sábado, fevereiro 23, 2013

Duos habet et bene pendentes

Não. Não é mais uma história de banheiro.

Tudo nos conformes, se o papa tiver bolas.
A primeira vez que li isto foi em uma revista que estava no trabalho. Anos se passaram e, não sei bem porquê, eu lembrei do assunto no início do mês. Resolvi fazer umas pesquisas sobre o tema e demorei a escrever. Eis que, no meio tempo, o papa anuncia sua renúncia. Ou seja, totalmente sem querer, acabei escrevendo sobre um papa. Só que outra. 
No século XIII, entre o pontificado do papa Leão IV e Bento III tivemos uma história controversa e nebulosa envolvendo um papa. Ou uma mama, supondo que papa venha de "pai". João VIII (o intermediário), pelo que dizem, era uma mulher disfarçada de homem, que trollou toda a Igreja. A João VIII nasceu em Mogúncia, uma cidade de nome esquisito na Alemanha, embora algumas referências, situem seu nascimento na Inglaterra. Antes de entrar para a vida religiosa, ela conheceu um homem, que tornou-se seu amante e levou-a para a Grécia. Naquele país, a futura papa, cujo nome real seria "Joana" - fontes divergem sobre esta questão -, estudou muito e aprofundou-se nas mais variadas disciplinas. De lá, travestida, logrou entrar para a Igreja. Em meio à comunidade eclesiástica, tornou-se professora, bispo e acabou sendo eleita papa. Porém, mesmo enquanto papa, continuou tendo encontros com o seu amante. Como a pílula só seria inventada algum tempo depois, ela acabou engravidando. O ingênuo clero da época deve ter se perguntado por que ráios a hóstia estava tão calórica para engordar o Papa daquele jeito (teoria domrafística). O mistério acabou quando, diante dos olhares apavorados de seus Irmãos, o Papa deu a luz a um filho, olhou pra eles e disse "Problem?"... Problem coisa nenhuma, isso era coisa do cramunhão!


Gravura de "João VIII" como sendo o anticristo. 

CONSEQUÊNCIAS DA BRUXARIA
Uns dizem que ela foi arrastada por Roma presa a um cavalo e apedrejada até a morte por uma multidão enfurecida. Outras fontes dizem que ela simplesmente ficou enclausurada em um convento, o que eu duvido muito, já que naquela época eles eram chegados a uma torturazinha, muitas vezes culminando em uma morte pirotécnica. Sua prisão no convento não  teria sido por conta da ira da Igreja, mas sim para que ela se redimisse de seus pecados. Seu filho teria permanecido como membro do clero, tornando-se o Bispo de Ostia. Finalmente, a teoria domrafística II estipula que ela pode ter queimado na fogueira. Hoje, ela é a segunda carta do tarô e não é reconhecida pela doutrina católica.

Princípio medieval da morte pirotécnica

SERÁ QUE ELE É?

A existência de uma papisa (não sei se o termo existia antes de João VIII, já que devia ser algo inconcebível) deixou os cardeais de cabelo em pé. Isso jamais poderia acontecer novamente. Alguém então teve a brilhante ideia de usar uma cadeira chamada sedia stercoraria - talvez um tipo de privada da época? - para verificar se o papa, de fato, era macho. O candidato sentava ali e um cardeal colocava a mão no buraco, que servia de entrada e saída para o penico, em busca dos genitais do futuro papa. Ao alcançar o saco, o cardeal apalpava e anunciava aos demais presentes: "duos habet et bene pendentes" - "Tem dois (testículos) e estão bem pendurados". Há quem afirme que essa prática perdure até os dias de hoje. Algo muito difícil, uma vez que que a ciência já deve ter inventado métodos tão eficientes quanto a verificação manual dos penduricalhos para deduzir que o candidato é MACHO! Uma sedia stercoraria pode ser vista no Museu do Vaticano, mas aparentemente não há nenhuma placa em volta indicando qual sua exata finalidade...


CONFIRMATUM!!! Duos habet et bene pendentes. 

O OUTRO LADO DA MOEDA
Por falta de documentos acerca dos primeiros papas e da dificuldade de reunir dados consistentes a respeito, muitos estudiosos acreditam que "João VIII" possa ter sido um mero boato para desmoralizar o clero na época. Uma lenda urbana medieval, repetida tantas vezes que acabou por se tornar aceita como verdade. Teria tomado força como propaganda anticatólica usada por escritores protestantes durante a Reforma no século XVI. Quanto à cadeira de verificação íntima, esta poderia ter sido usada para verificar a integridade física do provável pontífice. Era exigido que seu corpo estivesse intacto, o que justificaria o teste, uma vez que há registros de castração voluntária entre membros do clero. Com o perdão da expressão, a idade média tinha umas práticas medievais pá carái... 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Horário de Verão

Quando a minha Kombi volta pra casa mais cedo.
Nem ia escrever sobre isso hoje; mas como a postagem que estava prevista se encontra morgando nos meus rascunhos aguardando meu SACO para fazer seu desenho desde o início do mês, resolvi aproveitar. Em tempo: reparem que "saco" está em destaque. Referência ao que virá pela frente.


