terça-feira, dezembro 24, 2013

Angry Birds (Raivosos Passarinhos)

Reza a evolução que, um belo dia, os répteis resolveram subir em árvores, pular e bater as patas inutilmente até caírem no chão feito uma jaca podre e virar um amontoado de carniça. Até que de tanto fazer isso, um dia, *pluft!* apareceram plumas e eles começaram a voar. Epic Win, sonho realizado. Nasceram então os pássaros, que são geralmente maiores e mais legais que os insetos e passeiam graciosamente pelo ar. Menos o morcego, que faz tudo isso mas é mamífero, tem um radar e gosta de ficar de cabeça para baixo. Anarquista.
A maioria desses animais não inspira medo. Quando alguém fala "passarinho" ou algo semelhante, ninguém pensa em algo violento ou agressivo. Pensa em um canário, periquito australiano, pombo cheio de doença ou o que for. Mesmo depois do famoso joguinho onde eles assassinam cruelmente porcos verdes para arrancar-lhes o bacon (alguém acha que o motivo é outro???)

Porém... Há pássaros que, sim, são dignos de povoar pesadelos. Os verdadeiros pássaros raivosos. 3 deles são...

1. Picanço, o Conde Drácula.

Parece um pardalzinho inocente da cidade. É um pássaro de porte médio, de aspecto normal e garras fortes o bastante para agarrar suas presas já que, como era de se esperar, trata-se de uma ave predatória. O quão predatória? MUITO predatória. Extremamente agressivo, territorialista e antissocial. Não gosta muito de outros da espécie passando pelo seu perímetro, a não ser no período de acasalamento. O picanço é discípulo de Drácula. Para quem não conhece a história, "Drácula" vem de Vlad Dracul, o Príncipe da Valácia. Conhecido pelas batalhas de independência contra o império Otomano e luta contra o expansionismo muçulmano na Romênia e Moldávia, tinha o costume de empalar seus prisioneiros de guerra em estacas e tomar café da manhã no jardim vendo-os agonizar até a morte. É justamente isso que o passarinho com ar inocente faz. Suas vítimas, pequenos mamíferos e anfíbios são capturados e logo transformados em shish kebab no primeiro galho que possa servir de espeto. Uma vez espetado, é devorado calmamente, ou deixado para o lanche no dia seguinte. Até hoje não há relatos de vítimas humanas.

picanco
Fica aí quietinha que já já eu vou te comer...

2. Quero-quero, sempre atrás de você. Literalmente.

Quero-quero é um belo pássaro que fica exposto em campos abertos enquanto muitos outros buscam abrigo no topo das árvores. Fazem o ninho ali no chão mesmo, sem nenhuma cerimônia. Isso porque não estão nem aí e não precisam se esconder de nada. Seu nome vem do canto, que segundo alguns, lembra o som que "quero quero". E ele quer quer ver a caveira do infeliz que, por descuido, adentre seu campo minado (de ovos e filhotes). Quando eles começarem a gritar "Quero Quero", comece a se preocupar. Fique parado e recue lentamente. Não vá em frente, e não "queira" enfrentar os bichos. Se um levantar vôo, reze e corra. Provavelmente serão mais de um, te atacando por trás e gritando na sua orelha de forma ameaçadora. Além da agressividade, ele possui dois esporões afiados na ponta de cada asa e atacam em bando aves de porte bem maior. Com certeza não pensariam duas vezem em empalar qualquer picanço que aparecesse.

quero quero e sua caveira
All your bases are belong to us!

3. Casuar, o Casuar.

Não tenho conhecimento de nenhuma outra ave tão perigosa quanto um casuar. Parece uma ema de cara azulada e expressão irritada com um chifre na testa, querendo ser o único unicórnio entre os pássaros. Não voa, assim como os pobres e mais inofensivos kiwis e dodos (que estejam em paz). Mas é o mais próximo de um velociraptor que temos hoje. O conjunto chifre, velocidade, força, raiva e garras pesadas, assustadoras e afiadas fazem dele o tanque de guerra ceifador de vidas entre os pássaros. E o casuar nutre um ódio particular por humanos. O picanço não vai te empalar, você pode fugir do quero-quero... Mas aqui é outra história. Se o casuar encrencar com você, pode dar adeus à vida. Ele corre mais. Ele é mais ágil, E ele pode te arremessar longe com um chute. Ou rasgar sua barriga com as garras. Assim como todo os seres demoníacos da Terra, resolveu morar na Austrália...

casuar assassino
"Humanos"? Eu ouvi alguém dizer "baratas"?

quinta-feira, outubro 31, 2013

Jack-o'-Lantern. Ladrões & Legumes

espantalho abobora

Chega dia 31 de outubro e, ao menos no Hemisfério Norte, abóboras mal-encaradas aparecem na porta das casas, muitas vezes acompanhadas de teias de aranha sintéticas e morcegos de borracha pendurados. É o famoso Halloween - "dia das bruxas" - não muito difundido por aqui. A celebração aparentemente tem origem celta e chegou aos EUA com os imigrantes irlandeses, tornando-se extremamente popular naquele país. Abóboras, conhecidas como "Jack-o'-Lantern" vieram junto.

