segunda-feira, junho 27, 2011

O exame legal

Há alguns posts, falei sobre o exame de sangue e o pão de queijo. Agora, vou voltar à temática clínica. Recentemente, fiz dois exames que envolviam inserção de câmeras no meu corpo, por entradas obviamente permitidas (no caso contrário, tais exames jamais estariam expostos aqui). O primeiro, já começando pelo nome é, no mínimo desagradável. Preparem-se caso algum dia o médico lhes peça uma nasofibrolaringoscopia! Envolve o "Naso", o "Fibro (?)", o "Laringo" e a "Copia"; esta última já trazendo consigo a idéia da câmera. Então, lá estava eu sentado na cadeira quando noto o médico enrolando algodão em algo parecido com uma agulha de tricô e molhando em um líquido. Duas agulhas, que foram parar no meu nariz, depositando o algodão lá dentro. Eu nunca imaginei que um nariz fosse tão profundo. Quando ele retirou o algodão, eu já estava com o dito-cujo e a garganta anestesiados. Tudo foi devidamente filmado, eu vi minha garganta, septo e redondezas. Talvez a couve que eu almocei presa lá no fundo. Mas após o exame... Não só a garganta parecia inchada como se estivesse duplicada de tamanho como também o nariz estava com defeito. Senti algo líquido aproximando-se da boca e... Era óbvio! O narigão estava anestesiado e lá estava eu com uma incontinência nasal que iria durar mais umas 2 horas. Em seguida, fiquei espirrando xilocaína a noite toda. 

Umas semanas depois, fui fazer uma endoscopia. Câmera no estômago!! Tal como o anterior, eu nunca havia feito. Mil perguntas ao médico para me inteirar sobre o procedimento. "A gente espirra um pouco de xilocaína na sua garganta e te injeta um remédio no braço pra você ficar tranquilo"(lá vem a xilocaína na garganta de novo! Com algum relaxante muscular). O remédio tranquilizador não me tranquilizava em nada. Vai que ardia? Eu odeio quando me injetam coisa que arde. No dia do exame, eu fui lá e tive a xilocaína aplicada na garganta. Depois foi o remédio tranquilizador. Ardeu um pouco e eu fiz cara feia. A enfermeira disse que iria aplicar devagar e não ia mais doer. Eu olhei aquela seringa no meu braço e moça foi pegar sei lá o quê na bancada ao lado. Depois, o médico mandou eu ir para um quarto ao lado relaxar. "Esperar o remédio fazer efeito" - pensei. E como havia acordado muito cedo, eu deitei na cadeira-de-dentista-confortável e dormi. Volta e meia acordava com o meu ronco. O remédio já estava fazendo efeito. Aí me chamaram. Eu levantei e vi minha tia e o médico entregando a ela o laudo.

Ah não... Peraí... O exame foi feito entre a visão da seringa enfiada no meu braço e a caminhada até a sala?  E eu nem vi o caboclo me filmando? E ninguém me avisou desse vácuo na minha existência? Fiquei um tanto decepcionado; queria ver o filme do médico!!

Esse exame, porém, não tem uma sequência tão horrível quanto a do anterior. Saí do consultório acordado, andando sozinho, conversando normalmente com a minha tia. Mas não me lembro de muita coisa. Só de o médico falando sobre "retorno após a biópsia", eu e minha tia levando um material para um laboratório qualquer, eu errando o valor de algum cheque que eu passei pra alguém, eu me pesando em alguma balança e vendo algum peso que esqueceria minutos depois e eu caindo na cama em casa pra acordar após umas duas horas de sono tranquilo. O que eu estava fazendo ali mesmo? Ainda não sabia ao certo o que havia acontecido, mas sabia que tinha sido bom...

COWABUNGA!!!  
DRÔGAS LÍCITAS RULEZ!!!!

sexta-feira, junho 24, 2011

Photoshop nosso de cada dia 2

Meses se passaram e o Photoshop CS5 me pedia o SERIAL FUCKING NUMBER todos os fucking dias. Parte minha já havia desistido e a outra parte estava com preguiça de dar continuidade ao processo de recuperação do número junto à ADOBE.