A maioria das pessoas que eu conheço não gosta de horário de verão. Reclamam que quando acordam está escuro e, em seu caso, quando voltam do trabalho, chegam à casa no escuro do mesmo jeito. Ontem, uma reportagem na televisão mostrava os cariocas reclamando do fim do horário de verão. Argumento: menos tempo de praia. Como eu sou constitucionalmente carioca, devo ter isso na minha genética. Gosto de mais tempo de praia. Porém, não é só isso!

Quando criança, a Kombi da escola vinha me buscar com sol, algo incomum pra quem estudava à tarde. Era como se eu voltasse mais cedo pra casa. No trabalho, volto com o dia bem claro enquanto no horário não-de-verão, volto com o pôr-do-sol na minha cara. Quem vou processar quando minha vista for danificada por excesso de luz?

Horário de verão tem um lado psicológico. Dizem que muitos entram em depressão. Eu, ao contrário morro de felicidades. Esse horário costuma ir de outubro a fevereiro, parte do ano que eu considero como o "cardume de feriado". Outubro? Tem. Novembro? Tem também. E dezembro, e janeiro, e carnaval e... Acabou o horário de verão, tudo volta a ser como era antes.

 Voltando pra casa com sol. Ainda dá tempo de caçar insetos.

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O horário de verão, sugerido sem sucesso por Benjamin Franklin, começou a se popularizar graças a George Vernon Hudson, um senhor neozelandês, que queria mais tempo de sol para - vejam só - catar insetos. O seu país natal não o levou a sério, já que a maioria da população se mostrou pouco interessada em borboletas e besouros. O primeiro país a adotar a medida foi a Alemanha, por volta de 1900. Obviamente, nenhum alemão estava ávido por caçar coleópteros, mas a adoção desse horário foi apresentada como uma forma de economizar energia e carvão na Primeira Guerra.

De fato, pode ter sido. Nos dias de hoje, porém, isso dificilmente teria muita eficácia já que no exato momento, com o sol que está, temos luzes ligadas, ar condicionados a nos refrescar e computadores funcionando a todo vapor, logo, praticamente nenhuma economia energética. Ao menos não por conta dos ponteiros adiantados.

Quanto mais longe do Equador (a linha, não a República do ~), maior é a tendência dos países a adotarem o horário de verão. O que tem sua lógica, já que nesses lugares o inverno é triste, escuro e frio. Assim, os noruegueses e eu gostamos do tal horário. Na Noruega gostam tanto que em sua vigência o expediente termina às 15h, para que a população possa aproveitar. Ouvi dizer que o benefício se estende a funcionários noruegueses a serviço do governo no Brasil. 

Enquanto isso, em lugares como Rio Branco ou Teresina, onde 30°C é frio, 1h a mais de sol soaria como sacanagem de mau gosto. Essa parte do Brasil, quente e revoltada com o resto do país, não mexe no reloginho  o que causa transtornos nos horários bancários. E principalmente, na hora da novela da Globo...

Em Wellington, Nova Zelândia, a coleção de insetos de Hudson pode ser apreciada no Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa. Sou eternamente grato a ele e a seus besouros.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Academia: suadeira, uivos, dalits...

Onde muque e vestiário masculino se encontram.
Cultuada por alguns e odiada por outros tantos, temos a academia. No caso, a de musculação, treino, fisiculturismo, ginástica ou como quiserem chamar. O local onde vamos na expectativa de entrar Seu Barriga e sair Rambo. É isso que, imagino, a maioria espera. E, de fato, é o que tende a acontecer. Mas a academia é bem mais que isso. Tem toda uma cultura e uma biosfera própria que vão desde a sempre presente bicicleta ergométrica ao cidadão que adquiriu músculos suficientes para nunca mais fechar os braços.

Gosto de imaginar um sistema de castas nas academias. Tipo uma Índa, só que mais maleável. Quem nasce dalit, pode evoluir! Eu sou um dalit - acabei de começar. No jargão acadêmico, sou um "frango". Ainda levanto pesos de 5 Kg, enquanto a moça ao lado levanta 10. Não raro, frangos ganham olhares tortos dos marombas patrimônio da academia - no treino desde o Brasil Império. Por exemplo, a frase franga "vamos alternar?" seguida  do paciente ajuste de 80 para 10 Kg no aparelho e de todas as alturas, configurações e o escambau a quatro, causa sentimentos raivosos nesses veteranos.

Democracia na esteira.

Temos também as adolescentes (acontece mais com mulheres) que perdem a noção da vida e ficam conversando com as miguxas, analisando o Facebook por meio do iPhone. Nada de mais, se não estivessem confortavelmente sentadas em algum aparelho, causando irritação em frangos e marombas em igual proporção. Outra casta compreende senhoras de aparência peruesca, vestindo roupas insinuantes - as mesmas das miguxas 30 anos mais novas - que admiram gulosamente qualquer personal trainer que passe. Da mesma forma, do lado sexualmente oposto da casta, estão os homens que emagrecem mulheres com o poder do olhar e, enfim, os músicos e os suados...

