domingo, abril 15, 2012

Eu e minha noiva grudentinha.

Meu primeiro casamento foi arranjado. Meio no estilo afegão da cerimônia - a noiva tinha uns 4 anos e meio. E eu também.

Sim... Lá vou eu contar mais uma história de infância, daquelas que praticamente só interessam aos pais e às tias. Começarei com um fato: eu tenho cisma com qualquer coisa que seja grudenta. Se cai uma geleia na camisa, eu praticamente lavo a camisa toda, pra ter certeza de que não encostarei em nada peguento ulteriormente.

Quando criança, eu já não gostava de sujeira. Mas não me lembro de implicar muito com coisa melada em particular. Porém, eis que em 1984, Tia Guiomar no Jardim I, dias antes da festa junina, me escolhe para ser o noivo do evento. Com meu orgulho de criança de 4 anos, eu POR NADA iria abdicar do posto. Só havia um detalhe: todas as meninas já tinham um par para a quadrilha. Já havia o padre e o amante sem mulher - sem a MINHA mulher, já que eu estava solteiro... Nada muito grave, a outra turma tinha belas mulheres sobrando. Na pior das hipóteses, alguma "tia" poderia fazer o papel - panela velha é quem faz comida boa.

No segundo dia de ensaio, pra alegria da Tia Guiomar, chegou uma nova aluna na turma ao lado do pai. A Yuri era uma japonesinha fofa, que devia ser autêntica pois eu não me lembro de ela ter aberto a boca para falar o que quer que fosse; em português ou em qualquer outra língua, por sinal. Chegou com o olhar tímido e inseguro ostentando um algodão doce em uma mão. A outra mão parecia estar sendo devorada, com os quatro dedos enfiados numa boca envolvida por pedaços de açúcar derretido. "Raphael! Olha que bom! Chegou sua noiva! Vem com a tia!" A Yuri tirou a mão da boca. A pequena mão estava rosada e brilhante. Eu pensei "FUDEU!!!" ou expressão equivalente. Ainda tentei me safar:

- Tia... A mão dela tá suja!
A tia olhou, deu dois tapinhas - DOIS TAPINHAS!!! - e disse:
- Pronto! Tá mais não. =)

Era precisamente isso que eu temia. Yuri sorriu pra mim. Nossas mãos foram unidas e abençoadas para uma união efêmera (lembram do amante?) no meio de uma massaroca grudenta de algodão doce rosado. Passei o ensaio todo com a minha mão melecada e olhando torto pra japonesinha, que tinha as mãos e a boca cheias da iguaria. Como ela podia aguentar todo aquele grude?

Geemu Ooberu!!!!! (Game Over)

No dia da festa ela não estava grudenta. Estava linda, e eu com 4 anos de idade já tinha plena consciência disso. A tradicional música começou a tocar:

"Com a filha de João
Antônio ia se casar

Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar"

Mal casei, já me roubavam a mulher, sob os olhares orgulhosos de pais coniventes com o roubo de Yuris alheias.

Lembro que até o fim do ano, a Yuri e eu ficamos um tando "grudadinhos". Nem tanto por amizade, mas por alguma cumplicidade boba de quem tem 4 anos e meio...

Não nasci de barba; bigodes e dentes pretos eram cortesia da minha mãe. Notem que eu fiz questão de cortar os cunhados da foto.

No ano seguinte eu mudei de escola e não fiz o Jardim II

Nas festas juninas subsequentes, fui o padre, o Pedro e talvez até o altar.

Voltei pra escola anterior, mas a Yuri não estava mais por lá (cheguei a procurar, mas nunca encontrei).

Sobre as fotos:
Não tirei nada com INSTAGRAM - amarelaram sozinhas. O post dependia delas, então procurei por 3 dias entre as mais de 10.000 fotos que temos por aqui. Encontrei na última caixa.

3 comentários:

Caly disse...

Gostei de ler a historinha! ^_^

Deo a Terrível disse...

Ah, que bunitinho! =D
Eu dancei quadrilha também, e participava do concurso de sinhazinha... Era legal. Mas na minha época, em 1990, o que pegava mesmo no prézinho era dançar lambada. Aiiiinda beeeem que eu não tenho foto! Huahua!

Besos!
" )

Dom Rafa disse...

Não acredito que apaguei meu comentário... ¬¬ Mas tinha a ver com lambada e foto da lambada em questão. E que supostamente eu devia ser o rei da lambada, por ser brasileiro, não estar no Brasil e bla bla bla.
If brazilian -> lambada.

Bjs ;)

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