O legume de cara feia tem uma história... Tudo começou com um efeito chamado "ignis fatuus", luzes fantasmagóricas que aparecem sobre lagos e pântanos - muito comuns na Irlanda, Escócia e adjacências. As luzes são consequência da decomposição da matéria orgânica que produz gases fluorescentes ou faíscas quando em contato com alguma substância presente no ar. Se hoje temos uma explicação científica pra isso (lá vem a ciência acabar com a minha assombração), lá pelo século XVII, ver um espectro luminoso em um pântano à noite era emoção suficiente para fazer qualquer um imundar as ceroulas. O apelido dessas luzes era "Jack of the Lantern", no qual "Jack" era um homem qualquer portando uma luz. Esses "fantasmas" pantanosos, segundo a crendice popular, apareciam para desviar viajantes incautos do caminho...

...E a criançada adorou a ideia! Na Inglaterra da época, crianças e jovens tinham o costume de esculpir beterrabas e nabos, colocar velas dentro e usar aquelas bruxarias para apavorar viajantes, como se os gases do pântano não fossem o bastante. Entre crianças católicas, a brincadeira era comum entre os dias 31 de outubro e 5 de novembro. Elas iam de porta em porta com as lanternas simbolizando as almas penadas, pedindo por biscoitos (Soul Cakes). 

jeremias bebado
 U cãu fui quem budô bá nóiz b'bê...

Mas não se trata apenas de luzes mal assombradas ou brincadeiras de criança. Na Irlanda, temos a história de Stingy Jack, um cara mais macho que Chuck Norris que conseguiu trollar o capiroto.

Stingy era um ladrão bêbado e malquisto. Certa vez resolveu chamar o capiroto para beber um whisky com ele em um bar e o tinhoso aceitou. Tomaram todas e, na hora de pagar a conta, o coisa ruim espantou-se ao ver que Jack estava mais liso que quiabo. Então, o bebum lhe fez uma proposta: "diabão... Vire uma moeda de libra, que eu pago a conta. Depois, quando eu sair do bar, você vira capeta de novo e foge pro inferno." Ingenuamente, o demo virou uma moeda e foi prontamente colocada no bolso do bêbado, junto a uma cruz de prata, impedindo que este voltasse à sua forma diabólica. Porém, Stingy teve piedade de seu amigo e resolveu soltá-lo, com a condição de que, após sua morte, sua alma não iria para junto dele. Sem opção, satanás prometeu que não o levaria para as chamas eternas. Até que um dia Jack morreu. Porém, no céu, deu de cara com portões fechados, já que São Pedro não permitiu que ele entrasse lá com suas credenciais. Também não pode ir pro inferno, pois o cão cumpriu sua promessa. Mas, retribuindo a Jack o gesto piedoso de outrora, o cramunhão deu de presente uma brasa que nunca apaga, para que a luz guiasse sua alma errante pra sempre pelas trevas do purgatório. Sem alternativa, Jack esculpiu um nabo e anda sem rumo com ele aceso desde então.
 
Na Irlanda, as famílias passaram a esculpir nabos e beterrabas com caretas e iluminá-los para afastar a alma de Jack e outros possíveis fantasmas. Nos EUA perceberam que, não somente as abóboras eram mais abundantes, mas também eram melhores de serem esburacadas para ganhar feições medonhas. Daí vêm as abóboras de Halloween.

portão do inferno

A fabulosa história de Jack, porém, dificilmente é verdadeira. Primeiro, porque diabo não costuma ser gente boa e sair por aí tomando drink com qualquer zé ninguém. Segundo porque o Turcomenistão é muito longe da Irlanda. Acham MESMO que o demo iria se deslocar até lá pra beber whisky?

Feliz Halloween a todos!
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Soul cakes: biscoitos amanteigados ingleses, feitos tipicamente para a época de finados. Eram entregues a crianças e mendigos e simbolizavam uma alma penada que, uma vez consumida, era liberada de seu tormento.

sábado, outubro 19, 2013

A Power Aula

Power Point. Conhece?

power point logo
.ppt

Segundo a definição mais aceita, é um "programa concebido para a criação/exibição de apresentações, podendo conter textos, imagens, sons e animações". Aquele bloco de notas gigante no qual gráficos eram apresentados em toda santa reunião de empresa foi aposentado - ou pelo menos está em desuso.

laser para power point

Retomando a característica de "~podendo conter textos, imagens, sons e animações" chegamos à conclusão de que temos em nossas mãos uma explosão de versatilidade mágica para deixar a nossa vida mais linda e colorida com esse software que faz tudo. O que pode dar errado com tamanha perfeição?

Como hoje é ontem anteontem (dane-se) foi dia dos professores e, por incrível que pareça, já tive aula, resolvi juntar os dois conceitos. E, caros professores, evitem o Power Point. É uma armadilha didática do Satã Goss. Essa entidade ruim (quem não tem a minha idade, vá ao google e procure "Jaspion") confunde a mente de vários professores que, maravilhados com as inúmeras possibilidades da ferramenta, vão lá e... Usam! E pronto, caíram na armadilha...

O grande problema:

"Apresentação" é bem diferente de TODA a matéria. Muitos professores não se dão conta e abandonam o giz que suja a mão em prol da tecnologia. Ditar o que deve ser escrito também é chato. Bem melhor explicar o conteúdo e "apresentar" a teoria...

zoom in

...No formato de um número sem fim de slides com longos textos escritos na bela fonte Times New Roman 11.

