quarta-feira, agosto 29, 2012

Filas de supermercado

A fila ao lado anda mais rápido, a mulher do cara na minha frente trouxe mais duas cestas de comida e eu estou com dor de barriga...
 Caso você viva em uma grande cidade, uma coisa, além da morte, será certa em sua vida: um belo dia, você passará pela experiência de ter de aguardar pacientemente sua vez na fila do supermercado. A matemática prova que, por um cálculo simples de probabilidade, são grandes as chances de as filas ao lado, de fato, andarem mais rápido que a sua, causando frustração imediata. Ou seja, tecnicamente, pouco importa qual fila você pegue; seja a minúscula ou a maiorzinha que termina fora do supermercado, seu tempo de espera pode parecer eterno. Além do tamanho, outras coisas mais discretas também têm sua influência:

formas de pagamento
Variáveis variadas que afetam seu tempo de espera.

1: A máquina de cartão de crédito: ...pode quebrar. O rolo de papel eventualmente acaba e sempre é uma novela para trocá-lo. Quanto mais gente, maiores chances de isso acontecer - acaba mais rápido.
2: O ciganismo: arte de migrar entre filas. Quando a fila ao lado anda e você, espertalhão, resolve mudar, Deus castiga, e as tês pessoas que estavam atrás de você já foram pra casa. Seu tempo de espera pode aumentar.
3: A forma de pagamento: a opção pelo pagamento em dinheiro tem também suas desvantagens. Na maioria das vezes, o caixa não terá o troco que o cliente precisa e deverá encontrar o colega que taaaaaaaaaaalvez o tenha. O colega estará no banheiro.
(fonte: experiência prória)

fila do supermercado
A armadilha do caixa rápido.

O  "Caixa rápido: até 10 volumes" é outro "atrativo" que tem por objetivo agilizar sua vida. Se em um caixa normal estiverem duas pessoas comprando mantimentos suficientes para encher um bunker e sobreviver a um holocausto e, na rápida, cinco velhinhas com cara de biscoito folheado, cada uma com a sua bisnaga, a última fila será a escolha óbvia. O primeiro biscoitinho cata moedas em uma bolsinha florida dos anos 20, devagarinho. O caixa confere e se dá conta de que o pagamento está errado. Ocorre uma nova transação. Algo semelhante acontece com as próximas três. A última paga com um cartão de crédito e, na sua vez, o rolo acaba. Quanto mais gente (e o "caixa rápido" atrai muita), maiores as chances de fim de rolo, falta de troco e panes no sistema.

Nota: "Jesus, Maria, José" é um bordão da novela "GABRIELA", em 2012. Se em 2014, alguém ler isso aqui, favor desconsiderar.

o proximo da fila
 A lógica da fila: a gente vê por aqui...

Momento didático sobre a fila do supermercado.

Eu também fazia isso. Até que uma luz me iluminou e eu percebi meu erro. Observem a figura. Tudo começa quando um arco íris desce sobre um caixa e ele pronuncia as palavras mágicas: CAIXA ABERTO! PRÓXIMO!

A fila à esquerda está muito à esquerda para fazer alguma coisa. Já a do meio... O último cara dessa enorme fila, antes que o caixa termine de dizer "próximo", já voou em direção a ele, atropelando uma velhinha folheada e duas crianças. Ele não é o próximo. Ele é o último. O próximo é aquele que está aguardando há uns 20 muinutos para ser atendido.

E eu NUNCA vi um próximo reclamando disso.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Fotografando a Comida

Falta de assunto? Fale da comida!

...Mas não é só isso! Falta do que fotografar? Fotografe a comida. Espalhe pelo Twitter, Instagram, Facebook e até Orkut, se você ainda lembrar da senha. De uns tempos pra cá, a enorme quantidade de fotos gastronômicas que apareceram pelas redes sociais virou tema de piada. 

As razões para a proliferação dessas fotos são simples: do Suriname ao Mali, todo mundo fala de comida e os filmes de 36 fotos Kodak ISO400 são coisas do passado. Em uma proporção meio grosseira, por causa da "fotografia digital" e do "ficou feio, apaga", há mais possibilidades de tirar fotos do que coisas a serem fotografadas. Com toda essa liberdade, entra em cena (literalmente), a comida. Em vez de simplesmente sugerir a um amigo uma visita ao "Dog do Bira", ali em frente à Igreja e falar de todas as suas colesterólicas opções, sugerindo uma tal BOMBA DO BIRA, que tira 3 anos de sua expectativa de vida (mas vale a pena), basta eu colocar uma foto. Posso até mesmo estragá-la com algum efeito esquisito do Instagram.

comendo um cachorro quente
O amigo entendeu. Missão cumprida.

Além do mais, dizem que você é o que você come, logo, tirar uma foto do que você está papando é como tirar uma daquelas fotos no espelho, na qual o seu bucho também participa. Agora levante as mãos para o céu e agradeça a liberdade de fotografar tudo quanto é besteira, proporcionada pela era digital.

funcoes de um smartphone
Só coloquei esse gráfico porque ele parece uma pizza. Ontem eu comi pizza.

Assim sendo, continuem postando fotos de comida. Todos falam disso e, mesmo que seu amigo não dê a mínima para o que você comeu (uma verdade na maioria dos casos), aquele pão de queijo terá carisma suficiente para que esse detalhe seja ignorado. Como eu já mencionei em um post anterior, até mesmo os insetos falam de comida. Ou seja: comer é humano!!


domingo, agosto 19, 2012

Opções "Curtir"


“Porque no final das contas, eu também sou um chato que gosta de aparecer.”

