segunda-feira, abril 23, 2012

Espelho, espelho meu

Já havia visto isso na época das máquinas-de-filme. Porém, nessa época, as fotos deviam ser muito bem escolhidas e muito bem calculadas. Não era barato brincar com um filme KODAK ISO 400 e revelar tudo, pra depois passar no scanner e mandar pros miguxos no ICQ. Em 2000 e... 1 ou 2 mais ou menos, começaram a pipocar no mercado as máquinas digitais. No início, tinham, um preço astronômico. Por conta de pão durice contenção de gastos, comprei uma não digital abarrotada de funções, em detrimento da modernidade. Os preços astronômicos logo baixaram e eu me vi com um elefante branco recém adquirido nas mãos. Meu consolo: algum tempo depois, minha mãe comprou uma digital de 4 megapixels. As fotos da minha eram melhores.
"GREAT SUCCESS!" (Sagdiyev, BORAT, Brilliant Quotations for America in General and Pamela in Private-Wowowiwa , Astana, Ed. Baklava, 2006, p. 1398)
Mais ou menos nessa época, surgiram Fotologs, Orkut, Hi5! (Sagdiyev, BORAT...), Gazzag entre outros meios de divulgar suas fotos Internet adentro. Nesse momento, acredito que por uma estranha obrigação de TER que publicar qualquer coisa, tomou força uma modalidade até então meio obscura: a FOTO NO ESPELHO DO BANHEIRO. Muitas vezes com alguém fazendo suas necessidades no background. Era prático. Com a ajuda da tela da câmera e do reflexo do espelho, era só você se ajeitar, fazer pose de última Coca-Cola do deserto, clicar e mandar pro Orkut. Mas não era bem o que acontecia. Explico a seguir o que eu chamo de: 

FATOR ESPELHO MÁGICO

Este sou eu me olhando no espelho, após estar bem arrumado e, principalmente, perfumado. Na imagem não dá pra ver, mas eu estou segurando uma máquina fotográfica, prestes a tirar a foto mais sedutora do mundo.

Ze mayer
Nível de As Mina Pira: ZEUS 
(Zé Mayer + barba - max level)

Aí eu aponto a minha INSTRAGAM SUPER VINTAGE 3.0® pro espelho, onde ZEUS está aparecendo e capturo o momento de inexplicável beleza. E a maldita INSTRAGAM, em sua infelicidade e incompetência fotográfica me aparece com algo semelhante a isto:

Tentando ser o ze mayer
Nível de As Mina Pira: AS MINA NÃO PIRA
(Nem a mãe pira)

Não adianta a máquina ter um brasilhão de megapixels. A foto na tela sairá pior do que a imagem refletida no espelho na gigantesca maioria das vezes (a não ser que você seja a Natalie Portman), gerando insatisfação garantida, com possíveis efeitos catastróficos na auto-estima do indivíduo.Obviamente, após várias tentativas, consegue-se uma melhorzinha.

as mina pira no ze mayer
 Nível de As Mina Pira: NÃO SEI. PIRA?
(Ah... Vá lá! Pira sim, que eu sei!!!)

Meu conselho: AUTOFOTOS. Aponte a câmera para a sua cara e tire a foto. Sem espelhos por perto. Costuma funcionar melhor. Quase ZEUS. As mina quase pira...

terça-feira, abril 17, 2012

SPAM!

