segunda-feira, maio 30, 2011

Exame de Sangue

Introdução: nada a ver com exame de sangue. Só pra dizer que eu odeio ficar sem assunto e começar a escrever, apenas para fazer volume, sobre videogame velho e homens assoando o nariz. Mas também odeio quando três temas legais aparecem de uma vez só como foi o caso nesse fim de semana. Por que eu odeio isso? Simples!! Eu acho esses temas tão legais queacredito ser impossível esquecê-los. Nem anoto nem nada. Mas sempre esqueço de algum. Dos três, lembro-me apenas de dois. Ou seja: dois temas e mais videogame. Vocês estão avisados!
---------------------------------------
O EXAME DE SANGUE

Acho que nunca ouvi um espanado chegar e dizer: NUÓOOOOOOOOOOSSA!! Amanhã é dia de fazer exame de sangue!!! Isso é melhor que qualquer feriado!!!! =D Não deve existir um acontecimento assim entre a normalidade humana. Trata-se de uma agulha pontiaguda metálica ENTRANDO em você. Sugando seu líquido vermelho da vida. Não é nada bom. Tenho uma amiga, inclusive, que tem verdadeiro pavor de agulhas. Ainda acho o caso dela mais normal. Outra coisa que incomoda, talvez mais que a agulha é o coro de crianças chorando. Sábado agora, enquanto aguardava, sem a mínima ansiedade, que me chamassem, eu ouvia um garoto berrando. Gritava tanto que eu cheguei a indagar se ele estava de fato tendo seu sangue sendo examinado ou se estava sendo castrado a sangue frio, como fazem com cabritos e leitões. Isso me lembrou do meu primeiro exame de sangue... Não! eu não fui castrado. 

Obviamente eu fiz outros exames antes desse. Mas acho que sempre tem um que marca, né? Este marcou. Foi meu primeiro exame, por assim dizer, inesquecível. Na época (e até hoje), minha mãe me dizia: "olha pro outro lado, pra não ver." ???????? Tá brincando?? Se você (mamãe) tem nervoso com sangue, o problema é de vossa senhoria!! Até parece que eu vou deixar um ilustre desconhecido me furar com uma agulha sem monitorar o procedimento! E, já fiz o teste, não olhar incomoda do mesmo jeito. Dessa vez, fiz bem em olhar. 
A enfermeira não deve ter visto o que estava fazendo, talvez por conta de uma verrugona no nariz, mas fato é que, ao tirar a agulha, foi sangue pra todo lado. E eu fiquei lá, observando o espetáculo vermelho com cara de "WTF??" Pois é... Com 3 ou 4 anos, eu estranhamente não entrei em pânico.

exame de sangue e hemorragia
Foto tirada por papai, que estava orgulhoso com a calma do FILHÃO

Naquela época, havia um detalhe que eu adorava nos exames de sangue (ao menos no pós-exame). Meus pais sempre me diziam: "olha, Raphael... Se você não chorar, ganha um presente." E eu descobri que, mesmo chorando, eu ganhava. Ou seja, exame de sangue, fazendo birra ou não, era sinônimo de carrinho novo na minha coleção! E, em contrapartida, havia outro detalhe que eu odiava. Era a frase "Não dói nada. É como uma picadinha de mosquito." Peraí pai, peraí mãe! Eu conheço mosquito e já cansei de ser picado por eles. A única coisa que me incomoda é o zumbido que me tira do divino sono. Por acaso a agulha vai zumbir no meu ouvido? A não ser que o mosquito que pique vocês seja um espécime maior, perigosíssimo, sedento de sangue, vindo dos infernos, eu acho que a comparação não tem o menor fundamento.

mosquito infernal
 Ferrão com serras para doer mais (serviço completo)