Às vezes, é tanta matéria disponível pra copiar por slide - pra quem gosta de copiar tudo - que a vítima mal passa das três primeiras linhas e não consegue copiar toda a fórmula de alguma equação "muito importante". Menos ainda a explicação da formula no slide subsequente. Isso contribui para as melhores postagens no Instagram e no Facebook, refúgio imediato dos desiludidos que se perderam nas anotações.

aula fail

Para facilitar a leitura, basta escurecer a sala. Dá sono, é verdade, mas quem irá dormir tendo à sua frente tanta tecnologia?

dormindo na aula

...A menos que a grande tecnologia esteja desfocada. Satã Goss também previu uma extensão chamada "retroprojetor" que interage de forma maravilhosa para nos fornecer, vez por outra, uma apresentação embaçada de estragar a vista de qualquer um.

professor feliz

Power Point é tão horrível assim? Nunca! Ele pode ser tudo de bom na nossa vida. Basta seguir a pequena regra de ouro: 
NÃO
USEM
POWER
POINT
NA
AULA! 

terça-feira, outubro 01, 2013

The Bloop

A história da humanidade está recheada de mistérios... Basta ver os documentários do "History (?)" (grande ênfase no HISTORY (?)) Channel para sair se perguntando se sereias existem mesmo... Sim, eu vi esse documentário e, pior, achei convincente. Um macaco tornou-se "aquático", evoluiu pra o fundo dos mares e "sereiamos". Baleias e focas são mamíferos; porque não poderia haver um mamífero humanoide, já que conhecemos tão pouco do mar? Hein? Hein? Além do mais, eu vi na Disney... 

Agora... O The Bloop, pela possibilidade de envolver envolver Cthulhu, eu gostei. Pode, inclusive, envolver sereias, já que foi embaixo do mar. Mas já vou entregando o jogo, provavelmente foi algum evento geológico; como um iceberg que se desprendeu. Mas aposto que, segundo o meu querido e conspiratório History, é a prova de que monstruosidades monstruosas existem lá no fundo.

privada bloop
 Os cientistas pensaram nessa porcaria e batizaram o evento. Tenho certeza...

Que ráios é THE BLOOP? 
Em 1997, na costa oeste da América do Sul, na melancólica e isolada coordenada de 50ºS e 100ºW, um barulho foi captado por sensores submarinos - desses usados para ouvir cantos de baleias ou golfinhos. E, ao que tudo indica, era de fato um barulho de origem biológica, portanto, vindo de algum cetáceo. A particularidade do Bloop é que ele foi captado por diversos sensores... A 5.000 Km de distância. É como se eu berrasse em Brasília e me ouvissem em Dakar, logo ali, no Senegal. Foi o som mais alto já registrado sob o oceano. Por conta da frequência e para nossa sorte, ninguém se machucou. O som durou cerca de 1 minuto e nunca mais foi captado desde então. O nome se deve ao barulho que, reproduzido em velocidade acelerada, soa como - adivinhem? - BLOOP!

DaFuq????
A princípio, os cientistas mais empolgados cogitaram a existência de algum ser vivo de tamanho apavorante, cujo canto era semelhante ao de uma baleia azul. Uma baleia azul 16x maior. Como somos um tanto ignorantes quando o assunto é "oceano" (conhecemos algo como 5-10%), poderia ser uma possibilidade... Para deixar as coisas mais legais, as coordenadas do evento eram eram próximas às da cidade lendária de R'yleh, onde o monstro Cthulhu estaria aprisionado, de acordo com Lovecraft. Mas, a ciência acabou com o pirlimpimpim da história e já bateu o martelo: o bloop foi produzido por um iceberg que se desprendeu. Cientistas até apontaram o iceberg culpado. Outras hipóteses - tão improváveis quanto o Cthulhu - apontam para terremotos, barulhos de vento (no caso, tempestades simultâneas) ou navios de grande porte.

Eu aguardo o veredito do History Channel. Cthulhu pode ter espirrado.

cute cthulhu
Quem? Eu?

quarta-feira, setembro 11, 2013

Tó um Xêro

A imagem que invade o meu infeliz pensamento
 quando ouço uma pessoa dizer isso a outra...


um xero, boneco melecado
...Sempre...

segunda-feira, agosto 26, 2013

O portão do inferno

Inferno. Um lugar quente, com chamas eternas, onde as pessoas que levaram uma vida pecaminosa arderão para a eternidade, enquanto pequenos diabos lhes espetarão a bunda com um tridente e farão bullying mencionando o tamanho do seu pipi. Se alguém tiver curiosidade em dar uma olhadinha no local e, quem sabe, pular lá dentro para ter um papo cabeça com o cramunhão, não precisam procurar mais. Existe um portão para o inferno. Pertinho de você (ou quase). Envolve um buraco, um lugar quente e a União Soviética.

portal do inferno
 Bem vindo!

O Portão do Inferno encontra-se no Turcomenistão, que era parte da União Soviética quando ele foi inaugurado por geólogos inocentes. A sua localização geográfica é extremamente adequada - ele está situado no Deserto de Karakoum, que é seco, monótono, quente e domina boa parte daquele país. O povoado mais próximo é a "cidade" de Derweze, com 350 habitantes que não se importam muito com seus vizinhos.

Tudo começou quando geólogos soviéticos foram explorar aquele deserto aparentemente inútil e encontraram diversas fontes de precioso gás natural. Em 1971, eles encontraram uma caverna na qual o gás era abundante. Mas quando foram cavar, alguma coisa deu errado e o teto da caverna desabou, liberando o combustível por todo o perímetro. Com medo de uma contaminação, os soviéticos tiveram uma ideia brilhante: queimar aquela descoberta mal cheirosa ali mesmo. Assim, riscaram um fósforo e teve início um inesquecível espetáculo de pura pirotecnia...

...Que dura até hoje. A maldita cratera, com impressionantes 70 metros de diâmetro, ilumina o deserto há mais de 40 anos cuspindo labaredas amareladas. Grande, quente e impressionante, ali está a entrada infernal.