Enquanto treinamos, é comum ouvirmos a sonoridade da "Acadêmicos do Santo Muque". Quanto maior o peso, melhor a música. São seres que não conseguer treinar sem emitirem uivos, cacarejos, bufos ou outros sons guturais. E, muitas vezes, esse povo canta até suar de emoção. O que leva ao tipo considerado por mim o mais medonho: os exageradamente suados. Em uma aula de spinning, o homem-sonoro à minha frente estava suando à ponto de ter criado uma lagoa com carpas  sob seu aparelho. A cena era impressionante. Ele bufava e pingava, parecendo ter saído exausto de uma piscina.

 "Gnnnnfff naffnaff unghhh dwairrrggghhh" - Sucesso do verão!

Agora... O mais grotesco é quando um ser molhadinho desses está usando um aparelho para o qual você é o próximo da fila. Aconteceu comigo. Um homo sapiens úmido estava na adutora, rosnando com uma carga visivelmente exagerada. Ele saiu e, quando fui até o aparelho, me deparei com um assento molhado, passível de grudar na minha bunda. Apesar de haver coisas para limpar os equipamentos na academia, não havia nenhum no meu perímetro. Mas isso não tinha importância - lavar meu assento devia ser função obrigatória do suado, sob pena de ficar de castigo em algum calabouço, perto do vestiário masculino, ambiente insalubre que cheira a desodorante barato. Aqueles que têm um odor marcante, cujo rastro se apodera do local... 
 ACABEI: do verbo "inutilizar" - deixar algo impossível para o uso, invalidar

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

A identidade dos super-heróis. E o Jaspion.

Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, He-Man... Super-heróis com uma identidade secreta. Uma hora eles são gente como a gente e, num outro momento, super-gentes. Diz a lenda que a dualidade tem por objetivo dar a eles uma vida mais humana, para que leitores possam identificar-se com o personagem. Esta "forma humana" contribuiria para adicionar momentos dramáticos e impasses cotidianos na trama, enquanto os atos heroicos ficariam a cargo do alter ego poderoso.

Outro objetivo - plausível mas, no momento, invenção minha - seria o de proteger os entes queridos. O vilão da história poderia atazanar mais facilmente a família de um herói conhecido. Nesse aspecto, penso que o anonimato seria extremamente útil. Também serviria para salvar a heroica pele, caso o mascarado venha a se tornar persona non grata na cidade e precise tirar férias no Sudão.

 Hora de dar um sumiço. A coisa ficou séria!

E enfim, pode proporcionar surpresas, se o objetivo for, em determinado momento, sair do armário! Pensei na dupla identidade no filme Kick Ass e em filmes americanos em que nerds improváveis se dão bem.

...E tem 4 olhos!...

Mas... Há heróis, Heróis, HERÓIS e...

O JASPION!

Esse foi o herói da minha infância. Antes de Chuck Norris ficar famoso, Jaspion já gostava de mandar seus desafetos para junto de Papai do Céu (ou não; nunca se sabe) lutando bravamente em locais idênticos, melancólicos e desolados do Japão - algo semelhante a umas montanhas de brita.

 Quase toda luta era nessa maldita montanha. 
(acho que na maioria dois seriados japoneses a pancadaria era aí)

Jaspion não tinha o que esconder. Sua família se restringia a um Gandalf intergalático que também tinha seus poderes, chamado Edin.

You shall not pass!!!

Jaspion começava a série ostentando uma cabeleira black power e terminava com um corte Chitãozinho e Xororó. E continuava impondo respeito!

Era permanente ou progressiva? Jamais saberemos...

Jaspion usava luva de couro de ciclista, jaqueta de vinil com rebites e pele de onça albina (?) e calça Freddie Mercuryesca sem parecer ridículo.

Não só era um exemplo de elegança, como também usou apenas essa roupa no seriado inteiro.

Jaspion tinha imunidade a explosões. E, como pode ser visto ao longo dos episódios, também era imune a facadas, relâmpagos, venenos, espadas, bruxarias, e flechadas na bunda.

Quantas curtidas esse guerreiro merece?

Jaspion pegava uma andróide (ou ao menos eu gostava de imaginar que ele pegava).

...Vai dizer que eram "apenas bons amigos"??

Jaspion tinha um arsenal de fazer inveja em muito traficante. Pacificaria um morro facilmente, em aventura solo! Além disso, passeava por aí em uma espaçonave gigantesca, que virava um robô e indicava qualquer problema nos arredores em tempo real. Mais eficiente que o Google search! Se cansasse da nave, ainda dispunha de jatinho, tanque de guerra e uma motocicleta com after burner.

Distribuindo laser em alguma batalha.


Ou seja, Jaspion era O CARA!

Notas:
1) Ia escrever apenas sobre a identidade de super-heróis. Mas aí lembrei do Jaspion.
2) Sou péssimo desenhista de máscaras heroicas
3) A maioria dos super-heróis tem nomes toscos. Green Mantis que o diga.
4) Jaspion, na verdade, é "JUSPION". De "JUStice ChamPION". Tipo o Zuleco, Fuleco, Amijubi... Nome tosco. 
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