer apenas ter um número alto aparecendo no status, a troco de nada. Você vai seguir 5000 pessoas? Não vai. Dessas, você deve conhecer umas 50 e nem vai ver o que elas dizem. Do the fucking math. Das 1000 que te seguem, você também conhecerá umas 50 e os outros 950 não estão nem aí pra quem você é ou pro que você diz.

Eu não sigo por volume. Sigo APENAS se tiver motivos para tanto. Se você me seguir, ótimo, será bem vindo e estará livre do nome na macumba. Mas não se sinta ofendido se eu não seguir de volta. E a recíproca é verdadeira... Se alguém vier com indicações e apelos uma vez ou outra, eu não ligo. Acho até legal; já fiz isso umas vezes. Agora, infelizmente, já deixei de seguir muitos perfis que eu achava interessantes por causa dos floods mendigando seguidor e dos ReTweets desenfreados poluíndo minha página...

Favor dar RT se concordaram.

seguindo no twitter
#SEGUESEGUESEGUESEGUESEGUESEGUESEGUESEGUESEGUE

* Não quis entrar no mérito dos "bots" pra não prolongar o post.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Farfarouille Légumineuse Parabolique; 100,00 Euros

Aconteceu com o amigo do amigo do primo de sétimo grau do cunhado do meu tio, que me contou a história, verídica.

Tudo começou quando Gaudério (nome quase fictício - era parecido) resolveu ir à Paris com um grupo de amigos. Certa noite, foram a um restaurante contemporâneo na Rue Jean de Mortadèlle, cujos preços eram razoavelmente altos. Mas o local fora indicado pelo gerente do hotel, de modo que certamente iria satisfazer a todos.

Chegando ao local, tudo muito elegante e seriço impecável, o cardápio consistia em montes de palavras em francês e montes de números com um EURO atrás. O preço dos pratos não variava muito, de modo que a carteira tomaria uma facada em qualquer pedido. Mas havia um, a Farfarouille Légumineuse Parabolique... Um prato mais misterioso... Muito mais caro que os demais. Era coisa pra magnata; para o bico de poucos. Gaudério, curioso, ficou interessado. Chamou o garçom Joseph (agora sim, nome fictício):

- Joseph... Por que esse prato tem um preço tão diferente dos demais?
- Ah, monsieur Gaudère, esse prato é feito com um legume exótico importado da Índia. E vem acompanhado de uma carne de qualidade, feita à moda da casa. Por isso é tão caro.

Gaudério olhou o cardápio... E olhou... E olhou... E pensou:
 "Sabe de uma coisa? Estou aqui na França, turistão... Quero mais é aproveitar! Que se dane o preço!"
- Mon ami Joseph! Uma Farfarouille Légumineuse Parabolique por favor!!!
Anotado. Na mesa, todos estavam ansiosos para ver o que seria o pedido de Gaudério. O delicioso legume indiano. Com a suculenta carne francesa, perfeita harmonização moderna de duas cozinhas tão díspares... Aquilo sim era vanguarda!

Até que, com uma postura orgulhosa, Joseph aproxima-se da mesa. Leva na mão uma bela bandeja de prata com o tão esperado prato em seu interior. Cada vez mais próximo. Joseph dá uma pigarreada de uma elegância sem par e, na frente de todos, abre a bandeja, revelando seu preciosíssimo conteúdo.
- Voilà votre Farfarouille Légumineuse Parabolique, monsieur Gaudère.
Chuchu com carne moída.

garcom frances
Enquanto isso, na França
100 putos Euros por um chuchu com carne moída...

segunda-feira, setembro 19, 2011

Férias 4 (El Pombero)

Pronto. Agora sim, Assunção. Antes de chegar lá, não havia ouvido muita coisa boa sobre a cidade. Quente, feio, cheio de mosquito. Ledo engano. Tá... eu fui em julho; era inverno, escapei do calor... Mas daí a dizer que a cidade é ruim... Em Assunção, há restaurantes excelentes, para quem gosta de comer, como eu e locais para fazer compras. O centro da cidade é charmoso, com seus casarões antigos e suas ruas movimentadas. E as cidades da zona metropolitana têm sempre alguma atração a oferecer. Na cidade, visitei apenas um museu, o Museo del Barro, perto de onde eu estava hospedado (leia-se casa-de-papai),e recomendo. É bem interessante e maior do que parece. Lá estão expostas várias pinturas (não permanentes) e artesanato indígena paraguaio. É impressionante como os paraguaios dão valor à sua cultura indígena. No museu, há inúmeras representações dos seres lendários da "mitologia guaraní". Algumas um tanto pornográficas, como o Deus da fertilidade que tem o pênis enroscado em volta do tronco, chegando até a cabeça. E isso me leva a....

EL POMBERO!!!!!  

pombero no paraguai


Esse ser horroroso, com um pinto cabeludo apontando na sua direção, é certamente o pop star da mitologia paraguaia. Ele está por todos os lados, por vezes em imagens menos repulsivas do que essa. Mas eu não resisti em fotografar uma das mais assustadoras para o deleite dos leitores. 

O Pombero é o protetor das matas e animais selvagens locais. Não se dá muito bem com humanos. Se você desrespeitar a floresta com um Pombero por perto, será melhor começar a rezar, pois a fúria do ser pirocudo cairá sobre você! A razão pelo membro em destaque é para alertar as mulheres. Teoricamente, se uma mulher sai sozinha à noite e é encontrada pelo Pombero, há grandes chances dele estuprá-la. 

Muitos no Paraguai, especialmente quem mora no interior do país, têm certeza de que o Pombero existe. Porém, o ele não é visto como um ser maldoso. Apenas não gosta de muita interação com pessoas. E o povo respeita e dá muita importância a isso. Existe inclusive a possibilidade do Pombero tornar-se seu amigo e eterno protetor do seu lar! Na tentativa de conquistá-lo, os paraguaios deixam pinga e charutos sob as bananeiras, lugar onde ele gosta de descansar. Se os presentes sumirem, é porque o Pombero pegou. Dê mais presentes e ele ficará cada vez menos arisco e mais amigo da pessoa, momento em que passará a protegê-la!