Door to hell in turkmenistan
Os Illuminatis curtiram.
Imagem: Google Maps

quarta-feira, maio 15, 2013

Harte

Arte com H fica mais hartístico. Só não me perguntem porquê.
Há uma coisa no mundo que eu jamais irei entender e, se alguém conhecer um livro intitulado "Decodificando arte abstrata: um guia para perfeitos idiotas", favor me indicar. Eu gosto de arte abstrata. Aqueles quadros que aparentemente não fazem sentido algum e, normalmente, levam um título que faz menos sentido ainda. Entre um desses e uma réplica da Monalisa, provavelmente ficaria com o esquisito. Mas simplesmente porque acho bonito. 

arte abstrata
Cinquenta tons de roxo - óleo sobre tela - 2013

arte abstrata
Cabras pastando no ártico - giz de cera e sangue de avestruz - 2013 

Provavelmente, se eu tomar a Garrafada do Charlatão da Floresta eu irei ver não só 50 e 1 tons de roxo - entendendo a genialidade da obra - como também verei as cabras pastando no ártico. Talvez até emitindo sons e olhando pra mim. Mas, sob condições normais, são meras formas geométricas coloridas e rabiscos sem sentido algum. Não vejo nada além disso. Nenhum tom de roxo. Nenhuma cabra. Máaaasss...

Tem gente que deve ver. Hoje me deparei com isso aqui:

Onement VI
Arte. Foto: Sotheby’s Auction House/AP

Esse retângulo dividido ao meio por uma faixa azul é um trabalho do artista Barnett Newmann, que aparentemente tinha uma fixação por listras. Eu gosto desse quadro. É simples, azul e tem formas verticais. E vale US$ 43.840.000,00. É mais que o meu salário mensal. É esse número mesmo. Foi arrematado por (arredondando pra cima, pois não fará muita difereça) QUARENTA E QUATRO MILHÕES de dólares americanos em um leilão. De acordo com dados da ONU, é mais que o PIB de Tuvalu e mais que a metade do PIB de Kiribati. Ou seja, o cidadão que comprou o quadro podia *teoricamente* ter comprado um país. Por mais que ache esse quadro bonito, eu jamais vou entender a razão pela qual ele vale mais que a minha cabra. E elas pastam no ártico. Duvido que o retângulo faça isso!

Então, voltando ao início, se alguém conhecer um livro intitulado "Decodificando arte abstrata: um guia para perfeitos idiotas", favor me indicar. Ou vou continuar achando que vale mais a pena comprar um Tuvalu.

sábado, abril 20, 2013

Isso é Bullying 0_0

Tenho bastante coisa em comum com hobbits. Gosto de boa comida, lugares tranquilos, momentos ociosos, fumar meu cachimbo tranquilamente (não fumo mais), cuidar de plantas... Não sou muito maior que o Frodo e, ao contrário dele, não tenho o pé peludo.

A parte do cuidar de plantas é a que interessa aqui. Tive que comprar terra para elas. 3 sacos de 10 kg para substituir o solo velho e imprestável... Nem erva daninha crescia mais lá - elas migraram para a sacada do vizinho.

Loja de produtos agrários
 3.

 O solícito rapaz do balcão imediatamente anunciou o meu pedido. O que aconteceu foi mais ou menos isso:

Chamando o gigante
Algo medonho estava por vir!! 

Com o grito e a ênfase na palavra, eu esperava algo assustador, que viria até a minha pessoa com os 3 sacos no ombro, afundando o chão onde pisasse. Se algum funcionário ou cliente estivesse em sua passagem, esse seria delicadamente reduzido a carne moída. A voz da criatura seria molenga e enrolada. 

Gigante raivoso
Seria legal. Mas não foi exatamente o que aconteceu.

Outro gigante veio me ajudar. Só que era um gigante um pouco menor. Quando olhei pra baixo, um outro atendente deu as caras:

vendedor baixinho
BULLYING!!!!

Eu sinceramente não esperava por um Oompa-Loompa. O frágil homúnculo conseguia ser menor que um hobbit! Mas era ele o "Gigante" responsável pelos meus 30 kg de terra. Porém, anunciou que no dia anterior o "sistema estava fora do ar" (sistemas sempre estão fora do ar) e por isso ele não lançara a compra dos últimos sacos de terra. O chefe no balcão, o de voz grave que o chamava "Gigante", fez cara feia. O Gigante retribuiu com uma cara de chihuahua que fez coisa errada e espera por um castigo de seu dono. 

bullying baixinhos
Fazer o quê? Fui comprar minha terra em outra loja.

O Gigante é um caso de bullying corporativo. Algo muito perigoso quando eu sou pego de surpresa, pois tenho uma infeliz propensão a rir de tudo. Por pouco uma crise de riso gigante não foi desencadeada. E olha que eu me enquadro na categoria dos pintores de meio fio e lenhadores de bonsai que vivem no condado - o que tornaria a risada algo meio sem sentido... #WTF

crise de riso
Risco disso acontecer: alto

(Ia desenhar a hipótese de um Gigante raivoso pular em mim para rasgar minha jugular, mas fiquei com preguiça de ligar o scanner. Perderam a cena mais sangrenta dessa postagem) 

sexta-feira, abril 12, 2013

As utilidades de um taco de golfe

10 coisas que eu faria com um taco de golfe
1. Arremessar um pombo na estratosfera;

