quinta-feira, maio 05, 2011

Natureza Morta

Em 2007, me mudei por um apartamento cercado por um outro prédio e dois campos abertos (formando um "L"). Nesses campos, havia algumas árvores, vários pássaros: pombos, periquitos, andorinhas... No fim da época seca, o local fica infestado de cigarras, embora elas pareçam diminuir a cada ano. Nas tempestades, os ventos costumam ser bem impressionantes. Certa vez, uma janela aberta espalhou terra e folhas pelo apartamento todo, derrubou coisas e eu fiquei com aquele sentimento de "Ah! Perdi o vento!" Não tem jeito, eu gosto de uma ventania; gosto de uma bagunça. 

Nos dois campos, viviam umas corujas pelas quais eu tinha uma grande simpatia, que não era retribuída. Acho que elas me odiavam, já que eu sempre passava perto do ninho delas para ir à padaria. Mas eu sempre olhava. Certa vez notei que uma delas estava cega de um olho. E nem conseguia gritar mais, para espantar intrusos. No máximo inflava o corpo e estalava o bico. Talvez tivesse sido vítima de algum desses babacas que se divertem apedrejando-as. Eram dois seus buracos, um deles mais afastados; no meio do campo, por onde não passava ninguém. Hoje, elas estão sendo expulsas de seu território.

Recentemente, tapumes apareceram em volta do campo e a morada subterrânea da coruja foi sitiada pela civilização. Sim. Um belo e caríssimo edifício será construído ali. A coruja que ache outro lugar para fazer seu ninho, oras! Só espero que ela não mude para o campo que restou, exatamente em frente ao meu apartamento. Pois eu já soube que, em breve, tapumes aparecerão ali também. Os periquitos, as corujas, as cigarras, até os meus odiados pombos terão seus cantos e sons substituídos pelo barulho de tratores e escavadeiras. Por britadeiras e martelos. Por misturadores de cimento e soldas. As árvores serão substituídas pelo concreto. E, posteriormente, buzinas e músicas altas (sempre de gosto duvidoso) animarão o local com sua população aumentada. Sem falar do provável fim das minhas ventanias, tornando meu apartamento uma verdadeira sauna seca.

Não estou reclamando por questões ambientais (já disse aqui, não sou um ambientalista radical, militante de algum Greenpeace). Agora... Não sou fã de aglomerações. Não gosto de muitos prédios entulhados no mesmo lugar. Resumindo: eu odeio urbanização. As corujas me odiavam. Mas, sinceramente, como eu queria que elas continuassem por lá...

coruja buraqueira
Movimento das Corujas Sem-Terra

6 comentários:

Gabrielle Avelar disse...

Eu sempre morei em casa até os 20 anos. Portanto, sempre convivi com corujas e afins... Pelo que sou uma boa amiga dos animais... Aliás, excelente. Gosto muito de saber que estão por perto. Sei identificar o canto de quase todos os pássaros que ouço e consigo saber, inclusive, se a seca já está chegando, ou se vai chover ou parar de chover só por causa do canto deles.
Infelizmente, o concreto tá tomando o mundo, gente!!!
Sou como você, Rafa. Não sou militante de movimentos ambientais. Acho que cada um faz a sua parte e, como seres educadinhos que somos, o individual faz a coletividade ser mais interessante. E, como você também, eu não gosto de aglomerações. Gosto de vento, gosto de receber o sol e, saber assim que um prédio vai transformar seu apê numa "sauna seca" é desanimador.
São os ônus de morar em cidade grande... Ainda bem que temos muuuuuuuuuuuitos bônus, não é mesmo?
E quão privilegiados somos por viver em Brasília!!!
Bom, respondendo sua pergunta sobre Sofia: Nem é que sou tão reservada assim... Nem num sô artista nem nada!!! Hehehehehehe!!!
É só mesmo falta de tempo.
Mas, vem aí uma postagem sobre o dia das mães, aguarde!!!
Beijo!!!

Deo a Terrível disse...

Eu moro no meio do mato em comparação à você. Hehe. Notei que por aqui as cigarras também diminuíram... Corujas não vejo, pero ouço-as. Vejo alguns tucanos, pelo menos um casal de araras, e pombos pra cacilda. Acho que também sentiria falta desses bichinhos se eles fossem trocados por gente e concreto.

Besos!
")

Dom Rafa disse...

@Gabi: Pois é... Muito bicho na minha casa quando eu morava no Lago Sul. Mas da última vez que eu moreu lá, só havia lagarta que queima. Uma me queimou uma vez (queimadura horrorosa de um dos insetos mais medonhos que eu já vi). De vingança, a dita lagarta teve uma morte horrorosa. Apesar dos benefícios, "I wish we could grow more trees" (Velho torto, Faery Tale Adventure, Mega Drive, 1991)

@Deo: ÊETA MATAGAL BÃO!!! Tucano tem aqui, na Universidade (raro) e num bairro folhôso chamado PARK WAY (aqui gostamos de inglês porque é chique). Arara só no zoológico. Respondendo a uma pergunta sua, que vi não sei onde, "Pra cacilda" e "não estava no gibi" são expressões que eu ouço constantemente; meu pai fala isso o tempo todo. Você deve ter genes dos anos 50-60. =D

Beijos, pessoas!
=)

Clarissa disse...

Pena pelas corujas... tem que montar um parquinho pra servir de novo hábitat as bichinhas. Os aps do edificio novo já estão sendo vendidos a 3 milhões e pouco

Raíssa disse...

Poxa, que triste. =[ Tadinhos dos bichinhos... E das árvores... Eu posso não ser uma super ambientalista também, mas com certeza eu prefiro a paisagem original.
Beijos

Dom Rafa disse...

É... Muito prédio abafa demais. E eu preciso de vento pq onde eu moro, à tarde, é meio estufa. O sol bate demais!!!

Bjs ;)

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