Voltei fã do Pombero 

texto em guarani

Nada a ver com pombero. Só uma propaganda do Itaú em guarani. De bônus. =)



sábado, setembro 03, 2011

Durma mais culto depois dessa

Vi isto na Internet (em um site daqueles recomendados para quem não tem absolutamente nada pra fazer):

BANANA

banana em varias linguas

ITÁLIA

italia em varias linguas

...Aí resolvi fazer isso.

ALEMANHA
(muda bastante de nome)

alemanha em varias linguas

TURQUIA & PERU
(Já mencionados aqui.)

turquia e peru


quarta-feira, agosto 31, 2011

Férias 3

Foz do Iguaçu. Atravessamos a ponte e chegamos à uma cidade simpática na fronteira com o Paraguai. Minha mãe ficou encantada com o local. Tudo organizado, limpo, com aparência de "novo". Após alguns minutos vagando por lá, achamos nosso hotel. Já era noite, então foi só um jantar, no qual eu comi o provável melhor peixe da minha vida. Só não me lembro o nome; era algo em uma língua de índio da Amazônia.

Mas como todo turista que se preze, não fomos pra lá para comer peixe em hotel, mas sim pra ver cachoeira, passarinho, Itaipu e comprar coisas na volta. Primeiro foram as cachoeiras. Pra quem não conhece, a paisagem é espetacular. O longo caminho pelo mato, por vezes bem cansativo para um ser fora de forma como eu, proporciona uma bela vista das cataratas e, em alguns pontos, nos força a um banho obrigatório pelo volume de água. Pra quem realmente quiser sair limpinho, há um tal de "Macuco Safari". Você pega um carrinho e desce pela floresta com um guia. Há uma trilha e a grande atração: o passeio de bote. O bote em questão atravessa o rio e praticamente entra nas cataratas. Eu bebi meio Rio Iguaçu. Me molhei tanto, com uma água tão fria, que resolvi comprar uma bermuda, com medo da minha bunda pegar uma pneumonia. 

Ao lado das cataratas, está o Santuário dos Pássaros. Tipo um zoológico. Mas só tem passarinho. O diferencial aqui é que você entra no viveiro junto com eles. Pode arriscar brincar com o tucano que ele deixa. Eu fui ensaiar um approach mais íntimo mas ele olhou torto e eu recolhi minha mão. Pra quem gosta de bicho, vale a pena. Uma bela oportunidade de ter uma arara dando uma rasante na sua cabeça e um mutum fazendo suas necessidades no seu ombro. 

Dia seguinte, passamos em Itaipu, um pouco rápido pro meu gosto. Assim... Não vou me alongar demais aqui porque o interessante de lá é ver o "conjunto". E isso, é melhor ver ao vivo. As turbinas enormes, o canteiro de obras, todos os centros de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias... Está tudo ali. Dei sorte de pegar as comportas abertas regulando o fluxo de água. O guia disse que isso só ocorre em 10-20% dos dias do ano; na época das chuvas. Justamente a época em que NÃO estávamos.

De Itaipu para Ciudad del Este. Já disse aqui que sou consumista. Resolvemos parar por lá para comprar besteiras e esperar um tempo: havia rumores de que o "Movimento Campesino" (tipo um MST paraguaio) iria fazer uma manifestação na estrada. O trânsito em Ciudad del Este é infernal. Carro, moto, gente, bicicleta, barracas de venda... Tudo está amontoado num mesmo local, a saber, as ruas. Parece cena de mercado indiano, menos os elefantes e as vacas. Mas eu estava numa boa, porque era meu pai quem estava dirigindo. Ele não gostou muito da experiência. Muito trânsito, muita gente, muito barulho, muita loja e uma volta pra casa cheia de sacola. 

Piorou quando ele fez uma comparação de preços e constatou que TUDO em Assunção, cidade bem mais tranquila, tinha o mesmo preço. Às vezes era até mais barato...

double rainbow
 DOUBLE RAINBOW!!! DOUBLE RAINBOW ALL THE WAY!!!

quinta-feira, agosto 18, 2011

Semelhantes aparentemente parecidos.

Nada de muito novo pra postar por aqui.

Outro post de férias seria cansativo.

(...Mas o próximo falará disso)

(...já vou adiantando!!!)

Assim sendo...






amigo da onca

Vai me dizer que não parece???
...E o que você viu não pode ser desvisto;
sempre que comer uma(s) TOSTITA(s)
lembrará do AMIGO DA ONÇA!!



...Era o que eu tinha a dizer. Só isso mesmo.

terça-feira, agosto 02, 2011

Férias 2

Cheguei à Assunção meia noite, em um aeroporto minúsculo para os meus padrões, sob uma temperatura de 13 graus. Estava curioso para ver como era a cidade. Pelo que ouvi dizer, era feia, monótona e suja... Mas todo mundo adorava (vai entender). No caminho pra casa, vi árvores e mais árvores. A sede do COMENBOL, ruas desertas, umas casas aqui e ali, uma verdadeira invasão de bandeiras paraguaias (bicentenário e Copa América). Uma área mais comercial e 3 edifícios de uns 10 anadares. Home sweet home; era ali!

Acordei com um galo cantando, coisa que não me acontecia desde que eu estive em Anta (interior do Rio) , com uns 13 anos. Não seria naquele momento que eu conheceria Assunção. Mal o galo me acordou, eu já me preparava para uma viagem de 7h até Foz do Iguaçu com meus pais. Passamos pelas pequenas cidades da zona metropolitana da capital paraguaia, muitas com ruas de pedra (estilo paralelepípedo) e aspecto de cidade colonial. Chama a atenção a vista de casas e estabelecimentos comerciais um tanto modernos e luxuosos no meio de casebres e lojas caindo aos pedaços. E, em cada cruzamento, uma chipería, vendendo o tradicional prato paraguaio - uma espécie de bolo de milho salgado, com queijo e cebola. 

Após as cidades, chaco a perder de vista. Campos sem fim, alguns alagados, uma árvore aqui e ali, estrada 100% retilínea... Mais sonífero que isso, só 7h de filme de algum diretor obscuro albanês que gosta de "quebrar os paradigmas da arte", mas só quebra pra ele e pra mãe dele. 

