quarta-feira, março 30, 2011

Constrangimento.

Todo mundo já passou por situações constrangedoras. Algumas em que você tem vontade de se enterrar. Outras você simplesmente esquece no momento seguinte. Uma delas, eu tenho certeza de que já aconteceu com você. Já aconteceu comigo. Ocorre quando a bússola de duas pessoas falha e elas se encontram de forma embaraçosa. As duas estão andando na mesma linha e, a menos de serem etéreas, irão colidir. Como ninguém quer colidir, cada indivíduo vai pro seu lado. Mas... às vezes, é o MESMO lado!! A sensação não podia ser pior. Alguém foi pro lado errado. E, corrijam-me se eu estiver equivocado, a não ser que sejamos um poço de auto confiança, nós, os descoordenados, fomos pro lado errado e somos os grandes culpados pelo momento. Acontece mais ou menos assim:

encontro entre duas pessoas
Sim. Há um cenário pior. Ínfame. Grotesco! Vocês desviam novamente para o mesmo lado, praticamente se beijando. Um terceiro desses, seria praticamente sexo explícito. 

Vislumbrei, contudo, uma solução pelo diálogo. Mas, pensando bem, pode ser pior que o encontro involuntário...

quinta-feira, março 17, 2011

Nós estamos livres?

Há alguns dias no Twitter: "Sem idéia pra novos posts. Solução: postar musica cafona napolitana ou falar de Japão. Nenhuma das opções me atrai muito." A música cafona teve um voto; o Japão está saturado. Vou saturar mais; mesmo que o William Bonner, que decidiu mudar a língua portuguesa falando TCHERNÓBIL (será que ele também falam Tôquiô, Parrí e Monrêal?), já tenha dito tudo a respeito.
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Meu primeiro acidente nuclear:

Césio 137 em Goiânia. Eu fiquei traumatizado. Sério mesmo. Não entendia que diabo era "radioatividade", então, pra mim, qualquer coisa mais estranha podia ser radioativa, desde a água estranhamente barrenta jorrando na minha piscina a uma pedra brilhante que eu encontrei no jardim. Fiquei paranóico. Pra piorar, Goiânia era perto de Brasília. Eu queria que Goiânia sumisse do mapa; era uma cidade maldita, razão de toda a minha angústia. Um ano depois, ainda estava apavorado e não queria de jeito nenhum que meus pais fossem a Goiânia. Eles mentiram pra mim, dizendo que iam só até Luziânia. Ou eu entraria em pânico. 
Maior medo na época: guerra nuclear. Era mil novecentos e guerra fria. Em 1991 com o fim da União Soviética eu sosseguei. Ainda bem que eu só soube de Chernobyl muitos anos depois.

2011, Japão.

Primeiro foi um terremoto de 7,2. Coisa à toa; eles estão acostumados com isso. Depois um de 8,9. Aí a coisa já fica mais feia. Tsunami, lembrando Sumatra há alguns anos: isso deu medo! Muito medo. Coisa demais é perdida, os escombros dos terremotos são arrastados e, vale lembrar, é fim de inverno por aquelas bandas. A mistura água + lama não é exatamente quentinha. 

O cenário não tinha como ficar pior. Ou tinha? Os reatores nucleares de Fukushima resolveram esquentar e pegar fogo. Material radioativo fazendo o Césio de Goiânia parecer glitter de festinha foi liberado no ar. E agora? Eu posso estar enganado... Mas vou aqui fazer uma separação de acidentes. De um lado, temos os naturais:

terremotoTerremotos: muita coisa é destruída; muita gente morre... Construções gigantescas, como viadutos e pontes viram pó! A terra abre em nossa frente (relato de uma tia que vivia no Chile e estava lá no terremoto de Santiago). Li que na África há uma fenda tão grande que pode dar à Etiópia uma saída para o mar!!!


tsunami Tsunamis: não me são muito familiares. Nunca ouvi muito a respeito e conheço mais como "maremotos", que destroem a costa. Só a costa! Tipo... Até o calçadão de Copacabana. Nunca havia visto o mar invadindo cidades inteiras de forma tão rápida. As imagens são as mais impressionantes possíveis.


explosao vulcanicaVulcões: eles assam que estiver em seu caminho. Destróem tudo e cobrem cidades de poeira. Pompéia teve sua população transformada em estátuas. A parte da ilha de Krakatoa afundou, após uma explosão que foi ouvida na Austrália e jogou cinzas sunficientes bara abaixar a temperatura da terra em 2 graus.

(há outros, como tufões, mas fiquei com preguiça de desenhar)

Agora, vamos ao outro acidente que está acontecendo no Japão: o vazamento radioativo. É o pior deles. E é produzido pelo homem! Já pararam pra pensar nisso? Não sou nenhum radical anti-energia-atômica e entendo que o Japão precisa de uma alta geração de energia, de certa forma "limpa", mas... Precisavamconstruir 65 usinas nucleares num lugar tão instável? Além do mais, o país é cheio de montanhas e tem um extenso litoral. Podiam encher o Monte Fuji de hélices e aproveitar os ventos. Bem mais seguro. Desculpem a expressão mas radioatividade é uma coisa extremamente filha da puta. Você não enxerga ela. Pior: ela se espalha no ar e vem até você com a chuva, contaminando TUDO!

radiacao invisivel
chuva radioativa
À direita, exemplar óbvio de chuva radioativa

 Fico pensando nas crianças japonesas que, como eu, não sabem o que é radioatividade, esse inimigo invisível que contaminou os escombros do norte do país...

acidente em fukushima pray for japan
  "Pray for Japan" Créditos da imagem: Cellar-fcp

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...E Angra?