Hoje em dia, eu não ganho mais carrinho e, até onde eu saiba, eu também não choro. Mas a gente tem que encontrar um lado bom nas coisas. Assim, exame de sangue virou a segunda melhor forma que eu encontrei, a primeira sendo visitar a titia, para conseguir pães de queijo grátis. E olha que eu abuso e como até me fartar. Mandei me deixarem em jejum de 8-12h e ainda me tirarem 5 litros de sangue? Não. Foi coisa do médico. Então, sob a desculpa de ser minerim e, portanto, ter NECESSIDADE de pão de queijo, eu me abasteço até ficar saciado. Geralmente demora.

pao de queijo 
Exame de sangue omnomnomnom

segunda-feira, maio 23, 2011

Momento Nerd

Falta de assunto? Falta de assunto! É, mozamigos, não estou afim de escrever nada político, nada Bolsonaro, nada escatológico, nada de piadas pouco óbvias... Poucos vão ler isso, a Clarissa vai reprovar, e, quem ler, provavelmente não dará a mínima, se perguntando o que ráios tem a ver com isso.

Fato é que eu joguei muito videogame na vida. Minha linha do tempo de nerd se resumiria em: 1990-1992: Master System; 1992-1996: Mega Drive; 1996-2011: computador + emulador de Master System/Megadrive/Super Famicom; 2011: Play Station 3. Linha essa menos intensa de 1995 aos dias de hoje, quando comecei a ter uma vida social mais relevante.

Mas posso dizer que tenho uma certa cultura de 8 e 16 bit...

Isso+Falta de assunto grave = TOP 10 PESSOAL:
Os melhores jogos da era 8 e 16 Bit

10- PUYO PUYO 2 (Mega Drive)
Jogo de "coisa que cai do teto, acumula no chão e você tem que destruir", no estilo Tetris. Diferencial: aqui você joga conyra o computador. Bolhas molengas e coloridas caem do teto e você tem que combinar as cores para destruí-las. Quanto mais você destruir, mais bolhas transparentes e indesejáveis são jogadas no campo adversário (e vice-versa). As bolhas explodem jogando gotas pra todo lado, e uma menininha "narra" o jogo com uma voz incompreensível. Razão pelo jogo estar aqui: o modo 2-players! Um dos melhores jogos para jogar com um amigo. E terminar a amizade com bolhas transparentes.

9- Wonder Boy 3 (Master System)
Jogo de aventura da série. Longo e difícil. Tem gráficos excelentes, um som memorável e vários locais para explorar, com muita tentativa-e-erro. Você se transforma em vários animais (um rato, uma águia, um leão...), cada um com uma especialidade. Muitos consideram o melhor jogo do Master System. Com justiça. Por ser difícil, ter vários itens escondidos e passagens secretas, é um jogo um tanto viciante e inovador para a época. Merece um lugar no TOP 10.

8- Gunstar Heroes (Megadrive)
Um jogo de plataforma de ação. Ênfase na AÇÃO. Se eu definir como "tiro na tela toda", eu não vou estar exagerando. Dá pra jogar num modo 2-players, resultando em mais tiros e explosões. Os gráficos são exuberantes, cheios de detalhes e cores. Mas infelizmente, nunca haverá muito tempo para admirar isso...

7- Actraiser (Super Famicom)
A mistura de ação com estratégia resultou aqui num jogo criativo no qual você joga ora com um cupido, ora como o mestre desse cupido, que, por acaso, é algum Deus que deve livrar o mundo do mal. O cupido em questão é usado nas fases nas quais você tem que reconstruir as cidades e cuidar de seus habitantes, enquanto seres demoníacos tentam te impedir. Controles precisos, criatividade e músicas impressionantes são o destaque aqui.

6- Strider (Mega Drive)
Aqui fiquei em dúvida entre Shinobi e Strider. Escolhi Strider, por ser aquele jogo em que você não pode ficar parado. Nosso personagem, que tenta salvar um país do Leste Europeu invadido por alienígenas, pode subir nas paredes com a ajuda de uma foice e destruir os adversários com uma belíssima espada de plasma. O jogo tem um dos momentos mais emblemáticos da história dos videogames, em que o Strider luta em ambientes sem gravidade, inclusive em órbita em volta de um robô esférico.