Emoção mesmo, só em Ciudad del Este, na Ponte da Amizade. Ah... Que delícia... Uma hora entre ambulantes e caminhões convergindo para o mesmo local. Até que chegou a alfândega, onde aqueles traficantes debilóides cantaram "mais uma toneladaaa" e, cruzando a fronteira, Foz do Iguaçu. O caos ficara pra trás. E por hoje chega!

Texto em guarani
Tapeguahê porãite - Bienvenido a Paraguay!

quinta-feira, julho 28, 2011

Férias 1

Após AAAAAAAAAAAAAAAAAAAANOS de trabalho árduo (mentira) finalmente tirei férias. Quem mora em Brasília sabe; ficar demais naquela cidade, mesmo que você goste, causa danos irreversíveis à saúde. Assim sendo, resolvi passar uma semana no Rio e outra no Paraguai, esticando para Ciudad del Este (sou consumista sim-e daí?) e Foz do Iguaçu.

A saída de Brasília foi conturbada. Pra minha pessoa, um vôo às 9h20 da manhã, num "dia de barba" é uma coisa meio tensa. Sim, eu fiquei me embonecando/verificando mala tempo demais e, chegando ao aeroporto às 8h55, perdi o vôo. Isso porque acordei às 6h30 da manhã. Acordarei às 5h da próxima vez, em nome da tranquilidade. Mudei de aeroporto (de chegada) e aterrissei no Rio 2h após o previsto.

Rio de Janeiro é a Cidade Maravilhosa. Não vou dizer que adoraria morar lá; mas é a melhor cidade do mundo e isso não se discute. Tem Copacabana, boemia, névoa sobre o mar, vistas de tirar o fôlego, bairros emblemáticos, igrejas, palácios, Garota de Ipanema, Maracanã, antigo e moderno. Se você chegar pelo aeroporto do Galeão, a cidade lhe dará as boas vindas com um inesquecível cheiro de carniça. Vai por mim; até a carniça lá é melhor que alhures. Se você for pelo Santos Dummond, terá uma belíssima vista da cidade ao pousar praticamente no meio do mar.

Como sempre, meu propósito número um por ali era visitar a família. Porém, dessa vez, consegui dar uma de turista e, finalmente, conheci o belíssimo bairro da Lapa, com sua infinidade de bares, botecos e inferninhos da melhor qualidade (cortesia das minhas primas). Outro ponto turístico inesquecível foi o bonde do Pão de Açúcar, que dá uma vista linda da Zona Sul. No dia, a cidade estava coberta com uma névoa, que atrapalhou um pouco a visão e acinzentou minhas fotos. Na saída, no exato momento em que eu descia, uma névoa espessa, de cegar morcego, tomou conta do topo da pedra do Pão de Açúcar. Que subisse lá não veria mais nada. EPIC WIN (pra mim, é lógico).

Mais tarde, na ida para o Galeão (em cima da hora, como sempre), tomamos uma chuva. Cheguei a um aeroporto vazio, graças ao bom Deus padroeiro dos Atrasados. Rumo ao Paraguai.

pao de acucar encoberto
Mamãe já me disse que é feio rir da desgraça alheia, tirar foto e pôr no Blog, mas eu não resisti. Passagem para o Pão de Açúcar: R$ 53,00 por pessoa...

segunda-feira, julho 11, 2011

Fazendo gracinha no Japão - Parte 3

Um histórico pokerface foi o resultado desse evento. Sério... No meu primeiro café da manhã na casa onde eu fiquei, havia um pote parecido com um Nescafé. Porém com pequenas lascas de ouro dentro. Japoneses parecem gostar de comer ouro. Já havia tomado um saquê com ouro aqui em Brasília e, agora, na minha frente, estava o tal café com flocos dourados. Como estava fechado, eu não abri. Na casa, eles tomavam café de cafeteira, mas, como eu acordava mais cedo e saía logo para aproveitar a viagem, meu café era de microondas mesmo. No primeiro dia, vi um café na loja de conveniência em frente à casa. "Pô... Legal! Vendem café dourado aqui. Vou até levar um pro Brasil".

Já no dia seguinte, sem nenhuma cerimônia, perguntei se podia tomar o café dourado. Iriam responder que "não"? Não! Com a anuência dos anfitriões, abri o pote e rasguei o lacre. Compraria outro quando estivesse terminando.

O abençoado aqui consumiu 2/3 do pote e, quando estava pra voltar, foi até a loja de conveniência para substituir o café. Qual não foi minha surpresa quando constatei que o café da loja era um Nescafé genérico, sem nada precioso dentro. Na verdade, de parecido, eles tinham apenas o rótulo. Eu nem prestei atenção no conteúdo, mas pela embalagem, achei que era a mesma coisa. Devia estar escrito "Atenção: café SEM ouro"; mas eu não sei ler japonês. Isso não me preocupou muito, era só eu ir até a loja que vende e comprar outro, oras!

Voltando para a casa, perguntei qual era a origem do café valioso; pois eu queria comprar. A resposta foi algo assim:

- Eu não comprei isso não. Foi uma vez que eu viajei pra uma microcidade nos confins do Japão, que nem está nos mapas e que nem o Imperador nem o Jaspion sabem que existe. Lá, visitei um templo e, como eu fui o primeiro não-japonês a pisar ali, o monge do templo me deu isso de presente.

0_0

Então... Esse tempo todo eu estava tomando CAFÉ DOURADO DE MONGE RECLUSO FEITO COM ESMERO HÁ GERAÇÕES... Como cafezinho-da-manhã??

Minha resposta óbvia: 

-Ah... ... ... (até que estava bom)

poker face meme
 Não tinha outra cara...

sexta-feira, julho 08, 2011

Eu sou um porco

Vou confessar uma coisa aqui: eu não uso fio dental. Nem a roupa íntima e nem o fio dental dental mesmo. Em tempo: na Europa, já vi, infelizmente, a cena dos infernos de um homem com sua família (não era gay, eu imagino) numa praia. Sua esposa tirou a parte de cima do biquini para fazer um tradicional topless (comum por lá; até velha faz) e, enquanto eu, adolescente de 12 anos observava de longe os seios femininos, eis que o maridão se mete na frente e baixa a sunga, exibindo um fio dental preto, tapando o pipi, mas ideal para bronzear a bundinha. Cara... Isso era vanguarda demais para os meus olhos... Mas Borat ficaria orgulhoso!