Provavelmente, clientes do BLOGGER, assim como eu, devem usar muito os contadores de estatísticas fornecidos pelo próprio site. Mês passado, vi que um determinado endereço, a saber o "ww4..savegco-antivir..com" estava me acessando. Até aí tudo bem, não é o primeiro nome estranho que me aparece por aqui. Porém... Ele começou a me acessar muito. Virou meu fã. 21 acessos na última semana. Mais que o google, twitter, facebook, ou blogs que eu sigo. Aí ficou estranho. Meu blog cheio de "hits", assim, do nada? 

ww4..savegco-antivir..com é um bot; um site de "referer spam". Já apareceram outros aqui, tipo o buygenericsfromindia. Esses sites aumentam seu numero de visitas sem que ninguém esteja de fato vendo seu site. Fiz uma pesquisa e, pelo que andei lendo, NÃO HÁ como bloquear esses ataques. O melhor a fazer é:

a) Nunca clicar neles, em hipótese alguma. Características: Têm no nome algo que incita a curiosidade e a visita, tipo "buy generics" ou "antivir". Como visitam muito, dá aquela curiosidade e vontade de clicar.

b) Use um "sitemeter" de terceiros, além do providenciado pelo blogger. Costumam ser mais confiáveis.

RESULTADO:

- Pra você: suas estatísticas ficam bagunçadas; quando o Google se dá conta de que tais visitas eram um BOT, ele mexe nos seus números. Se clicar no BOT, pode pegar algum malware.
- Pra eles: geralmente estão ligados a alguma empresa. Ganham dinheiro quando você clica.

Foi o que eu achei, maior fonte disso foi o blog


Spam
Só escrevi isso porque o fato não me deixa feliz da vida.
Post será apagado em breve.
(Não será mais)



(No meu outro counter, esse treco nem aparece)

domingo, abril 15, 2012

Eu e minha noiva grudentinha.

Meu primeiro casamento foi arranjado. Meio no estilo afegão da cerimônia - a noiva tinha uns 4 anos e meio. E eu também.

Sim... Lá vou eu contar mais uma história de infância, daquelas que praticamente só interessam aos pais e às tias. Começarei com um fato: eu tenho cisma com qualquer coisa que seja grudenta. Se cai uma geleia na camisa, eu praticamente lavo a camisa toda, pra ter certeza de que não encostarei em nada peguento ulteriormente.

Quando criança, eu já não gostava de sujeira. Mas não me lembro de implicar muito com coisa melada em particular. Porém, eis que em 1984, Tia Guiomar no Jardim I, dias antes da festa junina, me escolhe para ser o noivo do evento. Com meu orgulho de criança de 4 anos, eu POR NADA iria abdicar do posto. Só havia um detalhe: todas as meninas já tinham um par para a quadrilha. Já havia o padre e o amante sem mulher - sem a MINHA mulher, já que eu estava solteiro... Nada muito grave, a outra turma tinha belas mulheres sobrando. Na pior das hipóteses, alguma "tia" poderia fazer o papel - panela velha é quem faz comida boa.

No segundo dia de ensaio, pra alegria da Tia Guiomar, chegou uma nova aluna na turma ao lado do pai. A Yuri era uma japonesinha fofa, que devia ser autêntica pois eu não me lembro de ela ter aberto a boca para falar o que quer que fosse; em português ou em qualquer outra língua, por sinal. Chegou com o olhar tímido e inseguro ostentando um algodão doce em uma mão. A outra mão parecia estar sendo devorada, com os quatro dedos enfiados numa boca envolvida por pedaços de açúcar derretido. "Raphael! Olha que bom! Chegou sua noiva! Vem com a tia!" A Yuri tirou a mão da boca. A pequena mão estava rosada e brilhante. Eu pensei "FUDEU!!!" ou expressão equivalente. Ainda tentei me safar:

- Tia... A mão dela tá suja!
A tia olhou, deu dois tapinhas - DOIS TAPINHAS!!! - e disse:
- Pronto! Tá mais não. =)

Era precisamente isso que eu temia. Yuri sorriu pra mim. Nossas mãos foram unidas e abençoadas para uma união efêmera (lembram do amante?) no meio de uma massaroca grudenta de algodão doce rosado. Passei o ensaio todo com a minha mão melecada e olhando torto pra japonesinha, que tinha as mãos e a boca cheias da iguaria. Como ela podia aguentar todo aquele grude?