5- Shining Force II (Mega Drive)
Foi uma sequência que deu certo. O primeiro jogo da série foi um sucesso de crítica. O segundo teve tudo (absolutamente TUDO) melhorado. Uma aventura gigantesca, combinando batalhas estratégicas com períodos de exploração (estes mais discretos no primeiro jogo). Quando acaba, você fica triste. Único defeito: a bruxa velha que esquece seu "Game Data". Geralmente no final do jogo. Bug que te obriga a começar do zero.

4- Landstalker (Mega Drive)
Quebra cabeças inesquecíveis. E alguns bem complicados. Você lia algo e uma lápide e tinha que desobrir que, o "minuto de silêncio" para o morto significava que você devia ficar um minuto parado para a porta se abrir. E esse era dos mais fáceis; fiquei semanas para decifrar algumas outras lápides. Porém, Landstalker ia bem além de lápides e enigmas. Havia tantos itens para descobrir, alguns dos quais eu nunca descobri para quê serviam e um mundo tão vasto para explorar que era difícil largar o jogo...

3- Final Fantasy VI (Super Famicom)
Minha primeira impressão ao ver o jogo: "é uma obra de arte!" Só fui jogar anos após o lançamento, mas as minhas impressões foram confirmadas. FFVI era, de fato, uma obra de arte, o diamante lapidado dos videogames. Visual inacreditável para a época, história complexa, baseada nos personagens, músicas inesquecíveis (renderam um CD). Fez todos os jogos lançados até então parecerem sucata!
final fantasy VI floresta 
A Floresta Fantasma, área mais bonita do jogo.

final fantasy VI Last boss
A memorável batalha final.

2- Azel (Sega Saturn)
 Êpa! Um 32-bit intruso? Sim. Azel foi o jogo que mais me impressionou até hoje. Lançado no fim da vida do Saturn, por sua tiragem limitada e discreta, Azel é um jogo bastante raro (hoje uma cópia vale por volta de US$ 200). Provavelmente, ninguém deve ter ovido falar. Trata-se de um RPG totalmente diferente de tudo que se havia visto até então. Você explorava um mundo gigantesco nas costas de um dragão. As batalhas eram frenéticas, parte tempo real, parte em turnos e com muita (MUITA!!!) estratégia envolvida. Só isso já valia o jogo. Mas... A história, cheia de reviravoltas e passagens inesperadas, era impressionante. O som? Confesso que estava muito baixo e não pude ouvir muito. Mas muitos dizem ser a MELHOR trilha sonora já feita para um videogame. E, a julgar pela qualidade de todo o resto, eu não duvido. Enfim, o  dettalhe mais marcante  de Azel: o cenário. Único até hoje. Nada de RPGzinho medieval ou futurista. O ambiente aqui é... SURREALISTA. Paisagens desoladas e melancólicas de um mundo destruído sabe-se lá por quê, razoavelmente minimalistas, mas com detalhes sinistros o bastante para dar a sensação dramática que permeia o jogo todo. Juro que o Dragão o levará a lugares que nem em sonho você poderia imaginar. Onde fui jogar isso? Num Stand da Sega no Epcot Center, num segundo dia no parque, após ter já ter conhecido todo o resto... 
PS: Peço desculpas aos fãs de Final Fantasy (e outros RPGs), mas, se Final Fantasy VI acabou com os RPGs que o antecederam, Azel também o fez. E provavelmente continua fazendo com os sucessores...
Azel Panzer Dragon RPG
 AZEL

O Dragão em pleno combate!

Azel in the stone
A bela Azel, encontrada em uma excavação.

1- Phantasy Star II (Mega Drive)
Pra quem me conhece, é o óbvio primeiro lugar. Trata-se do primeiro RPG que joguei (e gostei) na vida. E tambem o jogo que eu mais joguei até hoje. Em 1989 quando foi lançado, foi aplaudido pela crítica, por sua história dramática e inovadora; que seria extremamente simples para o dia de hoje. Já soube de jogadores que choraram na primeira vez que jogaram esse treco. Tinha detalhes que só seriam igualados anos depois como inimigos variados e animados e a possibilidade de escolher quem vai acompanhar o personagem principal, dentre possíveis membros extremamente específicos (vai pegar o biólogo pra lutar com robôs, pra ver a dor de cabeça...). Para os jogadores OLD SCHOOL, somente...
Phantasy star II title screen
Explicar a tela de título seria um spoiler.