Voltando ao meu fio dental dental, eu não uso simplesmente porque não consigo usar. Boca de abertura pequena, dentes extremamente colados uns nos outros... Eu nem peço hamburguer grande justamente por isso: não consigo comer! Se o hamburger não vai, imagine mãos cheias de dedos manipulando um fiapo Colgate.

usando o fio dental
Faz dodói...

Minha mãe implica com isso. Principalmente quando no dia seguinte eu tenho dentista (e hoje eu tenho). Logo, sessão de fio dental à noite. Primeiro, eu acho que eu nem sei enrolar o dito fio no dedo. Ele fica roxo e a sensação é de que ele vai ser cortado em dois e cair. Segundo, eu não devo saber como manipular dedo e fio lá dentro, porque faço uma força hercúlea pro bicho entrar entre certos dentes, principalmente os de trás. O resultado é evidente. O fio parte em três. Um fica do dedo esquero, outro no direito e um terceiro fio bobo fica ali, alojado entre os dentes.

gangrena nos dedos
 Dizem que seu dedo pode apodrecer com isso! Não tente fazer em casa.

Pânico. Terei de usar um outro fio dental pra tirar o fio dental. Nada. O fio dental está bloqueando a entrada do outro fio. Tento uma pinça, sem sucesso (me imaginem com uma pinça na boca; é muito tosco para desenhar). Estou falando sério. Após várias tentativas frustradas, uma boca arregaçada com hematomas nas extremidades- me deixando com aparência de vítima de herpes- eu enfim tirei o fio d'entre os dentes. Deve ter tomado bem uns 10 minutos da minha vida.

Murphy dental adoraria ver isso.

Dentistas, sejam compreensivos. Eu NÃO fui feito pra fio dental.

segunda-feira, junho 27, 2011

O exame legal

Há alguns posts, falei sobre o exame de sangue e o pão de queijo. Agora, vou voltar à temática clínica. Recentemente, fiz dois exames que envolviam inserção de câmeras no meu corpo, por entradas obviamente permitidas (no caso contrário, tais exames jamais estariam expostos aqui). O primeiro, já começando pelo nome é, no mínimo desagradável. Preparem-se caso algum dia o médico lhes peça uma nasofibrolaringoscopia! Envolve o "Naso", o "Fibro (?)", o "Laringo" e a "Copia"; esta última já trazendo consigo a idéia da câmera. Então, lá estava eu sentado na cadeira quando noto o médico enrolando algodão em algo parecido com uma agulha de tricô e molhando em um líquido. Duas agulhas, que foram parar no meu nariz, depositando o algodão lá dentro. Eu nunca imaginei que um nariz fosse tão profundo. Quando ele retirou o algodão, eu já estava com o dito-cujo e a garganta anestesiados. Tudo foi devidamente filmado, eu vi minha garganta, septo e redondezas. Talvez a couve que eu almocei presa lá no fundo. Mas após o exame... Não só a garganta parecia inchada como se estivesse duplicada de tamanho como também o nariz estava com defeito. Senti algo líquido aproximando-se da boca e... Era óbvio! O narigão estava anestesiado e lá estava eu com uma incontinência nasal que iria durar mais umas 2 horas. Em seguida, fiquei espirrando xilocaína a noite toda. 

Umas semanas depois, fui fazer uma endoscopia. Câmera no estômago!! Tal como o anterior, eu nunca havia feito. Mil perguntas ao médico para me inteirar sobre o procedimento. "A gente espirra um pouco de xilocaína na sua garganta e te injeta um remédio no braço pra você ficar tranquilo"(lá vem a xilocaína na garganta de novo! Com algum relaxante muscular). O remédio tranquilizador não me tranquilizava em nada. Vai que ardia? Eu odeio quando me injetam coisa que arde. No dia do exame, eu fui lá e tive a xilocaína aplicada na garganta. Depois foi o remédio tranquilizador. Ardeu um pouco e eu fiz cara feia. A enfermeira disse que iria aplicar devagar e não ia mais doer. Eu olhei aquela seringa no meu braço e moça foi pegar sei lá o quê na bancada ao lado. Depois, o médico mandou eu ir para um quarto ao lado relaxar. "Esperar o remédio fazer efeito" - pensei. E como havia acordado muito cedo, eu deitei na cadeira-de-dentista-confortável e dormi. Volta e meia acordava com o meu ronco. O remédio já estava fazendo efeito. Aí me chamaram. Eu levantei e vi minha tia e o médico entregando a ela o laudo.

Ah não... Peraí... O exame foi feito entre a visão da seringa enfiada no meu braço e a caminhada até a sala?  E eu nem vi o caboclo me filmando? E ninguém me avisou desse vácuo na minha existência? Fiquei um tanto decepcionado; queria ver o filme do médico!!

Esse exame, porém, não tem uma sequência tão horrível quanto a do anterior. Saí do consultório acordado, andando sozinho, conversando normalmente com a minha tia. Mas não me lembro de muita coisa. Só de o médico falando sobre "retorno após a biópsia", eu e minha tia levando um material para um laboratório qualquer, eu errando o valor de algum cheque que eu passei pra alguém, eu me pesando em alguma balança e vendo algum peso que esqueceria minutos depois e eu caindo na cama em casa pra acordar após umas duas horas de sono tranquilo. O que eu estava fazendo ali mesmo? Ainda não sabia ao certo o que havia acontecido, mas sabia que tinha sido bom...

COWABUNGA!!!  
DRÔGAS LÍCITAS RULEZ!!!!

sexta-feira, junho 24, 2011

Photoshop nosso de cada dia 2

Meses se passaram e o Photoshop CS5 me pedia o SERIAL FUCKING NUMBER todos os fucking dias. Parte minha já havia desistido e a outra parte estava com preguiça de dar continuidade ao processo de recuperação do número junto à ADOBE.

