segunda-feira, abril 18, 2011

Dia do Índio.

Fiquei sabendo que amanhã, dia 19, será o Dia do Índio. Eram eles que povoavam nossa terra antes de os portugueses chegarem e ensinarem o Roda Roda Vira pra eles. Eles viraram e tomaram umas facadas. Em razão disso, hoje em dia são poucos. Sempre ouvi dizer que índio era legal, que vivia em harmonia com a natureza. Na verdade, eu sou mais adepto da teoria mais atual de que índio era uma praga. Pensem comigo: a maioria das tribos eram nômades. A agricultura era precária, então, eles tiravam de seus arredores tudo que podiam e partiam pra outra. Interação bem pouco harmônica a meu ver. E eu duvido que eles tivessem muita consciência ambiental do tipo: "vamos preservar a arara-azul..." Se fosse gostosa, a arara iria pro bucho.

Dizem por aí que índio não dá sorte.  Minha mãe não deixava eu comprar nenhum artesanato indígena, especialmente arco e flecha para fazer tiro ao alvo com os meus irmãos - os alvos. Minha antiga "secretária do lar" (odeio essa expressão) morre de medo de índio, porque, segundo ela, eles fazem pajelança. Leia-se quizumba indígena que traz encosto, problema e desgraça. Mas nada disso me convencia de que índio era agourento, de sorte que, quando criança, meus irmãos e eu fazíamos um tal de "treinamento para virar índio". Agora, sinceramente, além de andar com pés descalços na grama lá de casa, eu já não lembro de mais nenhum ritual que fizesse parte desse treino. E... Não viramos índio. Algo deve ter dado muito errado. =(

Minha simpatia pelos índios tem uma explicação. O primeiro noivo da minha avó foi papado por eles, com beiju e inhame cozido. Foi uma delícia, apesar de o homem branco ter uma carne meio murrinhenta. Logo, eu sou muito grato aos indígenas porque, indiretamente, eles permitiram que eu nascesse. Dizer "eu nasci por que comeram um aspirante a avô de outrem" é para poucos.

Uma das coisas que eu mais senti saudade conforme fui crescendo foi do Dia do Índio na escola. Gostava de fazer umas pinturas sem nenhum nexo nuns trapos que serviriam de tanga para irmos à aula (eu gostava mais de pintar que usar). Mas isso não era o mais importante. Dia de Índio, minha gente, era o meu Dia Pessoal de Forrar o Bucho com Mandioca. Aguardava ansiosamente que a Tia Guiomar aparecesse com aquela travessa cheia de mandioca cozida na manteiga. Eu sabia escolher as melhores. Eu conhecia as mais salgadinhas e pastosas. Conforme fui crescendo, meu Dia da Mandioca ia se tornando cada vez mais um Dia do Índio propriamente dito. Não tinha mais tanga pra pintar. Tínhamos aula de história e redação sobre o tema. E a turma era maior. O que significava menos mandioca pra mim. Lembro que uma vez, não sobrou nenhuma mandioca!! Fiquei sem comer!!! Depressão por uma semana.

O Dia do Índio foi ficando cada mais desinteressante. Ao menos gastronomicamente falando. Vejo a mandioca como O alimento típico do Brasil; consumida de leste a oeste; norte a sul. Além de termos o Dia do Índio seria interessante termos um Dia Nacional da Onipresente Mandioca Maravilha. Feriado de 1 semana para degustar a iguaria.

...E, já vou avisando, piadas do tipo: "E pepino? Você também é chegado num pepino?" eu ouvia quando tinha 14 anos e já achava imbecil, um nível abaixo das piadas do Sérgio Mallandro e do Zorra Total.

2 comentários:

Deo a Terrível disse...

Que dizer...
Tem um bocado de índio aqui pelas minhas bandas... Xanxerê, do Kaingang Campina da Cascavel... Seja lá o que isso signifique, né... rsrs
Feliz dia do índio!
=P

Besos!

Dom Rafa disse...

...Agora já é feliz Pascoa...
Mas, vai ver, antes da urbanização xanxerense (é isso mesmo??) o local era uma campina grande... Com uma inacreditável concentração de cascavel por m². Quando eu era criança, nos arredores da minha casa havia muitas cobras coral... Mas o nome do bairro não tinha nada a ver com isso.

Beijos, Deo!

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