quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Academia: suadeira, uivos, dalits...

Onde muque e vestiário masculino se encontram.
Cultuada por alguns e odiada por outros tantos, temos a academia. No caso, a de musculação, treino, fisiculturismo, ginástica ou como quiserem chamar. O local onde vamos na expectativa de entrar Seu Barriga e sair Rambo. É isso que, imagino, a maioria espera. E, de fato, é o que tende a acontecer. Mas a academia é bem mais que isso. Tem toda uma cultura e uma biosfera própria que vão desde a sempre presente bicicleta ergométrica ao cidadão que adquiriu músculos suficientes para nunca mais fechar os braços.

Gosto de imaginar um sistema de castas nas academias. Tipo uma Índa, só que mais maleável. Quem nasce dalit, pode evoluir! Eu sou um dalit - acabei de começar. No jargão acadêmico, sou um "frango". Ainda levanto pesos de 5 Kg, enquanto a moça ao lado levanta 10. Não raro, frangos ganham olhares tortos dos marombas patrimônio da academia - no treino desde o Brasil Império. Por exemplo, a frase franga "vamos alternar?" seguida  do paciente ajuste de 80 para 10 Kg no aparelho e de todas as alturas, configurações e o escambau a quatro, causa sentimentos raivosos nesses veteranos.

Democracia na esteira.

Temos também as adolescentes (acontece mais com mulheres) que perdem a noção da vida e ficam conversando com as miguxas, analisando o Facebook por meio do iPhone. Nada de mais, se não estivessem confortavelmente sentadas em algum aparelho, causando irritação em frangos e marombas em igual proporção. Outra casta compreende senhoras de aparência peruesca, vestindo roupas insinuantes - as mesmas das miguxas 30 anos mais novas - que admiram gulosamente qualquer personal trainer que passe. Da mesma forma, do lado sexualmente oposto da casta, estão os homens que emagrecem mulheres com o poder do olhar e, enfim, os músicos e os suados...

Enquanto treinamos, é comum ouvirmos a sonoridade da "Acadêmicos do Santo Muque". Quanto maior o peso, melhor a música. São seres que não conseguer treinar sem emitirem uivos, cacarejos, bufos ou outros sons guturais. E, muitas vezes, esse povo canta até suar de emoção. O que leva ao tipo considerado por mim o mais medonho: os exageradamente suados. Em uma aula de spinning, o homem-sonoro à minha frente estava suando à ponto de ter criado uma lagoa com carpas  sob seu aparelho. A cena era impressionante. Ele bufava e pingava, parecendo ter saído exausto de uma piscina.

 "Gnnnnfff naffnaff unghhh dwairrrggghhh" - Sucesso do verão!

Agora... O mais grotesco é quando um ser molhadinho desses está usando um aparelho para o qual você é o próximo da fila. Aconteceu comigo. Um homo sapiens úmido estava na adutora, rosnando com uma carga visivelmente exagerada. Ele saiu e, quando fui até o aparelho, me deparei com um assento molhado, passível de grudar na minha bunda. Apesar de haver coisas para limpar os equipamentos na academia, não havia nenhum no meu perímetro. Mas isso não tinha importância - lavar meu assento devia ser função obrigatória do suado, sob pena de ficar de castigo em algum calabouço, perto do vestiário masculino, ambiente insalubre que cheira a desodorante barato. Aqueles que têm um odor marcante, cujo rastro se apodera do local... 
 ACABEI: do verbo "inutilizar" - deixar algo impossível para o uso, invalidar

Um comentário:

Naylane Sartor. disse...

Parabens pelo post, Bjs e aproveita que tem promoçao no meu blog!
http://www.resenhasteen.blogspot.com.br/2013/01/promocao1-carnaval-literario.html

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