1. A Frustração.
Eram 20h quando a minha mãe me ligou toda contente do Paraguai, com sua suposta boa notícia. "Adivinha o que eu achei??" Respondi na hora algo do tipo... "ME DÁ O NÚMERO!!! por favor. Te amo mamãe!" E ela me passou uns números. Primeiro um tal de PIN NUMBER, que me deixou apreensivo. Era tão pequeno e descomplicado... Depois ela começou a me dar números maiores, segundo ela, também escritos na caixa. Fui instalar o programa, todo confiante. Nenhum número servia. O maior nem chegava na metade do tal número de série. Sinceramente. Acho que naquele exato momento, eu desisti e sorri amarelo pro bom e velho Paintbrush. Se você analisar, ele faz o mesmo que qualquer Photoshop, apenas tendo como requisitos extras a paciência do bom Jó e o tempo prolongado do Matusalém. E liguei pra minha mãe, explicando a situação. "Ah! Eram três caixas. A primeira eu joguei fora. A segunda, eu vi uns números e guardei. A última, era uma caixa grande de DVD. Joguei fora também." "É, mãe... Era justamente ESSA caixa em que estava o DVD  a  que eu precisava."

2. O Milagre
Já eram mais de 22h. Eu devia estar falando com alguém no MSN ou jogando alguma coisa pra diminuir as tensões. E novamente a minha mãe ligou. "Raphael! Você nem vai acreditar. Eu coloquei a caixa do seu DVD no monte de lixo, mas seu pai pegou pra guardar um CD de fotos que ele tinha ganhado e que estava naquelas embalagens de papel. Ele achou um monte de coisa do Photoshop aqui e o CD dele estava no meio. Realmente, tem um número aqui dentro!" "É uma série de seis blocos com quatro números???" Era. Tinha em minhas mãos a senha do poder. Finalmente poderia instalar o programa. 

Com Wacom Tablet e tudo.

...Mas os desenhos aqui continuarão com a qualidade resto de feira de sempre.
sanduiche do subway
Offtopic: Alguns Subways já me serviram os queijos nessa configuração. Aposto que leram aqui. De nada pela informação, viu???

segunda-feira, junho 20, 2011

Elas nunca notam.

É verdade, mulheres. Não adianta reclamar. Nós não notamos quando vocês cortam o cabelo. Pensem comigo. Homem não tem uma percepção lá muito apurada; isso é fato. Muitos esquecem aniversários, datas, comemorações. Esse ano, por exemplo, se a namorada não avisa, eu ia esquecer o dia dos namorados. Coração e bombom pra todo lado na cidade, e eu não percebi. Assim... eu SABIA que havia um dia dos namorados, que compraria um presente, que iria comemorar. Mas, no dia 4 de junho, a data me parecia tão distante... E ainda querem que nós percebamos um novo corte de cabelo... Isso é uma dificuldade hercúlea, e as chances de que isso aconteça, quando vocês cortaram cinco dedos pra baixo, são próximas da nulidade quântica dividida por zero (não sei o que é isso mas achei que causava impacto). Só notamos algo quando é extremo. Cabelo grande para um "chanel", daí para um "joãozinho", seguindo para um estilo "monge cambojano". Aí notamos. Variações no "joãozinho" em questão também são fáceis de notar.

Porém... Milagres acontecem e, por vezes, nós notamos!! Não sei se é porque elas dão alguns indícios, talvez com esse intuito como, por exemplo, nos avisar "hoje vou ao cabeleireiro" ou, bem menos evidente, "vou ao salão". Não sei se acontece com todos mas pra mim, a consequência de um salão nada mais é do que unha bonita. Eu sei que em salão não faz só unha, mas na minha cabeça faz. Meu raciocínio é esse. E uma amiga minha foi ao salão. Eu sabia dissso. Ela apareceu com o cabelo bastante perfumado. Já comecei a tirar certas conclusões. Por um tempo, analisei o cabelo dela. E estava diferente! Pronto! Eu havia notado! Acontecimento raríssimo na existência masculina, e eu não poderia perder a oportunidade de fazer um comentário sobre o fato. Porém, no momento em que minha análise capilar terminou, o assunto não tinha nada a ver com cabelo. Reparar "do nada" seria estranhíssimo. Vamos ilustrar a situação:

Ela: Que impressionante essa chuva lá no Rio, né? Todo ano desaba alguma coisa, morre gente. Eu ia pra lá nas férias mas desisti.
Eu: Fez bem. As tempestades de granizo de Brasília são mais seguras. Só meu carro que costuma não gostar.
Ela: Ih... Uma vez, caiu uma árvore do lado do meu carro aqui. Na cabeça do flanelinha que ficou torto até hoje. 
Eu: Seu cabelo está diferente... Fez alguma coisa com ele?

Não dá pra ficar reparando assim; de repente. Eu tinha que esperar o meu momentum. E aí, o que não devia acontecer, aconteceu. Murphy, padroeiro dos trolls e dos fails da vida baixou no recinto. E, bem quando eu ia reparar, ela reparou por mim. "Ah... E no salão hoje eu mandei o meu designer capilar gay picar tudo. Ele quase teve um treco. Mas é sempre bom variar".  COMO ASSIM, ABENÇOADA???? EU!!! EU!!! EU!!! é quem tinha que comentar sobre isso. 0_0 Finalmente quando eu percebo, noto a diferença, acho bonito, vocês não percebem, vão e frustram minha vitória. Mulheres, vocês não colaboram!

MÁS... vocês NOTARAM o título? A-HA!!! ELAS nunca notam. Toda essa história é pra falar de vocês. Pois bem... Descendente de português (peludo), eu tenho uma barba que deixa minha cara cinza e, no segundo dia, estoura balão. Assim sendo, eu assumo e costumo deixá-la crescer, mudando apenas seu formato. Algumas raras vezes, eu viro piratão, cultivando-a por meses. Depois raspo. Algumas mulheres notam. Mas foi uma mudança drástica, como de um cabelo longo para um "joãozinho". Em 80% das vezes, minha barba é mais curta e, em média, eu passo uma máquina a cada duas semanas. Após a máquina, NUNCA notaram. Cadê a percepção de vocês no meu caso? =(

com barba ou sem barba
 À esquerda, eu sem barba.

quinta-feira, junho 16, 2011

Vilões.