Phantasy star II last boss
Sempre achei o último chefe um tanto perturbador, com o sistema solar nas entranhas...

sexta-feira, maio 06, 2011

Natureza Gelatinosa

Ontem fui escovar os dentes aqui no trabalho. Aí entrou um cidadão com ares de Senhor Barriga, com a camisa amarelada estufada acima da sua cintura. Seu andar displicente e olhar perdido eram um mau preságio para mim. Diminuí a cadência da escova de dentes. Ele aproximou-se da minha apavorada pessoa sem cerimônia, pigarreando e acumulando ranho. A escova de dentes petrificou-se na minha boca. "Não Seu Barriga! POR FAVOR não me vá fazer isso. Não na pia do meu lado!!!" Ele fez.

Func Func... FRRRÔOOOOOOTTTTTTTT, num som que ecoou no banheiro todo. Barriga saiu aliviado, deixando uma ameba viscosa e amarela na pia, que, a julgar pelo tamanho, era um acúmulo de tudo que ele havia respirado na última década.

Pronto. Fim. Era só isso que eu tinha pra falar.

quinta-feira, maio 05, 2011

Natureza Morta

Em 2007, me mudei por um apartamento cercado por um outro prédio e dois campos abertos (formando um "L"). Nesses campos, havia algumas árvores, vários pássaros: pombos, periquitos, andorinhas... No fim da época seca, o local fica infestado de cigarras, embora elas pareçam diminuir a cada ano. Nas tempestades, os ventos costumam ser bem impressionantes. Certa vez, uma janela aberta espalhou terra e folhas pelo apartamento todo, derrubou coisas e eu fiquei com aquele sentimento de "Ah! Perdi o vento!" Não tem jeito, eu gosto de uma ventania; gosto de uma bagunça. 

Nos dois campos, viviam umas corujas pelas quais eu tinha uma grande simpatia, que não era retribuída. Acho que elas me odiavam, já que eu sempre passava perto do ninho delas para ir à padaria. Mas eu sempre olhava. Certa vez notei que uma delas estava cega de um olho. E nem conseguia gritar mais, para espantar intrusos. No máximo inflava o corpo e estalava o bico. Talvez tivesse sido vítima de algum desses babacas que se divertem apedrejando-as. Eram dois seus buracos, um deles mais afastados; no meio do campo, por onde não passava ninguém. Hoje, elas estão sendo expulsas de seu território.

Recentemente, tapumes apareceram em volta do campo e a morada subterrânea da coruja foi sitiada pela civilização. Sim. Um belo e caríssimo edifício será construído ali. A coruja que ache outro lugar para fazer seu ninho, oras! Só espero que ela não mude para o campo que restou, exatamente em frente ao meu apartamento. Pois eu já soube que, em breve, tapumes aparecerão ali também. Os periquitos, as corujas, as cigarras, até os meus odiados pombos terão seus cantos e sons substituídos pelo barulho de tratores e escavadeiras. Por britadeiras e martelos. Por misturadores de cimento e soldas. As árvores serão substituídas pelo concreto. E, posteriormente, buzinas e músicas altas (sempre de gosto duvidoso) animarão o local com sua população aumentada. Sem falar do provável fim das minhas ventanias, tornando meu apartamento uma verdadeira sauna seca.

Não estou reclamando por questões ambientais (já disse aqui, não sou um ambientalista radical, militante de algum Greenpeace). Agora... Não sou fã de aglomerações. Não gosto de muitos prédios entulhados no mesmo lugar. Resumindo: eu odeio urbanização. As corujas me odiavam. Mas, sinceramente, como eu queria que elas continuassem por lá...

coruja buraqueira
Movimento das Corujas Sem-Terra
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...