sábado, junho 23, 2012

A conspiração dos sapatos

Às vezes, os sapatos voltam-se contra nós. 
(George W. Bush, no Iraque)

 Isso aí é algo que sentimos na pele. Para ser mais específico, na pele atrás do pé. O problema, imagino eu, afeta mais as mulheres. São elas as que sofrem mais nessas questões que envolvem os pés. Outro dia mesmo, uma amiga minha desabou feito coluna do Angry Birds ao encaixar o salto naquela armadilha parte da calçada que tem uma grade, dessas programadas para levantar a saia da Marilyn Monroe. Salto é uma desgraça. Além de deixarem a maioria das mulheres maiores que eu, cidadão do porte de um Hobbit do Condado, eles causam acidentes. Já ouvi histórias de japonesas que morreram ao cair de coturnos que se sustentavam sobre uma plataforma de dar inveja à PETROBRÁS. É, japonesas... Vocês ficam inventando moda em Harajuku, dá nisso.

coturno com solado alto
Plataforma. Ou torre... Chamem como quiser. Mas uma queda desse treco pode matar.

Se os saltos incomodam apenas indiretamente a classe macha -que eu saiba-, nós também compartilhamos um sério infortúnio de origem podóloga: a parte de trás do sapato, que muitas vezes é dura e cortante, funcionando como algo entre um ralador de cenoura e uma lixa de unha. Mais uma vez, acho que as mulheres sofrem mais. Elas usam esses calçados duros com maior frequência que a gente. Pior, costumam ter uma coleção deles no armário, para praticar auto-mutilação com um par diferente a cada dia da semana. É comum vê-las com aquele amontoado de esparadrapo acinzentado servindo de armadura ali no tendão. Não sei se homem usa o tal esparadrapo. Se usam, provavelmente estarão portando uma meia por cima. Eu mesmo nunca usei, mas é por teimosia e não por falta de necessidade. Gosto de acreditar que "dessa vez, não vai acontecer nada; que o sapato já tomou a forma do pé". Mas acontece. Me pergunto o que esses fabricantes de sapato têm na cabeça. Devem usar Havaianas. Aquilo ali atrás devia ser SEMPRE acolchoado, com alguma tecnologia da NASA (tudo hoje tem tecnologias e espumas da Nasa, já repararam?) para que nos sentíssemos como astronautas caminhando na Lua.


A lenda e o filme contam que ,Aquiles era um aventureiro como você, até que um dia tomou uma flechada no calcanhar. Mas a realidade dificilmente foi assim. O mais provável é que usando aquelas sandálias de couro duro malfeitas da época e sem band-aid da Pucca por perto, a parte de trás do seu pé tenha se esfolado lentamente até partir o tendão. O que nos permite concluir que, de Tróia pra cá, a coisa não evoluiu muito.  

Sapato que machuca o pé
Esquece a fita isolante em casa, pra você ver!

segunda-feira, junho 18, 2012

Maria da Penha II - Ela voltou!

Nova farofa Yoki. Sabor: picadinho chinês. Um post sobre chinês picado. E outros assuntos.
Há uns tempos eu escrevi sobre Maria da Penha, a mulher infernal que matou o seu marido na Estação de Marechal. Agora, um novo caso de esquartejamento de maridão ganha destaque na mídia. E, com ele, uma Farofa Yoki com novo sabor, temperando o Facebook e a minha caixa de mensagens. Na boa... Eu acho triste fazer piada com esse tipo de coisa. Imagino a "descontração" da família au ler a paradinha do "chinês (?) picado" - que não será postada por aqui... 

Se a Maria da Penha fatiou o marido por conta de violência, bebedeira e boemia, a Elize Matsunaga fez isso, segundo ela, porque ficou brava. Aí vêm as outras versões especulativas de que não foi bem assim. Com o objetivo de melhorar de vida e partir pra uma aventura "solo", ela cometeu um crime premeditado para tirar uma grana extra. Víbora!

mulher assassina
Sangue: meus posts costumam rivalizar com filmes asiáticos.

Me disseram que ela ficaria com a herança, o que não é bem verdade. Depois soube que a filha ficaria com a herança, e a assassina não iria administrar o dinheiro. Porém, ao que tudo indica, ela tem direito a parte do patrimônio, por conta da tal comunhão de bens. Aí vejo que a lei, muitas vezes acaba por proteger, sim, os criminosos. Obviamente, a sociedade se revolta com essas notícias. Consequência disso? A manchete do jornal Metro, de 6/6/2012:
Quase metade dos brasileiros defende torturas (47,5% segundo pesquisa da USP - não é pesquisa furada do Instituto Estatístico Pepperman).
E, de certa forma, eu faço parte dos 47,5%. De certa forma! Na matéria, temos o seguinte:

- A favor de pena de morte para estupradores;
- Muitos defendem ameaçar verbalmente, bater, dar choques elétricos, ameaçar parentes e negar água e comida a suspeitos de estupro; (SUSPEITOS??)
- Perpétua para terroristas;
- Trabalho forçado para políticos corruptos.