Ha uns tempos, escrevi aqui um post sobre videogames. Um tanto impopular, eu admito. Foi meu atestado de NERD aqui no Blog. Pros que não leram (foi muito longo), em uma parte falo de AZEL, um dos meus jogos favoritos. E foi Azel que serviu de gatilho para este post. Fiquem calmos; eu não vou falar de videogames. Tudo começou quando eu resolvi ver o filme de introdução do já mencionado jogo no YouTube. Tudo ia muito bem até que me aparece o vilão da história. E me aparece RINDO!

 
Gargalhada sinistra aos 6:15.

Sempre me indaguei... Porque é que vilão ri? Em desenhos animados, videogames e filmes (geralmente os menos sérios - vá lá) lá está o "cara do mal" dando uma risada sinistra enquanto faz suas maldades. Já vi isso na novela das seis também. Vão me dizer que é porque ele sente prazer em suas maldades. Então, se eu for uma alma caridosa, darei gargalhadas de bondade e simpatia cada vez que ajudar ao próximo? Seria a óbvia contrapartida. A menos que eu seja humilde demais para expressar minha alegria. Mas na minha bondade, acredito que seria melhor rir e demonstrar minha satisfação; espalhando a alegria por aí. 

Quando trago isso pra realidade, acho que a coisa piora. Será que os grandes vilões da história gargalhavam com suas atrocidades? Vlad Dracul, pelo que eu li, tinha o costume de empalar seus desafetos e os inimigos derrotados em guerras em lanças que ficavam espetadas no jardim do palácio. Ele gostava de tomar café em meio aos condenados agonizantes. Eu nunca fui empalado, mas juro que é uma morte horrível. É atroz e grotesca o suficiente para provocar crises de riso que provavelmente causariam morte por asfixia a qualquer vilão. Mas eu não vejo Vlad Dracul engasgando sua rosquinha com chá ao ver a cena. Também não vejo homens bomba gargalhando ao explodir ou governantes com aspirações bélicas morrendo de rir ao anunciar sua primeira bomba atômica. 

Temos aqui uma crise de credibilidade. Empalar desafetos não tem a mínima graça.

vilao dando gargalhada
Hoje é sexta; dia de Happy Hour. Vou explodir o bar da esquina.




MUAHAHAHAHAHHAHAHA

sexta-feira, junho 03, 2011

Sob a honra da Katana

Dizem que eu sou um tanto excêntrico. Em parte, é verdade. Sempre peço a comida no cardápio que ninguém, nem o garçom, sabe explicar ao certo o que é. Reclamam que eu só ouço umas músicas estranhas que ninguém mais conhece. Tem um rap polonês em algum CD gravado por mim, que às vezes toca no meu carro. Tenho uma camisa criativa do Astro Boy e uma outra com dragões bordados, um tanto incomuns no Brasil, mas bastante usada entre asiáticos (compradas em um shopping de alguma Chinatown). 

Mas eis que, vez por outra, algum espanado me supera. Assim, no último domingo, ao entrar no metrô, vi um caboclo saindo do vagão de trás com uma KATANA nas costas.

Katana e tanque de guerra

Breve explicação pra quem não conhece: "katana" é um tipo de espada japonesa, afiada, aerodinâmica e fácil de manejar. Com essas características, ela é rápida e cortante e se o sujeito não for esperto o suficiente, ele nem verá o que decepou seu braço...

Voltando ao que interessa, lá estava o sujeito desfilando com a perigosa arma ali, balançando atrás, como uma mochila inofensiva. Mais excêntrico que eu. Ou um metódico serial killer. Saindo do metrô, fui verificar se o vagão atrás estava dentro da normalidade. Nada de vísceras espalhadas ou sangue escorrendo pelos vidros. Graças a Deus.

Mas isso também me fez lembrar de um episódio curioso da minha vida. Há muito tempo, uma amiga minha tinha um blog absurdamente popular. Um verdadeiro diário contendo TODA a vida dela exposta. Assim, ela comentou após ver o filme "O Último Samurai". Eu quase sempre respondia a ela, e deixei lá minha contribuição inocente. Primeiro, estabelecendo um paralelo entre o filme do samurai e Dança com os Lobos. Nos dois, um americano se apaixona e se entrega a uma cultura diferente, que passa a defender sem se importar com as consequências, renegando todo o seu passado. OBVIAMENTE, eu gostei mais do samurai que do lobo. Mas finalizei o comentário dizendo que gostei mais ainda de Kill Bill, com "Aço Japonês cortando todo mundo". 

Dia seguinte, eis que recebo um LONGO e-mail de um outro frequentador assíduo do Blog da minha amiga (não citarei nomes pois podem vir usar uma katana no meu pescoço. E eu não gosto de ter minha cabeça cortada). No e-mail eu era basicamente acusado de "Insultar a obra prima que era o Ultimo Samurai, com uma comparação infeliz e sem sentido, bem como demostrar total ignorância da cultura japonesa, desonrando o Bushido - código de honra dos samurais ao considerar Kill Bill um filme melhor do que o já citado." Demorou a cair a ficha. Eu não acreditei naquilo. Será que por tamanha desonra eu deveria cometer seppuku e me matar com os intestinos pra fora? Eu resolvi colocar lenha na fogueira e respondi ao samurai de araque me justificando. E ele me mandou um e-mail ainda mais fanático, dessa vez com insultos à minha pessoa!! Aí, resolvi zoar. Mandei um outro e-mail; dessa vez sim, MASSACRANDO tudo que eu sabia sobre a cultura japonesa, inventando fatos e distorcendo outros. Achei que ele iria até a minha casa tomar satisfação, provavelmente armado (e olha que ele morava em outro país). Mas não ocorreu. Ele nem respondeu, na verdade. Talvez tenha ficado cego com as minhas afrontas. Talvez tenha se suicidado... Nunca mais ouvi falar daquele peculiar cidadão...