1. A Frustração.
Eram 20h quando a minha mãe me ligou toda contente do Paraguai, com sua suposta boa notícia. "Adivinha o que eu achei??" Respondi na hora algo do tipo... "ME DÁ O NÚMERO!!! por favor. Te amo mamãe!" E ela me passou uns números. Primeiro um tal de PIN NUMBER, que me deixou apreensivo. Era tão pequeno e descomplicado... Depois ela começou a me dar números maiores, segundo ela, também escritos na caixa. Fui instalar o programa, todo confiante. Nenhum número servia. O maior nem chegava na metade do tal número de série. Sinceramente. Acho que naquele exato momento, eu desisti e sorri amarelo pro bom e velho Paintbrush. Se você analisar, ele faz o mesmo que qualquer Photoshop, apenas tendo como requisitos extras a paciência do bom Jó e o tempo prolongado do Matusalém. E liguei pra minha mãe, explicando a situação. "Ah! Eram três caixas. A primeira eu joguei fora. A segunda, eu vi uns números e guardei. A última, era uma caixa grande de DVD. Joguei fora também." "É, mãe... Era justamente ESSA caixa em que estava o DVD  a  que eu precisava."

2. O Milagre
Já eram mais de 22h. Eu devia estar falando com alguém no MSN ou jogando alguma coisa pra diminuir as tensões. E novamente a minha mãe ligou. "Raphael! Você nem vai acreditar. Eu coloquei a caixa do seu DVD no monte de lixo, mas seu pai pegou pra guardar um CD de fotos que ele tinha ganhado e que estava naquelas embalagens de papel. Ele achou um monte de coisa do Photoshop aqui e o CD dele estava no meio. Realmente, tem um número aqui dentro!" "É uma série de seis blocos com quatro números???" Era. Tinha em minhas mãos a senha do poder. Finalmente poderia instalar o programa. 

Com Wacom Tablet e tudo.

...Mas os desenhos aqui continuarão com a qualidade resto de feira de sempre.
sanduiche do subway
Offtopic: Alguns Subways já me serviram os queijos nessa configuração. Aposto que leram aqui. De nada pela informação, viu???

segunda-feira, junho 20, 2011

Elas nunca notam.

É verdade, mulheres. Não adianta reclamar. Nós não notamos quando vocês cortam o cabelo. Pensem comigo. Homem não tem uma percepção lá muito apurada; isso é fato. Muitos esquecem aniversários, datas, comemorações. Esse ano, por exemplo, se a namorada não avisa, eu ia esquecer o dia dos namorados. Coração e bombom pra todo lado na cidade, e eu não percebi. Assim... eu SABIA que havia um dia dos namorados, que compraria um presente, que iria comemorar. Mas, no dia 4 de junho, a data me parecia tão distante... E ainda querem que nós percebamos um novo corte de cabelo... Isso é uma dificuldade hercúlea, e as chances de que isso aconteça, quando vocês cortaram cinco dedos pra baixo, são próximas da nulidade quântica dividida por zero (não sei o que é isso mas achei que causava impacto). Só notamos algo quando é extremo. Cabelo grande para um "chanel", daí para um "joãozinho", seguindo para um estilo "monge cambojano". Aí notamos. Variações no "joãozinho" em questão também são fáceis de notar.

Porém... Milagres acontecem e, por vezes, nós notamos!! Não sei se é porque elas dão alguns indícios, talvez com esse intuito como, por exemplo, nos avisar "hoje vou ao cabeleireiro" ou, bem menos evidente, "vou ao salão". Não sei se acontece com todos mas pra mim, a consequência de um salão nada mais é do que unha bonita. Eu sei que em salão não faz só unha, mas na minha cabeça faz. Meu raciocínio é esse. E uma amiga minha foi ao salão. Eu sabia dissso. Ela apareceu com o cabelo bastante perfumado. Já comecei a tirar certas conclusões. Por um tempo, analisei o cabelo dela. E estava diferente! Pronto! Eu havia notado! Acontecimento raríssimo na existência masculina, e eu não poderia perder a oportunidade de fazer um comentário sobre o fato. Porém, no momento em que minha análise capilar terminou, o assunto não tinha nada a ver com cabelo. Reparar "do nada" seria estranhíssimo. Vamos ilustrar a situação:

Ela: Que impressionante essa chuva lá no Rio, né? Todo ano desaba alguma coisa, morre gente. Eu ia pra lá nas férias mas desisti.
Eu: Fez bem. As tempestades de granizo de Brasília são mais seguras. Só meu carro que costuma não gostar.
Ela: Ih... Uma vez, caiu uma árvore do lado do meu carro aqui. Na cabeça do flanelinha que ficou torto até hoje. 
Eu: Seu cabelo está diferente... Fez alguma coisa com ele?

Não dá pra ficar reparando assim; de repente. Eu tinha que esperar o meu momentum. E aí, o que não devia acontecer, aconteceu. Murphy, padroeiro dos trolls e dos fails da vida baixou no recinto. E, bem quando eu ia reparar, ela reparou por mim. "Ah... E no salão hoje eu mandei o meu designer capilar gay picar tudo. Ele quase teve um treco. Mas é sempre bom variar".  COMO ASSIM, ABENÇOADA???? EU!!! EU!!! EU!!! é quem tinha que comentar sobre isso. 0_0 Finalmente quando eu percebo, noto a diferença, acho bonito, vocês não percebem, vão e frustram minha vitória. Mulheres, vocês não colaboram!

MÁS... vocês NOTARAM o título? A-HA!!! ELAS nunca notam. Toda essa história é pra falar de vocês. Pois bem... Descendente de português (peludo), eu tenho uma barba que deixa minha cara cinza e, no segundo dia, estoura balão. Assim sendo, eu assumo e costumo deixá-la crescer, mudando apenas seu formato. Algumas raras vezes, eu viro piratão, cultivando-a por meses. Depois raspo. Algumas mulheres notam. Mas foi uma mudança drástica, como de um cabelo longo para um "joãozinho". Em 80% das vezes, minha barba é mais curta e, em média, eu passo uma máquina a cada duas semanas. Após a máquina, NUNCA notaram. Cadê a percepção de vocês no meu caso? =(

com barba ou sem barba
 À esquerda, eu sem barba.

quinta-feira, junho 16, 2011

Vilões.

Ha uns tempos, escrevi aqui um post sobre videogames. Um tanto impopular, eu admito. Foi meu atestado de NERD aqui no Blog. Pros que não leram (foi muito longo), em uma parte falo de AZEL, um dos meus jogos favoritos. E foi Azel que serviu de gatilho para este post. Fiquem calmos; eu não vou falar de videogames. Tudo começou quando eu resolvi ver o filme de introdução do já mencionado jogo no YouTube. Tudo ia muito bem até que me aparece o vilão da história. E me aparece RINDO!

 
Gargalhada sinistra aos 6:15.

Sempre me indaguei... Porque é que vilão ri? Em desenhos animados, videogames e filmes (geralmente os menos sérios - vá lá) lá está o "cara do mal" dando uma risada sinistra enquanto faz suas maldades. Já vi isso na novela das seis também. Vão me dizer que é porque ele sente prazer em suas maldades. Então, se eu for uma alma caridosa, darei gargalhadas de bondade e simpatia cada vez que ajudar ao próximo? Seria a óbvia contrapartida. A menos que eu seja humilde demais para expressar minha alegria. Mas na minha bondade, acredito que seria melhor rir e demonstrar minha satisfação; espalhando a alegria por aí. 

Quando trago isso pra realidade, acho que a coisa piora. Será que os grandes vilões da história gargalhavam com suas atrocidades? Vlad Dracul, pelo que eu li, tinha o costume de empalar seus desafetos e os inimigos derrotados em guerras em lanças que ficavam espetadas no jardim do palácio. Ele gostava de tomar café em meio aos condenados agonizantes. Eu nunca fui empalado, mas juro que é uma morte horrível. É atroz e grotesca o suficiente para provocar crises de riso que provavelmente causariam morte por asfixia a qualquer vilão. Mas eu não vejo Vlad Dracul engasgando sua rosquinha com chá ao ver a cena. Também não vejo homens bomba gargalhando ao explodir ou governantes com aspirações bélicas morrendo de rir ao anunciar sua primeira bomba atômica. 

