sexta-feira, março 16, 2012

Concurso do Senadão

O pior já passou; ansiedade acabou e podemos dormir tranquilos. No último domingo dia 11 tivemos o tão aguardado Concurso do Senado. Zilhares de pessoas tentaram a chance de ir lá trabalhar com o Sarney e seus Sarneyzinhos, com um salário amigo e a perspectiva de uma vida confortável pela frente. Eu estava entre elas. Também queria meu lugar ao lado do nosso bigodudo ex-presidente...

Porém há muito tempo que eu não sou um rato de apostila de concurso e frequentador assíduo de cursinho; daqueles que conhecem todos os professores, têm colegas igualmente "encalhados" e sabem identificar há quantos dias aquele enroladinho de salsicha está lá exposto na vitrine da cantina. Eu entrei na vagabundagem e, espero voltar à ativa esse ano.

estudante de concurso
True Story

Esse ano, não sei se escrevi por aqui, fiz também o concurso do TSE (nem fui lá tãaaaao mal). Fiz uma das provas ao lado de uma mãe de santo - ou alguma afro-religiosa equivalente. Tirou a minha concentração já que fiquei contando quantas pulseiras ela ostentava. Tinha até uns guizos na canela... (só quis mencionar a mãe de santo mesmo).

Chegando ao local de prova do Senado... O Brasil todo estava lá. Cheguei 30 minutos antes e fui parar o carro onde o vento faria a curva, se o vento em questão encontrasse o local. Foi longe. De lá, segui a boiada correndo até os portões, em meio a ambulantes berrando caneta-preta-2-real. Como se naquelas horas alguém fosse parar para comprar caneta.

transito em brasilia
Boa prova pra vocês

Fiz as duas provas; tendo saído de casa às 7h20 e voltado às 21h10. No almoço, dei um "fuck that" e resolvi almoçar num restaurante vegetariano étnico. Comida indiana, muito condimentada, daquelas que fazem a barriga ter um metabolismo rápido, especialmente em dias quentes de prova. Mas não aconteceu isso. Só que o perigo estava ali!

Mamãe (quem mais?) disse pra eu sair agasalhado porque de manhã estava frio e nublado. Coloquei um jeans pesado, camisa polo de manga comprida e fui. Hora do almoço, meu carro indicava 41 graus em seu interior. O que significava uns 30 ou mais lá fora. Por essas horas, eu estava virando uma muçarela derretida. Andando no sol até a entrada da Universidade onde fazia a prova, minha vontade era de tirar a roupa e torcê-la pra pingar a água. Chegando lá, esvaziei um bebedouro.

pessoa derretida
O desenho mais derretido que eu já fiz.

Finalmente, na tarde quente e abafada, me colocaram em uma sala pequena e lotada. E estava numa mesa que parecia um banquinho e mal dava pra circular pela sala sem esbarrar a bunda em alguém. Um cidadão na minha frente folheou a prova, levantou e desistiu sem fazer uma questão sequer. Provavelmente uma redação que ele não sabia fazer. Voltando à sala... CARA! Raciocina... Neguim paga quase 200 reais pra fazer a prova e ser enlatado feito sardinha? Tinham que nos colocar esparramados numa poltrona de couro, tipo um Rei Momo. O ambiente deveria ser espaçoso e climatizado. Uma belíssima tailandesa nos faria massagem enquanto outra serviria canapés de caviar, vinho e absinto para aguçar a criatividade. Relógios seriam permitidos o cartão de respostas seria em um iPad fornecido pela banca e ninguém precisaria ficar pintando quadradinho até esfolar os dedos. Era o mínimo!
pessoas esmagadas
o desenho mais espremido que eu já fiz
aprovado no senado
Vem nim mim, Servidor!
(Recusei educadamente o apelo...) 

6 comentários:

Gabrielle Avelar disse...

Hehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehe!!!
Que maravilha!!! Olha, me desculpe rir tanto de seu infortúnio caríssimo amigo, mas não resisti... Não pude.
O Paulo iria fazer a prova, mas desistiu porque o nosso cotidiano não lhe permitiu estudar. Bom, escapou de virar sardinha, atum ou anchova...
Mas, que bom que você foi... Rendeu um dos seus melhores posts...
Quase deu para sentir aquele clima infeliz de dia de concurso que eu, por sinal, estou para voltar a fazer até passar novamente e sair dessa vida de professora.
Obrigada, Rafa, preciso mencionar que seu comentário foi muito carinhoso lá no meu Universo... E, saiba, você vai mesmo ser um pai muito coruja porque o amor que se sente por um filho é algo para além da nossa compreensão!
Beijão!!!

Anônimo disse...

Concordo. Um dos seus melhores post. Muito engraçado e bem escrito.

Para nós que ainda não fomos agraciados com uma posição satisfatória a rotina do concurseiro continua.

Abraços,
Ed

Dom Rafa disse...

É, gente... Acreditem; foi um dia tenso. Nessas horas só nos resta rir das disgráça e colocar uma foto do Sarney pra enfeitar. Pelo menos algo bom tem que sair, né?

Bjs, abraços e fico feliz que tenham gostado.
Até o próximo concurso!

Lu Piras disse...

Oi Rafa!

Que surpresa boa nos encontrarmos virtualmente depois de tantos anos! Obrigada pelas palavras lá no blog. Publicar um livro é um sonho antigo, mas ficou adormecido por conta de outras responsabilidades. Minha vida deu uma volta enorme e agora estou mais focada nos meus sonhos.
Como você, estou dando uma de concurseira, estudando, fazendo cursinho, tentando o que aparece na minha área que é direito também. E é assim mesmo, uma luta diária. Não dá pra desanimar porque concurso não é uma prova, é um processo. Cada prova é um exercício!
Te enviei convite lá no facebook!
Adorei saber notícias.

Beijo!

Lu

Dom Rafa disse...

Miss P. Jane!

Pois é... Coincidência enorme! Tio Piras deu a dica. Quer dizer que você também está nessa de concursos? Eu passei em uns, trabalhei de fato em dois (e adorei meus trabalhos - dei a maior sorte com os chefes de ambos) mas continuo estudando. É o jeito né? Um dia sossego e me dedico a outras coisas. Aprender japa, italiano (questão de honra; comecei e nunca terminei), talvez escrever um livro, desenhar e viajar pro Gabão.
Ok... esse ultimo não é pra ser levado a sério. =P

Beijos e bem vinda por aqui!!

Lu Piras disse...

Obrigada, Rafa! Gostei muito do blog.

É, meu tio ficou super coruja e parece que está espalhando a notícia. Ele desistiu de me convencer a fazer o Rio Branco e agora com a sobrinha escritora, que remédio?
Obrigada pelo seu comment lá no blog. Você está coberto de razão sobre a nossa atual literatura jovem, muito "internacionalizada". Meu pai chama a isso de imaturidade. Eu não sei bem como chamar, mas confesso que o meu primeiro livro se passava na Guerra da Crimeia. Sentiu o drama? Ok. Eu tinha 15 anos e assistia vezes demais à filmes como Lendas da Paixão.
O fato é que, segundo meu pai, eu evolui. Desta vez meu livro tem um título em português, os personagens têm nomes brasileiros e a história se passa aqui. Como eu te expliquei, senti muita vontade de situar a história no meu ambiente, usando as minhas referências. O que ficou mais acentuado depois de viver alguns anos fora. Eu imagino que você saiba como é isso.
Gostei de saber dos seus projetos. Estarei torcendo por você, para que encontre depressa um trabalho que te dê satisfação.
Fiz uma prova no domingo para a qual andei me descabelando nos últimos meses, mas não me saí muito bem. Faz parte. Outros vêm por aí.
Quem é brasileiro não desiste nunca. Não é verdade?

Beijo!

Lu

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