Mas de repente, ele estava no metrô. No vagão atrás do meu...

segunda-feira, maio 30, 2011

Exame de Sangue

Introdução: nada a ver com exame de sangue. Só pra dizer que eu odeio ficar sem assunto e começar a escrever, apenas para fazer volume, sobre videogame velho e homens assoando o nariz. Mas também odeio quando três temas legais aparecem de uma vez só como foi o caso nesse fim de semana. Por que eu odeio isso? Simples!! Eu acho esses temas tão legais queacredito ser impossível esquecê-los. Nem anoto nem nada. Mas sempre esqueço de algum. Dos três, lembro-me apenas de dois. Ou seja: dois temas e mais videogame. Vocês estão avisados!
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O EXAME DE SANGUE

Acho que nunca ouvi um espanado chegar e dizer: NUÓOOOOOOOOOOSSA!! Amanhã é dia de fazer exame de sangue!!! Isso é melhor que qualquer feriado!!!! =D Não deve existir um acontecimento assim entre a normalidade humana. Trata-se de uma agulha pontiaguda metálica ENTRANDO em você. Sugando seu líquido vermelho da vida. Não é nada bom. Tenho uma amiga, inclusive, que tem verdadeiro pavor de agulhas. Ainda acho o caso dela mais normal. Outra coisa que incomoda, talvez mais que a agulha é o coro de crianças chorando. Sábado agora, enquanto aguardava, sem a mínima ansiedade, que me chamassem, eu ouvia um garoto berrando. Gritava tanto que eu cheguei a indagar se ele estava de fato tendo seu sangue sendo examinado ou se estava sendo castrado a sangue frio, como fazem com cabritos e leitões. Isso me lembrou do meu primeiro exame de sangue... Não! eu não fui castrado. 

Obviamente eu fiz outros exames antes desse. Mas acho que sempre tem um que marca, né? Este marcou. Foi meu primeiro exame, por assim dizer, inesquecível. Na época (e até hoje), minha mãe me dizia: "olha pro outro lado, pra não ver." ???????? Tá brincando?? Se você (mamãe) tem nervoso com sangue, o problema é de vossa senhoria!! Até parece que eu vou deixar um ilustre desconhecido me furar com uma agulha sem monitorar o procedimento! E, já fiz o teste, não olhar incomoda do mesmo jeito. Dessa vez, fiz bem em olhar. 
A enfermeira não deve ter visto o que estava fazendo, talvez por conta de uma verrugona no nariz, mas fato é que, ao tirar a agulha, foi sangue pra todo lado. E eu fiquei lá, observando o espetáculo vermelho com cara de "WTF??" Pois é... Com 3 ou 4 anos, eu estranhamente não entrei em pânico.

exame de sangue e hemorragia
Foto tirada por papai, que estava orgulhoso com a calma do FILHÃO

Naquela época, havia um detalhe que eu adorava nos exames de sangue (ao menos no pós-exame). Meus pais sempre me diziam: "olha, Raphael... Se você não chorar, ganha um presente." E eu descobri que, mesmo chorando, eu ganhava. Ou seja, exame de sangue, fazendo birra ou não, era sinônimo de carrinho novo na minha coleção! E, em contrapartida, havia outro detalhe que eu odiava. Era a frase "Não dói nada. É como uma picadinha de mosquito." Peraí pai, peraí mãe! Eu conheço mosquito e já cansei de ser picado por eles. A única coisa que me incomoda é o zumbido que me tira do divino sono. Por acaso a agulha vai zumbir no meu ouvido? A não ser que o mosquito que pique vocês seja um espécime maior, perigosíssimo, sedento de sangue, vindo dos infernos, eu acho que a comparação não tem o menor fundamento.

mosquito infernal
 Ferrão com serras para doer mais (serviço completo)

Hoje em dia, eu não ganho mais carrinho e, até onde eu saiba, eu também não choro. Mas a gente tem que encontrar um lado bom nas coisas. Assim, exame de sangue virou a segunda melhor forma que eu encontrei, a primeira sendo visitar a titia, para conseguir pães de queijo grátis. E olha que eu abuso e como até me fartar. Mandei me deixarem em jejum de 8-12h e ainda me tirarem 5 litros de sangue? Não. Foi coisa do médico. Então, sob a desculpa de ser minerim e, portanto, ter NECESSIDADE de pão de queijo, eu me abasteço até ficar saciado. Geralmente demora.

pao de queijo 
Exame de sangue omnomnomnom

segunda-feira, maio 23, 2011

Momento Nerd

Falta de assunto? Falta de assunto! É, mozamigos, não estou afim de escrever nada político, nada Bolsonaro, nada escatológico, nada de piadas pouco óbvias... Poucos vão ler isso, a Clarissa vai reprovar, e, quem ler, provavelmente não dará a mínima, se perguntando o que ráios tem a ver com isso.

Fato é que eu joguei muito videogame na vida. Minha linha do tempo de nerd se resumiria em: 1990-1992: Master System; 1992-1996: Mega Drive; 1996-2011: computador + emulador de Master System/Megadrive/Super Famicom; 2011: Play Station 3. Linha essa menos intensa de 1995 aos dias de hoje, quando comecei a ter uma vida social mais relevante.

Mas posso dizer que tenho uma certa cultura de 8 e 16 bit...

Isso+Falta de assunto grave = TOP 10 PESSOAL:
Os melhores jogos da era 8 e 16 Bit

10- PUYO PUYO 2 (Mega Drive)
Jogo de "coisa que cai do teto, acumula no chão e você tem que destruir", no estilo Tetris. Diferencial: aqui você joga conyra o computador. Bolhas molengas e coloridas caem do teto e você tem que combinar as cores para destruí-las. Quanto mais você destruir, mais bolhas transparentes e indesejáveis são jogadas no campo adversário (e vice-versa). As bolhas explodem jogando gotas pra todo lado, e uma menininha "narra" o jogo com uma voz incompreensível. Razão pelo jogo estar aqui: o modo 2-players! Um dos melhores jogos para jogar com um amigo. E terminar a amizade com bolhas transparentes.