2. Arremessar um pombo na estratosfera;

3. Arremessar um pombo na estratosfera;

4. Arremessar um pombo na estratosfera;

5. Arremessar um pombo na estratosfera;

6. Arremessar um pombo na estratosfera;

7. Arremessar um pombo na estratosfera;

8. Arremessar um pombo na estratosfera;

9. Arremessar um pombo na estratosfera;

10. Jogar golfe.

é com você mesmo...

terça-feira, março 26, 2013

Vila Amaury

Outro dia eu estava lendo uma revista de Brasília, na qual havia várias dicas de atrações turísticas e "do que fazer" na capital, famosa justamente por não ter nada pra fazer. E eu estava em maus lençóis, já que praticamente tudo que a revista considerava como "coisa pra fazer" já havia sido feita, logo, estava riscada  da minha lista. Consequentemente, o Playstation vinha sendo ligado mais vezes para atuar como forma de lazer. Final Fantasy XIII a todo vapor...

MÁAAASSS....

Vi uma coisa que me chamou a atenção na revista. Algo realmente exótico para fazer na cidade. Moro aqui há tanto tempo e nunca tinha ouvido falar na Vila Amaury. Como o nome diz, é uma vila. Era ali que a "peãozada" que veio para o poeirento Planalto Central se instalou quando da construção de Brasília  E o que uma vila de antigos trabalhadores teria de tão especial? Nada, não estivesse ela submersa, esquecida no fundo do Lago Paranoá - que enfeita a capital do Brasil. Pois é. Muitos não sabem, mas temos uma Atlântida.

 TUDO! Tudo pode ser encontrado no Lago Paranoá

O lago é conhecido por ter muito entulho. Basta ir à sua margem que a garrafa plástica da Coca Cola estará lá. Há também uma família de capivaras e uns jacarés que, dizem, passeiam por ali - para desespero das saborosas capivaras. Em suas profundezas, podem ser encontrados desde veículos naufragados de toda sorte a cadáveres que escolheram o local para ser sua morada eterna (embora alguns neguem essa possibilidade)... A água, de péssima qualidade, tem acidez elevada por conta da matéria orgânica apodrecida. Quando inundaram a área com a barragem, não se preocuparam em retirar as árvores e com isso, nem todo peixe - tem até peixe, por incrível que pareça - consegue viver bem ali (estou certo, biólogos?). Em determinadas épocas do ano, ilhas de plantas aquáticas se formam, deixando a paisagem mais verde e interessante.

Apesar de toda essa baderna subaquática, nunca imaginei a existência das ruínas de uma cidade; isso iria além das minhas expectativas mais bizarras para com o lago.. Segundo a revista, há um barco que leva os turistas curiosos até o local onde eles mergulham a cerca de 10m de profundidade para visitar o que restou da Vila Amaury. Aparentemente, há muito para se ver por entre as ruínas fantasmagóricas e, quem mergulhou, disse que é uma experiência um tanto "perturbadora"... Afogados ali, ainda estão móveis e utensílios domésticos, calçados, paredes ainda intactas, louças e até postes. Há um livro chamado "Brasília Submersa", do fotógrafo Beto Barata com imagens da antiga vila esquecida sob as águas...

Os tijolos da antiga cidade 

Passagem secreta! 

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Fonte: blogs.estadao.com.br
Fotos: Beto Barata

sábado, março 02, 2013

Turritopsis nutricula, o Highlander dos mares

medusan flashman
Sealander, pode? Pior que pode...
 
Há uns tempos, escrevi sobre o peixe que rosna. Eis que, novamente, a água nos vem com mais um bicho curioso, com o nome científico de turritopsis nutricula. Trata-se de uma água-viva, ou medusa, que não rosna, mas faz coisa pior. Quem conhece esses animais e já foi acariciado por eles sabe que não é nada bom. Ele vem quietinho e camuflado até você, esbarra e causa aquela queimadura inesquecível. Quando criança, descobri que dava pra segurar as ditacujas com cuidado na palma da mão. Matava montes delas antes de entrar na praia. A nutricula, porém, não é como os seus pares que, um dia, para que possamos nadar mais tranquilos, passam da data de validade e morrem gelatinosamente. A nutricula é o highlander da mãe natureza e só morre se for estraçalhada, comida ou enterrada viva - como eu faço com suas semelhantes.

Água-viva-imortal
No outono é sempre igual
As folhas caem no quintal
Só não cai o meu amor
Pois não tem jeito
É imortal...

No ciclo de vida da medusa-medusa, o indivíduo adulto, único com a infeliz capacidade de se reproduzir, produz óvulos e/ou esperma e morre pouco depois, não se dando conta da bobagem que fez. Já a medusa-eterna pode continuar lá para admirar sua prole. Da mistura óvulos + esperma, temos como resultado uma larva plânula (ciliar). Essa larva, ao vir ao mundo, sai em busca de algum lugar estável e seguro para formar o pólipo e continuar seu ciclo. O pólipo é o ponto de partida pra essas porcarias molengas. É uma colônia, semelhante a uma árvore de cujas extremidades partem as larvas "éfiras", que um dia serão medusas. A nossa colega imortal, após passar por algum momento de stress, após se reproduzir ou por alguma experiência não identificada reverte seu processo de envelhecimento. Os tentáculos se retraem, a "cabeça" encolhe, ela gruda em algum lugar e ela vira pólipo novamente, ciclo que pode ser repetido ad eternum. Isso ocorre devido a um evento atípico em que uma determinada célula se transforma em outras diferentes - um pouco como o que acontece nas células-tronco humanas.

reprodução-da-agua-viva
Bruxaria submarina!