Os Blogs, Twitters, Facebooks, e similares têm hoje uma função bacana, mas que torra a paciência: os 5 segundos de fama e a facilidade de divulgação de qualquer coisa. Quem participa em uma dessas redes, e acho que isso se aplica à imensa maioria dos usuários, adora uma visita ao Blog, uma resposta/RT no Twitter, um “curtir” no Facebook, um comentário qualquer e têm verdadeiros orgasmos a cada compartilhamento. Gosta de aparecer e ser reconhecido, emfim. Isso costuma encher o saco até da própria mãe (que na maioria dos casos nem tem o saco propriamente dito). Eu também, de certa forma, faço parte dessa escória do "FILMA EU, GALVÃO". Porém, o que por vezes irrita a mim e possivelmente a todo o resto é a mesmice. Mensagens pedindo para curtir, seguir, compartilhar, jogos, calendários e, principalmente, aquelas malditas caixas que envolvem uma seta e "ESSA PESSOA~". Tudo parece igual.

Seria ótimo ver algo diferente de vez em quando e, se aparecer alguma dessas na minha vida, Parabéns! Minha atenção, interação e admiração estarão garantidas! E provavelmente ainda vou querer compartilhar!

farmville do mst
Já cansou dos VILLES bonitinhos e politicamente corretos? CHEGOU A HORA DE QUEBRAR TUDO, COMPANHEIRO!! (instalaria o aplicativo imediatamente).

curti
Tudo em nome da saúde. Ia curtir (vai que eu preciso) e passar a batata quente pra lista toda.

panda morrendo
Por via das dúvidas, eu ia comentar...

retweet
Merece um crédito, mesmo se o cara só escrever lixo!

acre facts tudo sobre o acre
Um quiz que adicione mais cultura ao invés daqueles que nos fazem descobrir a qual parte de uma aranha nós correspondemos. ¬¬

angry birds retweet
Eu apertaria o botão RT. Até o assunto aparecer nos Trending Topics!

RESUMINDO... O que todo esse povo quer no final das contas:
curti cobain

Vou postar essa besteira no Facebook, Twitter, e num outdoor aqui em frente à minha casa?
VOU!
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Feito no Photoshop, durante três dias, por culpa do panda, do trabalho, da falta de tempo e da Gabriela (seriado, que fique bem claro). 

Inspirado em: Oatmeal Comics.

segunda-feira, agosto 13, 2012

A Praia do Forno

Pelo que me dizem, Búzios é uma cidade que, no verão, vira um ímã de argentinos, assim como Miami vira um ímã de brasileiros. Eu não sei, porque há milênios eu não vou pra lá. Das vezes que eu fui, não vi nada demais nas praias. Pelo que eu ouço dizer hoje, não são estas o atrativo local mas sim "gente bonita e vida noturna agitada". Tipo uma Ibiza.

Mais ao sul, temos Cabo Frio. Vejo como um meio-termo entre o lazer frenético de Búzios e a calmaria esperada de uma pequena cidade litorânea, posto que, na minha infância, cabia a Arraial do Cabo - na época, se bem me lembro, apenas um distrito de Cabo Frio.

Arraial do Cabo era, apesar de menos procurada, um destino obrigatório da minha família. Não tinha muita gente morando lá e os turistas que apareciam (pra mim eram bastantes e O bastante) vinham muitas vezes das outras duas cidades já mencionadas. No local onde eu ficava, a rua não era asfaltada e um porco preto e gordo passeava por ali, alimentando-se em um terreno baldio cheio de lixo, não muito distante.

Há mais ou menos 17 anos, eu não vou à Arral do Cabo. Mais da metade da minha vida.

Hoje, pelo que me dizem, "A cidade está ótima! Cresceu, tem bons restaurantes, tem sushi e temaki no calçadão da praia (Prainha - a mesma que eu frequentava, sob o olhar do porco), tudo está asfaltado... Está uma beleza! Está tão grande, que o morro tem até favela!!" Sinceramente, eu não vejo que "beleza" tem nisso aí. Que beleza é essa que, no verão, enche de "farofeiro"? Aqueles turistas brasileiros que ouvem musica, falam alto e largam lata de Skol e canudo de côco pela praia? Na minha época, dava pra ir à praia em dezembro sem ter que brigar por lugar - hoje já não dá mais. E toda essa minha história dramática para chegar à Praia do Forno...

Ali, era a praia cuja estrada de acesso havia sido dinamitada. Você ainda podia ir, por uma trilha longa e perigosa ou de barco. Mas ninguém se dava muito ao trabalho. Fui lá duas vezes com meus pais, para encontrar uma praia totalmente deserta de vida humana. Tranquilo para pescar, e mergulhar em volta de uma embarcação semi-afundada perto da margem. Outro dia vi essa foto mais atual, da deserta Praia do Forno e perdi as esperanças na humanidade.*

praia do forno arraial do cabo
Primeira e única coisa que me veio em mente: "FUDEU!!" 

 Que me perdoem os que gostam de animação, mas praia boa é praia deserta. Pra mim, uma cidade que tem praias desse calibre, ter crescido não é "uma beleza", mas praticamente um pesadelo. Meu único consolo é a Praia do Farol, controlada pela Marinha e com acesso restrito. Bem que ela poderia controlar mais uma ou duas na região, dessas que você só chega de barco...

* Pelas pequisas que eu fiz, essa foto é MESMO da Praia do Forno, esmagada entre o mato e o mar, mas acredito que seja durante alguma festividade.

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