Sou a favor da tal pena de morte, o que infelizmente é pior para a família do condenado que para o condenado em si. Mas apenas em crimes reincidentes. Os trabalhos forçados também me agradam. Mas no caso de políticos, isso jamais seria proposto ou votado por eles mesmos. Se algum ler isso aqui, rirá da minha cara. Falando neles, certa vez o encrencado Senador Demóstenes estava falando sobre penas mais duras. Sugeriu o fim das visitas íntimas e o isolamento. Parece que no Japão, os presídios são confortáveis. Mas os presidiários não podem interagir. Não podem sequer olhar pro lado na hora do almoço. Deveria ser implementado aqui, aos poucos. E... Prisão perpétua, por hora, não vejo viabilidade, uma vez que as celas já estão demasiado lotadas... Ia agravar a situação, né?

Voltando à açougueira mencionada no início, não me entra na cabeça que ela poderá ter pena reduzida por ser ré primária e ainda pode ser liberada antes por bom comportamento. Ela devia apodrecer na jaula um pouco mais. Ficar os 30 anos que merece. Sair de lá uma velha carcomida. Ela e criminosos semelhantes.

...E quando eu for Presidente, essa história ridícula de auxílio à família do bandidão vai acabar.

Curiosidade: tem uns países em que a maioridade penal é de 2 anos de idade. Tou imaginando aqui o Chucky vindo me assassinar com uma peixeira. Mas, do jeito que as coisas estão, não duvido mais de nada.

sexta-feira, junho 08, 2012

Bife à cavalo

Lá vem comida novamente...O bife à cavalo, segundo os carápios dos melhores restaurantes ou "a cavalo", segundo os melhores professores de português, é aquele bife que vem com um ovo a tiracolo. Sempre achei que fosse uma invenção de restaurante de estrada. A combinação bife + ovo é pura proteína e, com um mocotó e uma Malzbier acompanhando, a equação perfeita para turbinar o viajante. Mas qual seria, de fato,  a origem do nome? Comecei a pensar sobre isso outro dia, chegando a algumas hipóteses.

1) O CAMINHÃO:
O prato me remete a boiadeiros, caminhoneiros e outros que trabalham duramente, percorrendo longas distâncias. Um trabalho cansativo, que pede sustança. Daí a "invenção de estrada". Um bife com ovo é uma acessível explosão de energia! E cavalo tem tudo a ver com peão tocando a boiada e caminhoneiro dirigindo o "possante". Nada de pônei, por aqui. Coisa de macho. Fuçado!
Caminhao inflamavel


2) AO PÉ DA LETRA, ESCRITO ERRADO:
Carne de cavalo? Sim, dentre tantas esquisitices, eu já comi carne equina. Minha mãe comprou uma vez por engano, achando que era carne "comum". O sabor estava meio diferente, um pouco mais adocicado que o normal. Fomos olhar a data de validade na embalagem, para ver se estava podre, mas não era o caso. Lemos então o nome: carne de cavalo. Daí o gosto esquisito. Foi comprada em outras vezes - não era ruim. Bife a cavalo seria apenas um errinho bobo. Queriam dizer bife de cavalo (com um ovo trepado); evoluiu pra bife de cavalo com ovo estrelado, bife de cavalo com ovo, bife de cavalo e, finalmente, em 14/5/1916, BIFE À/A CAVALO.
bife a cavalo


3) TARTAR STEAK:
Sei que não é isso, mas ah... é uma versão legal! Tartar steak é aquela carne moída crua com especiarias, apreciada na Europa. Geralmente apresenta-se no formato de um vulcão com uma gema de ovo, também crua, no centro (carne + ovo. Viu?). O nome vem de "steak à la tartare", molho que, por sua vez, é atribuído ao povo tártaro. A relação do molho com o povo é obscura. Os tártaros cavalgavam em direção aos vilarejos para fatiar camponeses, pilhar tudo que fosse brilhante e, principalmente, entrosar-se com as belas europeias. Sem Maria da Penha, feminismo ou direitos humanos, a esposa do camponês era presa facílima. Posse, naquela época, era apenas um aviso top-down. Ao cavalgar entre uma destruiçãozinha e outra, colocavam um pedaço de carne entre a sela do cavalo e o bicho. O calor dava uma cozinhada, o suor do cavalo salgava e, uma vez no destino, era só adicionar alguma especiaria e comer. A carne semi-crua dos tártaros era também um bife a cavalo. Algum povo deve ter tido a ideia de grelhar e cobrir com um ovo. Ficava menos selvagem.
barbaro raivoso


4) A GRAMÁTICA:
A maldita "crase" é a junção da preposição "a" com o artigo feminino "a". No "bife à milanesa", ela aparece. Isso é porque, nesse caso, temos a expressão "a moda de" elíptica. Na verdade, é "bife à moda de Milão". Sendo assim, bife à cavalo não tem crase. Teria se fosse feito por algum cavalo. Mas não foi. Explicação a seguir. 
Aa

5) A VERDADE:
Final das contas: segundo o Google, a Wikipédia e o Severiano - porteiro aqui do prédio, apreciador da iguaria, o tal "bife a cavalo" tem origem européia. O nome seria uma alusão ao fato do ovo não somente estar montado em um bife como também ter a aparência de uma sela. Menos interessante, a meu ver, do que a versão tártara.
Bife a cavalo


6) A PERGUNTA:
Tá. Agora... Se o ovo está por cima, não seria este a cavalgar o bife? O nome do prato deveria ser OVO A CAVALO, ou então a coisa está sendo cavalgada ao contrário...
ovo

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