A nutricula foi descoberta por Christian Sommer, um estudante de biologia marinha alemão que estava de férias no Mediterrâneo coletando espécies de hidrozoários, um pouco como eu fazia, só que com outro propósito. Apesar de ter sido descoberta no Mediterrâneo, a espécie é originária do Caribe. Cientistas estipulam que, devido às sua cisma em não morrer, a nossa gelatina highlander possa estar expandindo cada vez mais seu território, prestes a criar um imprério marinho de dar inveja a qualquer Gengis Khan... Se não estamos - e nem corremos o risco de estar - nadando em um mar de geleca, é graças aos inúmeros predadores que fazem com que a imortalidade das nutriculas não tenha muita serventia. Há estudos sendo realizados no sentido de encontrar alguma propriedade em suas células que possa ser útil aos humanos.

pombo gordo
 E agora eu me pergunto... Será que pombo também não vira ovo?
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Fontes
http://scienceblogs.com.br/bessa/2009/02/o-curioso-caso-de-turritopsis-nutricula/  http://www.hypeness.com.br/2013/02/essa-agua-viva-e-o-unico-animal-imortal-do-planeta/
http://www.telegraph.co.uk/earth/wildlife/4357829/Immortal-jellyfish-swarming-across-the-world.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Turritopsis_nutricula 

sábado, fevereiro 23, 2013

Duos habet et bene pendentes

Não. Não é mais uma história de banheiro.

Tudo nos conformes, se o papa tiver bolas.
A primeira vez que li isto foi em uma revista que estava no trabalho. Anos se passaram e, não sei bem porquê, eu lembrei do assunto no início do mês. Resolvi fazer umas pesquisas sobre o tema e demorei a escrever. Eis que, no meio tempo, o papa anuncia sua renúncia. Ou seja, totalmente sem querer, acabei escrevendo sobre um papa. Só que outra. 
No século XIII, entre o pontificado do papa Leão IV e Bento III tivemos uma história controversa e nebulosa envolvendo um papa. Ou uma mama, supondo que papa venha de "pai". João VIII (o intermediário), pelo que dizem, era uma mulher disfarçada de homem, que trollou toda a Igreja. A João VIII nasceu em Mogúncia, uma cidade de nome esquisito na Alemanha, embora algumas referências, situem seu nascimento na Inglaterra. Antes de entrar para a vida religiosa, ela conheceu um homem, que tornou-se seu amante e levou-a para a Grécia. Naquele país, a futura papa, cujo nome real seria "Joana" - fontes divergem sobre esta questão -, estudou muito e aprofundou-se nas mais variadas disciplinas. De lá, travestida, logrou entrar para a Igreja. Em meio à comunidade eclesiástica, tornou-se professora, bispo e acabou sendo eleita papa. Porém, mesmo enquanto papa, continuou tendo encontros com o seu amante. Como a pílula só seria inventada algum tempo depois, ela acabou engravidando. O ingênuo clero da época deve ter se perguntado por que ráios a hóstia estava tão calórica para engordar o Papa daquele jeito (teoria domrafística). O mistério acabou quando, diante dos olhares apavorados de seus Irmãos, o Papa deu a luz a um filho, olhou pra eles e disse "Problem?"... Problem coisa nenhuma, isso era coisa do cramunhão!


Gravura de "João VIII" como sendo o anticristo. 

CONSEQUÊNCIAS DA BRUXARIA
Uns dizem que ela foi arrastada por Roma presa a um cavalo e apedrejada até a morte por uma multidão enfurecida. Outras fontes dizem que ela simplesmente ficou enclausurada em um convento, o que eu duvido muito, já que naquela época eles eram chegados a uma torturazinha, muitas vezes culminando em uma morte pirotécnica. Sua prisão no convento não  teria sido por conta da ira da Igreja, mas sim para que ela se redimisse de seus pecados. Seu filho teria permanecido como membro do clero, tornando-se o Bispo de Ostia. Finalmente, a teoria domrafística II estipula que ela pode ter queimado na fogueira. Hoje, ela é a segunda carta do tarô e não é reconhecida pela doutrina católica.

Princípio medieval da morte pirotécnica

SERÁ QUE ELE É?

A existência de uma papisa (não sei se o termo existia antes de João VIII, já que devia ser algo inconcebível) deixou os cardeais de cabelo em pé. Isso jamais poderia acontecer novamente. Alguém então teve a brilhante ideia de usar uma cadeira chamada sedia stercoraria - talvez um tipo de privada da época? - para verificar se o papa, de fato, era macho. O candidato sentava ali e um cardeal colocava a mão no buraco, que servia de entrada e saída para o penico, em busca dos genitais do futuro papa. Ao alcançar o saco, o cardeal apalpava e anunciava aos demais presentes: "duos habet et bene pendentes" - "Tem dois (testículos) e estão bem pendurados". Há quem afirme que essa prática perdure até os dias de hoje. Algo muito difícil, uma vez que que a ciência já deve ter inventado métodos tão eficientes quanto a verificação manual dos penduricalhos para deduzir que o candidato é MACHO! Uma sedia stercoraria pode ser vista no Museu do Vaticano, mas aparentemente não há nenhuma placa em volta indicando qual sua exata finalidade...


CONFIRMATUM!!! Duos habet et bene pendentes. 