Geemu Ooberu!!!!! (Game Over)

No dia da festa ela não estava grudenta. Estava linda, e eu com 4 anos de idade já tinha plena consciência disso. A tradicional música começou a tocar:

"Com a filha de João
Antônio ia se casar

Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar"

Mal casei, já me roubavam a mulher, sob os olhares orgulhosos de pais coniventes com o roubo de Yuris alheias.

Lembro que até o fim do ano, a Yuri e eu ficamos um tando "grudadinhos". Nem tanto por amizade, mas por alguma cumplicidade boba de quem tem 4 anos e meio...

Não nasci de barba; bigodes e dentes pretos eram cortesia da minha mãe. Notem que eu fiz questão de cortar os cunhados da foto.

No ano seguinte eu mudei de escola e não fiz o Jardim II

Nas festas juninas subsequentes, fui o padre, o Pedro e talvez até o altar.

Voltei pra escola anterior, mas a Yuri não estava mais por lá (cheguei a procurar, mas nunca encontrei).

Sobre as fotos:
Não tirei nada com INSTAGRAM - amarelaram sozinhas. O post dependia delas, então procurei por 3 dias entre as mais de 10.000 fotos que temos por aqui. Encontrei na última caixa.

domingo, abril 08, 2012

Simbolismos à parte...

Só uma visão mais realista do mascote Pascoal.

coelho da pascoa feliz pascoa

Que este seja um momento de paz e renovação na vida de vocês e que o real Significado da data esteja sempre presente no coração de cada um. Sem precisar de coelhos mutantes ou elfos mexendo orelhas.

Abraços a todos.
Dom Rafa

quinta-feira, abril 05, 2012

Os Dalits da cozinha

Breve explanação BEM GENÉRICA aos que não têm ideia de o que vem a ser um DALIT: 
Na Índia, há um sistema de castas na sociedade. Exemplo: casta "a" é a dos mais abastados. Podem ter os melhores empregos e estudarem nas melhoras escolas. É a hi society local. Isso é hereditário, quem é da casata "a", terá filhos na casta "a". Em centros urbanos, há uma mobilidade entre essas castas, até onde eu saiba, de "baixo", pra "cima". No interior da Índia isso é menos evidente.

Assim sendo, nomeando as castas segundo o alfabeto, os Dalits viriam após a letra "Z". Eles não são dignos de ter uma letra. Aliás, eles não são dignos de nada, mas infelizmente têm de nascer pois o resto da população, por vezes, precisa de alguém para nadar nos excrementos e desintupir uma eventual fossa em Uttar-Pradesh. Obviamente, esse é, em parte, mais um dos exageros exagerados, comuns neste blog. Mas, grosso modo, Dalit só faz merda (a parte da fossa não foi invenção minha). Alguns - ainda bem - conseguem subir na vida e tornam-se políticos, prefeitos, governadores de províncias... Mas não é a regra. A discriminção chega ao ponto de um Dalit não poder sequer encostar na sombra de alguém de uma casta superior, sob o risco de dar briga. Um cidadão (?) dessa casta teve ácido sulfúrico atirado em seu rosto apenas por estar pescando em um lago que, para seu azar, ficava em uma propriedade particular (fonte: National Geographic). 

dalit catando lixo
 Velha Dalit de 13 anos despoluindo meu blog!

E nós temos um Dalit na cozinha. São as extremidades do pão de forma, popularmente chamadas de "casca". Ninguém quer a casca do pão de forma, exceto meu pai que, sei lá porque, come a ditacuja. Até eu descarto os polos opostos do pão; eu que por princípios não deixo sobrar nada de comida (fui doutrinado quando criança que deixar sobrar é feio por causa dos famintos). Trata-se de duas partes cascudas, mais borrachudas e geralmente assimétricas. O melhor recheio, entre elas, fica ruim devido à textura que elas conferem ao alimento. Geralmente, lá em casa, diversos sacos de pão de forma se aglutinam melancolicamente num canto da bancada da cozinha. Em vários deles as cascas já adquiriram coloração esverdeada. Quando eu noto a superpopulação no local e lembro que eles existem, eu jogo fora. Desculpem-me os que vivem ao norte do Chade, mas a casca do pão... Não vai.

casca do pao de forma
Um amigo meu disse que na Arábia Saudita, o pão de forma é vendido sem as extremidades. Eles entenderam. Será que na Índia também é assim? As cascas seriam jogadas aos Dalits? Ou nem disso eles seriam dignos?

