quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Tarzan de primeira viagem

Ah, a natureza... O contato com o verde... Não dá pra negar que é algo que nos traz um sentimento de harmonia. A prática do arvorismo deve ser o apogeu desse contato. É você, ali, na copa das árvores. Eu não contive o riso quando anunciaram "Arvorismo" em um shopping center de Brasília. O arvorismo urbano consiste em colocar um treco que se assemelha a um parque infantil desses de pracinhas públicas e escolas em um espaço fechado, só que para adultos. E com umas folhas de plástico ao redor para aumentar o realismo. É como se você estivesse perdido na Serra do Cachimbo, mas com o Mc Donald's a leste e a Lacoste a oeste. 

Aí... Minha namorada disse: "Ah... Sabe o que eu tenho vontade de fazer? Tirolesa" Pra quem não sabe, trata-se de um bungee jump horizontal. Você se joga no vazio, percorrendo a distância de um ponto "A" a um ponto "B" preso por polias e roldanas a um (esperamos que) resistente cabo de aço. Poucos dias depois, viajamos para uma cidade do interior onde eu procurei logo saber sobre a possibilidade de praticar esse esporte. Coincidentemente, havia uma trilha de arvorismo com uma tirolesa no final na fazenda onde estávamos indo!

Em uma viagem anterior, com amigos, já havia feito arvorismo, num percurso que, como esse da fazenda, terminava com uma tirolesa...

MINHA PRIMEIRA AVENTURA NAS ÁRVORES

Primeiro, foi a tirolesa. Enchi o santíssimo saco do meu benevolente amigo para fazermos a tal tirolesa; uma braba, para os iniciados, em que o ponto "A" estava numa MONTANHA e o ponto "B" na outra. Entre as duas, uma distância a perder de vista e um vale provavelmente habitado por ogros comedores de turistas caídos ao som de It's raining men, hallellujah!. Meu amigo pegou a longa estrada de terra até a tal tirolesa e, chegando lá, eu olhei pro NADA, o NADA olhou pra mim, e a conclusão óbvia foi "NEM PHVD3NDO!!" O pessoal da tirolesa nos falou então de um percurso de arvorismo lá perto, onde havia uma tirolesa menos assustadora no final. "Vamos fazer arvorismo, então!" - sugeri. Eu nem queria mesmo fazer arvorismo. Mas tava a viagem toda enchendo a paciência por uma tirolesa; era questão de honra! Nunca que eu iria deslizar entre duas montanhas feito Bondinho do Pão de Açúcar mas, um percurso mais "amigo", porque não? 

Após mais estrada de terra, após horas sem comer, após a água ter acabado, após os corpos estarem desidratados, após uma trilha que parecia não ter fim... Chegamos ao percurso de arvorismo. O grupo anterior desceu e, entre eles, uma menininha de uns 5 anos de idade pedia MAIS =D. Ah! Agora era questão de honra MESMO. Iniciei o percurso. Tenho um pouco de vertigem, mas achei que não fosse atrapalhar. Atrapalhou. Comecei a subir uma escada que parecia não ter fim. É a primeira vez - pensei; normal sentir medo. A cada degrau eu xingava e rezava alternadamente. Até que cheguei lá no alto, com o estômago embrulhado. Não, eu não estava bem... Não sabia se era a altura ou o estômago vazio... Mas eu não via a hora de chegar à tirolesa e acabar com aquilo. Uma vez no percurso, não há volta. E na minha cabeça, a menininha pedia MAIS. Que ódio! Fiz todo o percurso e no final estava ainda com o estômago embrulhado, mas com uma sensação de satisfação e dever cumprodo. Ainda que distante. 

Fast Forward na linha do tempo e chegamos à....

MINHA SEGUNDA AVENTURA NAS ÁRVORES

Ok... Da primeira vez, você ficou apavorado e se sentiu mal pra uma mini-recompensa no final das contas. Pra quê  repetir a experiência, cara-pálida?? Não sei.

Caros arvoristas de shopping, eis como a coisa acontece na vida real: 
arvorismo perigoso



Você fica pendurado nos cabos de aço com umas cordas que, se colocadas de forma estranha na sua bermuda, podem reagir quimica fisicamente com essa, de forma a esmagar impiedosamente seus fundilhos. Não aconteceu comigo, mas eu já vislumbrei a possibilidade e pode machucar!

Você vai querer  levar a maquina fotográfica e, por segurança, teráde atá-la ao capacete. Ela, de vez em quando, irá acertar a sua cara - talvez tire fotos inesperadas.

Na floresta, o tempo geralmente é quente e você sua, atraindo para seu redor toda sorte de insetos. Fora da proteção do shopping, você tem que se virar com mosquitos entrando em sua boca, marimbondos, abelhas, vespas e outros insetos cretinos querendo injetar seu ferrão em você. Sem contar nos gorilas raivosos que cospem ou atiram excremento em sua direção tão logo você adentre o território deles.
 
gorila atirando excremento

Quando fiz meu Arvorismo 2, a Missão, eu não comecei subindo uma escada. Nem estava de barriga vazia. Pelo contrário. Tinha acabado de almoçar e estava exausto após uma trilha subida a passos largos. Calçava um tênis robusto; quase uma bota, feito para trilhas. O problema é que ele não era muito adequado pro arvorismo e eu tive sérios problemas para encaixar meus pés, que estavam com o volume dos do Gigante Guerreiro Daileon, nas argolas suspensas a 8000 metros de altura. Minha falta de equilíbrio contribuía. Eu via minha namorada logo à frente, se saindo bem melhor que eu, se equilibrando com desenvoltura por entre toras de madeira e cabos de aço. Mais uma vez, eu estava de estômago embrulhado, ansiando pelo fim. 

Terminou. Garota de 5 anos da vez, minha namorada pedia MAIS. Eu dava graças a Deus e queria seguir a trilha para as cachoeiras. 

Prefiro admirar as árvores de maneira mais humilde - de baixo pra cima. É uma realidade que eu devo aceitar.

2 comentários:

Deo a Terrível disse...

Caso você ainda queira ser Tarzan, e já que você não se deu bem com as árvores e 'cipós', pense que a Jane você já tem. Só falta a amizade de uma macaca e dar uma treinada no grito. É isso, você pode ser Tarzan no grito!

=P

BesooOOOOOOOOOOoooos!

Dom Rafa disse...

Tarzan no grito? Acho que não. hahahaha. Eu gosto de florestas, mas ja ne convenci de que só na parte de baixo. Ah! Lá no Canadá eu fiz um percurso na copa das árvores (frio de lascar) mas eram pontes e passarelas de madeira. Bem tranquilo.

Beijos!

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