quarta-feira, setembro 26, 2012

Mate

Deus criou o mate
 Dentre outras coisas, o mate também é criação divina. Até os ateus devem concordar com isso.

O ex-ditador da Uganda Idi Amin Dada autoproclamou-se: "Sua Excelência, Presidente Vitalício, Marechal de Campo, Doutor "Al Hadji" (?) Idi Amin Dada, portador da Cruz Vitoriana, da Distinção da Ordem Social, da Cruz Militar, Senhor de Todas as Feras da Terra e Peixes do Mar, e Conquistador do Império Britânico na África em Geral e da Uganda em Particular." E ai de quem não o chamasse assim. Nada a ver com o que vou escrever aqui. Só um bônus curioso.

Certa vez, fui a uma palestra na qual se apresentou uma representante da Coca-Cola. Ela disse que a empresa adota a seguinte postura: o objetivo é que, onde quer que você esteja no mundo, numa tenda nômade de alguma estrada perdida no deserto de Gobi ou em um café de Paris, uma Coca Cola, geladinha, gasosinha espere por você. Imediatamente pensei comigo: o mate. O Deserto de Gobi precisa de mate.

amo mate
 Eu, ao entrar em um estabelecimento que serve mate.

Quando eu era criança, era dificílimo achar mate na minha cidade mas, quando eu ia de férias para o Rio, a minha avó já sabia do que eu gostava de beber. Ela fazia litros e litros de puro mate e eu simplesmente não bebia mais água. Com o calor, o mate geladíssimo não parava de descer. O mate gelado (ou Matte, em se tratando do produzido pela marca "Leão" - que acredito ser a mais famosa) combina com tudo e, se eu fosse o Presidente Vitalício de Uganda no Brasil, mandaria fechar qualquer estabelecimento que não tivesse algum tipo de mate estalando de gelado no cardápio. Já cheguei a ver gente tentando me tapear, trazendo algum Ice Tea da vida, chamando de mate. Falando nisso, caros fabricantes do Matte Leão maravilhoso, por favor NÃO adotem a lata. O gosto muda e bom mesmo é o do copo. Melhor ainda o feito com a erva na hora, mas o do copo dá pro gasto.


matte leao no copo
 Nada de lata, Leão. Por favor!

E por que eu gosto tanto de mate? Simples! Ele tem o poder de refrescar nos dias de calor, não te deixa cheio feito bebida gasosa e consegue transformar a pior das comidas em uma iguaria.

matte com pao de queijo
Na verdade, não está fresquim, está lá com a barata desde 2009. Mas com mate, fica bom!

Aqui na minha terra, ele tem lugar de destaque, já que faz parte da provável comida-símbolo da cidade. Se Londres tem o Fish and Chips servido na página dos classificados, em Brasília temos a Dupla e um Mate, servida na "Pizzas Dom Bosco". Trata-se de um lugar que, desde 1960 (pelo que dizem, mas eu não acredito) serve pizzas na capital federal. Não sei se pizzaS seria muito adequado, pois me faz entender que há mais de um sabor - e que eu saiba, não há. Desde sempre, eles servem o mesmo prato, que leva massa, molho de tomate, muçarela e orégano - simples assim. A "dupla" em questão significa uma fatia sobre a outra, a serem apreciadas com a mão, acompanhadas de um mate, ali mesmo no balcão. O "combo" é tradicional, apesar das outras opções.

Com molho e muçarela queimando a sua mão infeliz. O Rolls-Royce da gastronomia brasiliense.

Voltando ao distante início da postagem, pela época da palestra da Coca-Cola, fiz um trabalho sobre o tal "Matte Leão" e incluí um saquinho para o professor provar. Como eu imaginava, o cara não se aventurou. Perdeu uma grande oportunidade...

quarta-feira, setembro 12, 2012

Águas Claras: por que eu me perco? (revisto)

Pra quem não conhece, aqui perto de Brasília há uma "Região Administrativa - R.A." (não é cidade, nem região metropolitana, nem capitania geral, nem feudo; vá entender...) chamada Águas Claras. Fica perto de Taguatinga, Arniqueiras e Parkway. É linda, moderna, tem duas três¹ estações de metrô e é famosa por duas características: trânsito e recém casados. Isso mesmo. Na capital da pátria de cerca de 80% dos leitores que aparecem por aqui, a regra básica é essa. Casou? Vai morar em Águas Claras! Afinal, ficar em Brasília significa arcar com custos estratosféricos; uma quitinete por aqui pode valer uns R$ 100 ou 150.000,00. (Obs.  da Clarissa em seu comentário: Já valorizou. Está em 200-250) 

Para chegar a Águas Claras, não existem muitas rotas possíveis e, pra piorar, as rotas possíveis² levam a outras R.A. com alta concentração de gente. É bom gostar de carro ou de calor humano no ônibus... Probabilidade grande: o morador de lá não dará "Boa Noite" ao William Bonner.

Após a breve introdução da cidade, vamos ao título. 