Que fique claro, esse blog NÃO apóia a discriminação contra os Dalits, velhas de 13 anos e muito menos fossas de Uttar-Pradesh. Ninguém se machucou com ácido sulfúrico aqui. Mas o saco de casca acaba de ir pro lixo.

domingo, abril 01, 2012

O cupim do Fogo de Chão...

[comer] Carne de bicho que muge é sempre bom. De preferência com um sanguinho dentro pra ficar mais macia e pra despertar meu espírito ogro. Para o deleite dos carnívoros, temos à nossa disposição não somente diversos cortes como também diversas raças de boi a serem fatiados e servidos em nosso prato. O boi angus tem um lugar especial no meu coração. Outro mais especial ainda no meu bucho. E eu me sinto obrigado a mencionar aqui o Kobe-Gyu. O "boi de Kobe" é um ruminante mimado japonês, criado com massagem, cerveja, música clássica (informação de fonte duvidosa) e, talvez, geishas para entretê-lo. Ele vive melhor que eu. Mas um dia morre e vira a carne mais deliciosa de todas. Toda essa boa vida, porém, resulta em custos estratosféricos para o cidadão que resolver papar o infeliz animal, que CERTAMENTE não queria morrer. Vi uma vez um bife de Kobe aqui em Brasília sendo vendido a 225,00 reais... Posteriormente, não resisti ao ver um espeto com duas bolotinhas dessa carne vendidos a "insignificantes" 35,00 dólares e pedi, só para dar meu veredito. Foi a melhor carne que eu comi na vida! E, mesmo que não tivesse sido, eu afirmaria que foi.

kobe gyu - kobe beef
KOBE GYU. Vivo.

Em um paralelo grosseiro,  diria que o CUPIM, título do post, é o Kobe-humilde; o Kobe nosso de cada dia. Minha carteira não surta se eu comer um cupim. A carne é saborosa e tem suas gordurinhas emaranhadas que dissolvem na boca. Com sal, o exterior fica crocante. Eu nunca vi cupim ruim. Já vi mais ou menos e excelentes e, por isso, é o corte que eu mais gosto. É certo que uma picanha ou uma maminha muito da bem feita podem ser melhor que o tal cupim. Mas este é mais fácil de agradar (quase morri engasgado com uma maminha nervosa na semana passada).

servindo um cupim
Em qualquer comedouro de macho que se preze, haverá um garçom com um cupim esturricado, braço peludo e uma camisa cafona. 

Geralmente, você vai a uma churrascaria, o cupinzão chega fumegante à sua mesa e é servido em lascas (ver figura acima). Você pega a lasquinha, põe no prato e come. Não é o que acontece no Fogo de Chão, a churrascaria cara de Brasília que poderia servir bife de Kobe no buffet. Lá,  pra nossa alegria, o generoso garçom corta uma fatia da carne suculenta, tipo um rocambole e, ao servir o pedaço, é possível ouvir o barulho líquido da gordurinha estalando de queimada. Se você cutucar a carne com o garfo, ela treme feito uma gelatina. Se for brincar com a comida e jogá-la no prato, ela se desfaz em uma explosão de deliciosos mini-cupins implorando para serem saboreados. Tente fazer isso uma vez - é bem divertido!

cupim extremamente macio
Milagre da multiplicação dos cupins

Tá... Só escrevi isso porque eu estou com desejo de comer aquele naco de cupim novamente... É bom demais!!

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