9- Wonder Boy 3 (Master System)
Jogo de aventura da série. Longo e difícil. Tem gráficos excelentes, um som memorável e vários locais para explorar, com muita tentativa-e-erro. Você se transforma em vários animais (um rato, uma águia, um leão...), cada um com uma especialidade. Muitos consideram o melhor jogo do Master System. Com justiça. Por ser difícil, ter vários itens escondidos e passagens secretas, é um jogo um tanto viciante e inovador para a época. Merece um lugar no TOP 10.

8- Gunstar Heroes (Megadrive)
Um jogo de plataforma de ação. Ênfase na AÇÃO. Se eu definir como "tiro na tela toda", eu não vou estar exagerando. Dá pra jogar num modo 2-players, resultando em mais tiros e explosões. Os gráficos são exuberantes, cheios de detalhes e cores. Mas infelizmente, nunca haverá muito tempo para admirar isso...

7- Actraiser (Super Famicom)
A mistura de ação com estratégia resultou aqui num jogo criativo no qual você joga ora com um cupido, ora como o mestre desse cupido, que, por acaso, é algum Deus que deve livrar o mundo do mal. O cupido em questão é usado nas fases nas quais você tem que reconstruir as cidades e cuidar de seus habitantes, enquanto seres demoníacos tentam te impedir. Controles precisos, criatividade e músicas impressionantes são o destaque aqui.

6- Strider (Mega Drive)
Aqui fiquei em dúvida entre Shinobi e Strider. Escolhi Strider, por ser aquele jogo em que você não pode ficar parado. Nosso personagem, que tenta salvar um país do Leste Europeu invadido por alienígenas, pode subir nas paredes com a ajuda de uma foice e destruir os adversários com uma belíssima espada de plasma. O jogo tem um dos momentos mais emblemáticos da história dos videogames, em que o Strider luta em ambientes sem gravidade, inclusive em órbita em volta de um robô esférico.

5- Shining Force II (Mega Drive)
Foi uma sequência que deu certo. O primeiro jogo da série foi um sucesso de crítica. O segundo teve tudo (absolutamente TUDO) melhorado. Uma aventura gigantesca, combinando batalhas estratégicas com períodos de exploração (estes mais discretos no primeiro jogo). Quando acaba, você fica triste. Único defeito: a bruxa velha que esquece seu "Game Data". Geralmente no final do jogo. Bug que te obriga a começar do zero.

4- Landstalker (Mega Drive)
Quebra cabeças inesquecíveis. E alguns bem complicados. Você lia algo e uma lápide e tinha que desobrir que, o "minuto de silêncio" para o morto significava que você devia ficar um minuto parado para a porta se abrir. E esse era dos mais fáceis; fiquei semanas para decifrar algumas outras lápides. Porém, Landstalker ia bem além de lápides e enigmas. Havia tantos itens para descobrir, alguns dos quais eu nunca descobri para quê serviam e um mundo tão vasto para explorar que era difícil largar o jogo...

3- Final Fantasy VI (Super Famicom)
Minha primeira impressão ao ver o jogo: "é uma obra de arte!" Só fui jogar anos após o lançamento, mas as minhas impressões foram confirmadas. FFVI era, de fato, uma obra de arte, o diamante lapidado dos videogames. Visual inacreditável para a época, história complexa, baseada nos personagens, músicas inesquecíveis (renderam um CD). Fez todos os jogos lançados até então parecerem sucata!
final fantasy VI floresta 
A Floresta Fantasma, área mais bonita do jogo.

final fantasy VI Last boss
A memorável batalha final.

2- Azel (Sega Saturn)
 Êpa! Um 32-bit intruso? Sim. Azel foi o jogo que mais me impressionou até hoje. Lançado no fim da vida do Saturn, por sua tiragem limitada e discreta, Azel é um jogo bastante raro (hoje uma cópia vale por volta de US$ 200). Provavelmente, ninguém deve ter ovido falar. Trata-se de um RPG totalmente diferente de tudo que se havia visto até então. Você explorava um mundo gigantesco nas costas de um dragão. As batalhas eram frenéticas, parte tempo real, parte em turnos e com muita (MUITA!!!) estratégia envolvida. Só isso já valia o jogo. Mas... A história, cheia de reviravoltas e passagens inesperadas, era impressionante. O som? Confesso que estava muito baixo e não pude ouvir muito. Mas muitos dizem ser a MELHOR trilha sonora já feita para um videogame. E, a julgar pela qualidade de todo o resto, eu não duvido. Enfim, o  dettalhe mais marcante  de Azel: o cenário. Único até hoje. Nada de RPGzinho medieval ou futurista. O ambiente aqui é... SURREALISTA. Paisagens desoladas e melancólicas de um mundo destruído sabe-se lá por quê, razoavelmente minimalistas, mas com detalhes sinistros o bastante para dar a sensação dramática que permeia o jogo todo. Juro que o Dragão o levará a lugares que nem em sonho você poderia imaginar. Onde fui jogar isso? Num Stand da Sega no Epcot Center, num segundo dia no parque, após ter já ter conhecido todo o resto... 
PS: Peço desculpas aos fãs de Final Fantasy (e outros RPGs), mas, se Final Fantasy VI acabou com os RPGs que o antecederam, Azel também o fez. E provavelmente continua fazendo com os sucessores...
Azel Panzer Dragon RPG
 AZEL

O Dragão em pleno combate!

Azel in the stone
A bela Azel, encontrada em uma excavação.

1- Phantasy Star II (Mega Drive)
Pra quem me conhece, é o óbvio primeiro lugar. Trata-se do primeiro RPG que joguei (e gostei) na vida. E tambem o jogo que eu mais joguei até hoje. Em 1989 quando foi lançado, foi aplaudido pela crítica, por sua história dramática e inovadora; que seria extremamente simples para o dia de hoje. Já soube de jogadores que choraram na primeira vez que jogaram esse treco. Tinha detalhes que só seriam igualados anos depois como inimigos variados e animados e a possibilidade de escolher quem vai acompanhar o personagem principal, dentre possíveis membros extremamente específicos (vai pegar o biólogo pra lutar com robôs, pra ver a dor de cabeça...). Para os jogadores OLD SCHOOL, somente...
Phantasy star II title screen
Explicar a tela de título seria um spoiler.

Phantasy star II last boss
Sempre achei o último chefe um tanto perturbador, com o sistema solar nas entranhas...
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