Eu me perco em Águas Claras, onde meus amigos casados moram. Eu tenho mania de não decorar rotas, mas me guiar por placas. Nessa cidade, as ruas principais têm nome de planta - talvez para suprir a falta de árvores na maior parte dela (concrete jungle). As secundárias têm apenas número e direção sul/norte³. Mas... Algumas placas, com as quais eu conto para me levarem ao meu destino, são mais ou menos assim:

Placa em aguas claras
Problem?

No mundo normal, as ruas têm um nome e certamente não têm a boa vontade de indicar tudo quanto é rua das redondezas. Duvidam de mim? Basta passear pelo Google Maps.

direcoes em aguas claras
WTF? WTF!

Na minha interpretação turística, eu estou em algum cruzamento, em uma rua "x" que, se eu virar à direita, irá me levar a uma dessas ruas indicadas. Prático?

N Ã O !

Fácil de ver no blog, mas com o seu carro a 60 km/h e, considerando a fonte Arial 14 usada na placa (que aqui parece grande mas não é), a leitura desta é praticamente impossível. À noite a coisa piora e o que eu consigo enxergar é algo semelhante a isso:

placa de sinalizacao em aguas claras
Nem médico entende essa letra.

Ao senhor que projetou essas placas fica a dica: em uma eventual "Águas Claras II" (temos isso aqui também, as R.A. de sucesso ganham uma continuação), indique em um cruzamento "Avenida Comigo-Ninguém-Pode" e "Alameda Carrapicho". Mas pelo amor de todos os Deuses, não me venha com placas indicando onde encontrar a flora toda!

Obrigado.
___________________________
Correções: graças à Gegê...

1) São, pelo mapa, cinco estações de metrô - Dezesseis, Arniqueiras, Dezessete, Águas Claras e Dezoito -, três das quais estão ativas. No "fim" da cidade tem a est. Concessionárias mas eu não considerei.
2) São quatro rotas possíveis, todas com nomes esquisitos para quem não é daqui: EPTG, EPGU, Estrutural e EPNB. Ficam cheias de carro não por conta de Águas Claras mas por serem vias de acesso a outras cid... R.A. cheias de gente.
3) Eu só quis simplificar... De fato, há secundárias com nomes fitoterapêuticos.

quarta-feira, setembro 05, 2012

EcoBags

O Planeta agradece?

Na postagem anterior, falei de filas de supermercados.  E esta seria a continuação daquela - uma "despedida" do supermercado - mas, para evitar um provável TLDR, eu resolvi "parar na metade" (ou quase).

Tudo começou no dia em que, após enfrentar a fila, enfrentei outro problema cada vez mais constante: a escassez de sacos plásticos e aquele monte de sacolão grande parecendo bolsa de praia pendurado em destaque ao lado do caixa. Olhei em minha volta... Muitos sacolões de praia. Todos melancolicamente pendurados; nenhum sendo de fato usado. São as EcoBags - sacos ecológicos; mais resistentes, feitos por crianças carentes do Laos. Quando você compra, 20% do valor vai para uma ONG que cuida das ditas crianças, dos pandas, dos kiwis e de uma penca de causa com "sustentável" no sobrenome.

Eco Bag do Panda
Uma triste e solitária EcoBag, implorando para que alguém pague R$ 17,00 por ela.

Nesse contexto, fui conversar com a moça que estava me atendendo, sobre a falta de saco...

- Esses sacos estão cada vez mais escassos, né?
- É. Por que o senhor não leva uma sacola dessas?
- Eu não gosto. Os sacos são mais práticos.
- Mas daqui a uns meses, nosso supermercado não vai mais fornecer sacos. Em São Paulo já é assim.
- ...?
- É que essas sacolas não poluem o ambiente... =)

Porém, moça do supermercado, o meu lixo deve encontrar seu destino em algum lugar. E o lugar ideal é o saco plástico do mercado. Não vou jogar papéis velhos, restos de comida ou filhotes de gato na EcoBag. E, imagino, terei que comprar sacos de lixo para tal fim. Saco por saco, a diferença aqui é que agora eu terei que PAGAR por algo que irá exercer a mesma função - e, a meu ver, de forma menos eficiente. No fim, tudo será provavelmente incinerado e transformado em fumaça preta.

Os sacos tradicionais não são tão ruins assim e seu papel enquanto petisco de tartaruga está acabando com a sua reputação. Eles são práticos, podem ser usados para diversas funções, são recicláveis (mas pra quê gastar com isso, né?) e não serão esquecidos em casa ou no porta-malas do carro, como as Ecos. Os dois têm seus altos e baixos e para que os altos sejam aproveitados, basta usar cada um corretamente. O que eu sempre fiz foi não exagerar no uso e aproveitar o espaço. Prático pra mim, seguro para as tartarugas.

E eu não pretendo comprar nenhuma sacola ambientalista e desfilar de Capitão Planeta por aí.

Fontes de uma pesqisa pró-plástico:

PS: estava brincando quando falei em descartar filhotes de gato.
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