O OUTRO LADO DA MOEDA
Por falta de documentos acerca dos primeiros papas e da dificuldade de reunir dados consistentes a respeito, muitos estudiosos acreditam que "João VIII" possa ter sido um mero boato para desmoralizar o clero na época. Uma lenda urbana medieval, repetida tantas vezes que acabou por se tornar aceita como verdade. Teria tomado força como propaganda anticatólica usada por escritores protestantes durante a Reforma no século XVI. Quanto à cadeira de verificação íntima, esta poderia ter sido usada para verificar a integridade física do provável pontífice. Era exigido que seu corpo estivesse intacto, o que justificaria o teste, uma vez que há registros de castração voluntária entre membros do clero. Com o perdão da expressão, a idade média tinha umas práticas medievais pá carái... 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Horário de Verão

Quando a minha Kombi volta pra casa mais cedo.
Nem ia escrever sobre isso hoje; mas como a postagem que estava prevista se encontra morgando nos meus rascunhos aguardando meu SACO para fazer seu desenho desde o início do mês, resolvi aproveitar. Em tempo: reparem que "saco" está em destaque. Referência ao que virá pela frente.


A maioria das pessoas que eu conheço não gosta de horário de verão. Reclamam que quando acordam está escuro e, em seu caso, quando voltam do trabalho, chegam à casa no escuro do mesmo jeito. Ontem, uma reportagem na televisão mostrava os cariocas reclamando do fim do horário de verão. Argumento: menos tempo de praia. Como eu sou constitucionalmente carioca, devo ter isso na minha genética. Gosto de mais tempo de praia. Porém, não é só isso!

Quando criança, a Kombi da escola vinha me buscar com sol, algo incomum pra quem estudava à tarde. Era como se eu voltasse mais cedo pra casa. No trabalho, volto com o dia bem claro enquanto no horário não-de-verão, volto com o pôr-do-sol na minha cara. Quem vou processar quando minha vista for danificada por excesso de luz?

Horário de verão tem um lado psicológico. Dizem que muitos entram em depressão. Eu, ao contrário morro de felicidades. Esse horário costuma ir de outubro a fevereiro, parte do ano que eu considero como o "cardume de feriado". Outubro? Tem. Novembro? Tem também. E dezembro, e janeiro, e carnaval e... Acabou o horário de verão, tudo volta a ser como era antes.

 Voltando pra casa com sol. Ainda dá tempo de caçar insetos.

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O horário de verão, sugerido sem sucesso por Benjamin Franklin, começou a se popularizar graças a George Vernon Hudson, um senhor neozelandês, que queria mais tempo de sol para - vejam só - catar insetos. O seu país natal não o levou a sério, já que a maioria da população se mostrou pouco interessada em borboletas e besouros. O primeiro país a adotar a medida foi a Alemanha, por volta de 1900. Obviamente, nenhum alemão estava ávido por caçar coleópteros, mas a adoção desse horário foi apresentada como uma forma de economizar energia e carvão na Primeira Guerra.

De fato, pode ter sido. Nos dias de hoje, porém, isso dificilmente teria muita eficácia já que no exato momento, com o sol que está, temos luzes ligadas, ar condicionados a nos refrescar e computadores funcionando a todo vapor, logo, praticamente nenhuma economia energética. Ao menos não por conta dos ponteiros adiantados.

Quanto mais longe do Equador (a linha, não a República do ~), maior é a tendência dos países a adotarem o horário de verão. O que tem sua lógica, já que nesses lugares o inverno é triste, escuro e frio. Assim, os noruegueses e eu gostamos do tal horário. Na Noruega gostam tanto que em sua vigência o expediente termina às 15h, para que a população possa aproveitar. Ouvi dizer que o benefício se estende a funcionários noruegueses a serviço do governo no Brasil. 

Enquanto isso, em lugares como Rio Branco ou Teresina, onde 30°C é frio, 1h a mais de sol soaria como sacanagem de mau gosto. Essa parte do Brasil, quente e revoltada com o resto do país, não mexe no reloginho  o que causa transtornos nos horários bancários. E principalmente, na hora da novela da Globo...

Em Wellington, Nova Zelândia, a coleção de insetos de Hudson pode ser apreciada no Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa. Sou eternamente grato a ele e a seus besouros.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Academia: suadeira, uivos, dalits...

Onde muque e vestiário masculino se encontram.
Cultuada por alguns e odiada por outros tantos, temos a academia. No caso, a de musculação, treino, fisiculturismo, ginástica ou como quiserem chamar. O local onde vamos na expectativa de entrar Seu Barriga e sair Rambo. É isso que, imagino, a maioria espera. E, de fato, é o que tende a acontecer. Mas a academia é bem mais que isso. Tem toda uma cultura e uma biosfera própria que vão desde a sempre presente bicicleta ergométrica ao cidadão que adquiriu músculos suficientes para nunca mais fechar os braços.

Gosto de imaginar um sistema de castas nas academias. Tipo uma Índa, só que mais maleável. Quem nasce dalit, pode evoluir! Eu sou um dalit - acabei de começar. No jargão acadêmico, sou um "frango". Ainda levanto pesos de 5 Kg, enquanto a moça ao lado levanta 10. Não raro, frangos ganham olhares tortos dos marombas patrimônio da academia - no treino desde o Brasil Império. Por exemplo, a frase franga "vamos alternar?" seguida  do paciente ajuste de 80 para 10 Kg no aparelho e de todas as alturas, configurações e o escambau a quatro, causa sentimentos raivosos nesses veteranos.

Democracia na esteira.