Temos aqui uma crise de credibilidade. Empalar desafetos não tem a mínima graça.

vilao dando gargalhada
Hoje é sexta; dia de Happy Hour. Vou explodir o bar da esquina.




MUAHAHAHAHAHHAHAHA

sexta-feira, junho 03, 2011

Sob a honra da Katana

Dizem que eu sou um tanto excêntrico. Em parte, é verdade. Sempre peço a comida no cardápio que ninguém, nem o garçom, sabe explicar ao certo o que é. Reclamam que eu só ouço umas músicas estranhas que ninguém mais conhece. Tem um rap polonês em algum CD gravado por mim, que às vezes toca no meu carro. Tenho uma camisa criativa do Astro Boy e uma outra com dragões bordados, um tanto incomuns no Brasil, mas bastante usada entre asiáticos (compradas em um shopping de alguma Chinatown). 

Mas eis que, vez por outra, algum espanado me supera. Assim, no último domingo, ao entrar no metrô, vi um caboclo saindo do vagão de trás com uma KATANA nas costas.

Katana e tanque de guerra

Breve explicação pra quem não conhece: "katana" é um tipo de espada japonesa, afiada, aerodinâmica e fácil de manejar. Com essas características, ela é rápida e cortante e se o sujeito não for esperto o suficiente, ele nem verá o que decepou seu braço...

Voltando ao que interessa, lá estava o sujeito desfilando com a perigosa arma ali, balançando atrás, como uma mochila inofensiva. Mais excêntrico que eu. Ou um metódico serial killer. Saindo do metrô, fui verificar se o vagão atrás estava dentro da normalidade. Nada de vísceras espalhadas ou sangue escorrendo pelos vidros. Graças a Deus.

Mas isso também me fez lembrar de um episódio curioso da minha vida. Há muito tempo, uma amiga minha tinha um blog absurdamente popular. Um verdadeiro diário contendo TODA a vida dela exposta. Assim, ela comentou após ver o filme "O Último Samurai". Eu quase sempre respondia a ela, e deixei lá minha contribuição inocente. Primeiro, estabelecendo um paralelo entre o filme do samurai e Dança com os Lobos. Nos dois, um americano se apaixona e se entrega a uma cultura diferente, que passa a defender sem se importar com as consequências, renegando todo o seu passado. OBVIAMENTE, eu gostei mais do samurai que do lobo. Mas finalizei o comentário dizendo que gostei mais ainda de Kill Bill, com "Aço Japonês cortando todo mundo". 

Dia seguinte, eis que recebo um LONGO e-mail de um outro frequentador assíduo do Blog da minha amiga (não citarei nomes pois podem vir usar uma katana no meu pescoço. E eu não gosto de ter minha cabeça cortada). No e-mail eu era basicamente acusado de "Insultar a obra prima que era o Ultimo Samurai, com uma comparação infeliz e sem sentido, bem como demostrar total ignorância da cultura japonesa, desonrando o Bushido - código de honra dos samurais ao considerar Kill Bill um filme melhor do que o já citado." Demorou a cair a ficha. Eu não acreditei naquilo. Será que por tamanha desonra eu deveria cometer seppuku e me matar com os intestinos pra fora? Eu resolvi colocar lenha na fogueira e respondi ao samurai de araque me justificando. E ele me mandou um e-mail ainda mais fanático, dessa vez com insultos à minha pessoa!! Aí, resolvi zoar. Mandei um outro e-mail; dessa vez sim, MASSACRANDO tudo que eu sabia sobre a cultura japonesa, inventando fatos e distorcendo outros. Achei que ele iria até a minha casa tomar satisfação, provavelmente armado (e olha que ele morava em outro país). Mas não ocorreu. Ele nem respondeu, na verdade. Talvez tenha ficado cego com as minhas afrontas. Talvez tenha se suicidado... Nunca mais ouvi falar daquele peculiar cidadão...

Mas de repente, ele estava no metrô. No vagão atrás do meu...
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