Pois é... Como já disse, não sou um radical anti-energia-atômica. Mas acho meio sem sentido fazer um complexo desses entre Rio e São Paulo, as duas maiores aglomerações de um país cheio de rios, logo com um potencial hidrelétrico enorme! Se em Angra dos Reis dificilmente teremos um terremoto de 8,9 seguido de um tsunami, já tivemos deslizamentos catastróficos na região. Todo ano, a chuva ceifa suas vidas no Brasil. Esse ano, Teresópolis foi a grande vítima; a cidade foi praticamente enterrada. Com as alterações climáticas e toda essa imprevisibilidade do clima, não dá mais pra dizer que um determinado local seja realmente seguro.

usina nuclear de angra
Usina de Angra. É até bonita, me lembra o Hagia Sophia

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EPÍLOGO


Outro país que fica em uma região extremamente instável é o IRÃ...


presidente iraniano
Assustado, Ahmadinejad?

quinta-feira, março 03, 2011

Um curioso ser pantanoso

A evolução tomou caminhos estranhos. Um pequeno animal africano, cujo nome eu não vou lembrar (lembrei: HYRAX), é - quem diria - "parente" próximo do elefante. Os peixes resolveram sair da água e viraram lagartos. Os lagartos, insatisfeitos, resolveram desenvolver penas e voar. Para alguns animais, porém, esse caminho revelou-se na verdade um beco sem saída... 

Com vocês: o Saltador-do-Lodo.
Em inglês, Mudskipper;
Em francês, Poisson Grenouille;
Em islandês, Eðjustökkull;
E em russo, para a Deo, Илистые прыгуны.

Já apresentei aqui animais estranhos como o aye-aye, o macho-fuçado e, mais recentemente, o fugu e os gorilas arremessadores de excremento. O saltador-do-lodo não fica para trás no quesito esquisitice e, como não podia deixar de ser, é habitante de dois países exportadores de animais estranhos: Madagascar (aye-aye) e Japão (Caranguejo Gigante e Godzilla). Com um currículo impressionante, ele virou assunto para esse post. Trata-se de um peixe de aparência peculiar, com cor de lama e pintas azuis vibrantes pelo corpo. 

saltador do lodo
Saltador-do-Lodo, muito prazer.

saltador do lodo distribuicao geografica
Distribuição geográfica aproximada. Em vermelho. Leste da África, Índico e Pacífico até o Reino de Tonga (Sim, existe esse país)

Vamos começar pelo nome: saltador-do-lodo. Ele salta no lodo. Grandes merdas - você vai me dizer. O peixe voador também salta (e aposto como o faz melhor) e o salmão nada contra a correnteza! Pois bem, caro leitor... Lembra quando eu falei sobre peixes virando lagartos? E becos sem saída na evolução? Não falei isso à toa! Nosso amigo saltador é um peixe/anfíbio. Isso mesmo! Ele rasteja pelos mangues e respira oxigênio pela boca. E ainda assim, é um peixe!

peixe que gosta de oxigenio
 Problema, Pequena Sereia?

Esses peixes vivem em mangues e áreas pantanosas na região vermelha do mapa. Passam a maior parte do tempo em uma toca úmida, cavada na lama. São exímios escavadores. A técnica por eles elaborada consiste em engolir um pouco de lama, enchendo as bochechas feito um hamster. A lama fica mais consistente adquirindo uma aparência análoga às fezes de um coelho. Em volta da entrada da toca, o peixe dá cusparadas de bolotas lamacentas dignas de um John Wayne cuspindo tabaco mascado em um saloon. O processo é repetido até a toca ficar pronta e rodeada das ditas bolotas. A maré e a chuva costumam causar estragos em suas moradas, mas, não faz mal: o saltador-do-lodo é um trabalhador imune à fadiga e adaptado à rotina.

Saem no momento do recuo da maré para comer "bichinhos da lama" invisíveis aos nossos olhos. Agora, e essa história de SALTAR? Pois bem... No acasalamento, os machos têm que aparecer. Então, eles se reúnem no mangue numa competição de "quem pula mais alto" enquanto as fêmeas observam. É um grande esforço; as fêmeas costumam ser bem seletivas. Aos machos que não se identificam com esse ritual alegre e saltitante, resta demonstrar a força bruta. E é aí que vem a parte mais interessante! Foi praticamente a razão pela qual eu escrevi esse post todo.

SENHORAS E SENHORES

...Esse peixe ROSNA!! Quando estão brigando, eles abrem uma boca enorme, cheia de dentes tímidos, mas talvez afiados, e ficam mordendo um ao outro e rosnando. Ódio pouco é bobagem. Também fazem questão de abrir suas imponentes barbatanas. Mas o mais impressionante é o som oco e grave que sai das goelas do animal. Já viram outro peixe que respira, passeia pelos pântanos, pula e rosna? Pois é... Ele ainda tem uma ventosa na barriga. Dá pra pregar na janela do carro. Uma verdadeira pérola da mãe natureza.Obrigado, Darwin!

peixe que rosna
BADASS!!!!!
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