Temos também as adolescentes (acontece mais com mulheres) que perdem a noção da vida e ficam conversando com as miguxas, analisando o Facebook por meio do iPhone. Nada de mais, se não estivessem confortavelmente sentadas em algum aparelho, causando irritação em frangos e marombas em igual proporção. Outra casta compreende senhoras de aparência peruesca, vestindo roupas insinuantes - as mesmas das miguxas 30 anos mais novas - que admiram gulosamente qualquer personal trainer que passe. Da mesma forma, do lado sexualmente oposto da casta, estão os homens que emagrecem mulheres com o poder do olhar e, enfim, os músicos e os suados...

Enquanto treinamos, é comum ouvirmos a sonoridade da "Acadêmicos do Santo Muque". Quanto maior o peso, melhor a música. São seres que não conseguer treinar sem emitirem uivos, cacarejos, bufos ou outros sons guturais. E, muitas vezes, esse povo canta até suar de emoção. O que leva ao tipo considerado por mim o mais medonho: os exageradamente suados. Em uma aula de spinning, o homem-sonoro à minha frente estava suando à ponto de ter criado uma lagoa com carpas  sob seu aparelho. A cena era impressionante. Ele bufava e pingava, parecendo ter saído exausto de uma piscina.

 "Gnnnnfff naffnaff unghhh dwairrrggghhh" - Sucesso do verão!

Agora... O mais grotesco é quando um ser molhadinho desses está usando um aparelho para o qual você é o próximo da fila. Aconteceu comigo. Um homo sapiens úmido estava na adutora, rosnando com uma carga visivelmente exagerada. Ele saiu e, quando fui até o aparelho, me deparei com um assento molhado, passível de grudar na minha bunda. Apesar de haver coisas para limpar os equipamentos na academia, não havia nenhum no meu perímetro. Mas isso não tinha importância - lavar meu assento devia ser função obrigatória do suado, sob pena de ficar de castigo em algum calabouço, perto do vestiário masculino, ambiente insalubre que cheira a desodorante barato. Aqueles que têm um odor marcante, cujo rastro se apodera do local... 
 ACABEI: do verbo "inutilizar" - deixar algo impossível para o uso, invalidar

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

A identidade dos super-heróis. E o Jaspion.

Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, He-Man... Super-heróis com uma identidade secreta. Uma hora eles são gente como a gente e, num outro momento, super-gentes. Diz a lenda que a dualidade tem por objetivo dar a eles uma vida mais humana, para que leitores possam identificar-se com o personagem. Esta "forma humana" contribuiria para adicionar momentos dramáticos e impasses cotidianos na trama, enquanto os atos heroicos ficariam a cargo do alter ego poderoso.

Outro objetivo - plausível mas, no momento, invenção minha - seria o de proteger os entes queridos. O vilão da história poderia atazanar mais facilmente a família de um herói conhecido. Nesse aspecto, penso que o anonimato seria extremamente útil. Também serviria para salvar a heroica pele, caso o mascarado venha a se tornar persona non grata na cidade e precise tirar férias no Sudão.

 Hora de dar um sumiço. A coisa ficou séria!

E enfim, pode proporcionar surpresas, se o objetivo for, em determinado momento, sair do armário! Pensei na dupla identidade no filme Kick Ass e em filmes americanos em que nerds improváveis se dão bem.

...E tem 4 olhos!...

Mas... Há heróis, Heróis, HERÓIS e...

O JASPION!

Esse foi o herói da minha infância. Antes de Chuck Norris ficar famoso, Jaspion já gostava de mandar seus desafetos para junto de Papai do Céu (ou não; nunca se sabe) lutando bravamente em locais idênticos, melancólicos e desolados do Japão - algo semelhante a umas montanhas de brita.

 Quase toda luta era nessa maldita montanha. 
(acho que na maioria dois seriados japoneses a pancadaria era aí)

Jaspion não tinha o que esconder. Sua família se restringia a um Gandalf intergalático que também tinha seus poderes, chamado Edin.

You shall not pass!!!

Jaspion começava a série ostentando uma cabeleira black power e terminava com um corte Chitãozinho e Xororó. E continuava impondo respeito!

Era permanente ou progressiva? Jamais saberemos...

Jaspion usava luva de couro de ciclista, jaqueta de vinil com rebites e pele de onça albina (?) e calça Freddie Mercuryesca sem parecer ridículo.

Não só era um exemplo de elegança, como também usou apenas essa roupa no seriado inteiro.

Jaspion tinha imunidade a explosões. E, como pode ser visto ao longo dos episódios, também era imune a facadas, relâmpagos, venenos, espadas, bruxarias, e flechadas na bunda.

Quantas curtidas esse guerreiro merece?

Jaspion pegava uma andróide (ou ao menos eu gostava de imaginar que ele pegava).

...Vai dizer que eram "apenas bons amigos"??

Jaspion tinha um arsenal de fazer inveja em muito traficante. Pacificaria um morro facilmente, em aventura solo! Além disso, passeava por aí em uma espaçonave gigantesca, que virava um robô e indicava qualquer problema nos arredores em tempo real. Mais eficiente que o Google search! Se cansasse da nave, ainda dispunha de jatinho, tanque de guerra e uma motocicleta com after burner.

Distribuindo laser em alguma batalha.


Ou seja, Jaspion era O CARA!

Notas:
1) Ia escrever apenas sobre a identidade de super-heróis. Mas aí lembrei do Jaspion.
2) Sou péssimo desenhista de máscaras heroicas
3) A maioria dos super-heróis tem nomes toscos. Green Mantis que o diga.
4) Jaspion, na verdade, é "JUSPION". De "JUStice ChamPION". Tipo o Zuleco, Fuleco, Amijubi... Nome tosco. 
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